As Melhores Câmaras Fotográficas Compactas Para 2021

O engenheiro fotográfico da National Geographic partilha as melhores escolhas para captar a sua próxima grande aventura, quer seja no estrangeiro ou no seu quintal.

Por Tom O'Brien
Fotografias Por Mark Thiessen
Publicado 30/11/2020, 15:56 WET
As câmaras fotográficas leves podem ser verdadeiros portentos tecnológicos, fazendo com que seja fácil tirar excelentes ...

As câmaras fotográficas leves podem ser verdadeiros portentos tecnológicos, fazendo com que seja fácil tirar excelentes fotografias num piscar de olhos. Agora está na hora de se preparar para as suas futuras viagens, como por exemplo visitar o Museu do Louvre em Paris.

Fotografia de JNS, Gamma-Rapho/Getty Images

Viajar oferece geralmente momentos mágicos que esperamos conseguir captar com uma câmara. Embora as nossas viagens tenham sido limitadas em 2020, agora está na hora de se familiarizar com as novas opções de câmaras e praticar um pouco localmente, fazendo exploração fotográfica no seu próprio bairro ou até no quintal.

Enquanto engenheiro fotográfico da National Geographic, projeto e construo equipamentos personalizados para fotógrafos profissionais. Também testo produtos de consumo para este guia anual, para ajudar os viajantes a registarem as suas aventuras. Embora 2020 não tenha trazido grandes alterações no fabrico de câmaras, existem alguns excelentes modelos novos e atualizações úteis para descobrir. Eis as câmaras a ter debaixo de olho enquanto aguardamos pelas viagens futuras que irão inspirar as nossas melhores imagens de sempre.

(Relacionado: Destinos em ascensão para 2021.)

Ricoh GRIII

Melhor para: Portabilidade e facilidade de utilização. A GRIII da Ricoh é uma pequena maravilha tecnológica que faz tudo e é pequena o suficiente para caber no bolso.

Esta compacta poderosa faz com que me apeteça tirar fotografias a toda a hora. À primeira vista, a GRIII, com a sua ergonomia do tamanho de um telemóvel, não parece ser nada de especial. Mas a Ricoh conseguiu um bom equilíbrio entre capacidade de bolso e manuseio fácil com uma mão. O ecrã tátil funciona bem e o sistema de menus é simples de navegar. A GRIII pode não ser a mais bonita ou a mais vistosa, mas é poderosa. O sensor APS-C de 24 MP possui estabilização de imagem incorporada (IBIS) e autofoco duplo. Eu podia continuar a falar sobre o quão maravilhosa é a 12ª iteração da linha GR, mas, em poucas palavras, é a única câmara que eu me vejo a comprar para levar como companheira de viagem para o dia a dia. Chego até a recomendar regularmente esta câmara aos meus profissionais como uma auxiliar muito útil. Mais informações: Ricoh

Dica: A câmara não tem uma bateria grande, mas vem com ligação USB-C integrada. Quando não estou a fotografar, coloco a máquina a carregar no carro ou junto à mesa de cabeceira.

Sony RX100 VII

Melhor para: Velocidade e precisão em ponto pequeno. O autofoco em tempo real da linha profissional da Sony significa que a RX100 VII consegue captar 20 fotogramas por segundo praticamente sem distorção de imagem.

A sétima geração da linha RX100 está repleta de recursos, mas mesmo assim cabe no bolso de um casaco. Esta versão vem com o autofoco em tempo real da linha profissional da Sony, oferecendo aos fotógrafos um autofoco de olho/rosto altamente fidedigno que agora funciona para captar tanto animais como pessoas. Nenhuma outra câmara com este tamanho possui um autofoco ou velocidades de disparo que se aproximem desta pequena maravilha. Estamos a falar de 20 fotogramas por segundo com autofoco/exposição automática em tempo real. Graças à nova tecnologia de sensor emprestada da série A9 da Sony, este modelo também dispara eletronicamente com quase nenhuma distorção de temas em movimento. Na prática, isto significa um disparo silencioso e altas velocidades do obturador para trabalhar com luzes fortes. A RX100 VII também possui uma objetiva zoom equivalente a 24-200mm que, embora não seja tão brilhante quanto eu gostaria, cobre uma variedade de temas para os viajantes. Tenho descrito regularmente esta linha de câmaras como a minha escolha “ilha deserta”. Tem um preço elevado para uma câmara tão pequena? Sim, mas oferece um desempenho impar. Mais informações: Sony

Fujifilm X-T4

Melhor para: Bom desempenho em geral e facilidade de utilização. Com todos os atributos possíveis, a câmara APS-C sem espelho X-T4 da Fujifilm funciona bem tanto para iniciantes como para profissionais.

Embora a X-T3, que ocupou o primeiro lugar nos últimos dois anos, ainda seja uma escolha excelente, a X-T4 tem atualizações que a tornam verdadeiramente profissional. As atualizações incluem IBIS baseado em sensor, uma bateria maior, um ecrã tátil completamente articulado e algoritmos aprimorados de autofoco. Eu já tinha dito isto sobre a X-T3, mas é ainda mais verdadeiro para a X-T4: Em termos de desempenho, esta câmara consegue bater-se em pé de igualdade com os modelos profissionais full-frame sem espelho e modelos DSLR, seja no autofoco, na qualidade de imagem e manuseio. A câmara tem o mesmo sensor e processador de imagem da X-Pro 3, mas com um corpo mais ao estilo SLR que traz todos os controlos que possamos desejar na ponta dos dedos. Uma das coisas mais impressionantes sobre a X-T4? A câmara retém o charme retro (mostradores vintage), ao mesmo tempo que oferece controlos de nível profissional (modernos, baseados em roda), proteção contra intempéries e entradas para vídeo ou fotografias. Isto cria uma experiência fotográfica agradável para entusiastas e profissionais. A X-T4 não é apenas uma excelente câmara de viagem, é uma das melhores câmaras APS-C sem espelho no mercado. Mais informações: Fujifilm

Leica Q2, Q2 Monochrom, e Q-P

Melhor para: Desempenho e requinte. As câmaras Leica Q2, Q-P e Q2 Monochrom (não está na imagem) oferecem um bom desempenho em geral, simplicidade e qualidade de imagem de alto nível.

Eu já sabia que ia incluir nesta lista a Q2 e a mais “velhinha” (mas que ainda vale cada cêntimo) Q-P, mas este ano a Leica enviou-me a novíssima Q2 Monochrom para testar. A série Q engloba câmaras full-frame de objetivas fixas 28mm f/1.7 que oferecem estabilização integrada. A Q e a Q-P são a primeira geração com um sensor de 24.2 MP; a Q2 e a Q2 Monochrom têm um sensor de 47.3 MP, uma bateria maior e proteção contra intempéries. Eu costumava preferir a Q-P à Q2, mas a Q2 Monochrom é um animal completamente diferente que tem uma característica particular: só fotografa a preto e branco. A Q2 Monochrom é quase idêntica à Q2, mas o seu sensor não tem filtros de cores (ou matriz Bayer) e vem com uma pintura preta muito elegante. A remoção do filtro de cor proporciona imagens surpreendentes a preto e branco, mas também aumenta a nitidez e tem um alto desempenho ISO, porque há mais luz a atingir os píxeis. Para quem quer fotografar apenas a preto e branco, vai adorar a Monochrom. Para quem prefere cor, a Q2, ou a mais antiga Q-P, serão mais do seu agrado. Todos estes modelos são garantia de satisfação. Mais informações: Leica

Fujifilm X100V

Melhor para: Fotografia de rua. O obturador de folha da Fujifilm X100V é silencioso e pode ser sincronizado com um flash a alta velocidade.

Esta é a quinta câmara da série X100, mas é uma atualização impressionante! A marca Fujifilm é mais conhecida por uma coisa: película. Mas a X100 original foi uma mudança de paradigma para a indústria das câmaras digitais que, para além de ter revitalizado uma marca inteira, também trouxe o estilo retro de regresso à vanguarda do design de câmaras. Agora, com algumas alterações significativas, a X100V consegue atingir o seu expoente máximo. A objetiva tem o mesmo valor (equivalente a 35 mm f/2), mas tem um novo design que oferece muito mais nitidez de canto a canto, seja para planos abertos ou fechados. O design do corpo adiciona um isolamento quase completo contra intempéries, um ecrã articulado e uma pega ligeiramente alterada, bem como melhorias na disposição dos controlos (ou seja, controlo analógico). As câmaras Fujifilm produzem as melhores imagens em formato JPEG do setor, com incríveis simulações de película, e as máquinas da linha X100 costumam ser as auxiliares de preferência dos fotojornalistas. Tal como acontece com todos os modelos desta linha, esta câmara tem um obturador de folha que se consegue sincronizar a altas velocidades com um estroboscópio e tem um filtro ND integrado para combater o sol. Se tivesse de escolher apenas uma câmara desta lista, seria esta. Mais informações: Fujifilm

Dica: Para mim, a série X100 precisa sempre de três coisas: um apoio de descanso para o polegar, um para-sol para a objetiva e uma alça de pulso. Com isto, podemos deixar de parte o saco da câmara e a proteção da objetiva.

Canon EOS M6 MKII

Melhor para: Iniciantes. Controlos simples, um ecrã tátil e a interface familiar da Canon significam que a EOS M6 MKII tem uma curva de aprendizagem muito acessível.

Com controlos mecânicos fáceis de usar e um sistema de ecrã tátil, esta compacta tem muito para oferecer aos fotógrafos iniciantes. A EOS M6 MKII tem o sensor com a resolução mais elevada (32.5 MP) de qualquer câmara sem espelho APS-C. Os fotógrafos que trabalham com sistemas DSLR Canon full-frame vão gostar de saber que a câmara tem um adaptador que permite uma integração perfeita com as objetivas Canon já existentes. Embora a linha de objetivas nativas deixe um pouco a desejar, e o desempenho não corresponda ao de algumas câmaras no topo da minha lista, a facilidade de utilização, a resolução do sensor e a interface familiar da Canon tornam-na numa companheira de viagem robusta para os novos fotógrafos e também para os utilizadores mais experientes da Canon. Mais informações: Canon

Dica: Compre o EVF externo (visor eletrónico) para complementar o kit; não vai ficar desiludido.

Fujifilm X-S10

Melhor para: Baixos orçamentos. Pelo seu preço, a Fujifilm X-S10 é a melhor câmara de viagem em termos de versatilidade (e tem objetivas intercambiáveis).

No ano passado, eu tinha a Fujifilm X-Pro 3 nesta lista e estou a substituí-la, não porque tenha falhas, mas porque a nova X-S10 é mais adequada para todo o tipo de fotografia de viagens. (A X-Pro 3 é uma excelente escolha para fotojornalistas e para fotografia de rua.) A X-S10 troca os clássicos mostradores retro da Fujifilm por um estilo mais moderno com mostradores padrão e uma pega mais generosa. A câmara tem um corpo compacto de médio alcance, que partilha o sensor da X100V e da X-T4, e tem um sistema IBIS mais pequeno que fornece quase tanta estabilização quanto o da X-T4. E também tem o mesmo processador de imagem da X-T4, sendo assim uma câmara formidável. Tudo isto tem um preço de compra a rondar os 1000 euros para o corpo da câmara (à data de publicação), tornando-o no novo modelo mais acessível de câmara sem espelho APS-C com IBIS. A sua única fraqueza é a falta de proteção contra intempéries. Se conseguir viver com isso, esta câmara pode ser o melhor negócio de toda esta lista. Mais informações: Fujifilm

Dica: Graças à sua pega ergonómica, esta câmara combina bem com uma objetiva de zoom versátil, como a XF18-135mm F3.5-5.6 R LM OIS WR, criando um kit perfeito de viagem de uma só objetiva.

Sony a6600

Melhor para: Longos dias a fotografar. Com a bateria ao estilo Z da Sony a6600 consegue captar 800 fotografias com uma só carga.

A a6600 é a primeira câmara Sony APS-C a usar a bateria maior ao estilo Z que alimenta todas as câmaras full-frame sem espelho de última geração da Sony, conseguindo cerca de 800 fotografias com uma só carga. Tal como a a6500 anterior, esta versão possui IBIS para ajudar a lidar com os movimentos da câmara. Para além disso, a tecnologia de autofoco de topo deste modelo, emprestada das câmaras profissionais full-frame da Sony, facilita a captura de momentos críticos, como o golo espetacular do seu filho ou o voo majestoso de um falcão. Isto por si só faz da a6600 uma escolha sólida. Mais informações: Sony

Dica: Emparelhe a a6600 com a objetiva 16-55mm F/2.8 (equivalente a 24-82mm).

Panasonic DC-G9

Melhor para: Temas estáticos e vídeo. Os fotógrafos que também pretendam gravar vídeo podem fazer as duas coisas com a DC-G9 da Panasonic, que possui uma saída HDMI de tamanho normal e estabilização de imagem de alto nível.

A DC-G9 é comparável à Olympus OM-D E-M1 Mark III, mas em termos de vídeo sai favorecida. Esta câmara possui uma saída HDMI de tamanho normal, melhor ergonomia para gravação de vídeo ao nível da cintura e do peito, e mais opções para taxas de captura e perfis de cores, para além de um visor eletrónico conveniente e uma ocular grande. E ao contrário do sistema de autofoco mais clássico encontrado na OM-D E-M1 Mark III, a DC-G9 usa a tecnologia DFD (Depth from Defocus) da Panasonic que, com uma atualização de firmware, fornece os melhores resultados em fotografias de pessoas, objetos estáticos e animais – embora possam surgir problemas em situações de alta velocidade. Outra vantagem para vídeos e fotografias de temas estáticos é o sistema IBIS, que se integra bem com as objetivas estabilizadas da Panasonic. A DC-G9 é maior do que as outras câmaras nesta lista, mas o ecrã com informações ao estilo profissional compensa o tamanho. Mais informações: Panasonic

Dica: Emparelhe a DC-G9 com o maravilhoso kit de objetivas de 12-60mm (equivalente a 24-120mm) e estará pronto para fotografar a maioria dos temas nas suas viagens.

Olympus OM-D E-M1 Mark III

Melhor para: Fotografia de vida selvagem. A proteção contra intempéries ao estilo profissional da Olympus OM-D E-M1 Mark III, os botões para mudar rapidamente as configurações e um sensor pequeno ajudam a obter aquela fotografia rara.

Esta recomendação vem com duas ressalvas: primeiro, não consegui testar a câmara, mas testei a sua antecessora várias vezes e todos os relatórios indicam que a MK III é uma boa atualização da MK II. Em segundo lugar, sugiro que qualquer potencial comprador faça mais pesquisas, porque este ano a Olympus vendeu a sua divisão de imagem a uma empresa de investimentos, que parece estar a dar continuidade ao desenvolvimento e produção de novas câmaras e objetivas. Historicamente, listei a série E-M1 entre as melhores câmaras para fotografar vida selvagem. Eu ainda acredito que a marca detém este título, mas a Fujifilm X-T4 está no seu encalço. A combinação entre botões e alternadores permite mudar as configurações num ápice. A proteção contra intempéries supera a das DSLR profissionais de primeira linha, e tem uma aderência fantástica para o seu tamanho. E as objetivas! Todas as objetivas da linha profissional têm uma construção de alta qualidade e características como para-sol integrado, zoom suave/anéis de foco e bokeh arredondado ou desfoque de fundo. Enquanto câmara micro de quatro terços (MFT), tem um sensor pequeno que proporciona um longo alcance com objetivas fisicamente mais pequenas, como a 300mm (equivalente a 600mm). A ergonomia fantástica, excelente estabilização de imagem, resiliência a todos os climas, desempenho de alta velocidade e capacidade de usar objetivas pequenas resultam num potente kit de fotografia de vida selvagem. Mais informações: Olympus

Dica: As melhores objetivas incluem as 12-100mm F/4 IS PRO (kit de objetivas 24-200mm), 40-150 mm F/2.8 PRO (80-300mm zoom profissional), 7-14mm PRO (zoom de grande angular) e 300mm F/4 IS PRO (equivalente a 600mm F4).

Menção honrosa: Zeiss ZX1

Melhor para: Fluxo de trabalho fácil. Se tiver WiFi disponível, a Zeiss ZX1 permite editar e partilhar imagens diretamente a partir da câmara.

Este ano, decidi adicionar uma câmara extra devido ao seu mérito tecnológico. A Zeiss é mundialmente conhecida pela sua qualidade óptica, e a maioria dos fabricantes de câmaras deve o seu sucesso, pelo menos em parte, aos primeiros designs ópticos desta marca. Quais as razões para esta menção? A ZX1 é a primeira câmara da Zeiss em muito tempo e é diferente de todas as outras. A câmara tem um sensor personalizado de 37.4 MP e uma objetiva de 35mm f/2. Mas isto é apenas a ponta do icebergue. A ZX1 destaca-se por estar construída com um sistema operativo Android, algo que tem os seus pontos fortes e fracos. Com aplicações integradas como Instagram e Adobe Lightroom Mobile, a ZX1 permite editar e publicar fotografias diretamente a partir da câmara, desde que tenha WiFi. Os pontos fracos da câmara residem na sua velocidade de reação, duração da bateria e no desempenho do autofoco. Mas como esta câmara depende tanto de software, espero que a maioria destes problemas possa ser mitigada através de atualizações de firmware. Talvez quando todos nós pudermos viajar em segurança novamente, a ZX1 já se tenha tornado numa câmara verdadeiramente maravilhosa. Mais informações: Zeiss

Até para o ano e mantenha o olho na ocular... a não ser que fotografe com a câmara ao nível da cintura.
 

Tom O’Brien é engenheiro mecânico e o engenheiro fotográfico da National Geographic. Passa os seus dias na sede da National Geographic a planear workshops e a criar equipamento personalizado para os fotógrafos da revista. Pode segui-lo no Instagram.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

Continuar a Ler