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25 Viagens incríveis para 2022

Estamos prontos para explorar novamente. Eis as melhores aventuras para o ano que vem.

Aventureiros enfrentam a maior via ferrata da América do Norte, ou “rota de ferro”, na Bacia de Arapahoe, no Colorado. Esta rota de escalada nas Montanhas Rochosas conta com anéis e cabos de metal e é um dos Melhores Destinos de Viagens do Mundo 2022 da National Geographic.

Fotografia de IAN ZINNER, Bacia de Arapahoe
Publicado 18/11/2021, 15:34

Está à procura da aventura seguinte? Os nossos editores globais escolheram os 25 destinos mais interessantes do planeta para 2022. Cinco categorias – Aventura, Cultura e História, Natureza, Família e Sustentabilidade – enquadram experiências inesquecíveis de descoberta. A lista deste ano celebra uma série de sítios designados Património Mundial em homenagem aos 50 anos da UNESCO a ajudar a proteger tesouros culturais e naturais. Embora a pandemia tenha mudado quando, para onde e como viajamos, estamos ansiosos para fazer as malas e fazermo-nos à estrada - e ver que maravilhas vamos descobrir.

BEST OF THE WORLD: NATUREZA

Na Sibéria russa, a “Rocha Dragão” projeta-se do congelado lago Baikal, o maior e mais profundo lago de água doce do mundo.

Fotografia de NITHID SANBUNDIT, ALAMY STOCK PHOTO

Lago Baikal, Rússia

Ajude a salvar uma maravilha natural. O lago Baikal é tão vasto e tão profundo que os habitantes locais costumam dizer que é um mar. Cobrindo cerca de 31.500 quilómetros quadrados e com uma profundidade média de 744 metros, este enorme lago é uma verdadeira maravilha natural. Mas também enfrenta sérios problemas. Apesar de ter sido declarado Património Mundial da UNESCO em 1996, a poluição permanente, o recente enfraquecimento das proteções governamentais e as novas ameaças, como o desenvolvimento do turismo em grande escala, fizeram com que a União Internacional para a Conservação da Natureza considerasse em 2020 o Património Mundial do lago Baikal uma “preocupação significativa”.

Os visitantes podem ajudar a proteger o lago e a sua enorme variedade de paisagens, incluindo tundra, estepe, floresta boreal e praias virgens, voluntariando-se no Great Baikal Trail (GBT), um grupo ambiental sem fins lucrativos que cria uma rota de caminhada em torno do lago. “O voluntariado ajuda a proteger a natureza do lago Baikal, desenvolvendo também uma infraestrutura de ecoturismo”, diz Elena Chubakova, presidente da Associação Great Baikal Trail.

Caminhar pelo GBT também é uma forma ecológica de localizar algumas das 1.200 espécies de plantas e animais do lago Baikal, que não existem em qualquer outro lugar da Terra, como a foca-de-baikal, a única foca exclusivamente de água-doce do mundo. —Victoria Meleshko, National Geographic Traveler Rússia

Na Faixa de Caprivi, uma zona da Namíbia rica em vida selvagem, elefantes vagueiam pelo Parque Nacional Mudumu.

Fotografia de RADEK BOROVKA, ALAMY STOCK PHOTO

Namíbia

Descubra o próximo grande safari. A Namíbia evoca imagens de desertos, dunas infindáveis e montanhas áridas. Mas a Faixa de Caprivi, uma estreita faixa de terra que se projeta para leste no extremo norte do país, é um território verde rico em vida selvagem graças à presença dos rios Okavango, Kwando, Chobe e Zambeze, que criam o habitat ideal para inúmeras espécies animais.

Durante a segunda metade do século XX, esta região foi o palco de intensa atividade militar. Remoto e de difícil acesso, este corredor era ideal para vários grupos armados. Quando a Namíbia conquistou a independência em 1990, a paz – e a vida selvagem que tinha sido afastada pelos conflitos – começou gradualmente a regressar.

Na secção leste desta região, o Parque Nacional de Nkasa Rupara é um tesouro escondido. O posto da guarda-florestal e uma cabana que foram inaugurados nos últimos anos tornaram o parque mais acessível ao turismo, mas raramente é visitado. Banhado pelo sistema do rio Kwando-Linyanti a sul e por pântanos e lagoas a norte, o parque de Nkasa Rupara tem a maior área húmida protegida da Namíbia. E costuma ser descrito como um “mini Okavango”, já que as suas enchentes parecem as do famoso Delta do Okavango no Botswana. Este parque também abriga a maior população de búfalos da Namíbia. Mas também há predadores como leões, leopardos e hienas, e o rio está repleto de crocodilos e hipopótamos.

A Reserva de Caça de Mahango, a oeste, inclui pântanos e florestas. Nesta reserva vagueiam enormes manadas de elefantes, hipopótamos, crocodilos e quase todas as espécies de antílopes da Namíbia, incluindo o sitatunga, um bovino semiaquático. —Marco Cattaneo, National Geographic Traveler Itália

O Parque Nacional de Great Otway, no estado de Victoria, no sudeste da Austrália, é o lar de um grupo tranquilo de sequoias da Califórnia que foram plantadas na década de 1930.

Fotografia de CHRIS PUTNAM, ALAMY STOCK PHOTO

Victoria, Austrália

Conduza ao longo da Great Ocean Road. Rebentos verdes de regeneração estão a aparecer na Austrália, onde cerca de 18.6 milhões de hectares foram queimados durante os incêndios florestais de 2019-2020, levando à morte de quase três dezenas de pessoas e mais de mil milhões de animais.

Desempenhando o seu próprio papel nestes esforços de rejuvenescimento, a Wildlife Wonders, na região de Otways, em Victoria, é um novo santuário de vida selvagem com uma missão. Escondido na Great Ocean Road, no meio de uma exuberante floresta da antiguidade e quedas de água, a ideia do santuário partiu de Brian Massey, paisagista da experiência Hobbiton na Nova Zelândia que, juntamente com botânicos, cientistas, zoólogos e especialistas em meio ambiente, criou um caminho sinuoso de madeira que serpenteia pelo santuário e mistura-se perfeitamente com o ambiente.

