Viagem e Aventuras

Gordon Ramsay Aventura-se na Costa de Hana no Havai

Os efeitos fascinantes dos ventos alísios ofereceram ao Havai uma vastidão épica de ingredientes que ainda hoje enriquecem as suas tradições gastronómicas.terça-feira, 27 de agosto de 2019

Por Jill K. Robinson
Gordon Ramsay numa praia do Havai após uma sessão de mergulho para apanhar ouriços-do-mar e crustáceos.

Veja os novos episódios de Gordon Ramsay: Uncharted, quartas-feiras, às 22:10, no National Geographic.
 

Gordon Ramsay mergulha na costa de Hana, em Maui, com uma lança na mão, para apanhar a captura do dia. "Ouvi dizer que os tubarões conseguem sentir o medo", diz Ramsay. "Neste momento, devo estar iluminado como um letreiro de néon de um restaurante à beira da estrada." Felizmente, Gordon tem Kimi Werner, um mergulhador de classe mundial, para lhe oferecer alguns conselhos sobre mergulho livre.

"O mais importante é a descontração", diz Werner, quando Ramsay lhe pede orientações. "Se nos conseguirmos transformar numa espécie de raia dócil, não custa nada." Muitas das famílias havaianas mergulham nestas águas para apanhar crustáceos e peixe para as refeições. Este legado de estar imerso na riqueza dos recursos naturais também faz parte da cultura havaiana moderna, não pertence só aos primeiros colonos polinésios.

A gastronomia das ilhas havaianas envolve muito mais do que Spam musubi e tigelas de poke, e tem contado com a ajuda de migrantes para desenvolver os seus sabores gastronómicos. A migração que trouxe polinésios e outros grupos para o arquipélago ajudou a diversificar a cozinha havaiana. Agora, o chef Sheldon Simeon adiciona um toque moderno aos pratos tradicionais do Havai em dois dos seus restaurantes: o Lineage e o Tin Roof. O menus de Sheldon são uma representação dos grupos que chegaram até ao Havai, como os seus próprios avós filipinos, e da maneira como forjaram novos sabores. “Os ventos alísios trouxeram todas estas culturas diferentes para o Havai, e fundiram-se na perfeição”, diz Simeon. A gastronomia havaiana moderna combina sabores do Pacífico e de lugares longínquos.

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O kalo (taro), uma das primeiras plantas trazidas pelos colonos polinésios, é muito importante. De acordo com o canto de criação havaiano, esta planta tem uma ligação sagrada aos antepassados, e as origens do povo havaiano podem ser seguidas até ao kalo. Apesar de muitos visitantes conhecerem a planta apenas pelo poi, um prato tradicional havaiano, esse é apenas um dos seus muitos usos – serve para farinha, verduras, batatas e pudim. O conhecimento tradicional da sua preparação é indispensável, pois os cristais de oxalato de cálcio (associados à gota e cálculo renal) estão presentes no kalo cru e dissipam-se quando a planta é cozinhada.

As plantas de canoa, nome dado às plantas que vieram transportadas em canoas com os primeiros polinésios, eram vitais para todas as necessidades: comida, remédios, tecidos, recipientes e cordéis. O kalo é apenas uma dessas plantas. Outras incluem 'awa (kava), kukui (noz-moscada), mai'a (banana), niu (coco),' uala (batata-doce) e 'ulu (fruta-pão). Estas plantas estão tão enraizadas na cultura havaiana que é fácil ignorar a importância das suas origens, mas a sua integração na cultura havaiana moderna é fundamental – e é exatamente o que Ramsay quer destacar em Uncharted.

Esquerda: A “panna cotta de poi” de Gordon Ramsay, uma sobremesa cremosa servida em cascas de coco. Direita: Gordon Ramsay e o chef Sheldon Simeon servem os seus pratos aos habitantes locais.

"Está na hora de retribuir e perceber o que os ventos alísios fizeram por esta ilha", diz Ramsay, enquanto se prepara para o dia do Big Cook. Ramsay retribui criando algo da sua própria herança cultural, mas com ingredientes locais – muito semelhante com o que aprendeu durante o tempo que esteve em Hana.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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