Viagem e Aventuras

'Subturismo’: Destinos Turísticos Sem Multidões

In the age of overtourism, the world’s less-visited places are seeing a new opportunity.quinta-feira, 7 de novembro de 2019

BRUXELAS, BÉLGICA – A capital belga gira em torno da sua praça central, ou Grand-Place, Património …
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Este ano, os destinos turísticos de renome estão a tentar travar o sobreturismo, ou turismo em excesso, como nunca: Veneza anunciou planos para cobrar uma taxa pela entrada, Bruges limitou o número de navios de cruzeiro – a dois por dia – e Paris declarou intenções de proibir os autocarros turísticos no centro da cidade.

Mas existe outro fenómeno em desenvolvimento, o subturismo. Este termo está a ser cada vez mais usado como uma estratégia de marketing pelos destinos menos visitados. Os slogans usados dizem coisas do género: “visite-nos, não temos multidões”, ou, “visite-nos, não precisa de estar na fila para ter likes no Instagram”.

Quando os turistas não querem passar as suas viagens a fugir de multidões preocupadas com selfies, esta atitude parece astuta. Tomemos Lisboa, por exemplo – será coincidência que o turismo na nossa capital, outrora pouco visitada, tenha explodido desde que Barcelona começou a desencorajar ativamente o turismo?

Mas mesmo os locais menos visitados podem tornar-se vítimas do seu próprio sucesso. "Os locais que se autodenominam de subturismo podem cair na armadilha do sobreturismo, a não ser que adotem abordagens mais responsáveis ao planeamento turístico", alerta Justin Francis, CEO da Responsible Travel.

Portanto, como é que podemos ajudar? Uma das formas é tentar ter uma experiência mais profunda, em vez da atitude ‘sempre a correr’ que a maioria dos visitantes tem. Esta abordagem já é utilizada pelos destinos inundados de turistas para promover ativamente outros recantos menos visitados. Veneza, por exemplo, sugere que se troque as visitas à da Praça de São Marcos por Lido, uma ilha rodeada de praias onde a maioria dos restaurantes e hotéis pertencem a proprietários locais. A Venezia Autentica – uma start-up que destaca os artesãos consagrados da cidade – afasta os turistas das armadilhas mais óbvias e redireciona-os para os cafés, lojas e restaurantes locais. (Veneza Está Inundada de Turistas – Visite Outras Cidades Flutuantes.)

Subturismo também pode significar prestar mais atenção aos locais que visitamos. A última campanha de marketing de Viena pede aos seus visitantes que ignorem os telemóveis e que estejam de corpo e mente na capital austríaca. Ou podemos simplesmente escolher destinos que precisam de visitantes – como Bali durante as erupções do Monte Agung; Porto Rico pós-furacão Maria; ou o Sri Lanka, já que o Ministério de Relações Exteriores do país admite que é seguro visitar a nação insular depois dos atentados que aconteceram durante o período de Páscoa. (Leia mais sobre sobreturismo.)

Para a sua próxima viagem, em vez de visitar os destinos mais conhecidos, considere estas 5 alternativas.

Gosta de Machu Picchu? Experimente Kuelap
Com 400 casas de pedra no topo de uma montanha e um novo teleférico para chegar até ao cume, está na hora de conhecer este belo cenário inca que é mais antigo do que Machu Picchu.

Gosta de Veneza? Experimente Trieste
A poucas horas de distância de comboio de Veneza, esta elegante cidade italiana fica mesmo ao lado da Eslovénia. Suspensa sobre o cintilante Golfo de Trieste, a cidade também tem o seu próprio canal ladeado de palácios.

Gosta de Phuket? Experimente Kep
À medida que a linha costeira no sul do Camboja se torna cada vez mais popular, Kep – com a selva e os mares límpidos – mantém a sua vibração descontraída sem multidões. E as praias de Kep estão ao nível das que encontramos na Tailândia.

Gosta de Lisboa? Experimente Guimarãe
Guimarães, ou cidade berço – lugar do nascimento do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, no início do século XII – é uma cidade antiga, mas imaculada, e tem um castelo do século XI e igrejas fabulosas.

Gosta de Bruges? Experimente Bruxelas
Bruxelas pode não ter os canais exuberantes de Bruges, mas a capital belga tem uma arquitetura medieval deslumbrante, restaurantes movimentados, muitas lojas de chocolates e cervejarias. E apesar de ser um centro de negócios, é inesperadamente despretensiosa.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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