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Fórnea: um anfiteatro natural com 500 metros de diâmetro

Porto de Mós oferece um património natural de cenário impressionante. Conheça a Fórnea, um anfiteatro natural único que denuncia a pouca intervenção humana.
Fotografia de Câmara Municipal de Porto de Mós
Publicado 30/09/2021, 10:20

Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, surge um recuo pronunciado em forma de anfiteatro, de uma zona baixa para dentro de um planalto calcário. A população batizou a formação natural desta depressão de Fórnea, por se assemelhar a um forno, e assim permanece até à atualidade.

Este cenário natural é impressionante e assemelha-se a um enorme abatimento da crosta terrestre, começando em Chão das Pias, Serro Ventoso, descendo até Alcaria. A explicação científica atribui a responsabilidade das erosões às chuvas e às águas das nascentes.

Pela freguesia de Serro Ventoso é possível beber água nos fontanários, caminhar ao encontro de muros ou chousos de pedra solta, serpentear pela serra e assistir a paisagens cársicas e ao casario cuidadosamente recuperado.

A valorização da região e das suas gentes deve-se à indústria de extração de pedra, ao comércio a retalho, à pastorícia de gado bovino e à agricultura. Serro Ventoso, uma planície descampada, é conhecido pelo seu clima, extremamente frio no inverno e muito quente no verão, para além da Fórnea.

O percurso pedestre da Fórnea

Na estrada que faz a ligação de Porto de Mós a Minde, encontra-se a povoação de Zambujal de Alcaria, onde se avista uma seta que assinala o percurso pedestre da Fórnea, bastante linear e de fácil acessibilidade. Este caminho é paralelo ao curso do Ribeiro da Fórnea, por meio de um olival e com poucos vestígios de intervenção humana na paisagem que o acompanha.

Neste percurso pedestre apenas precisa de roupa e calçado confortável, e de tranquilidade, para partir à aventura e apreciar tudo o que a natureza tem para oferecer, desde as figueiras aos loureiros, dos medronheiros a algumas zelhas, uma espécie de árvore rara em Portugal. Descubra como as caminhadas são a atividade ideal durante a pandemia.

Para os observadores de animais, também é possível contemplar algumas espécies menos comuns aos transeuntes citadinos, tais como a lagartixa-do-mato, as aves peneireiro-de-dorso-malhado, as águias-cobreiras, o tentilhão-comum, o verdilhão, a milheiriça, ou doninhas, raposas, texugos e ouriços-cacheiros.

Cada degrau da Fórnea conta uma história geológica 

A Fórnea é fruto das erosões provocadas pelas chuvas e pelas águas nascentes, que criaram esta majestosa formação natural.

Fotografia de Câmara Municipal de Porto de Mós

A Fórnea é um anfiteatro natural com cerca de 500 metros de diâmetro, a descoberto nos calcários margoso, margas e calcários do Jurássico inferior e médio, sendo também um lugar rico em fósseis. Esta depressão com fundo aplanado é envolto de vertentes íngremes e ribeiras temporárias, afluentes do Rio Lena, do Rio Cabrão e do Ribeiro da Fórnea que, juntos, formam o Rio Alcaide.

Com cerca de 250 metros de altura, a Fórnea tem as suas vertentes que lembram degraus escavados nas rochas ou balcões de um anfiteatro onde, a cada degrau, se conta uma história geológica.

Chão de Pias oferece, assim, um espetáculo natural e deslumbrante, entre a vegetação baixa, as escarpas e as cascatas de água, que rebentam da Cova da Velha, em alturas de maior precipitação. São várias as nascentes que circulam nas encostas do anfiteatro, todas elas de caráter temporário, secando no inverno e exibindo-se nas épocas de chuva.

O processo de erosão regressiva 

As águas da chuva, os caudais das ribeiras, os degelos, as falhas geológicas e, claro, o tempo, têm impacto na modelagem da paisagem de um planalto calcário. Neste caso, a Fórnea é um dos resultados arquitetónicos mais emblemáticos entre as povoações de Chão das Picas e Alcaria.

As nascentes temporárias tidas como responsáveis pela formação da Fórnea, provocaram o recuo das cabeceiras das linhas de água, através do chamado processo de erosão regressiva. É este processo que permite que, até hoje, a encosta da Fórnea contenha o relevo acentuado que tanto a caracteriza.

É possível visitar uma das nascentes mais elevadas a meio da encosta, onde a água nasce da gruta da Cova da Velha, que oferece uma galeria com cerca de 500 metros de extensão ao longo da falha onde se encontram lagos e sifões.

Serro Ventoso: o que visitar

Depois de uma visita memorável à Fórnea e recuperado o fôlego, ainda por Serro Ventoso, pode visitar os caminhos de ferro da Bezerra, que facilitavam o transporte do carvão em tempos explorado na região de Porto de Mós, indo da Martingança, passando pela Batalha e Porto de Mós, seguindo até ao lugar da Bezerra, em Serro Ventoso.

Outros locais merecedores de uma visita são a Capela da Bezerra, datada do século XVII, a Capela de Casais do Chão, mandada construir em 1948, a Capela de São Silvestre, que remonta ao ano de 1143, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída em 1923 e, a Igreja de São Sebastião, construída em 1613, cujo teto revela um espelho de arte sacra.

Não se despeça da localidade de Porto de Mós, sem visitar Telhados de Água, um espaço muito apreciado pela sua utilidade em captar as águas pluviais, mandado construir pela Junta de Freguesia entre 1963 e 1965, com o objetivo de servir água à população.

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