8 Mudanças na Forma de Viajar Depois da Pandemia

Como serão as viagens daqui para a frente? Os especialistas explicam.

Monday, October 12, 2020,
Por Steve Brock
Com o declínio das viagens aéreas devido à pandemia, as clássicas viagens de carro tornaram-se mais ...

Com o declínio das viagens aéreas devido à pandemia, as clássicas viagens de carro tornaram-se mais populares na América.

Fotografia de DESIGN PICS INC, National Geographic Image Collection

Com os casos de coronavírus a aumentarem na América e pelo mundo inteiro, os viajantes com passaporte dos Estados Unidos têm de permanecer em terra. Até agora, apenas nove países reabriram as suas fronteiras sem restrições para os americanos. Se a Bielorrússia, Sérvia, Zâmbia ou qualquer outro dos seis países nesta lista não forem um dos destinos escolhidos, os viajantes americanos que estejam ansiosos para embarcar num voo internacional vão ter de esperar.

Quanto tempo vai ser preciso esperar? Não se sabe. Elizabeth Becker, autora de Overbooked: The Exploding Business of Travel and Tourism, diz que a pandemia “dizimou” da noite para o dia uma indústria global de viagens de 8 biliões de dólares. “Os pilares essenciais das viagens globais do século XXI – fronteiras abertas, destinos sem restrições e viagens sem visto – não irão regressar a curto prazo, ou até mesmo a médio prazo”, diz Elizabeth.

O que significa isto para o futuro das viagens? Apesar da turbulência, os especialistas estão otimistas. Bruce Poon Tip, autor de Unlearn: The Year the Earth Stood Still e fundador da companhia de viagens G Adventures, diz que não só iremos viajar novamente, como as viagens também serão melhores. “Ainda acredito que as viagens podem ser o maior distribuidor de riqueza que o mundo já viu”, diz Bruce. “Esta pausa dá-nos a bênção do tempo para refletir sobre como podemos viajar de forma mais consciente.”

Desde compromissos renovados com o turismo sustentável a ideias criativas para viajar pelo mundo a partir de casa, veja como os autores de viagens, bloggers e podcasters estão a navegar.

A sustentabilidade será uma força motriz
Uma das boas coisas da pandemia? Os consumidores estão a focar-se na sustentabilidade. Elizabeth Becker acredita que os viajantes vão assumir o papel de “cidadãos preocupados”, exigindo políticas responsáveis para as viagens. A indústria vai responder com medidas ativas para dar prioridade a um mundo saudável em detrimento das margens de lucro. “Não se surpreenda se os países exigirem ‘dias sem voos’ e outras medidas para controlar as alterações climáticas.”

Turistas apinhados na Praça de São Marcos em Veneza, Itália, em 2013. Devido à pandemia, os especialistas prevêem que o interesse em visitar lugares menos lotados irá aumentar.

Fotografia de Rocco Rorandelli, TerraProject/Redux

Seja proativo: Reduza a sua pegada ecológica comprando compensações de carbono a empresas como a Cool Effect e hospedando-se em hotéis ecológicos certificados. Verifique sites como o Book Different, que avalia as acomodações consoante o seu contributo ambiental.

As nossas viagens vão tornar-se mais inclusivas
O movimento Black Lives Matter tocou na questão da representatividade em todos os setores, incluindo nas viagens. E já era sem tempo, diz Sarah Greaves-Gabbadon. Esta jornalista premiada e apresentadora de televisão espera que a indústria esteja a caminhar em direção a alterações significativas, mas receia que estas mudanças possam ser de curta duração. “Quando a pandemia passar e os hashtags já não forem tendências, será que os patronos desta indústria ainda irão querer atrair, receber e celebrar os viajantes de cor?”, diz Sarah por email. “Estou cautelosamente otimista, mas não estou completamente convencida.”

