Viagem e Aventuras

Gordon Ramsay Visita o Imponente Mekong no Laos

De montante a jusante do rio Mekong – conhecido localmente como "o rio da vida" – Gordon conhece o modo de vida dos laosianos e a forma como procuram alimentos.segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Por Jill K. Robinson
O chef Joy Ngeuamboupha e Gordon Ramsay navegam ao longo do poderoso rio Mekong para descobrir os segredos da culinária do Laos.

Veja os novos episódios de Gordon Ramsay: Uncharted, quartas-feiras, às 22:10, no National Geographic.

No Laos, apoiado precariamente sobre uma rocha no rio Mekong, Gordon Ramsay tenta pescar com redes fundeadas, nas Cataratas de Khone Phapheng, consideradas as quedas de água mais extensas do mundo. “É muito perigoso, mesmo à beira da rocha”, diz Ramsay, “eu queria apanhar o almoço, mas não era isto que eu tinha em mente.” O volume destas cataratas – 9.4 milhões de litros por segundo – tem quase o dobro do das Cataratas do Niágara.

“Os peixes que lutam contra a corrente são mais saborosos”, diz o chef Joy Ngeuamboupha. Num dos restaurantes com melhor classificação do país, o Restaurante e Escola de Culinária Tamarind, Ngeuamboupha concentra todos os seus esforços na celebração da herança culinária do Laos – e quer garantir que existe um lugar no mapa para esta gastronomia. Antes de sentir o apelo pela cozinha, Ngeuamboupha foi monge durante 7 anos, período que o inspirou a ser chef.

O Mekong, um dos rios mais longos do mundo, atravessa 6 países a caminho do Mar da China Meridional, e é um rio fundamental para o Laos. Funciona como uma espécie de autoestada, para além de ser uma fonte vital de comida. O país continua a ser um destino relativamente pouco conhecido, em comparação com os vizinhos Tailândia, Camboja e Vietname – e a gastronomia do Laos é frequentemente confundida com a cozinha tailandesa. Aqui, na região de Si Phan Don do Laos (também conhecida por 4.000 ilhas), Ramsay e Uncharted exploram a ligação entre o povo do Laos e o rio Mekong.

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Embora a comida do Laos possa ter semelhanças com os pratos tailandeses, existem ingredientes muito específicos na culinária laosiana, sobretudo ervas e folhas à base de plantas. Aqui, praticamente tudo é obtido nos quintais pessoais, no rio, nas quintas e na floresta. E apesar de esta comida poder ser um bocado picante, o mais importante é equilibrar os sabores: nem muito doce ou azedo, e temperado a gosto.

Os laosianos fazem tudo o que for necessário para obter os seus ingredientes. A escassez de alimentos em áreas onde o rio Mekong é menos generoso significa que os habitantes precisam de procurar os seus recursos proteicos noutras áreas. Os arrozais com animais mais pequenos – sapos, caracóis e "morde pés" (baratas-de-água) – e os ninhos de larvas de formigas na floresta, todos contribuem para a dieta no Laos.

O arroz glutinoso é um elemento básico nas refeições do Laos, e os arrozais verdes parecem estender-se até ao horizonte. O Lao-lao, um uísque de arroz, requer que o arroz glutinoso seja cozido a vapor, lavado e depois fermentado durante alguns dias. O resultado pode produzir uma aguardente caseira com 60% de álcool, e serve como uma alternativa simples aos dispendiosos licores importados.

Esquerda: Peixe fresco acabado de apanhar, à venda no mercado diário no Laos. Direita: Uma panela com caracóis – os habitantes locais servem esta iguaria enrolada numa folha de alface, com cebolinho e outros vegetais.

"Para mim, o mais assustador é servirem a refeição às 11 da manhã, porque os monges não podem comer depois do meio-dia", diz Ramsay, enquanto cozinha para os monges budistas do templo Baan Khon. Gordon também está preocupado por não receber uma bênção caso os monges não gostem dos seus pratos. "O rio Mekong continua a oferecer-lhes algo de muito valioso – uma cultura rica que deslumbra o paladar e alimenta a alma", diz Gordon Ramsay. "E isso não tem preço."

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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