Vai Fazer um Cruzeiro? Eis Como Manter a Saúde a Bordo.

Os vírus e bactérias propagam-se rapidamente nos navios, mas os especialistas dizem que uma boa higiene e um planeamento antecipado podem ajudar a evitar doenças.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020,
Por Vicky Hallett
O cruzeiro Diamond Princess (visto nesta imagem atracado em Yokohama, no Japão, no dia 10 de ...
O cruzeiro Diamond Princess (visto nesta imagem atracado em Yokohama, no Japão, no dia 10 de fevereiro) ficou em quarentena depois de os seus passageiros terem acusado positivo para o coronavírus.
Fotografia de Carl Court, Getty Images

Quando os passageiros reservaram as suas férias no Diamond Princess, provavelmente estavam ansiosos para passar bons momentos numa banheira de hidromassagem, e não numa zona de doença. Agora, grande parte dos passageiros está de quarentena no Japão, na esperança de evitar testes positivos para o novo COVID-19, que já infetou mais de 690 pessoas a bordo do navio.

O facto de o maior surto de COVID-19 fora da China continental ter acontecido num cruzeiro não é tranquilizador para os viajantes que já de si estão preocupados com os problemas de saúde nas viagens de barco – que são incubadoras bem conhecidas de doenças gastrointestinais. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA tem um banco de dados muito útil onde discrimina o número de casos por ano.

A grande maioria dos cruzeiros não apresenta problemas. Mas os espaços confinados significam que, mesmo que exista apenas uma pessoa doente a bordo, isso pode criar uma situação muito séria, explica Tullia Marcolongo, diretora executiva da organização sem fins lucrativos Associação Internacional de Assistência Médica a Viajantes. “É um efeito dominó e não temos para onde fugir”, diz Tullia.

As autoridades de saúde, com equipamentos de proteção, removeram as bagagens do cruzeiro Diamond Princess, em Yokohama, no Japão. Estas malas pertencem aos passageiros que foram evacuados e levados para os hospitais após terem acusado positivo nos testes para o coronavírus.
Fotografia de Asahi Shimbun, Getty Images

O que fazem as companhias de cruzeiros para minimizar os riscos
As companhias de cruzeiros trabalham para minimizar o risco de doenças, mantendo a higiene e monitorizando a saúde a bordo dos seus navios. Em resposta ao surto de coronavírus, a empresa Carnival – proprietária da Princess Cruises – expandiu os seus protocolos e incluiu “medidas aperfeiçoadas de saneamento a bordo com materiais não tóxicos” e “avaliações médicas antes do embarque, conforme necessário”. No seu site, a Royal Caribbean Cruises apresenta um programa de saúde e segurança com inspeções internas e externas, testes frequentes aos sistemas de água e regras muito rigorosas para o manuseio de alimentos.

Como proteger a saúde a bordo
Os passageiros também podem fazer a sua parte. “A primeira coisa que eu diria é que o poder está nas nossas mãos”, diz Tullia, e faz esta afirmação de forma literal. A lavagem frequente das mãos pode ser uma medida de prevenção crítica para os norovírus, para as constipações e para outras coisas estranhas que circulam a bordo de um navio. Para nos certificarmos de que lavamos bem as mãos, podemos cantar “parabéns a você” duas vezes, sugere Tullia, e não devemos esquecer os espaços entre os dedos. Se não tivermos água e sabão por perto, podemos usar um desinfetante para as mãos à base de álcool. E muitos dos navios disponibilizam desinfetantes para os passageiros, acrescenta Tullia.

David Parenti, diretor da Traveler’s Clinic da Universidade George Washington, e professor na Faculdade de Medicina e Ciências de Saúde da Universidade George Washington, aconselha as pessoas a terem noção de quando tocam nos corrimãos e em outras superfícies. Até conseguirmos lavar as mãos, não as devemos colocar nos olhos ou na boca.

Infelizmente, diz Parenti, existem muitas outras formas pelas quais podemos adoecer, seja a bordo de um navio ou em terra. “Tem tudo que ver com sorte. Se estivermos num navio com norovírus, estamos com azar. E quando estamos num navio de cruzeiro, precisamos de comer. Estes riscos são coisas sobre as quais não temos muito poder de controlo.”

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Faça exames antes de embarcar num cruzeiro
Para ter uma atitude proativa, os viajantes podem marcar uma consulta médica antes das férias para garantir que as suas imunizações estão atualizadas. Dependendo do destino, a vacina contra a gripe pode ser importante, mesmo que esteja a partir a meio do verão. “Lembre-se que a época de gripe no hemisfério norte acontece no momento oposto à do hemisfério sul”, observa Parenti. E Parenti também recomenda a vacinação contra a hepatite A e a verificação da imunidade contra o sarampo; talvez seja necessário levar outra vacina. (Um caso de sarampo foi responsável pela quarentena de outro cruzeiro em maio de 2019).

Devido ao número limitado de medicamentos a bordo, convém levar tudo o que pode vir a ser necessário, acrescenta Tullia. Isto inclui noções básicas de primeiros socorros, para além de alguns medicamentos que são vendidos sem receita médica, algo que, em casos de problemas gastrointestinais, inclui loperamida (Imodium) e sais de reidratação oral.

Jack Hickey, um advogado sediado em Miami, já representou companhias de cruzeiros – e agora processa essas mesmas empresas por danos pessoais. O seu conselho? “O que eu digo às pessoas é para obterem um seguro de viagem que cubra uma ambulância aérea.” Caso contrário, os viajantes que enfrentem uma emergência e que precisem de pagar pelo transporte aéreo podem ficar surpreendidos com os valores envolvidos.

Em caso de doença
Devemos ser realistas em relação ao tipo de cuidados que podemos realmente esperar a bordo de um navio. “Se adoecermos, ou se nos ferirmos, devemos regressar a casa o mais depressa possível”, aconselha Hickey. “Apesar de os cruzeiros terem níveis de excelência em termos de hospitalidade, quando se trata de assistência médica apresentam algumas lacunas. Não estamos num hospital, mas sim num navio que transporta entre 3.000 e 6.000 pessoas e que vai para áreas isoladas do mundo.” Hickey acredita que normalmente não há médicos ou funcionários suficientes para lidar com as cargas de trabalho mais pesadas, e que as instalações não estão devidamente equipadas. “Quase todos os cruzeiros têm uma máquina de raios-x, mas estas nem sempre estão em condições ou não existem pessoas que saibam ler as imagens.”

A quarentena do coronavírus – que manteve as pessoas fechadas em cabines apertadas durante semanas – é um lembrete de que os problemas de saúde mental também podem surgir, sobretudo em pessoas com problemas que giram em torno de ansiedade ou claustrofobia. “E o seguro de viagem não cobre necessariamente esta situação”, diz Tullia.

À medida que os cientistas aprendem mais sobre este novo vírus e sobre a forma como se transmite, as análises aos sistemas de ventilação dos navios de cruzeiro também podem vir a aumentar, acrescenta Parenti. Num hospital, é possível colocar um paciente numa sala de “isolamento respiratório” com renovações de ar frequentes.

Mas, nos navios de cruzeiro, isso não é possível. Qual é a melhor opção de acordo com Parenti? “Pessoalmente, eu abria uma janela.” É a única forma de respirar ar fresco.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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