Martinique Lewis, da Black Travel Alliance, sente que a indústria se está a mover na direção correta e continua esperançosa. Martinique diz que as empresas estão a corresponder às necessidades de diversos clientes e também diz que já era altura para o fazer. “Pela primeira vez, já se considera o que uma mulher transexual passa não só quando escolhe qual é a casa de banho em que entra num restaurante, mas também quando faz o check-in num hotel e os seus documentos mostram uma pessoa diferente. Os viajantes obesos que querem praticar surf ou mergulho, mas que não podem porque não têm fatos para o seu tamanho, estão agora a ser reconhecidos. E os viajantes cegos que querem passear ou experimentar desportos radicais durante as férias também estão a ser levados em consideração.”

Seja proativo: Visite um dos quase 200 museus de história viva nos EUA onde intérpretes retratam figuras históricas do passado. Estas representações tocam em questões dolorosas (como o racismo na América) e em narrativas ocultas (como as vidas dos negros, cujas histórias foram omitidas).

As pequenas comunidades vão desempenhar papéis mais importantes
Os viajantes podem fazer a diferença nas pequenas cidades que já enfrentavam dificuldades económicas antes da pandemia. Caz Makepeace, do Y Travel Blog, diz que ela e a sua família viajaram sempre com tempo para descobrir áreas menos conhecidas, “em vez de passarem pelos destinos a correr”. Agora, Caz está a apoiar estes lugares patrocinando empresas locais e fazendo doações para organizações sem fins lucrativos.

Kate Newman, da Travel for Difference, sugere que os viajantes se concentrem no “sul global” ou em países em desenvolvimento que dependem do turismo. “Precisamos de diversificar os nossos destinos de viagem para evitar o turismo de massas e concentrarmo-nos em lugares que realmente precisam”, diz Kate. “Ver tantas comunidades a sofrer durante a COVID-19 colocou este problema a nu.”

Seja proativo: Adote o turismo sustentável e educacional da organização sem fins lucrativos Impact Travel Alliance, para aprender como pode capacitar os habitantes locais e proteger o ambiente.

Iremos procurar qualidade em vez de quantidade
Os viajantes frequentes também estão a perder mais tempo a pensar sobre as suas listas de desejos. “A COVID-19 permitiu-me repensar como e porque é que viajo”, diz Erick Prince, do site The Minority Nomad. “Isso deu-me a liberdade para explorar projetos de viagem por paixão, e não para receber um cheque.” Em vez de se concentrar em trabalhos pagos, este blogger, que vive na Tailândia, diz que vai embarcar num projeto financiado por si para destacar as províncias desconhecidas do seu país adotivo.

Eulanda Osagiede, do site Hey Dip Your Toes In, está a fazer uma pausa nas viagens internacionais, alegando que as viagens são um privilégio que muitos consideram um dado adquirido. “Um privilégio assume várias formas, e o ato de reconhecer os privilégios relacionados com viajar faz-nos pensar em viajar de forma mais intencional e com menos frequência – isto se o mundo se começar a parecer com os dias pré-pandemia.”

Seja proativo: Verifique no Transformational Travel Council os recursos e recomendações sobre operadoras que podem ajudar a organizar viagens significativas.

As viagens de carro vão começar a acelerar
Para muitas pessoas, as viagens de carro podem ser atualmente a única opção viável para viajar, e os passageiros frequentes de voos, como Gabby Beckford, do site Packs Light, já estão a acelerar. Nos EUA, atravessar fronteiras estaduais pode ser tão emocionante como voar através de fronteiras internacionais; trata-se de uma questão de mentalidade. “Viajar de carro fez-me perceber que o cerne de uma viagem – a curiosidade e exposição a coisas novas – é uma perspetiva, não um destino”, diz Gabby.

Seja proativo: Planeie uma viagem longe do coronavírus até ao Colorado, lar de vários locais de observação de estrelas – e que se pode tornar na maior reserva Dark Sky do mundo.

Alguns viajantes frequentes dizem que se querem concentrar em experiências significativas em áreas remotas, como na região de Chimney Tops do Parque Nacional Great Smoky Mountains, no Tennessee.

