Conheça Alguns dos Faróis Mais Altos de Portugal

São verdadeiras atrações turísticas, que proporcionam aos seus visitantes paisagens ímpares para o oceano.

Publicado 14/08/2020, 15:12 WEST, Atualizado 5/11/2020, 05:59 WET
O farol de Aveiro, na Praia da Barra, tem uma das melhores vistas da Ria de ...

O farol de Aveiro, na Praia da Barra, tem uma das melhores vistas da Ria de Aveiro.

Fotografia de National Geographic

Algumas das melhores vistas são apenas alcançáveis no topo de um farol. Estes são os pontos de referência e uma necessidade para os navegadores. De dia marcam a costa, de noite, a luz avisa e afasta os navegadores dos perigos, e denuncia as tempestades existentes.

O farol conhecido como o mais antigo, considerado uma das sete maravilhas do mundo, fica na ilha de Pharos, no Egito, e foi construído em 300 a.C., com cerca de 135 metros de altura. O nome “farol” provém precisamente da sua localização.

Já em Portugal, o primeiro farol surgiu no ano de 1520 na torre do Convento de São Vicente, no Cabo de São Vicente. Em 1761 surgem os primeiros faróis a cargo do Estado, o Farol de Nossa Senhora da Luz, na barra do Porto e, o de Nossa Senhora da Guia, em Cascais.


Só em 1870 as ilhas tiveram os primeiros faróis na ponta de São Lourenço e no Ilhéu de Cima (ambos na Madeira) e na ponta do Arnel (nos Açores). Atualmente, até as pequenas ilhas Desertas e as longínquas Selvagens estão sinalizadas com faróis.

No ano de 1881 foi então criada a Comissão de Faróis e Balizas, com um plano de sinalização marítima da costa, portos e barras. Por volta de 1900, a dependência dos mesmos passa para o Ministério da Marinha.

Os faróis mais altos do continente e dos arquipélagos portugueses

Farol de Aveiro, 62 metros de altura
Foi projetado pelo engenheiro Paulo Benjamin Cabral em 1879 e o funcionamento iniciou-se em 1893. Em 1929 sofreu grandes reparações e no ano de 1936 foi eletrificado, tendo sido ligado à rede de distribuição de energia em 1950.

Caracteriza-se por uma torre troncónica com faixas brancas e vermelhas. É o farol mais alto de Portugal continental e o segundo mais alto da Península Ibérica. No ano de 2018 foi o farol que mais visitas recebeu, com cerca de 9723 visitantes por dia.

Encontra-se na Praia da Barra, a 66 metros acima do nível médio das águas do mar. Para quem sobe a escadaria espiral com 288 degraus do Farol de Aveiro ou, como também é conhecido, o Farol da Barra, vai encontrar algumas das melhores vistas da famosa Ria de Aveiro. É considerado um dos ex-líbris do município.

A visita é gratuita e ocorre todas as quartas-feiras, entre as 14 e as 17 horas (no verão) ou entre as 13h30 e as 16h30 (no inverno), com a duração aproximada de 30 minutos. São três visitas, uma por hora, com um limite de 20 pessoas.

Farol da Ponta da Barca, 23 metros de altura
É o farol mais alto do arquipélago dos Açores, e partir deste obtém-se uma vista privilegiada para o famoso Ilhéu da Baleia.

Inicialmente, era no Pico Negro que o Plano Geral, aprovado em 1883, projetava a construção do farol, que acabaria por ser construído na Ponta da Barca, anos mais tarde.

Localizado a Noroeste da Ilha Graciosa, entrou em funcionamento a 1 de fevereiro de 1930, com 23 metros de altura e 71 metros de altitude. Tem uma torre cilíndrica branca e foi equipado com um aparelho lenticular, dióptrico catadióptrico girante de 3.ª ordem, com 500 mm de distância focal, sendo a fonte luminosa um eclipsor a gás BBT.

Tinha como reserva a incandescência pelo vapor de petróleo e um candeeiro de nível constante de quatro torcidas. A rotação da ótica era produzida pela máquina de relojoaria.

No ano de 1935 foi reconstruída a estrada que une o farol à Vila de Santa Cruz e, em 1952, foi construída uma habitação para que a lotação do farol passasse a ter quatro faroleiros.

Foi eletrificado em 1958, passando a um alcance luminoso de 41 milhas. Nos anos 80, deu-se a substituição da lâmpada de 3000W 110V para 1000W e 120V, reduzindo o alcance luminoso para 20 milhas.

Em 1978, o farol, e as suas habitações, sofreram grandes estragos devido a uma forte trovoada.

Em 1999, o farol foi eletrificado com energia da rede pública. Em março de 2010 celebrou-se o 80.º aniversário do Farol da Ponta da Barca, com uma exposição sobre o assinalamento marítimo em geral e do farol em particular. Está aberto ao público desde 2017, às quartas-feiras, entre as 14 e as 17 horas (verão) e as 13h30 e as 16h30 (inverno).

Farol do Ilhéu de Cima, 15 metros de altura
O projeto de construção de um farol em Porto Santo, situado na ponta do Ilhéu Branco, remonta ao ano de 1883. Apenas em 1896 é que o projeto voltou a merecer a atenção pela direção das Obras Públicas. Na data, concluíram que existiu um equívoco na designação do ponto indicado para o farol, uma vez que não existia nenhum Ilhéu com o referido nome, dando origem a um novo projeto.

O Farol do Ilhéu de Cima entrou em funcionamento em maio de 1901, localizado na ponta Sudeste da Ilha de Porto Santo. Foi equipado provisoriamente com um dióptrico catadióptrico e um candeeiro a petróleo com luz fixa branca. Trata-se de uma torre prismática branca, o farol mais alto da ilha da Madeira.

Em 1923 foi ampliado com habitações para cinco faroleiros, depósito de petróleo e sobressalentes. Em 1925, o aparelho foi substituído por um com 700 mm de distância focal, de rotação e aeromarítimo. A rotação da ótica dava-se pela máquina de relojoaria. Dez anos depois, o candeeiro foi substituído pela incandescência através do vapor de petróleo.

O farol foi eletrificado em 1956, passando a fonte luminosa para uma lâmpada de 3000W. No ano de 1982, o sistema iluminante foi totalmente remodelado. O aparelho ótico foi retirado e montado no museu da Direção de Faróis e o farol deixou de estar guardado por faroleiros.

No ano de 1992, quatro cidadãos marroquinos que embarcaram clandestinamente em Casablanca, num navio Panamiano, que os largou no mar junto ao Ilhéu de Cima, desligaram o farol, assinalando a sua presença no local.

Em 2003 o farol passou a utilizar a energia solar para o seu funcionamento e, em 2008, uma das habitações do mesmo foi cedida para utilização num projeto de educação e sensibilização ambiental.

Este farol não está aberto ao público. Ao acesso da comunidade está o Farol da Ponta do Pargo e o Farol de São Jorge, ambos com 14 metros de altura.

Os faróis sempre foram fascinantes para as populações e turistas, quer pela história e ideia mística do seu isolamento, quer pelo seu património arquitetónico e científico. Os dados de 2018 registaram mais de 100 mil visitas aos faróis portugueses abertos ao público no continente, Madeira e Açores.

A partir de casa, estão disponíveis visitas virtuais ao Farol do Bugio, na foz do rio Tejo, uma referência internacional da história da engenharia militar marítima cuja construção levou cem anos e, ao Pólo Museológico da Direção de Faróis, inaugurado em 1984, que detém um importante espólio de assinalamento marítimo.

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