Viagem e Aventuras

Faça a Viagem Perfeita ao Hemisfério Sul

Quedas de água glaciares, plantas tropicais, golfinhos e cavernas de mármore – a Carretera Austral da Patagónia é um paraíso para os exploradores.quarta-feira, 17 de julho de 2019

Por Shannon Dell
Fotografias Por Beth Wald
Quedas de água a cair de um glaciar suspenso, no Parque Nacional de Quelat, uma vista espetacular ao longo da Estrada 7 do Chile – também chamada por “Carretera Austral” – que serpenteia pela Patagónia.

A Patagónia chilena é uma região acidentada – isolada, selvagem e ecologicamente diversa. Onde é que existe um lugar onde podemos estar ao lado de folhas de ruibarbo do tamanho de uma pessoa e observar golfinhos a brincar num fiorde, enquanto as impressionantes quedas de água caem dos glaciares atrás de nós?

Ver tudo isto demoraria anos. Mas numa viagem pela Estrada 7 do Chile – também conhecida por Carretera Austral – pode ter a aventura de uma vida numa viagem de duas semanas. Eis as nossas dicas para a viagem perfeita ao Hemisfério Sul.

ver galeria
Patagónia chilena

Antes de partir
Grande parte da rota norte-sul, de 1.239 km, que liga Puerto Montt a Villa O'Higgins, não é pavimentada, por isso, prepare-se para uma viagem acidentada. Embora seja possível navegar pela Carretera através de transportes públicos, ou em bicicletas de montanha, o melhor a fazer é alugar um carro e conduzir durante o verão (de novembro a março), quando existem mais ofertas de alojamento e as probabilidades do clima extremo afetar as estradas são menores.

Desenferruje o seu espanhol (ou use uma aplicação de tradução) e faça as malas com roupa adequada para os dias incrivelmente ventosos da Patagónia. De seguida, dirija-se para Puerto Montt, para se abastecer de alimentos, repelentes de moscas e mosquitos, protetor solar e para levantar dinheiro. Embora seja possível encontrar mantimentos e caixas ATM ao longo do caminho, só encontrará outra grande cidade a 16 horas de distância, em Coyhaique.

Primeira volta: vulcões e florestas tropicais
De Puerto Montt, conduza oito horas para sul, até Chaitén, um vulcão que esteve adormecido durante 9.000 anos até que, com uma erupção em 2008, enterrou a cidade vizinha em cinzas. Desde então, os habitantes de Chaitén reconstruíram parte da cidade e abriram um trilho de 5 km de ida e volta, onde os visitantes podem observar a cúpula fumegante do vulcão e testemunhar em primeira mão a morte e o renascimento de um ecossistema florestal.

Depois de Chaitén, siga para o Parque Nacional de Pumalín, uma área que liga os Andes aos fiordes do Pacífico, para percorrer os trilhos das antigas florestas temperadas de Valdivian.

Um agricultor a cavalgar, com o Lago General Carrera como pano de fundo, perto de Puerto Río Tranquilo.

Segunda volta: florestas encantadas e glaciares suspensos
A três horas de distância, a sul de Chaitén, fica o Parque Nacional de Queulat, famoso pelas suas paredes de pedra irregulares, glaciares suspensos e queda de água glacial. Depois de admirar a paisagem a partir das margens da lagoa, explore o bosque encantado coberto de musgo (e muitas vezes lamacento).

Para encontrar alojamento e restaurantes, siga 25 minutos para sul, até Puyuhuapi, uma pequena vila de pescadores escondida num fiorde rodeado por florestas densas, montanhas enevoadas e nascentes termais. Desfrute de uma pausa com erva-mate, um chá tradicional bebido de uma cuia com uma palhinha de metal, com um filtro numa das extremidades.

A partir de Puyuhuapi, conduza cinco horas até Coyhaique, onde o alojamento pode ser reservado online. Prove o pisco, um conhaque feito a partir de sumo de uva fermentado, antes de descansar para a viagem de carro do dia seguinte pelas coloridas montanhas áridas até ao Parque Cerro Castillo, uma reserva nacional.

Enfrente uma caminhada extenuante pelas florestas de faias antárticas para visitar uma lagoa azul-turquesa, na base dos picos irregulares de Cerro Castillo. Fique hospedado na pequena cidade pioneira de Villa Cerro Castillo, ou continue durante mais três horas até Puerto Río Tranquilo.

ver galeria

Última volta: antigas cavernas de mármore e caminhadas glaciares
Visitar Puerto Río Tranquilo exige pelo menos dois dias da viagem. Passeie de caiaque pelas Capelas de Mármore do Lago General Carrera, uma rede de cavernas glaciares com estrias azuis esculpidas em carbonato de cálcio durante mais de 6.000 anos de pressão da água. Ou explore as vibrantes cavernas glaciares no Glaciar dos Exploradores, uma das caminhadas mais acessíveis pelos glaciares da Patagónia – só recentemente é que foi aberta ao público.

Conduza durante duas horas e meia para sul, para encontrar o Valle Chacabuco. Use Valle Chacabuco como um ponto de descanso – ou caminhe pelo de Trilho Lagunas Altas, com 22 km, para ver guanacos e condores entre os lagos alpinos.

Termine a jornada com uma viagem de carro de oito horas e meia até à isolada Villa O’Higgins, que marca o final da Carretera Austral. Atravesse o lago O'Higgins de barco e desfrute de vistas impressionantes do Glaciar O'Higgins, onde pode saborear um copo de uísque com gelo do glaciar.

Os viajantes que fazem a viagem de carro regressam pela mesma estrada para norte. Mas quem faz a viagem de bicicleta ou de transportes públicos têm outras opções: atravessar o lago para a Argentina, caminhar até à Laguna del Desierto, apanhar um autocarro até à base do imponente Monte Fitz Roy, ou seguir para sul de barco, para explorar o Campo de Gelo do Sul da Patagónia, o maior lençol de gelo temperado do Hemisfério Sul.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler