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Para onde pode viajar em segurança depois de vacinado contra a COVID-19?

O desejo de viajar vai regressar assim que for vacinado. Eis o que precisa de saber antes de reservar uma viagem.

Publicado 19/03/2021, 13:20
Memorial de Chiang Kai-shek em Taipei

Um ciclista passa pelo Memorial de Chiang Kai-shek em Taipei, Taiwan, em fevereiro de 2021. Taiwan foi um dos lugares com menos casos e mortes por COVID-19 a nível mundial.

Fotografia de Walid Berrazeg, SOPA Images/LightRocket/Getty Images

Depois de mais de um ano de restrições devido à pandemia de COVID-19, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA divulgaram uma declaração oficial que muitos de nós desejávamos ouvir: “As pessoas vacinadas podem participar com segurança em muitas atividades.”

Até agora, 11% da população dos Estados Unidos já foi completamente vacinada contra a COVID-19, e 21% recebeu pelo menos uma dose. Para os vacinados, são boas notícias – mas a tentação de viajar pode ser ainda maior.

No dia 12 de março, passaram pelos aeroportos dos EUA cerca de 1.3 milhões de pessoas, de acordo com a Administração de Segurança dos Transportes dos EUA. Foi a contagem mais elevada num só dia desde que a Organização Mundial de Saúde declarou o surto do novo coronavírus uma pandemia em março de 2020. Esta atividade pode estar em contradição com as últimas diretrizes dos CDC, que estipulam que mesmo as pessoas completamente vacinadas devem evitar viajar, a não ser que seja mesmo imperativo.

Fotografada em fevereiro de 2021, uma vendedora ambulante em Bangkok usa uma máscara facial e viseira para se proteger da COVID-19.

Fotografia de Lillian Suwanrumpha, AFP/Getty Images

À medida que as restrições nas viagens começam a mudar, descubra o que um visitante vacinado precisa de saber antes de planear uma viagem internacional.

As vacinas protegem-nos mais a nós do que aos outros

Viajar vai tornar-se mais seguro para as pessoas que foram inoculadas e desenvolveram anticorpos para a COVID-19. “Enquanto viajantes vacinados, estamos quase 100% protegidos contra doenças graves se formos expostos ao SARS-CoV-2”, diz Monica Gandhi, médica infeciologista e professora de medicina na Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Os estudos preliminares mostram que as vacinas também previnem a transmissão viral, o que significa que é pouco provável que as pessoas vacinadas propaguem COVID-19. Mas até que isto esteja confirmado – os resultados de vários ensaios clínicos devem ser publicados até ao outono – precisamos de manter as precauções recomendadas para combater a propagação do vírus.

(O que pode fazer em segurança depois de levar a vacina COVID-19?)

Há outras incógnitas – quanto tempo dura a imunidade após a vacinação, o que vai acontecer com as perigosas variantes – a incomodar os cientistas e a população.

Depois de vacinado, a principal preocupação para um viajante é poder transmitir COVID-19 a outras pessoas durante o trânsito ou no destino. “Continua a ser importante respeitar as práticas que reconhecidamente mitigam os riscos para nós e  para os outros: Usar máscara, manter a distância, lavar as mãos, [optar por] espaços abertos em vez de espaços confinados e evitar zonas com muitas pessoas”, diz Joyce Sanchez, médica infeciologista e diretora médica da Travel Health Clinic em Froedtert e na Faculdade de Medicina de Wisconsin.

Onde pode ir?

As diretrizes governamentais sobre viagens e as regras fronteiriças irão continuar a ditar as opções disponíveis. Nos EUA é possível consultar estas opções no site do Departamento de Estado, ou através das recomendações por destino dos CDC ou em CovidControls.co, site que rastreia os países por taxa de vacinação, regras de entrada e estatuto de confinamento.

A testagem é essencial. Em muitos dos destinos internacionais é exigida uma prova de teste negativo. Pode pesquisar as regras de testagem a nível mundial em CovidControls.co.

Há vários países abertos aos viajantes, mas todos contam com uma série de requisitos e regulamentos em constante mudança. Alguns (Reino Unido, Irlanda) exigem testes COVID negativos e períodos de quarentena; outros, como o México e  Costa Rica, têm poucas restrições para além das medições de temperatura.

Muitos dos destinos nas Caraíbas, incluindo a Jamaica, São Cristóvão e Neves, São Vicente e Granadinas e Dominica, acolhem viajantes que apresentem um resultado negativo de um teste PCR COVID-19 emitido em laboratório com o máximo de 72 horas de antecedência. A República Dominicana já não exige a apresentação de um teste PCR COVID-19 negativo à chegada.

Naquele que pode vir a ser o novo normal para as “férias vacinadas”, as Seychelles recebem agora apenas pessoas que foram completamente vacinadas e que o consigam comprovar.

Esquerda: Passageiros com máscaras fazem fila para embarcar num voo no Aeroporto Internacional de Los Angeles em fevereiro de 2021.
Direita: Um médico no aeroporto de Telavive aguarda pelos resultados de um teste de antigénio COVID-19 no dia 8 de março de 2021. Estes testes fazem parte das medidas de triagem mais restritas que agora são exigidas pela El Al Israel Airlines.

