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Onde os viajantes com os pés na Terra podem procurar vida extraterrestre

Descubra onde crentes e céticos podem acompanhar os cientistas americanos a trabalhar.

Publicado 6/08/2021, 10:19
William "Jack" Welch observa os radiotelescópios da Rede de Telescópio Allen.

O Pentágono diz que não há explicação para os “fenómenos aéreos não identificados” detetados pelos pilotos ao longo dos anos. Mas os cientistas usam ferramentas como a Rede de Telescópio Allen do Instituto SETI, na imagem, para investigar a possibilidade de vida para além da Terra.

Fotografia de Ramin Rahimian, The New York Times/Redux

Será que estamos sozinhos no universo? De acordo com o governo dos Estados Unidos, a resposta ainda está em aberto.

O relatório tornado público em junho pelo Pentágono sobre Fenómenos Aéreos Não Identificados (ou UAP, na sigla em inglês) contém uma análise detalhada sobre os dados e informações recolhidas pelos militares dos EUA entre 2004 e 2021. Mas, embora o relatório responda a algumas questões, também diz que os dados limitados e a inconsistência dos relatórios deixam a maioria destes fenómenos por explicar.

Para um terço dos americanos que acredita que os alienígenas são responsáveis por estes eventos, isto significa que há esperança. Mas os cientistas não perdem tempo a argumentar que as observações inexplicáveis não significam necessariamente que se trata de marcianos. “Não basta reunirmo-nos em torno de uma ideia que queremos que seja verdade, que declaramos que é verdadeira e, portanto, é real”, diz Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden do Museu Americano de História Natural. “É algo que tem de responder a análises e evidências.”

Por outras palavras, tudo se resume à ciência. O facto de os UAP serem “inexplicáveis” pode simplesmente significar que atualmente não temos os dados ou a capacidade científica para os compreender. “No passado, o fenómeno da eletricidade atmosférica e os relâmpagos que pareciam sair da Terra faziam com que as pessoas pensassem que se tratavam de duendes e elfos”, diz Hakeem Oluseyi, professor de física e astronomia na Universidade George Mason. “Estas coisas acontecem numa fração de segundo. Os pilotos observaram [UAP] e informaram sobre o que viram, mas as pessoas disseram que eles eram loucos. Mas era um fenómeno real. Se acontecer um evento que não se encaixa bem em algo que conhecemos até agora, precisamos de publicar abertamente todos os dados para o podermos estudar.”

Pessoas tiram fotografias com estátuas de alienígenas no AlienFest em Roswell, no Novo México, no dia 2 de julho de 2021. Apesar de o Pentágono alegar que dezenas de avistamentos de objetos voadores não identificados são inexplicáveis, um terço dos americanos disse às equipas de sondagem da Gallup que acredita em alienígenas.

Fotografia de Patrick T. Fallon, AFP/Getty Images

Mas tanto os crentes como os céticos mais curiosos não precisam de esperar pela abertura ao público de outro relatório secreto para descobrir se estamos sozinhos. Cientistas de vários locais nos EUA estão a estudar a possibilidade de vida para além da Terra e muitos destes locais estão abertos ao público.

Siga a ciência

A procura por vida no cosmos requer informações de uma ampla gama de disciplinas, desde a biologia à ciência planetária, da química à ciência de exoplanetas e da geologia à astrofísica.

“A procura científica por vida extraterrestre é uma experiência”, diz Seth Shostak, astrónomo sénior do Instituto SETI. “Com base no que sabemos, presumimos que, se vamos encontrar vida, provavelmente será num planeta que tem oceanos e uma atmosfera, porque é o tipo de coisa que precisamos para a biologia. Portanto, tentamos escutar e apontar as antenas na direção de sistemas estelares que acreditamos que podem ter planetas como a Terra.”

Durante 36 anos, os cientistas do SETI têm feito exatamente isso, escutar os sinais das profundezas do espaço com enormes radiotelescópios como a Rede de Telescópio Allen. Localizada perto de Hat Creek, nas montanhas Cascade do norte da Califórnia, esta rede tem 42 antenas maciças equipadas com recetores altamente sensíveis e especializados (cobrindo frequências de rádio entre os 1.000 e os 15.000 MHz) que procuram sinais de rádio que os alienígenas podem estar a transmitir. Os cientistas acreditam que escutar (em vez de enviar foguetões) é a melhor forma de detetar vida alienígena devido às distâncias enormes até às estrelas.

Os terráqueos podem ver a Rede de Telescópio Allen em ação numa excursão autoguiada pelo centro de visitantes, que oferece uma janela para a sala de processamento de sinal. Quando os protocolos da COVID-19 forem levantados, os curiosos poderão caminhar até à base de uma das antenas parabólicas gigantes nas instalações do Very Large Array Radio Telescope do SETI em Socorro, no Novo México.

