Viagem e Aventuras

Turismo Sustentável: Como Contribuir?

Saiba como ser um viajante ou turista que respeita os ambientes e culturas que visita: boas práticas para o turismo sustentável.Tuesday, October 2, 2018

Por National Geographic
Pequeno rio do Colorado, Parque Nacional Grand Canyon, Arizona.

Numa altura em que os oceanos estão cobertos de plástico e o turismo em Portugal aumenta desenfreadamente, ouve-se cada vez mais a expressão turismo sustentável. Mas exatamente o que é, e por que regras se pauta?

Turismo sustentável define-se como aquele que satisfaz as necessidades dos turistas, sem prejudicar os ambientes e comunidades envolventes. A ideia é salvaguardar recursos e garantir o desenvolvimento económico das regiões, sem comprometer as oportunidades e futuro de gerações vindouras.

Será que é esse o turismo que se pratica na maior parte dos casos? Infelizmente, não.

O ano de 2017 foi proclamado o Ano Internacional do Turismo Sustentável, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, numa tentativa de promover uma dinâmica forte entre turismo e património, e entendimento das comunidades. Este ano, 2018, é o Ano Europeu do Património Cultural.

Deixamos algumas dicas de como ser um viajante ou turista mais amigo do ambiente, das culturas que visita, e que contribui para um turismo sustentável, a nível ecológico, ambiental e cultural.

Porto de Neko, Baía de Anvard, Antártica

Respeitar as Comunidades que Visita

Pode parecer óbvio, mas não é assim tão claro em certos casos. O respeito não passa só por ser atencioso e educado, mas também por questões mais profundas como a identidade.

Quando visitar um país com uma cultura diferente da sua tenha em consideração as tradições do local como regras de vestimenta em locais públicos ou religiosos. Investigue, também, se é considerado ofensivo ou apropriação usar um traje típico – às vezes pensamos que estamos a “ser Romano em Roma”, mas podemos estar a desrespeitar as crenças e tradições de uma comunidade.

Uma outra questão são as fotografias: pergunte sempre se pode tirar uma fotografia com propriedade privada ou pessoas. É muito provável que, se perguntar, a resposta seja positiva. Em suma, o turista tem de se adaptar ao país e cultura que visita, e não o contrário.

 

Procure Formas Mais Ecológicas de Viajar

Viajar de avião é bastante cómodo, especialmente devido à rapidez e aos preços acessíveis. No entanto, é uma forma bastante poluente. Em certos casos, uma viagem de avião pode ser substituída comodamente pelo comboio, e com pouca diferença de preços e durações.

Uma das vantagens, além do dinheiro que se poupa e da redução da pegada de carbono, é poder apreciar as paisagens das terras pelas quais passa. Em países como Índia, China e países no sul da Ásia e de África, as viagens de comboio valem muito a pena, já que lhe permitem conhecer muito mais profundamente as áreas que visita. Turismo sustentável também se manifesta por um estilo de vida sustentável.

Imagem de um carro e um elefante, na África do Sul.

Doe, Mas da Forma Correta

Em alguns países com uma situação económico-social menos boa, é comum ver-se visitantes e turistas a oferecer certos bens a pessoas desfavorecidas. Apesar de estas ações serem bem-intencionadas as consequências podem não ser as que se pretendia.

Tristemente, estas doações impulsivas podem favorecer uma cultura de dependência e de mendicidade. Pode ainda causar conflitos entre pessoas das comunidades locais, violência e alienação. Se realmente gostaria de fazer a diferença numa comunidade menos desfavorecida, faça-o de uma forma correta: procure associações, governamentais ou não, que façam a gestão da distribuição de doações.

 

Apoie a Economia Local

As lembranças e souvenirs feitas à mão, e artesanato local não são, frequentemente, as opções mais baratas, nem as preferidas pelos turistas e pelos visitantes. No entanto, se procura apoiar e fazer parte de uma cultura turismo sustentável, esforce-se por comprar produtos locais.

Além de ajudar a economia local, cria empregos, sabe que o souvenir é autêntico, e não um objeto comercializado em massa, que pode ter por trás trabalhadores em más péssimas condições laborais.

Apoie e compre em restaurantes e cafetarias locais, também. Estes sítios tendem a ter preços muito mais acessíveis e comida mais autêntica (que os locais também comem).

