Viagem e Aventuras

Visite o Parque Africano que Inspirou “O Rei Leão"

Os cenários do filme são reais, selvagens e estão abertos ao público.Wednesday, July 17, 2019

Por Abigail Higgins
Os trilhos para caminhadas serpenteiam em torno do impressionante desfiladeiro Ol Njorowa, no Parque Nacional Hell's Gate, no Quénia.

Os animadores do filme O Rei Leão, da Disney, viajaram até um parque com paisagens dramáticas, no Grande Vale do Rift, no Quénia, para sentirem – como diz Mufasa – o grande ciclo da vida. Quando os visitantes do Parque Nacional Hell’s Gate chegam aos seus penhascos escarpados, esculpidos por um lago pré-histórico que dá o nome ao parque, irão descobrir que a inspiração real para a Pedra do Reino é igualmente majestosa.

O facto de não podermos ver realmente Simba (que significa leão em suaíli) é uma das vantagens secretas do parque: a ausência de predadores significa que podemos andar pela savana e dar de caras com girafas, zebras, antílopes e javalis – ou melhor ainda, podemos andar de bicicleta pelo parque. Hell’s Gate é um dos únicos lugares na África Oriental onde se pode caminhar por todo o lado. E também se pode fazer um safari de bicicleta – muito melhor do que espreitar os animais pelo tejadilho de um veículo. (A Walt Disney Company é acionista maioritária da National Geographic Partners.)

O parque, com cerca de 67 km quadrados, fica no Grande Vale do Rift, uma falha tectónica irregular que se estende desde o Líbano até Moçambique. Todos os anos, esta falha racha o continente em alguns milímetros. É por isso que Hell's Gate é uma maravilha geológica merecedora de uma visita: torres de pedra que oferecem oportunidades de escalada para os viciados em adrenalina; trilhos para caminhadas que serpenteiam em torno de um desfiladeiro formado por águas antigas e furiosas. Eis como pode desfrutar de Hell’s Gate na sua plenitude.

Atravesse de bicicleta uma manada de zebras
Hell’s Gate é mais pequeno e não tem tantos animais como os outros parques do Quénia, mas não há nada como pedalar por uma manada de zebras, ou tentar acompanhar o ritmo de uma girafa galopante. O melhor passeio de bicicleta estende-se ao longo de 6.5 km, desde a entrada principal do parque, Elsa Gate, até ao local de piqueniques e estação florestal, perto da entrada do desfiladeiro Ol Njorowa. (Eis alguns conselhos para fazer turismo de vida selvagem eticamente.)

Faça-se à estrada de terra batida durante as primeiras horas da manhã, ou ao final da tarde, para evitar o calor equatorial; é provável que encontre animais durante o dia todo, sejam famílias de javalis a correr pela estrada ou gazelas a brincar no meio de acácias. O parque é muito popular entre os observadores de aves, com mais de cem espécies. Mas tenha atenção e mantenha a distância dos búfalos; estes animais são mais perigosos do que aparentam.

No Parque Nacional Hell’s Gate, os turistas podem fazer um safari de bicicleta entre as zebras.

Fique atento à Torre de Fischer, uma formação rochosa com 25 metros de altura, feita de lava vulcânica derretida através de uma fenda na terra – ou, se preferir o folclore local, uma rapariga rebelde que foi transformada em pedra depois de desafiar a sua família antes de se casar. Este sítio é um dos vários locais do parque onde se podem fazer escaladas. Para mais informações, entre em contacto com o Climb BlueSky, um ginásio de escalada em Nairobi.

Espreite a história da Terra
Leve um lanche – e uma Tusker gelada, a cerveja mais popular do Quénia – para petiscar na zona de piqueniques da estação florestal. Mas tenha cuidado, existem muitos macacos e babuínos que, ao contrário de Rafiki (que significa amigo em suaíli), o amigo mandril de Simba, têm mais propensão para roubar comida do que para oferecer conselhos sábios.

A partir daqui, pode contratar um guia – a área é administrada pela comunidade Massai – para o levar numa caminhada pelo desfiladeiro Ol Njorowa. O trilho não é dos mais fáceis; vai atravessar riachos e escalar rochas, mas as vistas impressionantes valem o esforço.

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Em algumas zonas, as paredes do desfiladeiro são tão altas e apertadas que quase não deixam passar a luz do sol. E se o cenário lhe parecer familiar, talvez seja porque O Rei Leão não é o único filme onde Hell’s Gate aparece – Lara Croft: Tomb Raider também foi filmado aqui. Perto do final do percurso, veja o vapor dos géiseres do parque e mergulhe as suas mãos nas fontes efervescentes, com temperaturas que conseguem cozer ovos.

Desfrute de um spa sustentável
O Quénia foi o primeiro país africano a explorar a energia geotérmica, com Hell's Gate na linha da frente: a energia gerada pelos géiseres e fontes termais do parque abastece quase metade da eletricidade do Quénia. Os ambientalistas e entusiastas de safaris preocupam-se com as ameaças que isso pode representar para a vida selvagem e para a beleza natural. E isso até pode ser verdade, mas recolher este tipo de energia num país cuja população duplicou em 25 anos e onde mais de 60% da população ainda vive sem eletricidade, é um feito impressionante.

No parque, visite também o recém-construído Olkaria Spa e banhe-se nas suas águas ricas em minerais, produzidas a partir de vapor condensado, para ter uma ideia de como o parque consegue fundir turismo com desenvolvimento sustentado.

A área do parque é gerida pela comunidade, com visitas guiadas oferecidas pelos indígenas Massai.

Como chegar ao parque
Hell’s Gate fica a cerca de 14 km do desvio da autoestrada Nairobi-Naivasha. As duas horas de carro até ao parque, a partir de Nairobi, são uma viagem por si só, especialmente com as vistas deslumbrantes do Grande Vale do Rift. Se estiver com vontade de negociar, existem oportunidades para comprar artesanato queniano ao longo do caminho. A estrada foi construída por prisioneiros de guerra italianos, durante a Segunda Guerra Mundial, e existe uma pequena igreja, também construída pelos prisioneiros, que vale a pena visitar.

Visita de fim de semana
Hell’s Gate fica perto de dois vulcões, o Longonot e o Suswa, e ambos são bons para caminhadas de um dia. E também fica perto do Parque Nacional Nakuru, onde pode ver rinocerontes, e do Lago Naivasha, onde pode andar de barco. As faixas cor de rosa à beira do lago? Sim, são flamingos.

Onde ficar
Hell’s Gate tem três zonas para acampar: Endachata, Naiburta e Oldubai, onde pode adormecer a ouvir o estranho som das gargalhadas das hienas. Ao romper do dia, quando se pode ver mais animais, o parque está banhado em tons de dourado.

Se procura algo com mais infraestrutura, no Camp Carnelly, a 15 minutos de carro da entrada do parque, pode montar uma tenda nas margens do Lago Naivasha, ou pode ficar numa cabana escondida debaixo de acácias. Independentemente da sua preferência, relaxe com um gin tónico no restaurante Lazy Bones. E logo ali ao lado, o Fisherman’s Camp também oferece comodidades semelhantes – e tem uma pizza excelente feita em forno de lenha.

Caso deseje alugar uma casa rústica, ou algo maior para um grupo de amigos (que talvez inclua o Pumba), considere as opções Airbnb.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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