Este Templo Honra a Rainha do Egito Que Governou Como Um Faraó

O templo de Hatchepsut é uma das obras primas da arquitetura mais impressionantes do mundo, mas talvez ainda mais digno de nota seja a mulher que ordenou a sua construção.segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Esta história faz parte do projeto da National Geographic, Mulheres de Impacto, centrado nas mulheres que quebraram barreiras nas respetivas áreas, com reflexos nas suas comunidades, e inspiraram a ação. 

Por baixo dos íngremes e inóspitos penhascos de Deir el Bahri, o templo mortuário de Hatchepsut revela um dos reinados mais extraordinários da história do Egito.

Plataformas escalonadas, pórticos com pilares e relevos vibrantes erguem-se em contraste com o deserto como cenário de fundo, fazendo deste templo uma das obras primas da arquitetura mais impressionantes do mundo, mas talvez ainda mais extraordinária seja a mulher que ordenou a sua construção.

A filha mais velha do faraó Tutmés I, Hatchepsut assumiu primeiro o papel de rainha regente durante a 18.ª dinastia, após a morte do seu marido, Tutmés II. Apesar do seu enteado, Tutmés III, ter atingido a maioridade, Hatchepsut adotou o título de faraó e governou durante mais de duas décadas.

Hatchepsut foi uma das primeiras mulheres do antigo Egito que governou como um faraó.

Atualmente, ainda podem ser vistos vestígios das conquistas de Hatchepsut desde Núbia a Beni Hasan. Em Tebas, Hatchepsut mandou erguer obeliscos gigantes e ordenou a construção de estradas em honra de Amon, divindade suprema e pai dos faraós. As estátuas de Hatchepsut também evoluíram, representando-a com um corpo masculino, com a indumentária faraónica completa, incluindo a tradicional barba, a shenti e o lenço egípcio para a cabeça, uma afirmação de poder.

Mas a joia da coroa era o templo mortuário de Hatchepsut, erguido estrategicamente na margem ocidental do Nilo, próximo do templo de Mentuhotep II, para reforçar a sua posição entre os faraós. Conhecido por Djeser Djeseru, ou “o sagrado dos sagrados”, o templo de Hatchepsut foi decorado com cenas do seu reinado e integrava altares a Anúbis, deus dos mortos; Hator, deusa da fertilidade; Amon, rei dos deuses; e Ré, deus do sol.

Hatchepsut morreu em 1458 a.C. e foi sepultada no Vale dos Reis. Embora Hatchepsut se tenha empenhado para ser lembrada após a sua morte, Tutmés III empreendeu uma campanha radical para destruir o seu legado 20 anos mais tarde. Tutmés esmagou as suas estátuas, desfigurou o seu rosto e apagou a sua cartela. Alguns dizem que foi um ato de vingança, outros acreditam que foi para assegurar a sucessão tranquila do seu próprio filho. Uma terceira teoria sugere que Tutmés não queria que o reinado dos faraós, Tutmés I, II e III, fosse interrompido pelo reinado de uma mulher. Entre 1923 e 1931, a expedição egípcia do Museu Metropolitano de Arte escavou fragmentos das estátuas destruídas de Hatchepsut, que tinham sido lançadas em fossos em frente do templo.

Fosse qual fosse a razão, os esforços de Tutmés III deram frutos e o reinado pioneiro de Hatchepsut foi esquecido gradualmente. Quando os académicos decifraram os hieróglifos no início do século XIX, puderam ler finalmente as inscrições no templo de Hatchepsut e juntar as peças da história. Hoje, o seu legado perdura nas suas conquistas arquitetónicas, cujos vestígios se erguem por todo o Egito.

O QUE VER

O templo está aberto durante todo o ano das 9h da manhã até às 5h da tarde. Vá cedo durante a manhã para evitar as elevadas temperaturas. O templo de Hatchepsut é apenas uma das várias maravilhas arquitetónicas que compõem a antiga Tebas, com a sua necrópole, um lugar declarado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Prolongue a sua estadia por alguns dias e desça aos túmulos pintados com cores exuberantes no Vale dos Reis, vagueie pelo vasto complexo do templo de Karnak e contemple o pôr do sol no templo de Luxor.

QUANDO IR

Se conseguir suportar o calor do verão, vá de maio a setembro para evitar as multidões. As temperaturas de inverno são mais suaves, mas poderá deparar-se com grandes aglomerados de gente, habitual nas épocas altas.

ONDE FICAR

Uma das melhores formas para contemplar a paisagem é subir a bordo de um cruzeiro no rio Nilo. O Sanctuary Nile Adventurer leva-o numa viagem sem stress para ver os lugares de interesse, acompanhado por um egiptólogo experiente. Também pode instalar-se no histórico Palácio de Inverno de Luxor ou optar por lugares menos concorridos como o boutique hotel Beit Sabée, perto de Medinet Habu.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeograhic.com.

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