Clima Extremo Ameaça Uma das Cataratas Mais Inspiradoras da Terra

As Cataratas de Vitória são uma das maravilhas naturais mais impressionantes do mundo – mas o que acontece quando a região fica mais quente e seca?quarta-feira, 4 de março de 2020

As Cataratas de Vitória são uma das maiores e mais impressionantes quedas de água do planeta.

Abrangendo toda a largura do rio Zambeze – com quase 2 km de largura – as lendárias cataratas mergulham sobre a borda de um enorme planalto de rocha vulcânica para uma queda de 108 metros. E criam névoas que podem ser vistas a mais de 10 quilómetros de distância, razão pela qual os habitantes locais lhe chamam de Mosi-oa-Tunya, ou Fumo que Troveja.

Mas, apesar de o fluxo de água do Zambeze ter lentamente atravessado este planalto durante cerca de 2 milhões de anos, na fronteira nacional entre a Zâmbia e o Zimbabué, as mudanças extremas nas chuvas, provocadas pelas alterações climáticas, ameaçam o seu futuro.

As Cataratas de Vitória estão a ficar mais quentes e secas. Embora a região ainda assista aproximadamente à mesma precipitação anual, as chuvas estão comprimidas em períodos menores de tempo. As temperaturas também estão a subir – num estudo publicado em julho de 2018, o investigador sul-africano Kaitano Dube descobriu que, de 1976 a 2017, a média de temperaturas máximas diárias verificadas nos meses de outubro subiram 3.8 graus Celsius. No ano passado, a área sofreu a pior seca de sempre do último século, deixando as cataratas a gotejar em dezembro.

Este clima extremo não ameaça apenas a majestosidade das cataratas, ameaça também a saúde do seu ecossistema e a economia local. O The Guardian informa que as secas recentes provocaram cortes de energia em ambos os países, que dependem da energia hidroelétrica da Barragem Kariba.

Águas vitais
As névoas geradas pelas Cataratas de Vitória sustentam um ecossistema semelhante a uma floresta tropical, não só junto às quedas de água, como no penhasco oposto que parece um reflexo em versão seca, repleto de mogno, figueiras, palmeiras e outras espécies de vegetação.

A fronteira nacional entre a Zâmbia e o Zimbabué fica no meio do rio, e os parques nacionais de ambas as nações existem nas duas margens do Zambeze. Nestes parques, os desfiladeiros e falésias por baixo das quedas de água são um território privilegiado para as aves de rapina, incluindo falcões e águias-negras-africanas.

Os humanos também dependem há muito tempo das cataratas. Perto das quedas de água, foram identificados artefactos de pedra do hominídeo Homo habilis que revelam que os primeiros humanos podem ter vivido aqui há 2 milhões de anos. E outras ferramentas mais “modernas” – de há 50.000 anos – mostram as evidências de uma povoação da Idade da Pedra nas Cataratas de Vitória.

Turismo moderno
Hoje, o turismo é essencial para impulsionar o crescimento económico. Várias centenas de milhares de pessoas de todo o mundo visitam as cataratas anualmente. Hotéis, restaurantes, acampamentos e outras empresas de turismo, que empregam milhares de pessoas, surgiram para cuidar destas necessidades.

Mas a beleza das cataratas reside no seu estado natural, e a região corre algum risco de desenvolvimento descontrolado devido ao turismo – mais estâncias, hotéis e até uma possível barragem por baixo das cataratas que poderia inundar vários desfiladeiros dos parques. Os operadores turísticos na área oferecem um pouco de tudo, desde passeios de helicóptero a bungee jumping, mas a gestão de todas estas atividades, preservando ao mesmo tempo uma experiência de qualidade, é um desafio permanente.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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