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O “pequeno Tibete português”: descubra a aldeia de Sistelo

Os passadiços do Vez tornaram a aldeia de Sistelo conhecida, mas são os socalcos verdejantes que a fazem ser reconhecida como o Tibete português. Descubra este encanto rural, no norte de Portugal.

Publicado 9/08/2021, 13:05
A aldeia de Sistelo situa-se no norte do concelho de Arcos de Valdevez, nos limites do ...

A aldeia de Sistelo situa-se no norte do concelho de Arcos de Valdevez, nos limites do Parque Nacional Peneda-Gerês.

Fotografia de Eduardo Pimenta

A aldeia de Sistelo, vencedora nacional das “7 Maravilhas de Portugal”, na categoria de Aldeia Rural, viu distinguida a sua originalidade e encanto em 2017. Situada às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, junto da nascente do rio Vez, é apelidada por muitos como o "pequeno Tibete português".

Sistelo guarda ainda toda a beleza rural ancestral e tem nos seus fabulosos socalcos uma marca identitária, única em todo o país. Moldados durante centenas de anos pela mão humana, são o ex-líbris da povoação e verdadeiras representações do convívio secular entre o Homem e a Natureza.

Os socalcos do "pequeno Tibete português" moldam o rosto de Sistelo

Os socalcos de Sistelo representam a forma inteligente de obter rendimento agrícola e pecuário, construídos para tornarem as terras mais produtivas, guiando a água para as mesmas através de levadas ou regadios. Foram esculpidos durante gerações e gerações, sendo cenário da criação das conhecidas raças autóctones de vacas Cachena e Barrosã.

Esses socalcos que compõe o cenário do "pequeno Tibete português" permitiam, assim, que os aldeões conseguissem tirar os seus produtos desta terra bastante fértil, na forma de agricultura de subsistência, onde o cultivo do milho ocorre já desde o século XVI, por exemplo.

Eles serviram ainda para moldar as construções que se amontoam num centro e outras, mais solitárias, espalhadas pelos montes. A zona central da povoação guarda uma forte memória dos ritmos de outrora, com um foco de espigueiros, uma fonte, um típico casario, e a singular Casa do Castelo de Sistelo, edificada em meados do século XIX.

Da excecionalidade à desertificação das terras

A excecionalidade e elevado valor patrimonial de Sistelo conduziram a um processo de classificação de “Paisagem Cultural”. Assim, em dezembro de 2017, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa promulgou o decreto que classifica como monumento nacional a paisagem cultural da Aldeia de Sistelo.

Vista aérea da aldeia, "abraçada" por socalcos.

Fotografia de Eduardo Pimenta
Esquerda: Superior:

Vista do território da aldeia de Sistelo por entre os verdejantes socalcos.

Direita: Fundo:

O esplendor dos socalcos, que quase parecem de um mundo encantado. 

Fotografia de Eduardo Pimenta

Este foi o primeiro reconhecimento do género a ser atribuído em Portugal, justificado no decreto o facto da Paisagem Cultural de Sistelo ser composta por um espaço natural de superior qualidade paisagística, ao qual se soma um notável património etnográfico e histórico cuja preservação e autenticidade é fundamental garantir.

Atualmente, tal como se verifica em tantas outras aldeias, este "pequeno Tibete português" sofre com a desertificação, embora mantenha todo o seu viver tradicional. Durante a sua passagem, deixe-se envolver neste ambiente que mistura as montanhas e os socalcos esverdeados, com as águas calmas do Vez.

Descubra o "pequeno Tibete português"

Pode começar por visitar o local onde viveu o Visconde de Sistelo, o Castelo, que é um palácio que remonta ao século XIX. Passeie pelas ruas do "pequeno Tibete português", desfrute da praia fluvial no verão, faça um piquenique e descubra a Ecovia, que passa junto ao rio.

Se procura um miradouro, suba até Estrica e tenha uma das mais bonitas vistas panorâmicas da região. É comum encontrar, pelo caminho, muitos animais a pastar, e estes já estão habituados aos transeuntes e a "posar" para as fotografias.

Observe ainda o lavadouro, a Ponte Oitocentista, alguns moinhos abandonados, abrigos naturais antigos, antigas casas de guardas-florestais. Não se despeça desta aldeia sem antes fazer um trilho. Para isso, tem um passadiço perfeito para percorrer entre lagos de água e socalcos verdes, entre floresta densa e marcos históricos.

Ao longo do trilho pode ainda ver alguns dos pontos mais icónicos da região, como a Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos e as Capelas de Santo António, São João Evangelista, Senhora dos Remédios e Senhora do Carmo e subir ao miradouro do Chã da Armada, para admirar a vista panorâmica.

Após o início do trilho em Sistelo, se passar pela aldeia de Tabarca e a casa do guarda-florestal da sobreira, vai cruzar o rio. Aí o cenário idílico rodeia os passadiços do Vez. No final do passadiço encontra o parque de merendas de Sistelo e pela região há vários alojamentos e turismos rurais, caso queira prolongar a sua visita.

O passadiço de Sistelo, integrado na Ecovia do Vez

Ainda sem sair do "pequeno Tibete português", conheça o passadiço de Sistelo, com cerca de dez quilómetros, que é integrado na Ecovia do Vez. A Ecovia, uma das mais populares a norte do país, e com quase 40 quilómetros, oferece três percursos entre o Rio Lima, na aldeia de Jolda S. Paio, até à aldeia de Sistelo.

O passadiço de Sistelo, entre a Ponte de Vilela e a aldeia, é um dos percursos imperdíveis da região.

Fotografia de Eduardo Pimenta

O percurso do passadiço, da Ponte de Vilela até à aldeia de Sistelo, ou o inverso, é já conhecido por quem gosta de fazer caminhadas, mas continua a ser um mistério para a maioria dos portugueses.

Num total de 10.266 metros para cada lado, ao longo de trilhos pelas margens do rio, o percurso dura entre três a quatro horas e é considerado um trajeto de dificuldade média, com algumas subidas e descidas acentuadas. Existem três paragens que permitem banhos nas lagoas do rio Vez.

O concelho de Arco de Valdevez e a Ecovia do Vez, onde se insere o passadiço de Sistelo, fazem parte da Reserva Mundial da Biosfera. Estas reservas são definidas pela UNESCO como laboratórios vivos da conservação de paisagens, ecossistemas e espécies e plataformas de investigação, monitorização, educação e sensibilização.

O Rio Vez e o Rio Lima também estão integrados na lista de Sítios de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, pela importância e raridade da sua fauna e flora.

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