E, antes de o fazer, informe-se sobre a cultura do país em relação à comida: come-se com as mãos? Com outros acessórios que não faca e garfo? É importante respeitar a cultura e não melindrar as pessoas com atitudes que poderiam ser facilmente evitadas com um pouco de pesquisa.

Monte de lixo em Jacarta, na Indonésia.

Reduza o Desperdício e o Plástico

Em certos países (muitos mais do que aqueles que pensamos!) não existe uma cultura de tratamento de resíduos, nem de reciclagem. Não faça mais lixo do que o necessário nem contribua para a poluição! Pequenos atos como não comprar garrafas de plástico, recorrer a filtros e purificação de água, usar sacos reutilizáveis para ir às compras, ou não comprar produtos embalados são formas de não contribuir ainda mais para este problema.

Infelizmente, muito do lixo gerado nos países de primeiro mundo vai parar aos chamados “países em desenvolvimento” ou “países subdesenvolvidos”, e daí a lixeiras a céu aberto ou aos oceanos é só um passo.

Tenha em mente que um turismo sustentável do ponto de vista ecológico e ambiental traz benefícios para absolutamente todos os humanos e animais do planeta, sendo que os primeiros a beneficiar são as regiões que são já diretamente e gravemente afetadas por este problema.

Poupe Água, Alguém pode Precisar Dela

Também a poupança de água é muito, muito importante. Um duche de cinco minutos equivale a no mínimo 25 litros de água; ter a água a correr enquanto se escova os dentes ou se faz a barba pode levar a um desperdício de mais de 50 litros; um banho de imersão equivale a mais de 200 litros de água desperdiçados.

Para ter uma ideia, certos hotéis de luxo em destinos com problemas de acesso a água, têm um gasto, por dia e por hóspede, superior ao total de água disponível para uma aldeia inteira, nas regiões menos turísticas. Em alguns países que lutam com problemas de secas e falta de água potável, um litro pode fazer a diferença.

Farol de Brant Point, Nantucket Island, em Massachusetts.

Animais Feridos, Mortos ou Explorados Não São Atrações Turísticas

Lembra-se de uma notícia que dava conta de como turistas em Espanha mataram uma cria de golfinho ao tirarem selfies com ele fora de água? Ou vários casos de caça turística? Pois, situações como esta são muito, muito frequentes. Até atos menos graves, como invadir os habitats dos animais para tentar tocar-lhes ou tirar fotografias pode ter consequências desastrosas no habitat e no animal. Não coloque em risco a sua vida e a vida dos animais por uma fotografia ou experiência.

Até algo como um passeio de elefante, tão comum na Tailândia, ou macacos dançarinos, tem uma triste e feia verdade por trás. Pode pensar que os animais estão felizes, mas na esmagadora maioria dos casos, não é assim. Muitos animais “exóticos” são explorados (e feridos ou mortos no processo) para que os turistas possam “divertir-se”, “passar um bom bocado” ou “ter uma experiência diferente”.

Diga Não aos Produtos Animais

É muito frequente encontrar um comércio paralelo ou ilegal de produtos com origem animal, em países onde existem animais exóticos ou ameaçados. Exemplos? Colares de dente de tigre, esculturas de marfim com dentes de elefante, patas ou asas de animais, roupas de pele, até mesmo morcegos desidratados.

Outra situação frequente é o comércio de produtos alimentares de origem animal com recurso a espécies ameaçadas, como por exemplo sopa de tartaruga. Ao apoiar este tipo de comércio e economia, está a contribuir (por vezes, sem saber) para uma cultura de tráfico, caça ilegal e crueldade animal.

Em Naioribi, uma girafa espreita ao lado de uma casa, no Quénia.

Apoie Companhias que Praticam Turismo Sustentável

É frequente contratar-se agências de turismo ou visitas guiadas em países de cultura muito diferente, especialmente países em desenvolvimento. Nestes casos, procure informar-se sobre as políticas da empresa: se existem práticas e medidas que tenham em conta a preservação do meio ambiente, a preservação da vida selvagem e, por exemplo, se a empresa contrata locais. No caso de não lhe conseguirem dar resposta, desconfie e procure outro.

Inspire os Outros, com Ações e Palavras

Cada um de nós pode mudar a mentalidade de outro, e torná-lo mais consciente do que se passa à sua volta, por isso, atreva-se a inspirar outros! Amigos, família ou até viajantes que conheça pelo caminho: só se todos fizermos um pouco conseguiremos ter e praticar turismo sustentável.

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