Viagem e Aventuras

Este Novo Trilho de Bicicleta Vai Ligar 8 Países Europeus

O Trans Dinárica oferece acesso a cidades, aldeias de montanha remotas e tradições antigas.Tuesday, January 29, 2019

Por Alex Crevar
No trilho de Trans Dinárica, ciclistas absorvem a vista da ilha croata de Krk.

O Trans Dinárica, um novo trilho de bicicleta que atravessa fronteiras, liga atualmente a Eslovénia, a Croácia e a Bósnia-Herzegovina. Com início em Soča Valley, na Eslovénia, perto de Itália, o trilho segue para sul ao longo da costa adriática da Croácia antes de virar para este, onde termina em Sarajevo, capital da Bósnia. Contudo, o objetivo final do trilho – segundo a rede de ciclistas organizadores – é atravessar todos os oito países dos Balcãs Ocidentais e, eventualmente, incluir o Montenegro, a Albânia, o Kosovo, a Sérvia e a Macedónia.

O Trans Dinarica permite que muitos visitantes, percorram, pela primeira vez, os locais, aldeias e parques nacionais da área da UNESCO. Aqui, os ciclistas passam pela aldeia de Vrboska na ilha croata de Hvar

Numa combinação de superfícies, que inclui trilhos individuais de bicicleta de montanha, gravilha e extensões de asfalto, a rota exibe a vasta palete de paisagens da região: cordilheiras sobre o mar; desfiladeiros; lagos alpinos e rios; cidades no coração dos Alpes Dináricos (que dão nome à rede) e áreas adjacentes. Envolvendo quantidades iguais de aventura e cultura, o Trans Dinárica oferece uma visão rara sobre o canto sudeste da Europa, que ainda possui uma genuinidade autêntica, enraizada na tradição centenária de bem receber os hóspedes com comida, vinho e histórias da região.

A ideia do Trans Dinárica surgiu em 2016, quando três operadores de turismo – Eslovénia, Croácia e Bósnia-Herzegovina – se juntaram para criar o trilho, que se estende pelos Balcãs Ocidentais, zona geralmente negligenciada pelos turistas. A missão era combinar ciclismo de excelência (com enfâse no ciclismo de montanha), com a densidade e experiência da região. Ao fazê-lo, a rede está também a combater desafios de acessibilidade e de infraestrutura, ajudando a encorajar, de forma sustentada, negócios locais. Inspirado pela Via Dinárica, trilho de caminhada paralelo à rota de ciclismo que cobre quase 1900 quilómetros através dos mesmos oito países, o Trans Dinárica permite, pela primeira vez, aos seus visitantes atravessar sítios da UNESCO, aldeias e parques nacionais.

Ciclistas atravessam uma ponte no Rio Soča, na Eslovénia.

Recentemente, um grupo de ciclistas saiu de Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, numa viagem exploratória de 3 dias, ao longo de 320 quilómetros, para iniciar a expansão do Trans Dinárica para sul, em direção a Podgorica, capital do Montenegro. A alguns minutos da principal cidade da Bósnia, o tráfego urbano afunilava por ruelas de calçada que uniam casas de madeira e bairros da era Otomana. Depois, a civilização deu lugar a estradas abertas ligando comunidades remotas. Os tratores substituíram os automóveis e as fontes de água eram canalizadas para abastecer as comunidades. Durante horas, as quintas seguiam-se umas às outras até à fronteira partilhada, através do horizonte, sob os cumes circundantes.

Quando os ciclistas se perderam ao navegar na nova rota da linha montenegrina, pararam as suas bicicletas – estruturas autossuficientes carregadas de mochilas à prova de água presas aos selins e aos guiadores – junto a cercas de madeira, em frente a quintas com chaminés de pedra, emitindo plumas de fumo. Os homens e as mulheres pararam de cavar nos seus jardins e convidaram os ciclistas para café, pão quente, queijo, bebidas alcoólicas caseiras e para debater a utilidade dos mapas do grupo e dos seus sistemas de GPS ultramodernos. Esta rotina de exploração e interação seria felizmente repetida, fazendo parte da razão de ser da rota, em ambos os países.

“Devido às diversas comunidades por onde passa, o Trans Dinárica não parece turismo típico – porque não é”, diz Edo Vričić, da VMD Adventure Travel, operador de turismo sedeado na Croácia, que ajuda a desenvolver a rota. “Estes são lugares reais, que não estão habituados a turistas, mas que adoram ser anfitriões.”

Jan Klavora, da agência de turismo ativo Visit Good Place, sedeada em Liubliana, parceira eslovena da rede, concorda e acrescenta que este tipo de viajem, à “velocidade humana”, é perfeita para os Balcãs. “Podemos afirmar que os ciclistas são lentos e esfomeados”, diz Klavora. “E como os ciclistas não podem transportar muitas coisas – mas conseguem chegar a todo o lado – este trilho ajuda a transformar a infraestrutura ao longo do caminho, fornecendo um motor para negócios em zonas remotas, onde normalmente não há turistas, a não ser os caminhantes.”

Atualmente o trilho está completo na Eslovénia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, no entanto, o Trans Dinárica irá ser expandido para Montenegro, Albânia, Kosovo, Sérvia e Macedónia.

Na fronteira montenegrina, o grupo de ciclistas, expandindo o Trans Dinárica, atravessou o Rio Tara, que desagua no Desfiladeiro Tara, a segunda maior ravina do planeta. Na frente, os picos íngremes cobertos de neve do Parque Nacional Durmitor transformam-se na tela de fundo da viagem, onde pastores podiam ser avistados a conduzir os seus rebanhos para as comunidades nas colinas.

“O objetivo do Trans Dinárica é, claro, criar uma rota desafiante e inspiradora ao longo de uma área relativamente intocada da Europa”, diz Thierry Joubert, da Green Visions, sedeada em Sarajevo, operadora de turismo de aventura e parceiro bósnio da rede. De acordo com Joubert, os trilhos individuais de bicicleta de montanha são predominantes na secção eslovena, mas com a operação em desenvolvimento, mais trilhos técnicos – bem como rotas alternativas para todo o nível de experiências e preferências de ciclismo – estão a ser criados na Croácia, Bósnia e mais além. “A razão pela qual a rota tem, e vai ter, sucesso deve-se aos próprios Balcãs Ocidentais. A região oferece panoramas infindáveis, que nos tiram literalmente a respiração, e oportunidades para nos sentarmos, comermos e bebermos com os habitantes locais, que vivem para partilhar a sua cultura e têm orgulho em que compreendamos a sua importância.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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