Os investigadores do Observatório de Green Bank, situado nas colinas de Green Bank, na Virgínia Ocidental, para além de manterem um ouvido atento no céu através de um enorme radiotelescópio, também estão a produzir as ferramentas terrestres que cientistas do mundo inteiro precisam para conduzir as suas próprias sintonizações de radiofrequência. Embora este centro de ciências esteja encerrado devido à COVID, os passeios livres permitem a circulação de caminhantes e ciclistas. Para quem está em casa, os programas do SETI transmitem debates ao vivo e podcasts que revelam mais informações sobre este trabalho.

O Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, foi estabelecido em 1959 como o primeiro complexo de voo espacial da agência. Hoje é o lar da maior organização dos EUA de engenheiros, cientistas e tecnólogos que constroem as tecnologias para estudar o universo. Durante a pandemia, as viagens de campo virtuais e os programas do centro têm colocado crianças e adultos a brincar aos cientistas com projetos como a construção de satélites com utensílios domésticos e conversas com palestrantes sobre as missões da atualidade.

Visitantes participam num evento “Estado da NASA” no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA no dia 10 de fevereiro de 2020. Este evento destacou os projetos de ciência, engenharia e exploração do centro, incluindo a missão Artemis, a próxima missão da NASA que visa colocar humanos na Lua até 2024.

Fotografia de Debora McCallum, NASA/GSFC

Em Pasadena, na Califórnia, o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, gerido pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, desenvolve naves e sondas para lugares onde os humanos ainda não conseguem alcançar – desde Marte a Júpiter e Saturno. Os passeios virtuais de um dia para os visitantes oferecem um olhar aprofundado sobre o controlo de missão, “salas limpas” onde técnicos revestidos de materiais perigosos constroem sondas e exibições que mostram como os cientistas da NASA planeiam novas missões.

O Centro de Ciência Infinity, em Pearlington, no Mississippi, visa inspirar a geração seguinte de cientistas com exibições e programas educacionais de ciências espaciais e da Terra em conjunto com o Centro Espacial Stennis da NASA, a maior instalação de teste de foguetões dos EUA. Aqui, as famílias podem participar numa ampla variedade de experiências que exploram os blocos de construção científicos do estudo da vida noutros planetas, como a comparação entre formações geológicas e sistemas climáticos da Terra com os de outros lugares.

Mas não precisamos de viajar muito para aprender sobre análogos planetários, localizações na Terra e noutros mundos com ambientes semelhantes e que ajudam os cientistas a compreender o nosso sistema solar. O Explorador Análogo virtual da NASA leva-nos até locais de investigação de campo na Terra que são emparelhados com os seus homólogos interplanetários, como sedimentos à beira de lagos na Turquia e um antigo leito de um lago em Marte, e gelo subterrâneo na Islândia e o Polo Sul Lunar.

Esperança para o futuro

Cientistas como Seth Shostak e Neil deGrasse Tyson, que interagem diariamente com fãs e críticos, dizem que a sua busca imparcial por informações acaba muitas vezes por os colocar na mira dos que acreditam realmente em extraterrestres.

“Quando são investigadas, muitas das alegações de fenómenos paranormais sobrenaturais revelam ser algo que encaixa bem nas leis da física e que nos permite descodificar a natureza do universo, não só da Terra, mas de todo o cosmos”, diz Tyson. “É por isso que não estou na vanguarda destes movimentos a tentar descobrir se é realmente algo que transcende completamente toda a ciência que conhecemos.”

Ainda assim, muitos cientistas dizem que o facto de o Pentágono levar a sério o tema nos aproxima mais da desmistificação dos fenómenos inexplicáveis. “O facto de o governo estar disposto a publicar um relatório a dizer que há coisas no céu que podem ameaçar a segurança nacional, mas que são coisas inexplicáveis, é realmente significativo”, diz Jacob Haqq Misra, cientista do Instituto de Ciências Blue Marble Space. “Pelo menos agora há um esforço mais concentrado e esperança de cooperação entre as várias agências governamentais na partilha de dados.”

Portanto, será que há esperança para o futuro? Alguns – até mesmo na comunidade científica – acreditam que sim. “A questão não é se iremos encontrar vida noutros planetas, mas sim quando”, diz Ravi Kopparapu, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “A NASA vai lançar pelo menos algumas missões e telescópios na próxima década, e acho que estamos num momento decisivo para encontrar vida extraterrestre no nosso tempo de vida.”

“Consegue imaginar a magnitude do impacto que isso terá?”, acrescenta Ravi. “Estou muito entusiasmado com essa perspetiva.”

Jill K. Robinson é escritora de viagens e aventura sediada em São Francisco. Siga-a no Twitter e Instagram.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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