Viagem e Aventuras

Esta Visão Onírica do Ártico Venceu o Concurso de Fotografia de Viagens da National Geographic

Conheça o fotógrafo responsável pela imagem vencedora e descubra como foi captada. Friday, June 21, 2019

Por Sarah Polger
Fotografias Por Weimin Chu
Upernavik é uma vila piscatória que fica numa pequena ilha, no oeste da Gronelândia. Historicamente, os edifícios na Gronelândia são pintados de cores diferentes, para indicar funções diferentes, desde montras de lojas vermelhas a casas de pescadores azuis – uma distinção útil quando a paisagem está coberta de neve. Esta foi a imagem vencedora do Concurso de Fotografia de Viagens da National Geographic.

Num tempestuoso dia de primavera, nos arredores de Upernavik, na Gronelândia, os ventos gelados sussurravam pelos picos nevados. O final deste dia de março, com a amena temperatura de 30 graus negativos, era considerado quente pelos habitantes locais – razão pela qual saíram de casa para fazerem as suas tarefas com o sol poente. O fotógrafo Weimin Chu estava hospedado numa encosta perto do aeroporto, com vistas para as casas coloridas mais abaixo.

Esquerda: Um cemitério coberto de neve em Upernavik, na Gronelândia. Direita: As casas coloridas preenchem a paisagem gelada.

“Achei que a estrutura, a cor e a sensação geral deste ângulo eram muito boas”, recordou ele mais tarde, “sobretudo a luz do crepúsculo.”

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Na esperança de fotografar uma pessoa a passear, ou crianças a brincar na paisagem, Chu ficou contente quando viu uma família a abrir caminho sob as luzes da rua. Trabalhando com precisão à baixa luz, conseguiu a imagem que tinha imaginado – e o grande prémio do Concurso de Fotografia de Viagens da National Geographic 2019.

“Quando comecei a gostar de fotografia, a minha foto foi destacada pelos editores do Concurso de Fotografia da National Geographic 2012. Foi algo que me motivou bastante, e desde então a fotografia faz parte da minha vida.”

por WEIMIN CHU

 

 

A localização remota de Upernavik teve impacto em Chu. “Durante o meu voo, só conseguia ver uma terra branca e pura, coberta de gelo e neve. Mas, de repente, vi um ponto quente à distância – era Upernavik. A beleza desta vila tranquila ultrapassou completamente a minha imaginação. Foi um momento fantástico para mim.”

Intrigado com o quotidiano das comunidades locais, Chu também explorou as aldeias isoladas no sul da Gronelândia, incluindo a cidade de Narsaq Kajulleq.

Chu já tinha visitado a ilha durante vários anos para captar as suas paisagens austeras; e em 2019 começou a documentar as pessoas e as comunidades da Gronelândia, visitando primeiro Upernavik, em março. A pequena vila piscatória no noroeste abriga cerca de 1.000 habitantes – fazendo dela a 13ª maior vila do país. Chu tinha planeado ficar durante dois dias, mas prolongou a sua estadia: “Eu tive de ficar uma semana, não haviam voos. Tive sorte, porque captei esta imagem vencedora no meu sexto dia em Upernavik. Se eu estivesse lá apenas dois dias, provavelmente não tinha encontrado este local”, diz Chu.

Para tirar fotografias, Chu passou seis dias a explorar os arredores de Upernavik, conhecendo os seus habitantes nas lojas e no porto principal. Ele queria captar vistas arrebatadoras da cidade e posicionou-se longe o suficiente da rua, para conseguir fotografar discretamente as atividades da vida quotidiana. Depois de captar algumas imagens à luz do crepúsculo, Chu aumentou a sensibilidade ISO e a abertura da câmara, na esperança de congelar os movimentos das pessoas; nesse mesmo instante, surgiu uma família a sair casa e ele aproveitou o momento.

“Parecia tudo tão harmonioso. A terra estava toda coberta de neve branca e fria, e o tom azulado do anoitecer arrefecia ainda mais o cenário. Mas a luz das janelas, as luzes da rua e a família de três pessoas aqueceram o mundo novamente. Eu adoro o contraste e o humor desta cena. Estava ocupado a tirar fotos contínuas, tentando captar o melhor momento”, disse.

Chu começou a fotografar durante as suas viagens universitárias, e depois de três anos a trabalhar como engenheiro, começou a concentrar-se na sua fotografia. E foi aí que, por acaso, entrou no Concurso de Fotografia da National Geographic. "Quando comecei a gostar de fotografia, a minha foto foi destacada pelos editores do Concurso de Fotografia da National Geographic 2012. Foi algo que me motivou bastante, e desde então a fotografia faz parte da minha vida”, recorda Chu.

Passar dois meses a praticar packrafting – ‘canoagem’ num pequeno barco insuflável projetado para todos os corpos de água – nos fiordes do sul da Gronelândia alimentou a paixão de Chu pelas aventuras ao ar livre. Agora, ele planeia continuar a regressar à ilha para focar as suas fotografias nas comunidades gronelandesas e na relação dos seus habitantes com o ambiente.

“A vida moderna tem impactos distintos nas culturas destas áreas diferentes”, disse o fotógrafo.

Chu também deseja evoluir mais os seus projetos fotográficos nas montanhas do Paquistão e da China, fundindo a sua paixão pelas aventuras ao ar livre com a fotografia: "Eu gostava de partilhar algumas montanhas nevadas incríveis, mas menos conhecidas, com as pessoas".
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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