Aventura nas Astúrias

Abundância de florestas, uma cultura antiga bem preservada e quilómetros e quilómetros de litoral deslumbrante: conheça as experiências que o reino escondido de Espanha pode proporcionar.

Publicado 21/05/2021, 15:52 WEST, Atualizado 26/05/2021, 18:21 WEST
Gado a alimentar-se nas pastagens altas do Parque Natural de Ponga, com vista para a cadeia ...

Gado a alimentar-se nas pastagens altas do Parque Natural de Ponga, com vista para a cadeia montanhosa dos Picos de Europa, na qual há um parque nacional com florestas, lagos e picos nevados.

Fotografia de Turismo das Astúrias/Alejandro Badia

Há uma Espanha que o mundo já conhece, e há as Astúrias – uma região completamente diferente, um antigo reino ensimesmado na pouca conhecida região do Noroeste. Mais verde e mais antigo do que as paragens mais familiares da península, estende-se das dunas suaves que acompanham a Baía de Biscaia até um interior onde, em colinas tranquilas, os chocalhos das vacas se ouvem nas pastagens e ecoam pelas alturas dos picos.

Um caminho numa falésia sobre o porto de Gijón (Xixón), com uma vista muito popular junto da escultura de referência Elogio del Horizonte, do artista Eduardo Chillida.

Fotografia de Chiara Goia

A personalidade da região é visível sobretudo na generosidade e no convívio. Os asturianos gostam muito de comer e partilhar e a comida é, por si só, motivo para se visitar a região. Nas tabernas à antiga nunca faltam pratos de peixe reconfortantes e receitas de carne típicas das quintas onde nasceu a gastronomia local – a caldereta e a fabada – e estão sempre presentes as técnicas tradicionais de servir sidra natural, o néctar da região.

Construída na encosta de uma montanha pelo Rei Ramiro I no século IX, Santa María del Naranco é um apogeu da arquitetura asturiana pré‑românica.

Fotografia de Turismo das Astúrias/Benedicto Santos

Nas Astúrias, encontram‑se várias grutas com pinturas rupestres da época do Paleolítico, incluindo Tito Bustillo, com as suas imagens impressionantes de cavalos, bisontes e veados.

Fotografia de Turismo das Astúrias

A estas tradições juntam-se os bares-restaurante contemporâneos e os restaurantes com estrelas Michelin que poderá encontrar pela área rural e nas três principais cidades: a animada capital do Principado, Oviedo (Uviéu); o polo marítimo de Gijón (Xixón), o maior aglomerado; e a antiga aldeia de estuário, Avilés. Há um carácter próprio em cada uma destas possibilidades, mas todas são portas de entrada na cultura asturiana. Muita da história local continua viva – podendo ouvir-se na música folclórica original com evocações célticas tocada por artistas experientes e ver-se na sinuosa arquitetura pré‑românica única da região.

Belíssimos exemplares edificados que sobreviveram mais de um milénio: de Santa María del Naranco, numa montanha perto de Oviedo (Uviéu), a Santa Cristina, em Lena. Contam atualmente com a proteção da UNESCO, assim como a arte do Paleolítico, vividamente preservada, que cobre as paredes da caverna à beira-mar de Tito Bustillo, em Ribadesella. Os passeios ao longo da Costa Jurássica podem levar o viajante ainda mais longe – até aos fósseis e às pegadas de dinossauros em exibição no Museo del Jurásico, localizado onde foram encontrados.

A costa asturiana estende-se por cerca de 400 quilómetros e conta com cerca de 200 praias, incluindo a enseada de Rodiles, onde desagua um rio, famosa pela sua rebentação ideal para o surf.

Fotografia de Turismo das Astúrias/Noé Baranda

Os ventos e as ondas dominantes que esculpiram as falésias ao longo de cerca de 400 quilómetros de costa também atraíram alguns dos primeiros surfistas de Espanha para praias como as de Gijón (Xixón), onde os pioneiros chegaram na década de 1960. Entre as 200 praias da Baía de Biscaia encontram-se as excelentes áreas de surf de Tapia e Salinas, e a rebentação na foz do rio La Barra, em Rodiles, é considerada uma das melhores “esquerdas” da Europa por quem já desfrutou dos seus tubos perfeitos por distâncias de pelo menos 150 metros.

As Astúrias têm a costa selvagem melhor preservada de Espanha e oferecem miradouros espetaculares e escavações arqueológicas com fósseis e pegadas de dinossauros.