Os visitantes podem fazer excursões guiadas de 75 minutos por este local imaculado, vaguear por bosques de eucaliptos e admirar coalas, cangurus e outros animais que agora vivem no santuário. Durante uma paragem na Base de Pesquisa, os visitantes podem aprender mais sobre a forma como este local oferece um espaço seguro para as espécies nativas como o pequeno marsupial Potorous tridactylus, que muitas vezes é vítima de predadores invasores, como raposas e gatos.

Todos os lucros da Wildlife Wonders vão para o Centro de Ecologia de Conservação, que ajuda a financiar vários projetos vitais de conservação em Otways, incluindo um projeto que estuda o movimento dos Potorous tridactylus antes, durante e depois de incêndios florestais planeados. Connor McGovern, National Geographic Traveller Reino Unido

A recém-criada reserva da Floresta Maia do Belize faz parte de uma área de conservação que protege quase 10 por cento da área terrestre do país, incluindo as lagoas de Cara Blanca, que parecem diamantes.

Fotografia de TONY ROTH, NATURE CONSERVANCY

Belize

Observe a vida selvagem tropical. A natureza conseguiu recentemente uma grande vitória na corrida para preservar uma das maiores florestas tropicais ainda remanescentes nas Américas. Em abril de 2021, uma coligação entre parcerias de conservação, liderada pela Nature Conservancy, comprou 96.000 hectares de floresta tropical no noroeste do Belize para criar a Reserva Florestal Belize Maia. Para além de salvar da desflorestação e do desenvolvimento algumas das florestas de maior biodiversidade do mundo, a nova área protegida – que é contígua à vizinha Área de Gestão de Conservação do Rio Bravo (RBCMA) – protege um corredor vital de vida selvagem que vai desde o sudeste do México, atravessa a Guatemala e entra no Belize.

A reserva, que abrange quase um décimo da área terrestre do Belize, protege e permite a ligação entre habitats essenciais para uma incrível variedade de espécies selvagens endémicas que estão ameaçadas de extinção. Isto inclui o tapir, o animal nacional do Belize; macacos bugios negros; mais de 400 espécies de aves; e algumas das maiores populações sobreviventes de jaguares da América Central. Por enquanto, as atividades de ecoturismo são mais baseadas na já consolidada RBCMA, que tem duas pousadas rústicas e expedições guiadas.

A Via Láctea sobre o Parque Nacional Voyageurs do Minnesota, nomeado Parque Internacional Dark Sky em 2020.

Fotografia de STEVE BURNS, GETTY IMAGES

Norte do Minnesota, EUA 

Apague as luzes. Milhares e milhares de estrelas brilham nos céus noturnos do Minnesota. Esta região remota na fronteira com a província canadiana de Ontário tem pouca ou nenhuma poluição luminosa, e os seus habitantes estão determinados em manter as coisas assim.

O projeto Heart of the Continent da Iniciativa Dark Sky é um esforço internacional para criar um dos maiores destinos “dark sky” do planeta. E duas das suas maiores peças estão no Minnesota: Boundary Waters Canoe Area Wilderness (BWCAW), o maior Santuário Internacional Dark Sky do mundo, com mais de 405.000 hectares, e o vizinho Parque Nacional Voyageurs, o primeiro Parque Internacional Dark Sky deste estado norte-americano. Ambos os locais receberam a certificação “dark sky” em 2020, e o Quetico Provincial Park de Ontário, que fica ao lado do BWCAW, adquiriu o estatuto de Parque Internacional Dark Sky no início de 2021.

“A preservação da escuridão em lugares como o Parque Nacional Voyageurs não oferece apenas vistas maravilhosas e benefícios ecológicos para a vida selvagem”, diz Christina Hausman Rhode, diretora executiva da Voyageurs Conservancy, uma organização sem fins lucrativos. “Também nos permite abrir uma janela para o passado; ver os céus como eram há centenas de anos, quando eram usados para fins de navegação ou para contar histórias como as dos povos indígenas Ojibwe, que percorriam as rotas de comércio de peles da região.” 

BEST OF THE WORLD: AVENTURA

Alpinistas escalam a via ferrata na Bacia de Arapahoe, no Colorado, cujo cume chega aos 3.962 metros.

Fotografia de IAN ZINNER, Bacia de Arapahoe

Bacia de Arapahoe, Colorado, EUA

Suba ao cume das Montanhas Rochosas. Para ter uma vista incomparável da Divisória Continental da América do Norte é preciso escalar a via ferrata mais elevada dos EUA. A “rota de ferro” da Bacia de Arapahoe – uma rota de escalada composta por degraus e cabos de metal – começa na base dos penhascos de granito das Montanhas Rochosas e sobe quase até aos 365 metros, seguindo até ao cume que fica a 3.962 metros.

Um vislumbre para baixo revela uma paisagem desgastada do Colorado que é pontilhada por musgo verde e flora rosa e roxa, incluindo jardins de pedra criados pelos próprios penhascos – pedaços caídos que variam de tamanho: desde seixos a rochas do tamanho de um carro. O ar rarefeito é ocasionalmente perturbado pelo piar estridente de uma marmota ou pika.

Durante a escalada, os alpinistas usam os degraus de metal enquanto se agarram à rocha ou colocam o pé numa fenda para se apoiar. Para evitar um mergulho de 300 metros para a morte certa, os alpinistas prendem os seus arreios aos cabos à medida que avançam. Esta rota está totalmente exposta e as tempestades podem surgir repentinamente.

Nos penhascos mais acima, um rebanho de cabras alpinas costuma estar a observar, mas geralmente desaparece quando os viajantes chegam ao cume, que assinala metade do trajeto. A partir daqui, os alpinistas têm de descer, algo que, para os estreantes de uma via ferrata como Michael Lytle, pode ser a parte mais angustiante da jornada.

