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Este país é onde se encontram alguns dos animais mais raros do mundo

Desde társios minúsculos a furiosos búfalos-anões-de-mindoro, as Filipinas estão repletas de criaturas únicas e fantásticas.

Publicado 9/02/2021, 10:31 WET
um jovem crocodilo-filipino encontrado preso

Aldeões em Dunoy, na ilha filipina de Luzon, juntam-se ao grupo conservacionista da Fundação Mabuwaya para libertar um jovem crocodilo-filipino encontrado preso num afluente longe do seu habitat natural. Este crocodilo, que se alimenta de caracóis, é o mais raro do mundo.

Fotografia de GAB MEJIA

Nas florestas insulares do Pacífico ocidental, existe um animal de outro mundo conhecido por társio filipino.

Com orelhas de morcego, dedos em forma de ventosa e olhos dourados gigantes, esta criatura seria facilmente confundida com um figurante no cenário de um filme de ficção científica. Mas, na realidade, os társios são primatas e parentes distantes dos humanos.

“Parecem mesmo pequenos alienígenas a saltar de árvore em árvore”, diz Gab Mejia, Explorador da National Geographic e fotógrafo sediado nas Filipinas.

As mais de 7.600 ilhas das Filipinas são o berço de um número impressionante de espécies diversas. De acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica, 5% das espécies de plantas do planeta vivem nas Filipinas. E quase metade das criaturas encontradas nestas ilhas não existem em qualquer outro lugar.

O sol da manhã ilumina as montanhas de Bukidnon, lar da rara águia-das-filipinas.

Fotografia de GAB MEJIA

“Onde quer que estejamos nas Filipinas, estamos rodeados por natureza”, diz Gab. “Cada ilha para onde viajamos tem espécies diferentes.”

Viver nas ilhas tende a dar origem à especiação – ou a divergência de uma espécie em duas ou mais linhagens. Mas este paraíso ecológico também está em perigo, com mais de 700 espécies nativas consideradas ameaçadas de extinção devido à colheita excessiva, perda e fragmentação de habitat. E a atual pandemia pode estar a piorar ainda mais as coisas, já que as organizações conservacionistas estão a observar um aumento na pesca ilegal e no comércio ilegal de plantas raras.

Mas há boas notícias. Nos últimos anos, proliferaram esforços nacionais para salvar muitas destas criaturas e os respetivos habitats. O turismo de biodiversidade em parques nacionais, quando é feito de forma sustentável, pode ajudar a impulsionar estes esforços, canalizando verbas para grupos conservacionistas locais, garantindo que têm apoio suficiente para financiar patrulhas, comprar extensões de terreno e até mesmo criar espécies raras em cativeiro.

A COVID-19 afetou as viagens a nível mundial, mas quando as coisas estabilizarem, os viajantes sensibilizados pela preservação podem descobrir quatro parques nacionais nas Filipinas que hospedam quatro dos mais raros, porém carismáticos, animais selvagens que não existem em qualquer outro lugar do mundo.

Társios: Pequenos e ultrassónicos

O társio filipino é o segundo primata mais pequeno do mundo e é conhecido pelos cientistas ocidentais desde que foi descrito pela primeira vez em 1894. Mas um dos seus aspetos permaneceu um mistério até recentemente.

Em algumas ocasiões, quando um investigador pegava num destes primatas do tamanho de uma barra de chocolate, o animal abria a boca como se estivesse a uivar, mas não emitia som. Este comportamento foi considerado particularmente estranho porque a espécie já era conhecida por produzir várias vocalizações audíveis, incluindo um grito agudo e um trinado suave parecido com o canto de aves.

(Relacionado: Para salvar a Terra, metade da área terrestre do planeta deve ser mantida no seu estado natural.)

Este mistério foi resolvido em 2012, quando cientistas revelaram que o társio filipino comunica por ultrassons, ou frequências de som tão elevadas que excedem a capacidade de audição humana. Afinal, os gritos dos társios induzidos pelo stress não eram de todo silenciosos; eram simplesmente semelhantes a um apito para cães.

Curiosamente, os turistas podem ter um vislumbre destes primatas notívagos na selva – se souberem onde procurar.

Um társio filipino está atento ao som de um inseto escondido entre as folhas de uma floresta em Bohol. As capacidades auditivas dos társios são mais apuradas do que as de qualquer outro primata.

Fotografia de GAB MEJIA

“Durante a noite, os társios saem para caçar, mas depois regressam para a mesma árvore”, diz Gab.

Infelizmente, esta coerência também coloca os animais em risco, porque os caçadores que querem apanhar as criaturas para comer ou para vender no comércio de animais de estimação conseguem encontrá-las facilmente.

O segredo para ver estes animais sem os incomodar é reservar o guia certo. Gab Mejia recomenda a Fundação Philippine Tarsier, que administra o Santuário de Vida Selvagem Philippine Tarsier na ilha de Bohol.

Búfalos-anões-de-mindoro: Poderosos em ponto pequeno

Os filipinos consideram o búfalo-anão-de-mindoro um dos animais mais populares e queridos na Terra. Mas fora destas ilhas, a maioria das pessoas nunca ouviu falar desta que é a única espécie bovina nativa das Filipinas, uma espécie de búfalo-asiático poderoso, mas em ponto pequeno.

Os búfalos-anões-de-mindoro só se encontram na ilha de Mindoro, daí o nome. Esta espécie ostenta uma pelagem preto brilhante, chifres voltados para trás e uma altura a rondar um metro. Mas não se deixe enganar pela sua estatura diminuta. Estes animais têm um temperamento complicado e usam prontamente os seus chifres contra intrusos, um comportamento chamado “presa”.

