Monumentos que Honram a História LGBTQ em Todo o Mundo

Da Holanda à Austrália, visite 8 lugares onde o Orgulho está imortalizado para sempre.quarta-feira, 19 de junho de 2019

Junho marca o 50º aniversário dos motins de Stonewall da cidade de Nova Iorque, a insurreição de junho de 1969 que galvanizou o movimento dos direitos LGBTQ nos Estados Unidos e mais além. Em 2016, o antigo presidente dos EUA, Barack Obama, reconheceu a Stonewall Inn e o Parque Christopher como marco histórico nacional – o primeiro no Sistema de Parques Nacionais dos EUA a comemorar a luta pelos direitos LGBTQ. Todos os anos, o mês do Orgulho homenageia aqueles que se manifestaram em Stonewall, bem como muitos outros que lutaram pela igualdade ao longo da história.

Mas para além das festas de verão com a temática do arco-íris, e para além dos desfiles e das marchas que inauguram as festividades de junho, os acontecimentos ricos e complexos da história LGBTQ também estão homenageados em todo o mundo, em locais permanentes. Visite estes oito monumentos de um legado heróico.

Memorial LGBT às Vítimas da Perseguição Nazi
Telavive, Israel

Em 2013, Telavive inaugurou um memorial que homenageia as vítimas LGBTQ do Holocausto – a primeira no país a celebrar judeus e não-judeus. Localizado na parte exterior do Centro Comunitário LGBTQ, em Gan Meir (Parque Meir), o memorial é composto por três bancos cor-de-rosa que formam um triângulo. O triângulo rosa era usado antigamente para identificar homossexuais em campos de concentração nazi, mas foi reivindicado como símbolo do orgulho, da resiliência e da resistência LGBTQ. Os bancos têm inscrições em hebraico, inglês e alemão: "Em memória dos que foram perseguidos pelo regime nazi pela sua orientação sexual e identidade de género." Dica de viagem: Visite o Telavive Pride em junho, uma celebração à beira-mar com um desfile e uma festa de dança na praia de Charles Clore.

Memorial Alan Turing
Manchester, Inglaterra

Num dos bancos do parque, nos Jardins Sackville, em Manchester, está sentada uma estátua de bronze em tamanho real de Alan Turing. O aclamado herói de guerra, matemático e pioneiro em computação ajudou a decifrar o código Enigma – uma conquista que ajudou os Aliados a vencer a Segunda Guerra Mundial. Em 1952, Turing foi preso por “indecência” e foi castrado quimicamente com injeções hormonais. Ele foi uma das dezenas de milhares de vítimas homossexuais da lei britânica. Turing morreu envenenado dois anos depois – foi alegadamente suicídio. O seu memorial foi construído em 2001 e, em 2013, recebeu um perdão real póstumo. Dica de viagem: Explore Manchester em julho, durante o Fim de Semana Sparkle, uma das maiores celebrações transexuais e não-binárias do mundo.

Memorial aos Homossexuais Perseguidos Durante o Nazismo
Berlim, Alemanha

Na Alemanha nazi foram encarcerados milhares de homens homossexuais em campos de concentração; onde muitos morreram de doença, fome, tortura e assassinatos seletivos. Em 2008, Berlim encomendou um monumento para recordar estas vítimas e estabelecer um símbolo contra a intolerância. A estrutura de betão do cubo presta homenagem à visão arquitetónica do Memorial aos Judeus Mortos na Europa, que fica nas proximidades, com a adição de uma pequena janela através da qual os visitantes podem assistir a uma curta-metragem que mostra um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Dica de viagem: não se esqueça de fazer uma visita ao Museu Schwules (Museu Homossexual) para uma visão mais abrangente da história homossexual de Berlim.

Legacy Walk
Chicago, EUA

Estendendo-se ao longo de 800 metros, no corredor Halsted Norte, o Legacy Walk é um museu de história ao ar livre que apresenta momentos significativos da história LGBTQ. Os 37 marcadores de bronze reconhecem uma pessoa ou um evento diferente, e cada um possui um código QR que permite aos visitantes pesquisarem uma biografia, ou um vídeo mais detalhado. Desde a dedicação da primeira placa, no Dia Nacional de Sair do Armário, a 11 de outubro de 2012, foram adicionadas anualmente novas placas. Um novo Centro de Visitantes está projetado para abrir ainda em 2019, e incluirá uma loja de souvenirs e um museu. Dica de viagem: Visite a cidade em agosto, durante o Northalsted Market Days, para ver o maior festival de rua da região Centro-Oeste. As festividades incluem música ao vivo, DJ e danças no bairro de Boystown, em Chicago.

Memorial Gay e Lésbico do Holocausto
Sydney, Austrália

No Green Park de Darlinghurst, um prisma triangular é perfurado por grades de colunas de aço – coletivamente formam uma estrela de David fraturada. Instalado em 2001, perto do Museu Judaico de Sydney, o exterior cor-de-rosa do Memorial Gay e Lésbico do Holocausto está gravado com imagens de vítimas do Campo de Concentração de Sachsenhausen, na Alemanha. A inscrição diz: “Nada purgará a vossa morte das nossas memórias”. Dica de viagem: Em fevereiro e março, homenageie os ativistas do passado e do presente no Carnaval Gay e Lésbico de Sydney – a maior celebração LGBTQ do Hemisfério Sul.

Monumento Triângulo Rosa
Sitges, Espanha

Sitges, uma pequena cidade costeira a sudoeste de Barcelona, é muito conhecida pelas suas belas praias, restaurantes de classe mundial e museus distintos. A cidade tem sido o lar de uma comunidade LGBTQ em crescimento, mas em 1996, o policiamento das praias à noite, especificamente para homens homossexuais, provocou protestos públicos e distúrbios. Em 2006, para assinalar o 10º aniversário dos protestos, foi erguido o brilhante Monumento Triângulo Rosa – o primeiro monumento LGBTQ de Espanha – com a inscrição: “Sitges contra a homofobia – Nunca mais”. Dica de viagem: Visite a região durante a Semana Bears de Sitges, em setembro, um dos festivais bear mais populares de toda a Europa, para admirar homens de todos os tamanhos.

Homomonument
Amsterdão, Holanda

Inaugurado no coração de Amsterdão, em 1987, e considerado o primeiro monumento público de homenagem à comunidade LGBTQ, o Homomonument é composto por três triângulos de granito. O local comemora as vítimas dos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, e todas as pessoas LGBTQ que ainda enfrentam a perseguição de governos opressivos. Dica de viagem: Planeie a sua visita para coincidir com as festas de dança ao ar livre do Homomonument, agendadas para o ano inteiro. Os viajantes também podem aprofundar o seu conhecimento sobre a história LGBTQ de Amsterdão com um passeio pedestre, com a duração de duas horas, todas as sextas-feiras às três da tarde.

Frankfurter Engel
Frankfurt, Alemanha

Perto da Igreja de São Pedro, no centro de uma praça em forma de cruz, uma escultura de bronze de um anjo recorda as vítimas do Terceiro Reich. Criada em 1994, a estátua tem uma inscrição em alemão que diz: “Homens e mulheres homossexuais foram perseguidos e assassinados durante o nacional-socialismo. Os crimes foram negados, os assassinatos escondidos, os sobreviventes julgados e desprezados. Recordamos isso, na consciência de que homens que amam homens e mulheres que amam mulheres ainda enfrentam perseguições.” Dica de viagem: Em dezembro, entre no espírito natalício com os mercados anuais de Natal de Frankfurt. Não perca o popular Mercado de Natal Rosa da LGBTQ, na Friedrich-Stoltze-Platz.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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