“Tentamos não olhar para baixo. A autoestrada parece um fio de cabelo vista de cima”, diz Michael Lytle. “O fator medo é real.”

Milhões de medusas douradas enchem um lago marinho único nas Ilhas Rock de Palau.

Fotografia de ETHAN DANIELS, ALAMY STOCK PHOTO

Palau  

Mergulhe com tubarões. Quando sair do avião no Aeroporto Internacional de Palau, o carimbo no seu passaporte vai incluir o Compromisso de Palau, que todos os visitantes devem assinar, prometendo que “as únicas pegadas que vou deixar são as que irão desaparecer”. Este compromisso ecológico de 59 palavras foi elaborado por e para as crianças deste remoto arquipélago no Pacífico ocidental, para ajudar a proteger a cultura e o ambiente de Palau dos impactos negativos do turismo.

Cerca de 80% das águas de Palau – consideradas um dos ecossistemas marinhos mais ricos do planeta pelo projeto Pristine Seas da National Geographic – são preservadas enquanto Santuário Marinho Nacional de Palau. Com 500.000 quilómetros quadrados, este santuário é uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo, abrigando mais de 700 espécies de corais e mais de 1.300 espécies de peixes, incluindo uma impressionante variedade de tubarões.

“Visto do ar, Palau parece o paraíso na terra”, diz Enric Sala, fundador da iniciativa Pristine Seas e Explorador da National Geographic. “Quando mergulhamos debaixo de água, somos transportados para um mundo diferente.”

Durante a 20ª Semana do Tubarão em Palau, de 27 de fevereiro a 6 de março de 2022, os mergulhadores podem observar e participar em ações de ciência-cidadã contando várias espécies de tubarões, incluindo tubarões-de-recife, tubarões-cinzentos, tubarões-de-pontas-negras-de-recife, tubarões-azuis, tubarões-tigre e tubarões-martelo. Os locais de mergulho são escolhidos diariamente pelo número de abundância de tubarões e outras formas de vida marinha, incluindo enormes agregados de raias e milhares de peixes em desova.

Em fevereiro e novembro, os mergulhadores podem participar numa visita guiada da Oceanic Society pelo arquipélago de Rock Islands Southern Lagoon, Património Mundial da UNESCO, em Palau, lar de tubarões-de-recife, dugongos, amêijoas gigantes e lagos marinhos repletos de milhares de medusas douradas. —National Geographic Traveller Índia

Os ciclistas podem agora pedalar desde Paris até Le Havre, na costa francesa da Normandia, na nova ciclovia de 430 quilómetros do rio Sena.

Fotografia de DAVID DARRAULT

Ciclovia do rio Sena, França

Percorra a nova ciclovia. La Seine à Vélo é uma nova ciclovia digna do pintor francês Claude Monet, cuja casa e os famosos nenúfares em Giverny também constam na rota. Mas o trajeto de Paris até ao mar – com 430 quilómetros – inaugurado em outubro de 2020, também oferece obras-primas menos conhecidas, como a colorida arte de rua que ilumina o Canal Saint-Denis em Paris.

Ao longo das 15 etapas do trilho, os ciclistas também passam por áreas naturais protegidas, incluindo a Reserva Ornitológica da Grande Noé, na Normandia, localizada ao longo de uma importante rota migratória. Enquanto percorrem a Normandia, os ciclistas podem visitar as ruínas da Abadia de Jumièges, fundada em 654, e fazer um passeio acompanhado por um monge beneditino na Abadia de Saint-Wandrille, uma abadia em funcionamento que tem séculos de idade. A sala de chá e os jardins do Château de Bizy, uma residência da realeza construída em 1740 e inspirada em Versalhes, oferecem um descanso merecido longe da bicicleta.

E, apesar de Monet não ser a única razão para fazer este trilho, os ciclistas que gostam de pintura têm de reservar um tempo extra para visitar o Museu do Impressionismo de Giverny, que explora este movimento de arte revolucionário do século XIX. —Gabriel Joseph-Dezaize, National Geographic Traveler França

Ao longo do rio Nepisiguit em New Brunswick, no Canadá, uma rota milenar de transporte das Primeiras Nações oferece agora 150 quilómetros de caminhada num só trilho, bem como áreas de campismo.

Fotografia de ANDREW HERYGERS

New Brunswick, Canadá

Explore um trilho remoto. Uma rocha em forma de tartaruga perto das Cataratas de Nepisiguit, na província canadiana de New Brunswick, faz parte da lenda contada pelo povo Mi’gmaq. Quando o nível da água desce, a “tartaruga” – conhecida por Egomoqaseg (“rocha como um navio em movimento”) – parece estar a sair do rio, diz o mestre do trilho, Jason Grant, cujo sogro, o ancião Mi'gmaq Gilbert Sewell, era o guardião desta história.

“Reza a lenda que, assim que a tartaruga estiver completamente fora de água, será o fim do mundo para o povo Mi’gmaq”, diz Jason Grant. Com base nas suas visitas anuais à rocha, Jason diz que a Egomoqaseg ainda tem um longo caminho a percorrer antes de chegar a solo seco.

Estas cataratas são uma paragem obrigatória ao longo de uma rota milenar de migração das Primeiras Nações que se transformou no trilho de caminhada mais remoto das províncias marítimas canadianas. Percorrendo 150 quilómetros ao longo do rio Nepisiguit, o acidentado trilho Sentier Nepisiguit Mi’gmaq segue as antigas vias de transporte usadas pelos nómadas Mi’gmaq.

A rota começa ao nível do mar na Reserva Natural Daly Point em Bathurst e termina no lago Bathurst, no Parque Provincial de Monte Carleton, lar do Monte Carleton de 820 metros de altura, o pico mais elevado das províncias marítimas. Para promover o respeito pela relevância deste trilho para o povo Mi’gmaq, a restauração da rota, concluída em 2018, incluiu a incorporação da linguagem e cultura Mi’gmaq, acampamentos e um logótipo em forma de tartaruga inspirado na Egomoqaseg

Na Costa Rica, os canoístas enfrentam rápidos de classe mundial no rio Pacuare.

