Está Farto das Multidões de Barcelona? Descanse na Natureza

Uma solução para o ‘sobreturismo’? O único parque nacional da Catalunha tem espaço de sobra.quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Existem inúmeras razões para visitar Barcelona, nem que seja uma vez na vida. Mas, nos últimos anos, a cidade sofreu com os efeitos do turismo em excesso. Os pontos de referência estão lotados, os habitantes locais estão frustrados e a pressão nas qualidades que tornam a cidade especial são apenas alguns dos impactos negativos. O que deve fazer um viajante? A resposta é simples: expanda os seus horizontes.

Para iniciar a nossa série de soluções para o sobreturismo, fizemos uma viagem ao único parque nacional de Espanha, na Catalunha, que apresenta alguns dos melhores trilhos para caminhadas da região, para além de destaques históricos e culturais. Eis o que deve saber sobre o Parque Nacional Aigüestortes i Estany de Sant Maurici, que fica no coração dos Pirenéus espanhóis.

O parque
Localizado a 4 horas de carro de Barcelona – e cujo nome se traduz do catalão para algo como “riachos e lagos sinuosos de São Maurício” – é uma mistura de lagos glaciares, quedas de água e riachos, pontilhados por cumes de granito flanqueados por florestas de pinheiros e abetos. Nas pastagens elevadas, os tapetes de flores ganham vida com a primavera.

Devido à enorme variedade de altitudes do parque, a sua vegetação alpina também é muito diversificada. Os vales mais baixos abrigam florestas onde os carvalhos, freixos e faias são as árvores predominantes. Os prados e pastagens que antigamente eram usados para a agricultura estão agora cobertos de vegetação, dominados por florestas secundárias de pinheiro-da-escócia.

Características únicas
Na cidade termal de Caldes de Boí, na região oeste do parque, os caminhantes podem descansar os seus pés em fontes termais. E a história aguarda na cidade de Taüll, onde as encantadoras igrejas de Santa Maria e Sant Climent, com as suas torres sineiras imponentes, se erguem num cenário de prados verdejantes e picos escarpados. No inverno, esta área transforma-se num reino para os esquiadores, na estância Boí Taüll, que atinge os 2.456 metros.

O vale íngreme conhecido por Vall de Boí tem o conjunto mais impressionante de igrejas românicas do mundo, com as suas torres enormes apontadas para o céu a partir do fundo do vale. Estas igrejas, classificadas pela UNESCO, foram construídas entre os séculos XI e XIV.

Descubra qual é a região espanhola designada como uma das melhores viagens National Geographic para 2020.

Mas só quando saímos da cidade e entramos nestas colinas é que a verdadeira magia do parque se começa a revelar: podemos encontrar cavalos com chocalhos, ou embarcar numa jornada quixotesca pelo Estany Perdut (Lago Perdido) e pelas Agujas Perdut (Montanhas perdidas). Talvez encontremos um pinheiro de bonsai centenário que cresce numa rocha perto do Estany Llong (Lago Llong), ou procurar o famoso pinheiro preto com 600 anos de idade e 6 metros de espessura que está na região desde que Colombo partiu de Espanha, em agosto de 1492.

Os melhores trilhos
O lago cristalino de Estany de Sant Maurici está entre os pontos turísticos mais populares do parque. Este trilho convidativo, que liga as aldeias de Espot e Boí, passa pelo lago glaciar. Este lago deve a sua existência à impenetrável rocha de granito presente nestas montanhas.

Outro dos destaques é o espetacular Estret de Collegats, um desfiladeiro estreito escavado pelo rio Noguera, onde podemos ver a Roca de l'Argentina, uma face de rocha repleta de estalactites geladas.

O Trilho Marmota é uma caminhada particularmente pitoresca que passa pela barragem Cavallers e termina no Estany Negré (Lago Negro), e o trilho Estany Llong leva-nos pelo interior do parque ao longo do planalto de Aigüestortes.

Para termos uma noção da história destas montanhas, podemos caminhar pelos Camins Vius (Caminhos da Vida). Esta rota percorre caminhos tradicionais do vale – a maioria dos quais remonta até aos tempos medievais e alguns são ainda mais antigos – pelas aldeias circundantes do parque, passando por Alta Ribagorça, Vall d'Aran e Pallars Sobirà.

Observação de vida selvagem
O parque tem muitas aves que podem ser observadas durante as caminhadas: tetrazes, perdizes-cinzentas, águias-reais, abutres-fouveiros e abutres-barbudos. O abutre-barbudo é uma ave impressionante com uma envergadura de asas de quase 3 metros. Na floresta, os caminhantes também podem avistar pica-paus-pretos ou gralhas-de-bico-vermelho.

As espécies de mamíferos do parque incluem camurças-dos-pirenéus, arminhos, marmotas alpinas e gamos. E os relativamente pequenos corços (com menos de 1 metro de comprimento) foram introduzidos no parque durante a segunda metade do século XX.

Apesar de o parque não ter muitos anfíbios, podemos encontrar tritões-dos-pirenéus, e sobretudo víboras-áspide, cobras venenosas que não devem ser provocadas. E por todo o parque, os lagos e rios estão repletos de trutas.

Informações importantes
Devido às enormes altitudes do parque – o seu pico mais alto é o Pic de Comolaforno, com mais de 3.000 metros – muitos dos trilhos estão abertos apenas na primavera e no verão. Entre maio e junho, os riachos estão na sua plenitude e as flores coloridas começam a desabrochar em junho e julho.

Mesmo no verão, o clima é instável, portanto, é importante ir preparado. Os trilhos do parque estão bem delineados e as rotas mais longas têm cabanas de abrigo; a caminhada de Espot-Boí tem cerca de 25 km e demora 9 horas a ser concluída.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com