“São animais verdadeiramente selvagens”, diz Gab Mejia. “Os guardas florestais já me disseram são perseguidos por eles e que têm de se refugiar nas árvores. Supostamente, o devemos fazer é saltar de lado, porque eles atacam cegamente.”

Esta fotografia de 2018 mostra Kalibasib, o único búfalo-anão-de-mindoro restante em cativeiro, na Tamaraw Gene Pool Farm na província de Mindoro. O Programa de Conservação de Búfalos-anões tem empregado tribos e guardas florestais, levando a uma redução na caça furtiva.

Fotografia de JES AZNAR, GETTY IMAGES

Infelizmente para estes pequenos bovinos furiosos, a sua carne ainda é valorizada por alguns caçadores, e as doenças do gado e de outros animais afetaram gravemente a espécie. A União Internacional para a Conservação da Natureza considera-os em perigo crítico de extinção; só restam 600 indivíduos na natureza.

“Contudo, os visitantes ainda podem vê-los no Parque Nacional Montes Iglit-Baco”, diz Neil Anthony del Mundo, coordenador do Programa de Conservação de Búfalos-anões.

Como é óbvio, os búfalos-anões-de-mindoro devem ser observados com uma distância de segurança.

Crocodilos-filipinos: Os mais raros do mundo

O crocodilo-filipino é o crocodilo mais raro do mundo, mas os visitantes do Parque Natural de Northern Sierra Madre têm boas probabilidades de os ver no seu habitat nativo. O único problema? É necessária uma lanterna.

“Construímos uma torre de observação à beira de um lago natural, onde é possível fazer observação de crocodilos-filipinos à noite”, diz Merlijn van Weerd, CEO da Fundação Mabuwaya, uma organização de conservação sem fins lucrativos.

Tal como acontece com o búfalo-anão, também o crocodilo-filipino está no lado inferior do espectro, com os animais adultos a atingirem cerca de 1.5 metros de comprimento e pouco mais de 13 quilos. Na verdade, o alimento preferido destes crocodilos são caracóis.

Esta dieta inclui os caracóis invasores Pomacea canaliculata, que são uma ameaça para os produtores locais de arroz, diz Merlijn van Weerd. Os crocodilos-filipinos também gostam de comer ratos que foram introduzidos na região, outra praga para as culturas.

Amante Yog-yog, especialista em crocodilos, examina as escamas salientes no pescoço de um crocodilo-filipino juvenil. A existência de escamas no pescoço é a característica física que determina se a espécie é um crocodilo-filipino ou um crocodilo de água salgada.

Fotografia de GAB MEJIA

“Portanto, os crocodilos endémicos das Filipinas estão a ajudar os agricultores filipinos, controlando espécies de pragas introduzidas nos seus campos de arroz”, diz Merlijn.

Atualmente só restam entre 92 e 137 crocodilos-filipinos adultos, pelo que esta espécie em perigo crítico de extinção precisa de todas as relações públicas que conseguir. Infelizmente, as pessoas acabam por vezes por matar estes répteis porque os encaram como uma ameaça para o gado ou mesmo para as pessoas.

Águias-das-filipinas: Diferentes de todas outras

Com uma pelagem branca na barriga e uma coroa inconfundível de penas na cabeça, as águias-das-filipinas emanam um ar de realeza. “Quando estendem as asas, tudo o resto fica na sombra”, diz Gab Mejia. “São como os reis ou rainhas dos predadores.” Não é à toa que esta espécie foi nomeada a ave nacional das Filipinas.

Embora estas aves sejam difíceis de encontrar na natureza, onde só existem cerca de 400 casais adultos, ainda é possível ver a espécie em cativeiro.

“Desde que o nosso programa começou na década de 1970, resgatámos 86 águias”, diz Jayson Ibanez, diretor de pesquisa e conservação da Fundação Águia-das-Filipinas.

As razões para o resgate das águias incluem armadilhas e tiros dos habitantes locais, mas o principal fator a afetar a espécie é a desflorestação. Um casal reprodutor precisa entre 5.000 e 10.000 hectares de área para viver, bem como de árvores altas para nidificar. Ao mesmo tempo, só 35% das florestas das Filipinas permanecem intactas.

A fundação abriga atualmente 33 águias-das-filipinas. Através de tentativas de reprodução, a equipa espera conseguir libertar novas crias na natureza.

Uma águia-das-filipinas no santuário florestal da Fundação Águia-das-Filipinas, em Davao. Com apenas cerca de 400 casais restantes na natureza, as águias-das-filipinas são resgatadas, criadas e devolvidas aos seus habitats montanhosos, como no Parque Nacional de Monte Apo.

Fotografia de GAB MEJIA

Curiosamente, pensava-se que esta espécie tinha parentesco com outras águias florestais enormes que se encontram pelo mundo inteiro, como a harpia da América do Sul e a águia-coroada de África. Mas os estudos de ADN revelam que as outras aves de grande porte são apenas parentes distantes; a águia-das-filipinas está numa categoria própria.

“São produtos únicos de criação evolutiva”, diz Jayson Ibanez.

Aparentemente, a singularidade é um tema recorrente neste magnífico arquipélago.

“As Filipinas são realmente moldadas por ilhas, montanhas e pântanos”, diz Gab Mejia. “Quer seja um lagarto-monitor na praia ou um társio numa árvore, devemos estar preparados para ver realmente o que significa ser um país com mega-biodiversidade.”
 

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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