Fotografia de HEMIS, ALAMY STOCK PHOTO

Costa Rica

Uma caminhada de costa a costa. Estendendo-se por toda a Costa Rica, desde as Caraíbas até ao Pacífico, o El Camino abre uma janela de 280 quilómetros de extensão para a vida longe das rotas turísticas mais conhecidas. Este trilho de caminhada de 16 etapas segue principalmente estradas públicas, passando por vilas e cidades remotas, terras indígenas dos Cabecar e áreas naturais protegidas. A rota foi projetada para estimular a atividade económica nos distritos rurais. Famílias locais, organizações sem fins lucrativos e uma rede de microempresários como os produtores de mel Ecomiel, a quinta orgânica Finca El Casquillo que é gerida por uma mulher, e a produtora de café sustentável La Cabaña fornecem a maior parte do alojamento, alimentação, passeios e outras comodidades para as caminhadas disponíveis no trilho.

Devido ao isolamento e à manta de retalhos que são os serviços de turismo, a Mar a Mar – uma parceria sem fins lucrativos formada em 2016 para desenvolver, promover e ajudar a manter o trilho El Camino – recomenda fortemente que a rota seja feita com um guia. Empresas como a Ticos a Pata, UrriTrek Costa Rica e ViaLig Journeys estão entre as operadoras de turismo que oferecem experiências guiadas – desde caminhadas de um dia a caminhadas de costa a costa, que podem durar uma ou duas semanas, e apresentam várias travessias por rios e caminhadas por quintas, florestas tropicais, florestas húmidas e plantações de cana-de-açúcar. Os itinerários de vários dias geralmente apresentam aventuras opcionais, como uma viagem de caiaque pelos rápidos de classe mundial do rio Pacuare. —National Geographic Traveler Coreia

BEST OF THE WORLD: SUSTENTABILIDADE

No Parque Nacional Yasuní do Equador, periquitos reúnem-se para lamber argila no Centro Napo de Vida Selvagem.

Fotografia de DUKAS PRESSEAGENTUR, ALAMY STOCK PHOTO

Parque Nacional Yasuní, Equador

Lute pela floresta. Como forma de reconhecimento da importância global da Amazónia, a França está a liderar uma luta contra a desflorestação no Parque Nacional Yasuní, no leste do Equador, designado Reserva da Biosfera da UNESCO em 1989. Este parque, com quase 10.227 quilómetros quadrados – lar de árvores de mogno, guabas doces, antúrios, palmeiras e uma vegetação verde hipnotizante – é o primeiro de cinco locais-piloto do programa TerrAmaz financiado pela França. Esta iniciativa de quatro anos, lançada no final de 2020, apoia o desenvolvimento sustentável e protege a biodiversidade na floresta amazónica do Brasil, Colômbia, Equador e Peru. 

Yasuní – considerado um dos lugares de maior biodiversidade da Terra – tem uma variedade surpreendente de criaturas como papa-formigas, capivaras, preguiças, macacos-aranha e cerca de 600 espécies de aves coloridas que dão vida a esta ecorregião. Nos rios Napo e Curaray, que flanqueiam o parque, os visitantes podem observar o boto-do-rio Amazonas, uma espécie enigmática e em vias de extinção.

Yasuní também oferece refúgio para os povos Tagaeri e Taromenane, grupos indígenas Waorani que vivem em isolamento voluntário e usam canoas artesanais para se deslocar entre os cursos de água. As operadoras de turismo como a Napo Wildlife Centre organizam excursões e tratam do alojamento com base num modelo de ecoturismo sustentável que beneficia as tribos locais. Yasuní também oferece refúgio para os povos Tagaeri e Taromenane, grupos indígenas Waorani que vivem em isolamento voluntário e usam canoas artesanais para se deslocar entre os cursos de água. As operadoras de turismo como a Napo Wildlife Centre organizam excursões e tratam do alojamento com base num modelo de ecoturismo sustentável que beneficia as tribos locais. Karen Alfaro, National Geographic Traveler América Latina

Um levantamento sobre biodiversidade feito em 2019 nas terras altas do Parque Nacional de Chimanimani, em Moçambique, registou uma impressionante variedade de espécies raras e endémicas, tanto de plantas como de animais.

Fotografia de JENNIFER GUYTON

Chimanimani, Moçambique

Testemunhe uma história de sucesso na conservação. “Chimanimani é um lugar intemporal onde os criadores de chuva locais ainda escalam cumes para invocar chuva”, diz Jen Guyton, fotojornalista e Exploradora da National Geographic, sobre um dos parques nacionais mais recentes de Moçambique. Localizado na fronteira montanhosa do país com o Zimbabué, o Parque Nacional de Chimanimani, estabelecido em outubro de 2020, é o lar do pico mais alto de Moçambique, o Monte Binga (altitude: 2.436 metros). Esta região já esteve repleta de elefantes, leões e outros animais de grande porte cujas imagens aparecem na antiga arte rupestre criada pelos antepassados do povo San.

A caça furtiva durante as décadas de agitação civil dizimou populações de animais selvagens, mas um pequeno número de elefantes ainda permanece, assim como pelo menos 42 outras espécies de mamíferos e uma impressionante variedade de plantas e aves. Nos dois levantamentos de biodiversidade feitos recentemente, Jen Guyton fotografou 475 espécies de plantas e 260 espécies de pássaros, juntamente com 67 espécies de anfíbios e répteis – incluindo uma rã e um lagarto considerados novos para a ciência.

