A disseminação global do coronavírus está a afetar os viajantes. Mantenha-se atualizado sobre a explicação científica por trás do surto>>

Vilarinho de Negrões, a aldeia flutuante de Montalegre

Há uma aldeia pitoresca que parece flutuar nas águas da albufeira na margem sul do Alto Rabagão. Vilarinho de Negrões recebe quem a visita com uma paisagem de cortar a respiração.

Publicado 12/08/2021, 10:13
Vilarinho de Negrões

Vilarinho de Negrões encontra-se numa estreita península com um enquadramento natural magnífico.

Fotografia de Otelo Rodrigues

Existe uma aldeia no norte de Portugal que se destaca pela sua beleza. Vilarinho de Negrões situa-se no concelho de Montalegre, em Vila Real. É uma pequena península que proporciona uma visão deslumbrante a quem a visita.

Vilarinho de Negrões integra a freguesia de Negrões, ficando a hora e meia de distância de Braga e a duas horas de distância da cidade do Porto. A Estrada Nacional 103 é a melhor via para lá chegar de carro.

Mais precisamente na margem sul da Albufeira do Alto Rabagão, cuja construção terminou em 1964, há quem diga que houve intervenção divina, para poupar Vilarinho de Negrões à subida das águas do rio.

É o local ideal para observar mergulhões-de-crista e outras aves aquáticas. A melhor altura para passar por Vilarinho de Negrões é logo pela manhã, caso a sua intenção seja observar estas aves com calma, já que elas aproveitam o tempo ameno para fazer os seus mergulhos matinais.

Quando os habitantes da aldeia começam as suas rotinas, as aves retiram-se então para uma das pequenas ilhotas desertas, formadas pelos vários penedos, que se avistam ao longo das águas do rio.

Relacionado: Conheça três das aldeias mais pequenas de Portugal.

Nomeação para as 7 Maravilhas Aldeias de Portugal

Vilarinho de Negrões está entre as aldeias mais bonitas de Portugal, graças ao enquadramento natural em que se insere. A aldeia de granito tem um imenso espelho de água, rodeada de serras repletas de penedos e vegetação.

A sul de Vilarinho de Negrões observa-se a Serra do Barroso. A oeste, mira-se o ilustre  Parque Nacional Peneda-Gerês e, do outro lado do lago, vislumbra-se a Serra do Facho, com as torres eólicas no alto. A nordeste da aldeia, encontra-se a Serra do Larouco, a terceira mais alta de Portugal Continental.

Vilarinho de Negrões pode ter pouco para visitar, mas, em contrapartida, oferece aos seus visitantes diferentes sensações. Chegou a estar nomeada para as 7 Maravilhas Aldeias de Portugal, na categoria de Aldeias Ribeirinhas, perdendo para Dornes, a terra dos Templários.

Quando foi construída a Barragem do Alto Rabagão, Vilarinho de Negrões não ficou submersa, por muito pouco. Aquando do aumento do nível das águas ao máximo, a aldeia parece flutuar no rio. No verão, com a descida das águas fica rodeada de areia, oferecendo uma praia fluvial a quem procura banhar-se nas margens do rio.

Aldeia intimista e "adormecida" em Terras de Barroso

Se pretende recolher-se numa aldeia que lhe oferece intimidade e o precioso silêncio rural, Vilarinho de Negrões é a escolha certeira. Pequena e humilde, é genuína e tem o poder de transportar os visitantes para um mundo quase mágico.

Vista aérea de Vilarinho de Negrões.

Fotografia de Otelo Rodrigues

Pequena em dimensão, pode percorrê-la rapidamente, mas nem por isso deve ser uma visita apressada. Comece por andar pela rua principal, do restaurante na beira da estrada até à margem. O granito abunda, sendo que a maior parte das casas ainda preserva este acabamento.

Já os telhados das casas acabaram por ser substituídos, face à necessidade imposta ao longo dos anos. Outrora de colmo, tal como era típico na região, foram trocados pela comum telha vermelha.

As casas de habitação são de dois pisos, existindo também as térreas, que servem maioritariamente para os animais, para arrumos das alfaias agrícolas, para a palha e muito mais. Algumas, devido ao despovoamento e envelhecimento da população, acabaram por ficar ao abandono.

Por entre as edificações, destacam-se a Capela, as fontes e os tanques. Encontra-se ainda um relógio de sol, embora não esteja em funcionamento. Mais ou menos conservados, é possível também ver os castiços e os típicos canastros, onde se conservam milho e centeio.

O Padre Domingos Pereira é uma referência de destaque histórico em Vilarinho de Negrões. Filiado no Partido Progressista e amigo de Paiva Couceiro, este guerrilheiro conspirava contra a República. Acabou por se envolver na Monarquia do Norte e nos combates de Cabeceiras, Mirandela e Vila Real.

Nos arredores de Vilarinho de Negrões

Existem diversos tesouros em torno de Vilarinho de Negrões, tal como a região transmontana sempre promete e cumpre. Saindo da aldeia, vale a pena visitar Ribeira de Pena e o seu património religioso.

Na fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes, Ribeira de Pena é conhecida pela produção de vinho verde e pelo cultivo de milho e linho, assim como a criação de gado. É possível visitar a Igreja de Canedo e Cerva, a Capela de Bragadas, a Igreja Matriz do Divino Salvador, a Igreja Matriz de Santa Marinha, as Capelas da Senhora da Guia e da Granja Velha, entre outras.

Ao falar das redondezas de Vilarinho de Negrões, não podemos deixar de referir Montalegre, na qual pode visitar o majestoso Castelo, datado de 1270, construído durante o reinado de D. Afonso III. O castelo que outrora teve o objetivo de defender a fronteira de Portugal perante a ameaça de Castela, integra hoje um museu. Não saia de Montalegre sem visitar a Ponte Velha ou Ponte Romana, constituída por apenas um arco, cujo tabuleiro já sofreu várias alterações ao longo dos séculos. 

À volta de Vilarinho de Negrões é ainda possível fazer um trekking circular, de nível fácil e de aproximadamente 11 quilómetros, passando pelas margens e trilhos da barragem do Alto Rabagão e Montalegre.

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados