Viagem e Aventuras

Naufrágios Apaixonantes Para Descobrir à Volta do Mundo

Estes nove destinos são visita obrigatória no roteiro de viagens dos mergulhadores mais intrépidos, com momentos submersos no tempo.Monday, August 13, 2018

Por Terry Ward
Lagoa Chuuk, conhecida anteriormente por Lagoa Truk, na Micronésia.

O mergulho é um desporto com restrições, não apenas relativamente à profundidade que se pode atingir e ao tempo que se pode permanecer submerso, mas também aos limites impostos pelos nervos do próprio mergulhador.

Para os mergulhadores mais destemidos, não há nada mais emocionante do que nadar perto do esqueleto de um navio naufragado, explorar lugares escondidos, e viver na primeira pessoa momentos submersos no tempo.

LAGOA CHUUK, MICRONÉSIA

O naufrágio de mais de 60 navios de guerra japoneses destruídos pelas forças americanas em 1944 repousam no leito de uma lagoa imaculada na Micronésia. E, embora as famílias japonesas continuem a acudir ao local para homenagear os mortos, amantes de mergulho dos quatro cantos do mundo chegam às ilhas para uma visão submersa da história da Segunda Guerra Mundial. Navios de carga japoneses, navios de abastecimento de combustível e aviões de combate Zero japoneses no interior de compartimentos de carga podem ser observados no fundo do mar. O fotógrafo subaquático e mergulhador ávido Brandon Cole diz que esta é também, porém, uma experiência de reflexão. “Mergulhar neste lugar implica ser confrontado com a tragédia da guerra. Encontrar pequenos objetos domésticos, como uma escova de dentes, uma bota ou pedaços de roupa teve um impacto muito forte em mim”, diz. “A experiência não se resumia às armas, às munições e aos tanques. Entrar dentro de algumas das estruturas naufragadas pode ser assustador e emocionante ao mesmo tempo.”

SCAPA FLOW, ESCÓCIA

Vale a pena desafiar a água gelada das Ilhas Orkney para ter a oportunidade de ver alguns dos destroços mais bem preservados da Primeira Guerra Mundial. Mais de 70 navios de guerra da Frota de Alto-Mar da Marinha Imperial Alemã foram afundados nesta região em 1919. E, embora muitas embarcações tenham sido provavelmente resgatadas das águas, ainda há muito para explorar abaixo da superfície de Scapa Flow, na Escócia, incluindo navios de guerra e cruzeiros, em águas com 30 a 40 metros de profundidade. Inclinado sobre estibordo a cerca de 24 metros de profundidade, os destroços do SMS Karlsruhe são considerados os mais acessíveis da zona. Mas os mergulhadores devem avançar com precaução entre as várias toneladas de aço apodrecido. “Os exteriores estão incrivelmente bem preservados, com as torres, as pontes de comando e outras estruturas facilmente identificáveis, afirma Mark Richard Evans, editor-chefe da revista Scuba Diver, “mas ao fim de quase 100 anos no fundo do oceano, é desaconselhada a entrada nas estruturas naufragadas”.

Ilhas Orkney, na Escócia.

FLORIDA KEYS, ESTADOS UNIDOS

Um vasto legado marítimo, a par dos recifes em águas pouco profundas, faz de Florida Keys um dos melhores locais de mergulho do planeta para explorar vestígios de naufrágios. “Os navios navegavam nestas águas, aproximando-se, por vezes, perigosamente dos recifes de coral para evitar a Corrente do Golfo”, afirma Stephen Frink, editor da revista Alert Diver. “Muitos foram desafortunados, e os seus vestígios são hoje atrações de mergulho, cobertas por corais e acolhendo uma diversidade de formas de vida marinha.” Perto de Islamorada, na Flórida, os mergulhadores avistam, por vezes, tubarões-buldogue e esquivos peixes-serra junto dos destroços do cargueiro Eagle, com 87 metros de comprimento. E o navio afundado intencionalmente Spiegel Grove ao largo de Key Largo, em tempos um navio de desembarque da Marinha, oferece aos mergulhadores muito para ver entre os 24 e os 27 metros de profundidade, incluindo cardumes de peixes-papagaio e barracudas que rondam vigilantes.

GRANDES LAGOS, MICHIGAN, ESTADOS UNIDOS

Até os principiantes podem encontrar e aceder facilmente aos destroços de navios naufragados nas águas pouco profundas dos Grandes Lagos do Michigan. Milhares de embarcações afundadas povoam as águas doces da região, desde barcos a vapor que naufragaram no meio de horríveis tempestades a escunas em águas pouco profundas que permitem mergulhar apenas com snorkel. O fotógrafo subaquático Andy Morrison encaminha os principiantes em direção aos destroços do Nordmeer, que ficou encalhado nos baixios da Ilha de Thunder Bay em 1966. “Até há uns anos grande parte do navio erguia-se sobre a superfície das águas, e as pessoas passavam a noite na embarcação”, diz a respeito do navio naufragado, cuja parte submersa atinge os 12 metros de profundidade, com muito casco retorcido para explorar. E para os mergulhadores técnicos, com formação avançada, na Reserva Subaquática de Thumb Island no Lago Huron, o Detroit, que naufragou durante uma tempestade em 1873 a 60 metros de profundidade, tem duas rodas de pás laterais e um motor a vapor para explorar.

OAHU, HAVAI, ESTADOS UNIDOS

Nas águas ao largo do Monumento Estatal de Diamond Head, no Havai, as fortes correntes fustigam, com frequência, os destroços naufragados do navio de reabastecimento da Marinha Yo-257, trazendo consigo ratões-águia e tubarões-de-pontas-brancas. Os destroços do Seatiger, outrora um barco de pesca chinês intercetado no início da década de 1990 por tráfico de humanos, naufragado ao largo da praia de Waikiki, permitem um mergulho único para os mergulhadores mais experientes.

SARDENHA, ITÁLIA

As águas cristalinas do Mar de Cagliari acolhem alguns dos melhores locais de mergulho do Mediterrâneo e são o eterno local de descanso de vários navios afundados por minas e submarinos durante a Segunda Guerra Mundial. O cargueiro italiano Entellaan, que transportava carvão em 1943 quando foi abatido por um torpedo lançado por um submarino britânico, repousa no leito arenoso do Mar de Cagliari e permite tirar fotografias extraordinárias, graças às excelentes condições de luz e à profusa vida marinha. Uma mina britânica foi responsável por outro naufrágio, o Romagna, um navio a vapor italiano dividido em duas partes, coberto por esponjas e habitado por enguias e garoupas.  

BERMUDAS

Com mais navios naufragados por quilómetro quadrado do que qualquer outro lugar do planeta, as Bermudas são a capital dos naufrágios do Atlântico. Os afiados recifes de coral da ilha são os principais responsáveis pelo naufrágio dos mais de 300 navios que povoam o fundo das águas da região. Um dos mais célebres é o Cristobal Colon, um cruzeiro transatlântico de luxo espanhol que ficou encalhado em 1936. Os mergulhadores apreciam particularmente explorar as caldeiras submersas, as bobinas de cabos e as vigas de ferro dispersas por uma vasta área no fundo do oceano. “O que torna o mergulho nas Bermudas ainda mais emocionante é o facto de haver ainda muito por descobrir”, afirma a instrutora de mergulho Tara Bradley Connell da PADI. “Nunca se sabe quando uma outra corrente ou tempestade porá a descoberto algo novo.”

Mar Vermelho, no Egito.

MAR VERMELHO, EGITO

As águas cristalinas ao largo do Egito são a sepultura de um dos mais apaixonantes naufrágios do mundo, na opinião do mergulhador experiente Travis Marshall, que aponta os destroços do navio SS Thistlegorm como uma referência obrigatória para qualquer mergulhador. Um navio mercante da Marinha do Reino Unido que naufragou em 1941 e foi descoberto por Jacques Cousteau durante as suas explorações na década de 1950. “É realmente especial, porque os compartimentos de carga ainda contêm todas as provisões que o navio transportava para as tropas das forças aliadas estacionadas em Alexandria”, afirma Marshall. “Ao explorar o navio naufragado, é possível ver a zona de impacto das bombas alemãs, e os porões de carga parecem cápsulas do tempo apinhadas com camiões Bedford, motociclos BSA, espingardas, munições e pilhas de botas Wellington espalhadas pelo fundo do oceano.”

OUTER BANKS, CAROLINA DO NORTE

A oportunidade de mergulhar na história da Segunda Guerra Mundial no local do naufrágio de um U-Boot alemão é razão suficiente para planear um roteiro de mergulho em Outer Banks. Abatido por um navio de patrulha da Guarda Costeira em 1942, o U-352 naufragou na Carolina do Norte, sendo um dos locais de mergulho mais célebres e mais acessíveis a somente 34 metros de profundidade. A torre de comando do submarino mantém-se ainda visível no exterior enferrujado e os mergulhadores avistam, com frequência, tubarões-touro rondando nas profundidades. Outros naufrágios populares em Outer Banks incluem o USS Schurz, um navio de guerra alemão capturado pela Marinha dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial, onde é possível nadar ao longo das quatro caldeiras, no meio de cardumes de pequenos peixes, usados normalmente como isco.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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