As atividades de turismo sustentável – como observação de aves, caminhadas até quedas de água na floresta e pernoitar no Acampamento Ndzou, uma pequena pousada comunitária – oferecem um olhar aproximado sobre um lugar selvagem cativante, que Jen Guyton gosta particularmente durante o pôr do sol. “Sem estradas num raio de vários quilómetros, o silêncio é total, exceto pelos pássaros, e temos alguns momentos de paz quase transcendental a sentir aquele brilho quente.” 

Em Essen, na Alemanha, o Complexo Industrial da Mina de Carvão Zollverein, uma das centenas de minas de carvão que outrora pontilhavam a região do Ruhr, é agora Património Mundial da UNESCO e centro artístico.

Fotografia de ISTOCKPHOTO, GETTY IMAGES

Vale do Ruhr, Alemanha

Seja criativo. A mineração e a produção de aço outrora dominaram o densamente povoado Vale do Ruhr, localizado no estado da Renânia do Norte-Vestfália, na região oeste da Alemanha. Hoje, esta região está a reaproveitar os antigos montes de escória (montes com resíduos de mineração) e os locais industriais de aparência pós-apocalíptica para fazer parques e espaços culturais ao ar livre.

O mais famoso é o Património Mundial de Zeche Zollverein (Complexo Industrial da Mina de Carvão de Zollverein), que abriga uma piscina ao ar livre, uma pista de gelo e trilhos para caminhada. “As pessoas que visitam a área do Ruhr geralmente ficam impressionadas com a abundância de verde”, diz Karola Geiss-Netthöfel, diretora da Associação Regional do Ruhr.

Zollverein faz parte do Emscher Landscape Park, um sistema leste-oeste de espaços verdes e corredores que cobrem cerca de 450 quilómetros quadrados. Alugue uma bicicleta em Essen para fazer uma viagem sem carros ao longo das ciclovias do Vale do Ruhr, muitas das quais seguem antigos trilhos de comboio. Ou explore a pé os 155 quilómetros de Hohe Mark Steig, um trilho de caminhada inaugurado em 2021.

“O trilho combina natureza e cultura industrial de uma forma única, conforme passamos por vários edifícios industriais”, diz Karola Geiss-Netthöfel. Um ponto elevado nas proximidades? Halde Hoheward, com uma elevação 151 metros, é uma pilha de escória montanhosa feita com 180 milhões de toneladas de resíduos de mineração que tem um relógio solar gigante. —Franziska Haack, National Geographic Traveler Alemanha

Com Monte Hood como pano de fundo, pomares e vinhas estendem-se até ao rio Colúmbia, no estado de Washington.

Fotografia de GREG VAUGHN, ALAMY STOCK PHOTO

Desfiladeiro do rio Colúmbia, Oregon/Washington, EUA

Vinho e comida com moderação. A maior Área Cénica Nacional dos EUA provavelmente não está onde as pessoas pensam que está. Esta área estende-se pela fronteira entre os estados de Oregon e Washington e abrange 118.573 hectares de terras públicas e privadas ao longo do Desfiladeiro do rio Columbia.

Com o Monte Hood nas proximidades, esta área atrai mais de dois milhões de visitantes anualmente. Para ajudar a reduzir o impacto do turismo na natureza e na cultura local, uma aliança sem fins lucrativos iniciou um movimento que se transformou num modelo de melhores práticas para a construção de uma economia de turismo sustentável.

As iniciativas da Columbia Gorge Tourism Alliance incluem o programa educacional para visitantes Ready, Set, Gorge e o East Gorge Food Trail, uma rede de quintas, hotéis históricos, vinhas e outras experiências locais. A parceria com outras organizações locais e a educação dos visitantes beneficiam todos, diz Ali McLaughlin, proprietário da MountNbarreL, agência que oferece passeios de bicicleta com degustação de vinhos e outras experiências sem carros.

“Receber turistas que compreendam a importância de respeitar a área que estão a visitar ajudou muito a mitigar as preocupações dos habitantes locais”, diz Ali McLaughlin.

A Praça da Liberdade fica no centro da antiga cidade industrial de Lodz, na Polónia, que agora é líder em sustentabilidade urbana.

Fotografia de ISTOCKPHOTO, GETTY IMAGES

Lodz, Polónia

Visite uma cidade verde. Nomeada Cidade do Cinema pela UNESCO em 2017 devido à sua rica cultura cinematográfica, Lodz, uma cidade com quase 700.000 habitantes no centro da Polónia, foi outrora um importante centro de manufatura têxtil nos séculos XIX e XX. Agora, a versão polaca de Hollywood está a mudar o guião do seu passado industrial para criar um futuro mais ecológico.

Lodz é líder em sustentabilidade e adota soluções ecológicas inovadoras, como o uso de pré-RDF (combustível derivado de resíduos) e energia de biomassa para aquecer as casas. Em 2021, esta cidade fez parceria com a plataforma europeia de entrega de comércio eletrónico InPost para reduzir significativamente as emissões de CO2 e o tráfego no centro da cidade, instalando 70 locais com cacifos para entregas e estações de carregamento para veículos elétricos.

Quase um terço de Lodz é área verde, variando entre zonas de novos parques até aos 1.205 hectares da floresta Łagiewnicki. Nas antigas áreas industriais da cidade, as fábricas estão a renascer sob a forma de parques, centros culturais, residências e espaços de comércio. No mapa cultural, o local com mais destaque é o OFF Piotrkowska, um movimentado distrito de arte, design, restaurantes e bares numa antiga fábrica de algodão.

Outra enorme fábrica, construída pela I.K. A Poznański Cotton Products Company – que empregava até 7.000 pessoas em 1913 – foi reinventada na forma do Manufaktura, um centro comercial com um departamento de arte e espaços de lazer divididos por 13 edifícios de alvenaria históricos. O Muzeum Fabryki do Manufaktura explora o “império do algodão” da família Poznański e a vida dos trabalhadores fabris. Martyna Szczepanik, National Geographic Traveler Polónia

BEST OF THE WORLD: CULTURA E HISTÓRIA

Numa propriedade de chá Pu’er na província de Yunnan, na China, as folhas de chá devem ser delicadamente colhidas à mão.  

Fotografia de ROBERT HARDING, ALAMY STOCK PHOTO

Montanha Jingmai, China

Aprecie o chá. Em 2022, uma das paisagens culturais mais antigas da China está preparada para se tornar num dos novos Patrimónios Mundiais da UNESCO do país. As antigas plantações de chá Pu'er da montanha Jingmai, que coletivamente formam a maior plantação de chá cultivada artificialmente, têm cerca de 1.1 milhões de árvores de chá, a mais antiga das quais tem 1.400 anos.

Localizada no remoto canto sudoeste da província chinesa de Yunnan, esta região foi o ponto de partida da lendária Antiga Rota do Chá e dos Cavalos. Esta rede de rotas do século XI ficou com este nome devido ao seu propósito principal: trocar chá chinês por cavalos tibetanos (quase 60 quilos de chá equivalia a um cavalo).

Agora, as novas autoestradas substituíram esta antiga rota, mas as plantações de chá permanecem no local, assim como os quatro grupos de minorias étnicas da região – os povos Blang, Dai, Hani e Wa – que mantêm os seus próprios idiomas, costumes e festivais. A localização remota e as ofertas limitadas de turismo de chá tornam uma visita guiada na melhor forma de viver esta paisagem cultural duradoura. Yi Lu, National Geographic Traveler China

O Museu Ainu Kayano Shigeru Nibutani, em Hokkaido, exibe uma coleção de artefactos folclóricos do povo indígena Ainu, recolhidos por Shigeru Kayano, o primeiro membro Ainu da legislatura nacional japonesa.

Fotografia de YOMIURI SHIMBUN, AP

Hokkaido, Japão

Descubra as raízes de uma ilha. A maioria dos visitantes de Hokkaido, a ilha principal mais a norte do Japão, que tem uma paisagem selvagem muito dramática, não tem muitas oportunidades para aprender sobre os Ainu, povos indígenas da região norte do arquipélago japonês. Mas o novo Museu e Parque Nacional Ainu em Upopoy, inaugurado em 2020, espera conseguir mudar isso. Este museu e parque vem juntar-se ao Museu Kayano Shigeru Nibutani Ainu, inaugurado em 1992, para ensinar aos visitantes japoneses e internacionais sobre a cultura Ainu.

Marginalizados desde o final do século XIX, os Ainu só receberam proteção legal no Japão em 2019; a nova Lei de Promoção Ainu do país reconhece e proíbe a discriminação contra os Ainu.

Upopoy tem uma missão urgente em três frentes: promover, revitalizar e expandir a cultura Ainu antes que esta desapareça. Particularmente em risco está o idioma Ainu, que não tem relação com o japonês ou qualquer outro idioma e, de acordo com a UNESCO, está em perigo de desaparecer. Ouvir falar Ainu e participar em jogos que ensinam a sua pronúncia faz parte da exposição permanente do novo museu.

Os visitantes também podem aprender lições de vida sustentável dos Ainu, cujas crenças espirituais estão enraizadas no respeito e gratidão pela natureza. Depois de visitar Upopoy, conduza 30 minutos em direção a sudoeste e mergulhe na natureza em Noboribetsu Onsen, a principal estância de fontes termais de Hokkaido, localizada no Parque Nacional Shikotsu-Toya.

A ilha de Procida foi nomeada Capital Italiana da Cultura 2022. Esta vista icónica da vila piscatória de Marina Corricella foi captada a partir do Belvedere dei Due Cannoni.

Fotografia de ANTONIO POLITANO

Ilha de Procida, Itália

Ligue-se à cultura. Escolhido ainda antes da pandemia, o lema da candidatura de Procida a Capital Italiana da Cultura 2022La cultura non isola (A cultura não isola) – parece agora particularmente pertinente. Esta cidade-ilha, localizada 40 minutos a sudoeste de Nápoles através de ferry de alta velocidade, planeia usar 2022, ano que está no centro das atenções, para ilustrar a importância da cultura em tempos de incerteza.

“Hoje, o lema a cultura não isola é um apelo ainda mais forte para agir, porque para nós, a ilha é uma metáfora para o homem atual”, diz Agostino Riitano, diretor da Procida 2022. “Somos todos como ilhas, criando os nossos próprios arquipélagos onde a cultura deve ser a argamassa que nos mantém unidos; e isto é ainda mais importante depois dos efeitos da pandemia.”

A organização da Procida 2022 agenda os eventos culturais, como exposições de arte contemporânea, festivais e apresentações, ao longo de mais de 300 dias para estimular o turismo sustentável ao longo do ano e evitar um fluxo em massa de visitantes durante o verão. No centro das atenções, enquanto símbolo do tema inclusividade, está o Palazzo d'Avalos da ilha, um palácio renascentista transformado em prisão, construído em 1500 e encerrado em 1988. Esta antiga prisão e os seus espaços verdes (onde os presos tinham plantações e criavam porcos e vacas) vão renascer sob a forma de espaço cultural e parque urbano.

Freedom Hall, parte do Parque Histórico Nacional Martin Luther King Jr. em Atlanta, no estado da Geórgia, exibe recordações relacionadas com o icónico líder dos direitos civis, que nasceu nesta cidade em 1929.

Fotografia de STEVE ALLEN, ALAMY STOCK PHOTO

Atlanta, Geórgia, EUA

Aproveite o momento. Numa altura em que os direitos de voto estão em disputa nos Estados Unidos, a cidade de Atlanta está a exibir a sua força cultural e política através de duas organizações formidáveis de capacitação de eleitores: a The New Georgia Project e a Fair Fight Action, ambas fundadas em Atlanta pela líder política e ativista Stacey Abrams.

Estar na vanguarda da mudança social não é uma novidade, diz Bem Joiner, nascido e crescido em Atlanta e cofundador da agência de criativos Atlanta Influences Everything. “O ingrediente secreto da cidade de Atlanta são os três C: Cívica, Corporativa e Cultural. Somos o berço do movimento dos direitos civis, o lar da Coca-Cola, e a nossa cultura hip-hop molda a cultura global. Não existe outro lugar como Atlanta.”