Fotografia de PATRICK T. FALLON, AFP / GETTY IMAGES (esquerda) e KOBI WOLF, BLOOMBERG / GETTY IMAGES (direita)

Os chamados “passaportes de vacinação” estão a ser elaborados para cidadãos de países como a Islândia, Polónia e Portugal, assim como passes eletrónicos de organizações como o Fórum Económico Mundial e a Associação Internacional de Transportes Aéreos. Os CDC dos EUA ainda não implementaram este tipo de programa, que pode estar repleto de questões práticas e éticas. É fácil forjar uma certificação que indique que estamos vacinados; e permitir que um grupo de pessoas vacinadas possa viajar enquanto que outros não o podem fazer parece demasiado elitista.

(O que significam as vacinas para o regresso às viagens.)

Outra boa escolha é o Ruanda, onde uma das respostas mais rápidas do mundo à COVID-19 protegeu eficazmente os seus cidadãos e os ameaçados gorilas-das-montanhas, permitindo que esta nação de África Oriental reabrisse ao turismo em agosto de 2020.

Os países que têm gerido bem a pandemia provavelmente irão continuar a fazê-lo, tornando o turismo nesses lugares mais seguro para todos à medida que as fronteiras reabrem. A Finlândia, por exemplo, tem menos de 70.000 casos de COVID-19, e a aplicação para telemóvel de rastreio de contactos Koronavilkku e o seu programa FINENTRY oferece testes gratuitos para os viajantes à chegada.

Contudo, ainda há alguns contratempos em lugares que têm protocolos COVID-19 mais restritos e poucos casos (como a Nova Zelândia e Taiwan), que podem ser lentos a permitir a entrada de estrangeiros – mas rápidos a reimpor medidas preventivas mais rigorosas, o que significa, diz Joyce Sanchez, “que podemos correr o risco de ficarmos retidos devido a um novo confinamento se os casos aumentarem durante a nossa estadia”.

Viajar de forma responsável

Como os esforços de vacinação em massa ainda estão em andamento, os destinos e atividades que escolhemos enquanto viajantes podem desempenhar um papel importante na proteção dos habitantes locais que ainda não foram vacinados.

Quando as regras fronteiriças assim o permitirem, a propagação inadvertida do vírus irá provocar menos danos nos países que têm as taxas de vacinação mais elevadas (incluindo Israel, Seychelles e Maldivas) do que nos países com programas de vacinação mais fracos e infraestruturas de saúde menos robustas.

Em Singapura, quase todos os trabalhadores do setor dos transportes já receberam a primeira dose da vacina. Em Bali, na Indonésia, os trabalhadores do setor do turismo têm prioridade na vacinação. Na Tailândia, país que geriu bem a pandemia, os esforços para acelerar a vacinação dos habitantes da popular ilha turística de Phuket visam permitir que os viajantes vacinados visitem a região até outubro sem quarentena.

À medida que as regras se tornam menos rígidas, a melhor opção é passar férias em zonas onde é possível evitar os transportes públicos e as multidões. Os festivais e as discotecas ficam para mais tarde; agora está na hora de explorar ao ar livre, para planear uma viagem à Colúmbia Britânica do Canadá ou explorar cidades que possam ser percorridas a pé em Malta.

Visitantes no átrio do 2Connect@Changi, um hotel/complexo de reuniões perto do aeroporto principal de Singapura no dia 22 de fevereiro de 2021. Esta propriedade está a posicionar-se como um destino para viajantes de negócios enquanto o mundo emerge da pandemia de COVID-19.

Fotografia de Edgar Su, Reuters

As estâncias com tudo incluído almejaram sempre um tipo de férias sem preocupações, pelo que muitas foram rápidas a implementar protocolos COVID robustos que beneficiam hóspedes e funcionários. Melhor ainda são os destinos e experiências naturalmente isolados, incluindo parques, ilhas particulares e áreas de preservação.

Como pode ajudar a proteger os habitantes locais?

A maioria dos viajantes gosta de saber que está a ajudar, e não a prejudicar, a população de um destino. Até que todas as pessoas tenham acesso às vacinas, os viajantes precisam de encontrar um equilíbrio para apoiar as economias que dependem do turismo sem colocar os seus habitantes e sistemas de saúde em risco.

A pandemia aumentou o fosso – que já de si era grande – entre as pessoas carenciadas e as que têm o privilégio de viajar. Mas, de acordo com alguns especialistas, é importante não evitar destinos cujas economias estejam ameaçadas pela COVID.

“Ao nível ético, as considerações económicas debruçam-se sobre o não isolamento de áreas devido à sua incapacidade de obter a vacina a tempo”, diz Judy Kepher Gona, fundadora da Sustainable Travel & Tourism Agenda, organização que fomenta o turismo sustentável em África.

“Para alguns países em desenvolvimento, o risco de infeção por doença é mais aceitável do que o risco de falência da indústria e declínio económico significativo”, diz Greg Klassen, da Twenty31 Consulting, organização que ajuda destinos turísticos a prepararem-se para o futuro. Greg diz que não cabe aos cidadãos dos países mais desenvolvidos decidir pelas pessoas dos países em desenvolvimento.

Em suma, opte por empresas que priorizam a saúde e a segurança dos funcionários e das suas comunidades. E escolha destinos que tenham feito esforços para proteger os habitantes locais e manter os seus sistemas de saúde robustos. O planeamento responsável faz muito mais bem para todos do que um desinfetante gratuito para as mãos.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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