Entrevista a Bernardo Conde, da Engenharia a Líder de Viagens

Entrevistámos Bernardo Conde, o fotógrafo, líder de viagem e fundador do National Geographic Exodus Aveiro Fest, com quem conversámos sobre a sede de viajar e o estado de pertença ao nosso planeta.

Monday, January 13, 2020,
Por National Geographic
Bernardo Conde viaja regularmente à Islândia, Madagáscar e Mongólia com grupos.
Bernardo Conde viaja regularmente à Islândia, Madagáscar e Mongólia com grupos.
Fotografia de Iolanda Silva

Vive inquieto e não saberia viver de outra forma. Partilha a sua sede de viajar com grupos com quem viaja regularmente à Islândia, Madagáscar e Mongólia, enquanto líder de viagens. Há 12 anos criou o centro de fotografia documental Trilhos da Terra, em Aveiro, onde tem uma vasta oferta de workshops e atividades exploratórias. Tem várias exposições no seu portfólio e um livro editado - “Uma Janela para Marrocos”. É o fundador e organizador do National Geographic Exodus Aveiro Fest e nada lhe dá mais prazer que mostrar o mundo aos outros.

Bernardo Conde cresceu apaixonado pelo planeta  e desde cedo se perdeu de amores por observar o meio natural. Agora, com 43 anos, continua dedicado à fotografia, às pessoas e à exploração do Mundo.
 

Explique o seu trabalho numa frase.
Qual deles? O elo de ligação de todas as minhas atividades profissionais é a fotografia e a viagem. Tento fazer que a fotografia possa ser um meio de comunicação, vivência de valores e uma escola de vida de momentos e de experiências, assim como, tento como tour leader mostrar a Mongólia, Madagáscar e a Islândia de uma forma intensa, embrenhada na realidade local de cada país, para que as vivências sejam mais especiais e genuínas.

Tem alguma memória de infância preferida?
Andar na natureza com os meus vizinhos embrenhado na natureza, com casas no meio dos arbustos, pescar na ria, ou ainda uma roadtrip pela costa portuguesa de Aveiro a Armação de Pêra parando em todas as praias, cabos e faróis.

O que abdicou para se dedicar às suas paixões?
Deixei a estabilidade de um trabalho certo e seguro como Engenheiro do Ambiente, para arriscar num mundo de incertezas de freelancer enquanto fotógrafo, tour leader e elemento da organização do National Geographic Exodus Aveiro Fest (NGEAF). Abdiquei de estar com as minhas pessoas próximas para poder dar de mim ao mostrar o mundo a outras pessoas.

É a pé que gosta de viajar, fotografar e contactar com pessoas. O que o move?
Aprendi com o tempo que o que me dá mais prazer nas viagens são aqueles momentos fugazes que interajo com estranhos, entre apresentações, troca de palavras e retratos tirados, por vezes arranjo novos amigos. Com a repetição das viagens que faço profissionalmente estreito laços, e aquelas passam a ser as minhas pessoas. Por outro lado, o que me faz ir a um sítio fora as pessoas, é o encanto das montanhas, das florestas, e daquelas paisagens vastas que nos fazem lembrar que somos tão pequenos neste planeta especial com tanta coisa imensamente bonita para ver e vivenciar.

Qual a sua fotografia preferida neste momento?
O retrato da Batolum, a minha sobrinha ‘emprestada’ mongol, no meio de uma tempestade de neve enquanto o irmão a preparava para a levar para casa.

Batolum, a sua sobrinha ‘emprestada’.
Fotografia de Bernardo Conde

Quantas viagens faz por ano (internacionais e nacionais)? Como se encontra um sentido de pertença com tanto tempo fora por ano?
Diria que umas sete ou oito internacionais e nacionais umas três, estas últimas não são muito programadas, às vezes proporcionam-se. Ao todo ultimamente estou cerca de cinco a seis meses por ano fora.
É uma boa questão, às vezes sinto que já não sou de lado nenhum, e que tenho várias casas. Sinto-me muito bem em cada um dos três países que frequento mais: em Madagáscar, Mongólia e Islândia, tenho pessoas que são referências locais para mim e isso faz-me sentir sempre bem naqueles locais, como se andasse a visitar tios e avós. Mas depois, no fundo no fundo, sabe-me sempre bem voltar ao paraíso que é a minha cidade Aveiro, aos meus projetos que fazem tanto parte de mim, e junto dos meus familiares e amigos, das pessoas que se gosta. Não sei se sentem isto quando voltam depois de uma viagem e chegam à vossa terra e à vossa casa, mas de alguma forma eu respiro de forma diferente. A adrenalina baixa, podemos abrandar e entrar noutro ritmo.

Devemos repensar o nosso sentido de pertença e presença no meio natural?
Acho que nos tempos que correm não nos podemos sentir donos do mundo, ou só ter olhos e preocupação para o que nos rodeia no nosso dia a dia. As nossas acções diárias somadas com as das outras pessoas acabam por ter grande impacto no meio natural que nos dá casa.

Que preocupações leva na mochila?
Desigualdades de oportunidades de acesso a alimento e educação, maus tratos a animais selvagens e destruição de natureza, incompreensão das diferentes culturas e maneiras dos povos estarem. Tudo isto fez-me tentar pôr no NGEAF, maneira de informar as pessoas para que com informação correta possamos agir de forma mais inspirada, orientada e sustentada.

O que o faz ‘sonhar acordado’?
Paisagens de montanha, floresta, desertos, auroras boreais, vida selvagem, contacto com pessoas crescidas e crianças amistosas em locais remotos.

Se pudesse pedir um desejo para o Planeta, qual seria?
União nas vontades de toda a gente, sobretudo governativa, para fazermos melhor pelo planeta e pessoas. Utopicamente pedindo.
 

CURIOSIDADES
Cresceu em…
Aveiro.
O seu herói é… Jacques Cousteau (real), Indiana Jones (fictício).
Num dia típico… de metade do ano viaja-se e fotografa-se, na outra metade ensina-se fotografia e organizam-se eventos.
Para se divertir… toco guitarra e canto (ou algo semelhante).
O seu sítio preferido no mundo é… um lugar perdido nas montanhas de Skaftafel na Islândia (até à data).
Não consegue viajar sem… música.
O seu melhor conselho para um fotógrafo júnior é… fotografar como se não houvesse amanhã, experimentar fotograficamente um pouco de tudo até encontrar o que lhe dá mais prazer em fotografar.

Acompanhe os seus projetos:
Trilhos da Terra
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National Geographic Exodus Aveiro Fest

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