A maior cidade do estado da Geórgia também é o epicentro do empreendedorismo negro, incubando negócios como a Slutty Vegan, uma rede de hambúrgueres à base de vegetais, e a ecológica Sustainable Home Goods.

Facilmente acessível a pé ou de bicicleta pelo Trilho BeltLine's Eastside, o bairro de Old Fourth Ward combina locais de diversão noturna, como a Biggerstaff Brewing Company e Ponce City Market, com destaques históricos, como o Parque Histórico Nacional Martin Luther King Jr. e a Biblioteca e Museu Presidencial Jimmy Carter

Um funcionário organiza uma exposição de guitarras numa loja em Denmark Street, Londres, Inglaterra. Apelidada de Tin Pan Alley, a Denmark Street é famosa pela sua ligação a artistas britânicos contemporâneos, incluindo The Sex Pistols e Elton John, que tocaram e gravaram nos estúdios da Denmark Street.

Fotografia de DAN KITWOOD, GETTY IMAGES

Tin Pan Alley, Londres

Cante, também. Apesar da resistência dos puristas do punk rock, as alterações feitas em Denmark Street, um antigo centro da indústria musical britânica, prometem não falhar uma nota. Outrora repleta de editoras musicais, estúdios de gravação, salas de ensaio e bares com pouca iluminação, esta pequena rua, apelidada Tin Pan Alley de Londres, ajudou a lançar o movimento punk rock britânico e lendas como David Bowie, Elton John e Rolling Stones.

Nos últimos anos, a música praticamente desapareceu, exceto pelas lojas de guitarras que ainda sobrevivem em Denmark Street. Agora, esta faixa icónica da história da música está a ser restruturada como parte do Outernet London, um novo distrito de entretenimento de mil milhões de euros em West End.

Apesar da renovação, a rua mantém pedaços do seu passado histórico: fachadas de edifícios restaurados do século XVII; arte grafíti protegida por património de Johnny Rotten, vocalista dos Sex Pistols (que vivia aqui); e lojas de música da velha guarda (graças a alugueres acessíveis e de longo prazo).

A rua também tem novos espaços para acolher música. Existem locais populares onde os músicos de rua podem mostrar se serão a próxima Adele (que fez a sua estreia no 12 Bar Club original em Denmark Street); um estúdio de gravação gratuito de qualidade profissional para os artistas emergentes; e o novo hotel Chateau Denmark, com 16 edifícios repletos de história da música. 

BEST OF THE WORLD: FAMÍLIA

Montados em burros, os participantes desfilam num festival que celebra as tradições dos povos seminómadas yörük, que se espalharam pela região de Lícia, na Turquia.

Fotografia de MUSTAFA CIFTCI, ANADOLU AGENCY/GETTY IMAGES

Lícia, Turquia

Aprenda sobre a vida nómada. Os nómadas Yörüks, originários de diferentes grupos turcos que iam desde os Balcãs até ao Irão, vaguearam outrora pelos planaltos da chamada riviera turca. A maioria dos Yörüks (que significa literalmente “caminhantes”) já assentou – mas muitos dos seus costumes milenares estão vivos e bem de saúde.

Localizada na região histórica de Lícia, no sudoeste de Anatólia, a Península de Teke é um dos locais onde a cultura Yörük ainda tem uma presença forte. Os Yörüks na Península de Teke têm uma vida seminómada com as suas tendas, tapetes, rebanhos, cães pastores e tradições, num cenário mediterrânico montanhoso repleto de oliveiras.

Nos últimos anos, as empresas de turismo começaram a misturar as maravilhas de Lícia com a vida dos Yörüks. As famílias podem percorrer partes do famoso Caminho de Lícia; visitar locais antigos como Patara, Xanthos ou Letoon; e nadar em águas cristalinas enquanto passam as noites em hotéis, pensões, tendas ou nas casas dos próprios aldeões. Mas são as crianças que se divertem mais, pois podem experimentar a cultura Yörük a fazer xarope com romãs, a cozinhar doces locais, ordenhar cabras ou a participar na colheita de azeitona.

“História, natureza e cultura, está tudo aqui. Queríamos transformar esta bela paisagem numa plataforma de aprendizagem, mas também numa espécie de parque de diversões”, diz Kerem Karaerkek, guia-chefe da empresa de turismo Middle Earth Travel. “Adoro a forma como as crianças ficam entusiasmadas quando entram numa cozinha Yörük ou quando vão fazer uma caça ao tesouro nas antigas ruínas de Lícia. Consigo ver a sensação de admiração nos seus olhos.” —Onur Uygun, National Geographic Traveler Turquia

O Palácio de Alhambra, Património Mundial da UNESCO, fica numa colina com vista para a pitoresca cidade de Granada, em Espanha.

Fotografia de DIEGO ACUÑA, EYEEM/GETTY IMAGES

Granada, Espanha 

Maravilhe-se com a beleza geométrica. Construída como cidade-palácio pelos sultões Nasridas no século XIII – soberanos da última e mais duradoura dinastia muçulmana da Península Ibérica – Alhambra (“forte vermelho”) é considerada a joia mourisca arquitetónica da Europa. O perfil em forma de amêndoa deste Património Mundial da UNESCO repousa sobre uma colina por cima de Granada, uma das cidades mais pitorescas de Espanha.

Mas é a engenhosidade matemática aqui exibida que é particularmente fascinante para as famílias. Mosaicos intrincados, arabescos (um padrão repetitivo e estilizado com base num design floral ou vegetal) e muqarnas (abóbadas ornamentais) tornam Alhambra numa obra-prima de beleza geométrica e numa sala de aula colorida para a exploração de conceitos matemáticos, quer sejam formas, simetria, proporção e medição.

