Viagem e Aventuras

Como Fazer Turismo de Vida Selvagem Eticamente

Eis as nossas recomendações para encontros éticos com os animais.Thursday, May 30, 2019

Por Natasha Daly
Em Elephant Valley, na Tailândia, fora de Chiang Rai, os turistas observam os animais a uma distância segura.

Os viajantes adoram animais. Queremos estar perto deles e aprender mais sobre eles. Mas a realidade que muitos turistas não conhecem é que, para que estes negócios permaneçam em funcionamento, os encontros com animais, como passeios de elefante e sessões de fotografias com tigres, dependem do trabalho de criaturas selvagens.

Discernir a diferença entre experiências éticas e problemáticas da vida selvagem é uma das questões espinhosas abordadas na reportagem da revista National Geographic “Suffering unseen: The dark truth behind wildlife tourism. Para quem visita ambientes como jardins zoológicos ou parques nacionais, pode ser particularmente difícil determinar uma observação dos animais que seja humana. Para avaliar a forma como as instalações tratam os animais em cativeiro, podemos olhar para as “cinco liberdades” – padrões reconhecidos internacionalmente, inspirados por um relatório de 1965 do governo do Reino Unido. Considere estas dicas antes de se aventurar na sua próxima viagem de vida selvagem.

Faça a sua pesquisa
Procure instalações onde os animais parecem estar bem alimentados e com acesso constante a água limpa. Uma instalação com boas avaliações no TripAdvisor pode não ser realmente das melhores. Leia avaliações de uma e de duas estrelas, que incluem geralmente preocupações dos visitantes com o bem-estar dos animais. (Veja 30 imagens deslumbrantes de vida selvagem.)

A forma mais ética de ver grandes felinos na natureza é num safari.

Observe o Espaço
Repare se os animais estão num ambiente adequado, que inclui abrigo, espaços amplos, áreas de descanso confortáveis e uma zona isolada das multidões. Tenha atenção a expressões como “fazemos doações para a conservação”, “santuário” e “resgate”. Perceba se as instalações fazem estas afirmações mas na realidade oferecem interações extensivas entre os animais e grandes volumes de pessoas.

Procure Sinais de Alerta
Evite instalações onde os animais estão visivelmente feridos ou são forçados a participar em atividades que os podem magoar; ou em espaços pouco limpos. Estar acorrentado, fazer atividades e interagir com turistas – a transportá-los ou a posar para fotografias – não é normal para um animal selvagem, mesmo para um animal nascido em cativeiro.

ENCONTROS ÉTICOS

Elefantes
Desconfie de atrações que oferecem espetáculos de elefantes, passeios ou banhos, pois os animais são geralmente treinados através do medo; em vez disso, observe-os em ambientes naturais ou em santuários, onde os elefantes podem socializar e vaguear.

Grandes Felinos
Evite pegar ao colo, tocar, posar ou caminhar com tigres ou leões. As crias recém-nascidas são geralmente tiradas das mães para os turistas as acariciarem, e os felinos adultos podem estar drogados ou podem ter as garras cortadas, ou ambos, para uma interação segura.

Macacos
Os espetáculos de macacos isolam primatas altamente sociais que prosperam em enormes grupos familiares. Não alimente macacos aparentemente selvagens que passam geralmente fome e que se aproximam, atraídos por comida, dos turistas.

Pequenos Mamíferos
As preguiças, os coalas e os loris são frequentemente caçados na natureza e transformados em atrações turísticas. As preguiças não lidam bem com interações; os dentes dos loris são por vezes extraídos para tornar a interação com os turistas mais segura.
 

Evite Ruídos
Esteja ciente de que as multidões enormes e os ruídos não naturais provocam tensão, especialmente nos animais que passaram por treinos baseados no medo, que foram separados das suas mães à nascença ou que têm outro tipo de traumas.

Mantenha as experiências selvagens
Procure experiências que oferecem a observação de animais com comportamentos normais em ambientes naturais.

A indústria global do turismo de vida selvagem é empreendedora. As ações individuais podem fazer uma diferença coletiva, sinalizando ao mercado que os consumidores apoiam encontros éticos com a vida selvagem. Quando os viajantes decidirem que querem um tratamento mais humano para os animais, o mercado de turismo de vida selvagem mudará para melhor.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com