Como Combater Germes Para Onde Quer que Vá

Quer esteja a viajar, ou em distanciamento social em casa, é possível minimizar a exposição e manter-se saudável.

Thursday, April 16, 2020,
Por Matt Villano
No aeroporto de Bruxelas, um homem usa uma máscara de proteção devido ao surto de coronavírus.

No aeroporto de Bruxelas, um homem usa uma máscara de proteção devido ao surto de coronavírus.

Fotografia de Danny Gys, Reporters/Redux

Os germes estão por toda a parte. Estão no ar, nas plantas, nos animais, no solo e em quase todas as superfícies em que tocamos, incluindo o corpo humano. Este termo abrangente para micróbios inclui bactérias, vírus, fungos, protozoários e helmintos, que podem provocar doenças e problemas de saúde, sejam parasitas intestinais, gripe, coronavírus e muito mais. Ainda assim, grande parte dos germes não são prejudiciais, porque o nosso sistema imunitário entra em ação para os eliminar.

Mas conhecer o inimigo – e a melhor forma de o combater – pode ajudar bastante a proteger a saúde, quer estejamos a caminho do supermercado ou da Costa Rica. Muitos de nós já sabemos o básico: lavar as mãos com um fervor semelhante a Lady Macbeth (20 segundos vigorosos, por favor!), evitar tocar no rosto e, durante os surtos virais, talvez usar máscara e luvas quando saímos à rua.

Ainda assim, os germes estão à espreita em alguns dos lugares mais surpreendentes e em objetos do dia a dia. E as práticas recomendadas para os viajantes também se aplicam à nossa vida quotidiana.

Não se esqueça do telemóvel
Os especialistas dizem que nos podemos expor aos germes involuntariamente através do telemóvel. “Entre pegar no telemóvel e tocar no ecrã, as nossas mãos estão sempre em contacto permanente com o objeto”, diz Chuck Gerba, professor de microbiologia e imunologia na Universidade do Arizona, em Tucson. “Contacto permanente significa uma probabilidade elevada de germes.”

Um estudo feito em 2017, publicado na revista Germs, analisou 27 telemóveis de adolescentes e descobriu que os seus ecrãs continham uma série de vírus e bactérias, incluindo a doença intestinal E. coli, infeções por estafilococos e faringite estreptocócica. Chuck Gerba, cujo apelido é “Doutor Germe”, também acompanhou infeções generalizadas por estafilococos (conhecidas por staphylococcus aureus resistentes à meticilina, ou MRSA) em hospitais e identificou os telemóveis como sendo a fonte.

Mesmo quando nos esforçamos para manter o telemóvel higienizado, é uma boa ideia limpá-lo – e limpar a cobertura – pelo menos uma vez por dia, com toalhetes desinfetantes. Mas nem todos os desinfetantes são seguros para todos os telemóveis. A Apple, por exemplo, desaconselha o uso de lixívia nos iPhones.

Tire os sapatos
Em culturas que vão desde a Turquia ao Japão, é costume tirar os sapatos quando se entra (ou antes) em casa ou num quarto de hotel. Isto minimiza a sujidade e o risco de levar germes consigo. E com a COVID-19 é particularmente importante, porque o vírus pode permanecer em algumas superfícies durante horas ou dias.

Gerba recomenda deixar os sapatos à porta de casa, ou do quarto de hotel, sempre que possível, ou higienizar os sapatos caso necessite de os levar para dentro de casa. “Fizemos estudos em que colocámos vírus em várias superfícies perto da porta de uma divisão e, em quatro horas, os vírus estavam em 80% das superfícies. Em caso de dúvida, limpe tudo e lave bem as mãos.”

Minimize os pontos de contacto nos transportes públicos
Um estudo de 2011 da BMC Infectious Diseases constatou que as pessoas tinham seis vezes mais probabilidades de se constiparem quando usavam os transportes públicos do que quando usavam as suas viaturas. Portanto, encare os autocarros, o metro, o elétrico e o ferry como se fossem placas de Petri móveis.

Isto não significa que as pessoas não devem usar os transportes públicos; significa que devem estar atentas quando o fazem. E a forma mais óbvia de minimizar problemas inclui a lavagem das mãos, ou aplicação de desinfetante, após o desembarque, e evitar tocar nas alças, nas costas dos bancos ou noutras superfícies.

Jason Tetro, microbiólogo canadiano e autor do livro The Germ Code, sugere que se cubra a boca e o nariz com um lenço para obter uma camada extra de proteção contra germes transportados pelo ar. “Temos de confiar nas barreiras”, diz Tetro. “Os lenços e luvas podem ajudar, desde que sejamos diligentes em lavá-los assim que chegamos a casa.”

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Quando usamos o metro ou outros transportes públicos, a utilização de máscara e luvas pode reduzir o risco de exposição a germes ou vírus.

Fotografia de Tayfun Coskun, Anadolu Agency/Getty Images

Limpe a sua zona do avião
Gerba ficou com o apelido de “Doutor Germe” por fazer testes a germes em quartos de hotéis, navios de cruzeiro e aviões. E nos aviões, as suas experiências revelaram concentrações elevadas de estafilococos, norovírus e influenza. Gerba aconselha os passageiros a levarem toalhetes desinfetantes para limpar cuidadosamente as mesas de bandeja, as fivelas do cinto de segurança, os apoios dos braços, os encostos de cabeça e a zona da janela.