A matemática também flui através de outra característica do design de Alhambra, a água, que dá vida e significado a tudo. A água fornece o espírito refrescante aos jardins e o murmúrio às suas fontes, mas é também um elemento da própria arquitetura.

No Palácio dos Leões, um dos três palácios reais originais de Alhambra, as famílias vão ficar maravilhadas com a fonte central. O seu design elaborado apresenta 12 leões de pedra a suportar uma enorme bacia de mármore às costas e – graças à maravilha técnica da hidráulica – cospem água das suas bocas. —Manuel Mateo Pérez, NG Viajes Espanha

Na costa leste de Maryland, as famílias podem partir numa aventura de caiaque pelo Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Blackwater e, de seguida, aprender sobre a história da Underground Railroad no Centro de Visitantes Harriet Tubman Underground Railroad, que fica nas proximidades.

Fotografia de WESTEND 61, GETTY IMAGES

Costa Leste de Maryland, EUA

Seja transportado pela história. A história da chamada Underground Railroad flui através dos cursos de água, pântanos, terras húmidas e pântanos de maré do Condado de Dorchester, na Costa Leste de Maryland. Este é o lugar onde a “maquinista” mais famosa desta rede secreta, Harriet Tubman, nasceu escravizada, cresceu e aprimorou as suas aptidões na construção de armadilhas, a caçar e a usar as estrelas para se orientar. Harriet Tubman costumava escapar para a Pensilvânia, mas regressou 13 vezes para resgatar mais de 70 amigos e familiares escravizados. A sua história heroica é contada no Centro de Visitantes Harriet Tubman, uma das mais de 30 paragens ao longo dos 201 quilómetros da Harriet Tubman Underground Railroad.

Para contar a história de Harriet Tubman aos mais novos, Alex Green, um dos proprietários da Harriet Tubman Tours, sugere uma aventura de caiaque no Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Blackwater, onde, quando era criança, Harriet Tubman capturou ratos-almiscarados e trabalhou ao lado do seu pai, um inspetor de madeira que a ensinou a movimentar-se pelos pântanos.

“Conversamos com as crianças sobre a forma como a confiança e as lições que Harriet Tubman aprendeu devido à escravatura a levaram a fazer coisas incríveis”, diz Alex Green. “Harriet Tubman nunca desistiu e nunca parou de aprender. Essa é uma lição que as crianças podem levar para casa. ”

Budapeste, capital da Hungria, é um dos destaques de um cruzeiro ao longo do rio Danúbio.

Fotografia de LUPENGYU, GETTY IMAGES

Rio Danúbio

Navegue por uma terra de contos de fadas. Navegar pelo Danúbio pode parecer uma viagem por um reino dos contos de fadas, com as suas vistas panorâmicas de castelos, cidades medievais e palácios imponentes que ajudam a dar vida à história europeia. Este rio atravessa 10 países europeus (Alemanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Roménia, Bulgária, Moldávia e Ucrânia), e a maioria dos itinerários de cruzeiro no Danúbio incluem paragens em pelo menos quatro destes países, com viagens familiares especiais que incluem atividades para as crianças em terra.

As aulas de história que falavam do feudalismo durante a Idade Média assumem outras dimensões quando exploramos Veste Oberhaus, em Passau, na Alemanha, um dos maiores complexos de castelos sobreviventes na Europa. E as antigas tradições equestres húngaras ganham vida num rancho que fica no sul da Hungria, onde os destemidos csikós, ou pastores cavaleiros, cavalgam de pé e equilibram-se nas costas de dois cavalos a galope.

Quando sair da água, faça uma viagem na icónica roda-gigante de Viena, a Riesenrad, ou faça um passeio de bicicleta entre as vinhas da paisagem cultural de Wachau da Baixa Áustria, que é Património Mundial da Humanidade. —National Geographic Traveler Roménia

Um mergulhador nada com um cardume de peixes boga no Parque Nacional Marinho de Bonaire, fundado em 1979.

Fotografia de PAUL A. SUTHERLAND, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Bonaire

Mergulhe numa das reservas marinhas mais antigas do mundo. Sol deslumbrante, um mar turquesa, palmeiras, praias de areia branca e uma atmosfera descontraída: Bonaire oferece tudo o que se quer de um destino tropical idílico. Mas em comparação com muitas outras ilhas das Caraíbas, Bonaire (que tem uma população de 21.000 habitantes) é tranquila, relativamente selvagem e imaculada. E ao largo da sua costa está uma das mais antigas reservas marinhas do mundo.

O Parque Nacional Marinho de Bonaire foi estabelecido em 1979 e figura na lista provisória de Patrimónios Mundiais da UNESCO desde 2011. Esta reserva abrange 2.700 hectares de recife de coral, ervas marinhas e vegetação de terreno lodoso costeiro. Os recifes saudáveis de Bonaire atraem mergulhadores e praticantes de snorkel que podem observar até 57 espécies de corais e mais de 350 espécies diferentes de peixes.

Muitas das escolas de mergulho em Bonaire participam no programa Reef Renewal, no qual voluntários podem cultivar e manter corais em viveiros subaquáticos e, de seguida, plantá-los no recife. Qualquer pessoa capaz de mergulhar pode vir e ajudar após concluir a certificação do curso PADI Reef Renewal Diver.

A acessibilidade é outra das vantagens: não precisamos de um barco ou de outro transporte marítimo para começar a explorar. Em 54 dos quase 90 locais de mergulho públicos de Bonaire, caminhamos da praia ou do cais diretamente para a água. —Barbera Bosma, National Geographic Traveler Países Baixos

Escrito pelos editores globais da National Geographic Travel, com dados e textos adicionais de Maryellen Kennedy Duckett, Karen Carmichael e Shauna Farnell.

A pandemia de coronavírus está a afetar as viagens. Ao planear uma viagem, não se esqueça de pesquisar o destino e tome precauções de segurança antes, durante e depois da sua viagem. Clique aqui para ler a cobertura da National Geographic sobre a pandemia.

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