Fotografia de Dan Reynolds Photography, Getty Images

Os consultores de viagens vão ser essenciais
Juliet Kinsman, editora de sustentabilidade da Conde Nast Traveler, prevê alterações nas reservas de viagens feitas através de agentes e operadores estabelecidos, porque os seus conhecimentos e ligações com a indústria são inestimáveis. “Acho que o que 2020 nos tem mostrado e ensinado é que a experiência e a proteção financeira que se obtém de uma reserva feita através de um agente de viagens geralmente supera o valor que pagamos nas comissões”, diz Juliet. “Para além disso, os consumidores podem vir a procurar agentes especializados em questões ambientais. Os operadores que se preocupam com os locais para onde enviam os seus clientes podem intuitivamente garantir que cada elo da cadeia de abastecimento é respeitável.”

Seja proativo: Procure um agente de viagens: A The American Society of Travel Advisors mantém um banco de dados que permite aos viajantes pesquisar por destino, tipo de viagem (como ecoturismo ou genealogia) e coorte (viajantes LGBTQ +, por exemplo). O site Virtuoso, uma rede de consultores especializados em viagens de luxo, pode ajudar a encontrar preços acessíveis, itinerários convenientes e experiências personalizadas.

Vamos apreciar as férias mais perto de casa
Algumas pessoas estão a descobrir os benefícios de viajar mesmo sem sair de casa. A blogger Jessie Festa, da Epicure & Culture e Jessie on a Journey, geralmente faz viagens internacionais uma vez por mês. Mas agora, as aulas culturais online de culinária, os jogos e as experiências virtuais estão a ajudar Jessie a “manter vivo o espírito de viajar, despertando os sentimentos que viajar proporciona”. A troca de cartões postais com a sua enorme comunidade de viagens é outra “boa forma de ‘viajar’ novamente em segurança”, acrescenta Jessie.

“Quando estamos indefinidamente fechados nas nossas respetivas casas, uma caminhada pelo parque pode parecer uma viagem”, diz o blogger Chris Mitchell, do site Traveling Mitch. “Agora, as pessoas estão dispostas a ver a magia de uma refeição na esplanada de um restaurante ao fim da rua.”

Seja proativo: Saia de casa, diz o conceito norueguês “friluftsliv”, um conceito de vida ao ar livre que promete ajudar a ultrapassar os meses mais frios durante a pandemia.

(Relacionado: Caminhar é a atividade ideal durante a pandemia – descubra porquê.)

Planear viagens vai ser novamente uma alegria
Embora algumas pessoas estejam a tentar aproveitar o melhor que esta nova realidade oferece, este período difícil também serve para lembrar que viajar é importante para estimular a saúde mental e o crescimento pessoal. E há investigações que suportam estas afirmações. Uma sondagem de 2013 feita a 483 adultos nos EUA descobriu que viajar fomenta a empatia, energia, atenção e foco. E planear uma viagem é igualmente eficaz – um estudo de 2014 da Universidade Cornell mostrou que a sensação de antecipação que antecede uma viagem aumenta substancialmente os nossos níveis de felicidade, mais do que a antecipação da compra de bens materiais.

Joanna Penn pode atestar os benefícios curativos de ambos. Esta autora e podcaster do Reino Unido, responsável pelos sites The Creative Penn e Books and Travel, normalmente viaja para fazer investigação para os seus livros. “Para mim, a minha vida de escritora gira em torno do que aprendo enquanto viajo”, disse Joanna recentemente num dos seus podcasts – “as ideias surgem porque estou num lugar novo”. As futuras viagens de Joanna vão incluir uma caminhada pelos Caminhos de Santiago em 2022. Estudar os mapas e determinar uma rota faz com que ela se sinta a dirigir para um objetivo real. “Posso expandir a minha zona de conforto sem muito stress, sobretudo se aceitar que as coisas podem ser canceladas.”

Seja proativo: Inspire-se neste ensaio sobre as razões pelas quais viajar devia ser considerada uma atividade humana essencial, e planeie uma viagem agora.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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