Viagem e Aventuras

Este Ano, Viajar Vai Mudar Para Melhor – Saiba Como

Peritos partilham as tendências de topo para 2019. Sexta-feira, 18 Janeiro

Por Jessica Flint

As tendências de viagens vêm e vão, mas quando fizemos uma sondagem a mais de uma dúzia de profissionais de topo da indústria e perguntámos como iriam ser as viagens em 2019, todas as respostas apontaram para algo em comum: intenção. “Agora mais do que nunca, as pessoas querem viajar com um sentido de propósito”, diz Deborah Calmeyer, CEO e fundadora da agência especializada em viagens a África, a Roar Africa. “Existe uma necessidade de abordagem aos principais défices sociais – e um sentido apurado de urgência – que estamos a sentir neste momento.”

Portanto, todas as tendências que identificámos aqui refletem a forma como as viagens neste novo ano serão fundamentadas pelo desejo dos viajantes em se conectarem a algo maior do que eles próprios. Mas não se iluda, 2019 não vai ser sobre visitar locais antes que estes desapareçam – vai ser sobre visitá-los agora, para que se mantenham por cá nas gerações futuras.

A SUSTENTABILIDADE VAI CENTRAR-SE MAIS NA COMUNIDADE

Desde há muito que a sustentabilidade tem sido um foco nas viagens, mas os turistas já não se contentam apenas com a conservação – querem enriquecer os lugares que visitam. “Viajar em voluntariado continua a ter muita procura”, diz Cynthia Dunbar, diretora geral da REI Adventures, cujo programa de Férias em Voluntariado aumentou de popularidade em mais de 100% nos últimos dois anos.

Brad Horn, da Epic Private Journeys, diz que vê a conservação baseada em esforços comunitários a crescer em África. “A nossa visão na Epic”, diz Horn, “é a de que não existe futuro para a vida selvagem em África a não ser que os habitantes sejam diretamente beneficiados com isso – no nosso caso, em forma de turismo. As comunidades precisam de ter razões para proteger a fauna e a flora.”

O impacto mais profundo da sustentabilidade suportada pela comunidade verifica-se quando acaba a viagem, diz Deborah Calmeyer, da Roar Africa. “Costumávamos ter a esperança de que as visitas aos espaços selvagens conectassem as pessoas ao valor da natureza”, diz. “Hoje, os visitantes levam bem mais do que isso. Apercebem-se de que nas suas casas, nas suas rotinas diárias, em cidades pelo mundo inteiro, podem fazer a diferença no planeta como um todo.”

A POLÍTICA CONTINUA A DEFINIR AS FRONTEIRAS DAS VIAGENS

As notícias moldam os locais para onde viajamos. No Egito, devido aos conflitos políticos e à violência, o turismo caiu abruptamente depois de 2010. “Grande parte dessa situação está agora estabilizada”, diz Kate Doty, diretora geral da Geographic Expeditions. “Os viajantes que querem ver o Egito antes que este volte a estar apinhado de turistas, estão a ir agora, reconstruindo assim uma base sólida.” Doty diz que está a acontecer o mesmo na Turquia, que viu os números do turismo a decaírem após os ataques terroristas de 2016 e do golpe de estado falhado em 2017. Os cidadãos norte-americanos também estão a ter mais facilidades na obtenção de vistos turcos, que estiveram restringidos durante parte de 2017.

O Zimbabué despertou os interesses dos viajantes de forma semelhante, no rescaldo da demissão de Robert Mugabe, em finais de 2017. Deborah Calmeyer, da Roar Africa, nota que “apesar das Cataratas Vitória terem sido sempre um farol de esperança e um destino turístico durante a instabilidade política, outras áreas como o Parque Nacional Hwange, o Parque Nacional de Mana Pools e o Lago Kariba são localizações de topo para safaris, que vão sem dúvida ver a sua atividade turística crescer devido à estabilização do clima político.”

SOBRETURISMO DESENHA NOVOS MAPAS

“Da parte dos hóspedes, ouvimos cada vez mais que alguns locais do mundo estão demasiado sobrelotados, como Veneza, Santorini e Roma”, diz John Spence, operador da Scott Dunn. Brad Horn, diretor geral da agência de viagens Epic Private Journeys, concorda. “Estamos a assistir a um aumento de interesse em destinos menos viajados como a Etiópia, Madagáscar, Norte do Quénia, Butão e a remota Indonésia”, diz.

Como tal, é de esperar que em 2019 os turistas tenham mais em conta as viagens congestionadas, evitando os trilhos mais batidos ou tomando decisões mais estratégicas sobre quando viajar. Por exemplo, para escapar às multidões na Islândia, Spence recomenda a exploração de zonas similares como a Noruega, a Suécia e a Eslovénia. Deborah Calmeyer diz que as ilhas do Oceano Índico são uma boa alternativa às Caraíbas, em particular a Ile du Nord, nas Seicheles, ou Miavana, em Madagáscar. E Kate Doty, da Geographic Expeditions, recomenda férias fora de estação: as multidões são mais pequenas e as atividades de inverno estão disponíveis (pense em esqui alpino alcançado por helicóptero na Nova Zelândia ou no Chile). “O frio é o novo quente”, diz.

