Viagem e Aventuras

Este Novo Trilho de Bicicleta Vai Ligar 8 Países Europeus

O Trans Dinárica oferece acesso a cidades, aldeias de montanha remotas e tradições antigas. Terça-feira, 29 Janeiro

Por Alex Crevar

O Trans Dinárica, um novo trilho de bicicleta que atravessa fronteiras, liga atualmente a Eslovénia, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina. Com início em Soča Valley, na Eslovénia, perto de Itália, o trilho segue para sul ao longo da costa adriática da Croácia antes de virar para este, onde termina em Sarajevo, capital da Bósnia. Contudo, o objetivo final do trilho – segundo a rede de ciclistas organizadores – é atravessar todos os oito países dos Balcãs Ocidentais e, eventualmente, incluir o Montenegro, a Albânia, o Kosovo, a Sérvia e a Macedónia.

Numa combinação de superfícies, que inclui trilhos individuais de bicicleta de montanha, gravilha e extensões de asfalto, a rota exibe a vasta palete de paisagens da região: cordilheiras sobre o mar; desfiladeiros; lagos alpinos e rios; cidades no coração dos Alpes Dináricos (que dão nome à rede) e áreas adjacentes. Envolvendo quantidades iguais de aventura e cultura, o Trans Dinárica oferece uma visão rara sobre o canto sudeste da Europa, que ainda possui uma genuinidade autêntica, enraizada na tradição centenária de bem receber os hóspedes com comida, vinho e histórias da região.

A ideia do Trans Dinárica surgiu em 2016, quando três operadores de turismo – Eslovénia, Croácia e Bósnia-Herzegovina – se juntaram para criar o trilho, que se estende pelos Balcãs Ocidentais, zona geralmente negligenciada pelos turistas. A missão era combinar ciclismo de excelência (com enfâse no ciclismo de montanha), com a densidade e experiência da região. Ao fazê-lo, a rede está também a combater desafios de acessibilidade e de infraestrutura, ajudando a encorajar, de forma sustentada, negócios locais. Inspirado pela Via Dinárica, trilho de caminhada paralelo à rota de ciclismo que cobre quase 1900 quilómetros através dos mesmos oito países, o Trans Dinárica permite, pela primeira vez, aos seus visitantes atravessar sítios da UNESCO, aldeias e parques nacionais.

Recentemente, um grupo de ciclistas saiu de Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, numa viagem exploratória de 3 dias, ao longo de 320 quilómetros, para iniciar a expansão do Trans Dinárica para sul, em direção a Podgorica, capital do Montenegro. A alguns minutos da principal cidade da Bósnia, o tráfego urbano afunilava por ruelas de calçada que uniam casas de madeira e bairros da era Otomana. Depois, a civilização deu lugar a estradas abertas ligando comunidades remotas. Os tratores substituíram os automóveis e as fontes de água eram canalizadas para abastecer as comunidades. Durante horas, as quintas seguiam-se umas às outras até à fronteira partilhada, através do horizonte, sob os cumes circundantes.

Quando os ciclistas se perderam ao navegar na nova rota da linha montenegrina, pararam as suas bicicletas – estruturas autossuficientes carregadas de mochilas à prova de água presas aos selins e aos guiadores – junto a cercas de madeira, em frente a quintas com chaminés de pedra, emitindo plumas de fumo. Os homens e as mulheres pararam de cavar nos seus jardins e convidaram os ciclistas para café, pão quente, queijo, bebidas alcoólicas caseiras e para debater a utilidade dos mapas do grupo e dos seus sistemas de GPS ultramodernos. Esta rotina de exploração e interação seria felizmente repetida, fazendo parte da razão de ser da rota, em ambos os países.

“Devido às diversas comunidades por onde passa, o Trans Dinárica não parece turismo típico – porque não é”, diz Edo Vričić, da VMD Adventure Travel, operador de turismo sedeado na Croácia, que ajuda a desenvolver a rota. “Estes são lugares reais, que não estão habituados a turistas, mas que adoram ser anfitriões.”

Jan Klavora, da agência de turismo ativo Visit Good Place, sedeada em Liubliana, parceira eslovena da rede, concorda e acrescenta que este tipo de viajem, à “velocidade humana”, é perfeita para os Balcãs. “Podemos afirmar que os ciclistas são lentos e esfomeados”, diz Klavora. “E como os ciclistas não podem transportar muitas coisas – mas conseguem chegar a todo o lado – este trilho ajuda a transformar a infraestrutura ao longo do caminho, fornecendo um motor para negócios em zonas remotas, onde normalmente não há turistas, a não ser os caminhantes.”

Na fronteira montenegrina, o grupo de ciclistas, expandindo o Trans Dinárica, atravessou o Rio Tara, que desagua no Desfiladeiro Tara, a segunda maior ravina do planeta. Na frente, os picos íngremes cobertos de neve do Parque Nacional Durmitor transformam-se na tela de fundo da viagem, onde pastores podiam ser avistados a conduzir os seus rebanhos para as comunidades nas colinas.

“O objetivo do Trans Dinárica é, claro, criar uma rota desafiante e inspiradora ao longo de uma área relativamente intocada da Europa”, diz Thierry Joubert, da Green Visions, sedeada em Sarajevo, operadora de turismo de aventura e parceiro bósnio da rede. De acordo com Joubert, os trilhos individuais de bicicleta de montanha são predominantes na secção eslovena, mas com a operação em desenvolvimento, mais trilhos técnicos – bem como rotas alternativas para todo o nível de experiências e preferências de ciclismo – estão a ser criados na Croácia, Bósnia e mais além. “A razão pela qual a rota tem, e vai ter, sucesso deve-se aos próprios Balcãs Ocidentais. A região oferece panoramas infindáveis, que nos tiram literalmente a respiração, e oportunidades para nos sentarmos, comermos e bebermos com os habitantes locais, que vivem para partilhar a sua cultura e têm orgulho em que compreendamos a sua importância.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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