Projeto LIFE Criado Para Proteger Ilhas-barreira da Ria Formosa

O projeto LIFE surge para proteger as ilhas-barreira da Ria Formosa, no Algarve, pela conservação ambiental e da natureza. O projeto é coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.terça-feira, 10 de março de 2020

Por National Geographic

O programa LIFE é um instrumento financeiro da União Europeia que visa apoiar projetos de conservação ambiental e da natureza. Surgiu no ano de 1992 e já cofinanciou mais de 4500 projetos.

O projeto LIFE Ilhas-barreira iniciou-se em setembro de 2019, com um orçamento de 2 milhões de euros, e prolongar-se-á até ao fim do ano de 2023.

A Ria Formosa começou com estatuto de Reserva Natural, instituído em 1978. É um local classificado como sítio Ramsar, uma zona húmida classificada como local de importância ecológica internacional ao abrigo da Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional.

A área das ilhas da Ria Formosa é classificada como protegida pelo estatuto de Parque Natural, datado de 1987, e é parte integrante da Rede Natura 2000. No que respeita à Diretiva Aves, é considerada como zona de proteção especial e, no que respeita à Diretiva Habitats, pela sua importância comunitária.

Alterações climáticas como alerta
Pela vulnerabilidade proveniente das alterações climáticas, as zonas urbanas encontram-se sujeitas a alguns impactos como o aumento da temperatura, a subida do nível médio do mar, a precipitação excessiva, ocorrência de inundações, deslizamento de terras, diminuição da qualidade do ar, escassez de água, problemas ao nível do abastecimento, ocorrência de incêndios florestais, entre outros.

O novo projeto LIFE surge pela comemoração do Dia Internacional das Zonas Húmidas, celebrado a 2 de fevereiro, na Universidade do Algarve, com objetivo de intervenção direta na Ria Formosa. O projeto tem como ponto de partida a avaliação de como as alterações climáticas poderão afetar as Ilhas-barreira, bem como, as estratégias de conservação da Ria Formosa, da qual tanto pessoas como espécies dependem.

O ecossistema da Ria Formosa
Constitui-se por cinco ilhas – Barreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas – e, duas penínsulas – Ancão e Cacela que, pela sua constituição, formam uma barreira entre o mar e a Ria Formosa, dando assim origem ao nome Ilhas-barreira.

A Ria Formosa é um ecossistema especial, tornando-se um importante refúgio para algumas aves marinhas. No caso da ilha Deserta, é o único local do país onde nidifica a gaivota-de-audouin, ave marinha classificada como vulnerável à extinção, que ali se reproduz desde 2008.

Ainda na ilha Deserta, a única não habitada, encontra-se o principal núcleo reprodutor de chilreta ou andorinha-do-mar-anã. Para apoio na monitorização, o projeto contará com os investigadores da Universidade de Coimbra, que já acompanham há vários anos as aves marinhas da região.

Para além da sua especificidade, as ilhas da Ria Formosa atraem turistas e chilretas. São fonte de rendimento de pescadores e fonte de alimento de gaivotas.

Objetivos do projeto LIFE Ilhas-barreira
- Estudar o estado das populações das espécies que dependem da Ria Formosa;
- Estudar a dinâmica entre as gaivotas e as dunas, como a presença de gaivotas-de-patas-amarelas, especialmente na Ilha da Barreta, e estudar os seus efeitos sobre a pressão causada sobre a vegetação nativa e alguma erosão das dunas;
- Avaliar as medidas de conservação das chamadas “dunas cinzentas”. As plantas invasoras, muito presentes nas ilhas, vão ser analisadas. Na ilha Deserta vão ser removidas as espécies como o chorão e as acácias;
- Promover o uso sustentável das ilhas com limitação do acesso aos locais de reprodução das espécies e programas de sensibilização sobre o uso dos recursos das ilhas;
- Envolver a comunidade, como as escolas dos cinco municípios, em várias atividades de sensibilização ambiental;
- Avaliar estratégias de intervenção nas atividades de pesca, evitando o aprisionamento acidental de aves. A pardela-balear é uma das aves que depende das águas marinhas nacionais e mais ameaçada pelas artes de pesca, sendo considerada a mais ameaçada da europa, classificada como Criticamente em Perigo;
- Criar estratégias para prevenção das mortes das aves pelos mamíferos não nativos das ilhas, como é o caso dos gatos e ratos que, para além de comerem as aves, comem os seus ovos;
- Capacitar a sociedade civil para a salvaguarda e proteção dos valores naturais na Ria Formosa.

Envolvimento de entidades públicas e privadas em prol da Ria Formosa
A coordenadora do projeto e do Departamento de Conservação Marinha da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Joana Andrade, irá trabalhar em conjunto com o RIAS/Aldeia, Animaris, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e, Universidades do Algarve e de Coimbra.

Joana Andrade refere que, devido aos contornos dos extensos corpos dunares que estão em constante redefinição pelos agentes naturais de dinâmica costeira, é necessário avaliar o impacto das alterações climáticas e dar suporte à população e às espécies. Para tal, é necessário monitorizar as atividades, capacitar a comunidade e criar ou reforçar estratégias de prevenção e de preservação das Ilhas-barreira na Ria Formosa.

Sem as ilhas que formam a barreira que abrange uma área de cerca de 18.400 hectares ao longo de 60 km, ao longo da Ria Formosa, não será possível conservar um dos mais belos parques do Algarve, com grande função e essencial para o habitat de várias espécies.

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