OS VIAJANTES VÃO ACOLHER A MENTALIDADE DE EXPLORADORES

Longe vão os dias de voos e fracassos. “Existe uma tendência muito, muito forte para se explorar novos destinos”, diz Navin Sawhney, CEO da Ponant, uma luxuosa linha de cruzeiros. Desde localizações remotas, como o Triângulo Polinésio, às regiões Polares, ele observa um aumento significativo de viajantes que preferem traçar os seus próprios rumos.

A vertente de exploração está tão forte que Conrad Combrink, vice-presidente de desenvolvimento de experiências e expedições de cruzeiros da Silversea, diz que 2019 vai testemunhar a primeira viagem da companhia pela Passagem do Nordeste. “A famosa rota vai repetir os itinerários de alguns dos maiores exploradores da história, possibilitando aos hóspedes tornarem-se pioneiros em expedições de cruzeiro modernas”, diz.

Kate Doty também realça o desejo que os viajantes têm em recriar trilhos de exploradores históricos: em 2019, a Geographic Expeditions vai recrutar o famoso alpinista Peter Hillary para recriar aos clientes a sua travessia dos Himalaias – mas vai fazê-lo, diz Doty – “de uma forma mais confortável”.

O ESPAÇO SERÁ NOVAMENTE A FRONTEIRA FINAL

Desde a loucura do eclipse solar em 2017, à cobertura da comunicação social da aterragem em Marte, e passando pelo nosso fascínio coletivo por companhias como a SpaceX e a Blue Origin, estamos cada vez mais a olhar para além da nossa atmosfera, na procura de futuros destinos. Apesar dos voos galácticos ainda serem uma miragem em 2019, isso não impede alguns viajantes intrépidos de olharem para as estrelas na sua próxima viagem.

Para celebrar a distância que já percorremos, muitos irão dirigir-se para Houston em julho, para comemorar o quinquagésimo aniversário da aterragem na lua e a abertura do Centro de Missão Apollo. Este marco histórico norte-americano vai contar com programas e exposições, durante todo o mês, celebrando o esforço monumental que nos levou à lua.

Muitos outros irão olhar literalmente para as estrelas em visitas de observação celeste em locais excelentes. Scott Dunn afirma que as marcações para estas “experiências-astrais” triplicaram recentemente. Em 2019, pode contar com a presença de observadores de estrelas por todo o lado, seja em Portugal na Reserva Dark Sky do Alqueva, ou no Chile para o eclipse solar total, que terá lugar no dia 2 de julho.

IMERSÃO SERÁ PRIORIDADE DE TOPO

“Os nossos clientes estão cada vez mais ativos e já não se contentam com o turismo sedentário”, diz Brad Horn. “Eles querem estar imersos nos seus destinos e fazem-no através de caminhadas, andando de bicicleta ou a cavalo e vivem a cultura de forma genuína.”

De facto, a imersão genuína está cá para ficar. Ellen Bettridge, presidente e CEO da Uniworld Boutique River Cruise Collection, diz, “prevemos que a procura por experiências que permitam a interação com as populações locais continue a crescer em 2019”.

Gary Franklin, vice-presidente das linhas de cruzeiros e comboios Belmond, concorda. “Assistimos de forma continuada à procura, por parte dos nossos hóspedes a bordo, de experiências educativas imersivas e locais.” Gary refere o comboio irlandês da companhia, o Belmond Grand Hibernian, que proporciona um vislumbre da Irlanda inexplorada através de comida, pubs e música locais.

VEJA AS MELHORES FOTOGRAFIAS DE VIAGEM DE 2018

AS LISTAS DE DESEJOS VÃO DESAPARECER

Destinos da lista de desejos – como as pirâmides do Egito ou o Taj Mahal na Índia – são agora lugares onde os viajantes regressam uma e outra vez. “Vemos muitos clientes repetentes em África”, diz Deborah Calmeyer. “Geralmente começa por ser uma viagem que se faz uma vez na vida, e alguns meses depois – às vezes dias após o regresso – estamos a fazer a próxima marcação. É como se a distância já não importasse.”

Navin Sawhney, das linhas de cruzeiro Ponant, concorda. O seu exemplo é o cruzeiro da companhia que dá a volta às ilhas gregas, e que centra as suas atenções no ensinamento de história, arqueologia e deuses. “Se já esteve alguma vez na Grécia, esta é uma forma de a ver completamente diferente”, diz. “Mesmo na Europa, existem várias formas diferentes de redescobrir lugares por onde já passou.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com