“Esta geração já tocou em mais superfícies do que qualquer outra na história” diz Gerba, salientando que os teclados das caixas multibanco e os botões dos elevadores também podem estar invisivelmente sujos. “Há cerca de 120 anos, éramos todos agricultores que visitavam a cidade uma vez por mês. Agora, viajamos todos muito mais, tocamos muito mais em todo o lado e transmitimos germes sempre que o fazemos.”

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Esteja atento ao que come e bebe
Não existem evidências de que a COVID-19 se transmita através de alimentos ou pela água. Mas existem outros germes que podem ser transmissíveis, sobretudo bactérias como a giardia e norovírus, o que significa que devemos permanecer vigilantes sobre o que comemos e bebemos enquanto viajamos.

Se estiver a viajar para um país ou uma região em desenvolvimento, onde não existe um sistema de água canalizada de confiança, deve usar água filtrada ou engarrafada para beber e escovar os dentes. No entanto, é relativamente seguro tomar banho com essa água; mas não a deve colocar na boca. “A água contaminada é uma das maiores fontes de doenças gastrointestinais em todo o mundo”, diz Georges Benjamin, diretor executivo da Associação Americana de Saúde Pública (APHA).

Os viajantes também devem ter atenção aos alimentos crus ou não cozinhados (alface, frutas com casca, sushi), pois nunca se sabe de onde vieram, quanto tempo estiveram expostos aos elementos ou se foram lavados com água contaminada.

Continue a lavar as mãos
Porque razão os nossos pais (e todos os meios de comunicação do planeta) dizem constantemente para lavarmos bem as mãos? De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, os estudos mostram que a lavagem adequada das mãos pode reduzir o número de pessoas que adoecem com diarreia em 23% a 40% e o número de pessoas que sofrem de doenças respiratórias em 16% a 21%.

“Não conseguimos evitar os germes; estamos numa batalha constante”, diz Gerba. “Os sabonetes e desinfetantes para as mãos são a melhor coisa para nos livrarmos dos germes, sobretudo antes de tocarmos no rosto.”

Gerba explica que os desinfetantes para as mãos à base de sabão e álcool quebram os germes ao nível molecular. E há quem diga que lavar as mãos é melhor do que usar desinfetante, pois permite limpar debaixo das unhas, onde alguns germes se escondem.

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Pergunte nos hotéis sobre as práticas de limpeza
Apesar de as equipas de limpeza dos hotéis poderem trabalhar com rigor, é impossível limpar todos os quartos de forma perfeita todos os dias. Isto significa que alguns germes podem ficar para trás. Para se sentir mais seguro, deve tomar precauções. Durante as épocas virais, ou se não se sentir confortável, deve levar toalhetes desinfetantes e usá-los nas zonas mais sensíveis, como nas casas de banho e maçanetas das portas, e em objetos tocados com frequência, como o autoclismo, controlos remotos de televisão, despertadores e interruptores da luz.

Muitos quartos de hotel, como este no Hotel Mandarin Oriental, em Hong Kong, são cuidadosamente limpos. Mas para sermos extremamente cautelosos, devemos limpar as maçanetas das portas e os controlos remotos de televisão com toalhetes desinfetantes.

Fotografia de Luke Duggleby, Redux

Se preferir uma abordagem menos exaustiva, pode perguntar sobre os padrões relacionados com a limpeza. “Antes de reservar um quarto de hotel ou uma casa de férias, pergunte sobre os processos de limpeza”, diz Tetro. “Muitas vezes, a forma como respondem a esta questão dá para perceber se o local é bom para ficar ou não.”

Esteja atento ao seu espaço pessoal
Antes desta crise de COVID-19 poucas pessoas tinham ouvido falar em “distanciamento social”, mas os epidemiologistas conhecem estes protocolos há décadas. Benjamin, da APHA, refere-se a este termo por “proteção do espaço pessoal” e diz que, geralmente, ficar a um metro e meio de distância de estranhos diminui o risco de constipações ou outras doenças.

Quando a pandemia eventualmente passar, isto pode significar evitar multidões nas principais atrações turísticas, mercados ao ar livre ou festivais de música (ou ir mais cedo ou mais tarde, ou em épocas baixas), ou trocar de lugar no metro caso alguém esteja a tossir nos lugares mais próximos. “Às vezes, em situações destas, as pessoas sentem-se desconfortáveis em dizer algo”, diz Benjamin. “Mas temos direito a um local livre de germes e, se houver outro lugar para nos sentarmos e proteger, devemos ir para lá imediatamente.”

Mantenha-se vigilante com as crianças
Os educadores de infância costumam dizer na brincadeira que as crianças “atraem os germes”, e estudos recentes confirmam que, quanto mais crianças houver no mesmo espaço, maior é a “carga viral”.

Benjamin diz que, quando viajamos, é praticamente impossível impedir que as crianças toquem nas superfícies com germes, ou que coloquem as mãos sujas na boca. Em vez de ficarmos obcecados com as pequenas coisas, Benjamin sugere que os pais se devem concentrar em questões gerais, como na lavagem ou limpeza frequente das mãos e na educação sobre os perigos que os germes representam.

“Os germes estão sempre à nossa volta – tem sido assim há séculos, antes [do coronavírus], e vai continuar a ser nos séculos vindouros. Respire fundo, lave bem as mãos e lembre-se de que as precauções mínimas têm um impacto enorme na nossa segurança.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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