Fotografia de Turismo das Astúrias/Gonzalo Azurmendi

Os ciclistas também afirmam que as Astúrias são o seu território de eleição. Os ciclistas profissionais de estrada passam frequentemente pela região no final do verão no desafio da Vuelta a España, com quase um século de existência, e os ciclistas amadores seguem‑lhes o exemplo durante todo o ano, embora normalmente a um ritmo mais descontraído, ideal para desfrutar das paisagens etéreas que encontram no caminho. Uma parte desse circuito serpenteia, aparentemente quase na vertical, em direção a picos cobertos por nuvens, no lendário Alto de l'Angliru. Outra parte acompanha os lagos glaciais iridescentes de Covadonga (Cuadonga), que é também um excelente território para caminhadas por entre a famosa cordilheira dos Picos de Europa. Os três principais maciços da cordilheira estão repletos de trilhos que atravessam prados paradísicos, passam por grutas de calcário extraordinárias e, do fundo do vale, sobem a alturas de tirar o fôlego, com miradouros panorâmicos como Ordiales. Outros percursos a pé seguem as rotas dos antigos Romanos, que escavaram os montes cantábricos para extrair ouro e armazenaram saques em fortalezas reconstruídas da Idade do Bronze ou castros, como Chao Samartín.

Ciclistas sobem à aldeia de Sotres numa secção panorâmica da montanha durante a prova de estrada Vuelta a España. A secção também é popular para passeios de bicicleta de longa distância.

Fotografia de Turismo das Astúrias

O visitante dos dias de hoje também pode seguir o caminho original dos peregrinos, ou Camino Primitivo, que foi percorrido pela primeira vez pelo rei medieval Alfonso II em busca do túmulo de São Tiago, rumo à cidade que agora se chama Santiago de Compostela. A paisagem não mudou muito desde então. As Astúrias contêm as zonas rurais mais protegidas e menos transformadas de Espanha e cerca de 1% das reservas mundiais da biosfera da UNESCO. As suas florestas de carvalhos e faias são habitats de veados, javalis e lobos selvagens, e nas encostas mais altas subsistem cavalos Asturcón endémicos e ursos castanhos cantábricos.

As colinas e vales protegidos da Reserva de Biosfera de Muniellos albergam uma das maiores extensões de carvalhos antigos que restam na Europa.

Fotografia de Turismo das Astúrias/Amar-Hernández

As raízes humanas das Astúrias mostram-se verdadeiramente nas suas pequenas localidades rurais. É uma terra de trabalho árduo, de indústria e agricultura, de aldeias piscatórias, comunidades agrícolas e cidades mineiras onde antigos modos de viver ainda existem. Os espigueiros apoiados em pilares, também chamados hórreos, que ainda se veem nos campos de toda a região, especialmente concentrados nas paróquias de Bueño e Espinaréu, continuam a ser muito utilizados porque funcionam na perfeição. Estas estruturas geométricas emblemáticas não precisam de parafusos nem porcas, e mantêm os alimentos protegidos das intempéries e dos roedores, tal como no século XVI (quando muitos dos “hórreos” que ainda restam foram construídos).

Os tradicionais espigueiros apoiados em pilares, ou “hórreos”, são uma visão emblemática nos magníficos campos da região, alguns dos quais remontam ao século XVI.

Fotografia de Biblioteca de imagens de Robert Harding

Os asturianos também não se esquecem o quanto devem a gerações de homens que extraíram o carvão das minas na escuridão e ajudaram a tornar esta região numa potência dos caminhos-de-ferro, da construção naval e da siderurgia. A arte e a perícia do ferreiro remontam ainda mais, à época pré-industrial. As forjas foram instaladas nas orlas das florestas, ao longo de rios irascíveis; a água era levada por rodas de madeira e os primeiros martelos hidráulicos batiam e moldavam o ferro numa chuva de faíscas e jatos de vapor.

Um ferreiro mostra as ferramentas e métodos tradicionais ainda utilizados para moldar o ferro na forja funcional e museu à margem do rio de Mazonovo.

Fotografia de Turismo das Astúrias

Ainda é possível observar estes processos em locais como Mazonovo, um museu etnográfico e de ferraria totalmente operacional, que apresenta de forma dinâmica estas ferramentas e técnicas aos visitantes. Para quem visita pela primeira vez, ver ferreiros em ação ao vivo proporciona a mesma sensação que oferecem as muitas experiências inéditas da região. Seja a passear por um edifício em ruínas, a admirar uma igreja ou a degustar um prato da fabada preparada com enormes feijões, terá a sensação de gratidão que teve ao apreciar os frutos do trabalho asturiano.

A National Geographic quer inspirar a sua próxima aventura, mas apenas quando for seguro e recomendado fazê-lo. Consulte as regulamentações e diretrizes oficiais relativamente à Covid‑19 emitidas pelas autoridades relevantes relativamente a viagens internacionais e viagens nas Astúrias.

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