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5 Inovações tecnológicas trazidas pela pandemia que vão mudar as viagens para sempre

Estas inovações digitais vão tornar as nossas viagens mais seguras e eficientes. Mas será que também vão invadir a nossa privacidade?

Publicado 5/11/2021, 12:33
Em 2018, o Aeroporto Internacional Incheon de Seul colocou em circulação um robô que foi projetado ...

Em 2018, o Aeroporto Internacional Incheon de Seul colocou em circulação um robô que foi projetado para ajudar os passageiros a navegar pelo aeroporto. À medida que a pandemia de COVID-19 começa a dar sinais de abrandamento, estas tecnologias surpreendentes podem continuar a influenciar as nossas viagens.

Fotografia de Bruno ARBESU, REA/Redux

Nos 20 meses que passaram desde o início da pandemia de COVID-19, as inovações tecnológicas passaram de futuristas a familiares. Hoje em dia é difícil andar pelo mundo sem encontrar ementas ou passaportes digitais de vacinação validados por códigos QR.

À medida que a indústria do turismo começa a regressar à vida – setor que em 2020 registou uma quebra de mil milhões de viajantes internacionais em relação a 2019 – e o uso obrigatório de máscara começa a desaparecer, muitas ferramentas tecnológicas trazidas pela pandemia vão continuar a influenciar as nossas viagens.

“Os consumidores já esperam encontrar tecnologias que os deixem mais confiantes em relação a viajar”, diz Steve Shur, presidente da Travel Technology Association. “Algumas destas mudanças vieram para ficar.”

De facto, uma sondagem feita recentemente pelo Centro de Investigação Pew com a participação de 915 líderes políticos, investigadores científicos e outros especialistas prevê que, em 2025, a nossa vida diária poderá ser muito mais influenciada por algoritmos, com mais teletrabalho e algo a que algumas pessoas chamam de “tele-tudo”.

Apesar dos dispositivos de tradução em tempo real e de reconhecimento facial no controlo de passaportes tornarem as viagens mais seguras e eficientes, existem desvantagens, incluindo preocupações com a privacidade, segurança de dados e tecnologia tendenciosa. Eis algumas das inovações que os viajantes vão continuar a encontrar e a utilizar.

Realidade aumentada e virtual

Quando a pandemia obrigou ao cancelamento das viagens, tanto museus como destinos turísticos viraram as suas atenções para a realidade aumentada e realidade virtual (AR e VR na sigla em inglês) para criar exposições e experiências online. Embora algumas destas experiências sejam bastante melhores com óculos de realidade virtual, para desfrutar da maioria só precisa de um computador ou smartphone.

A aplicação Xplore Petra foi lançada em junho de 2020 e permite aos seus utilizadores “visitar” o sítio arqueológico mais icónico da Jordânia, projetando uma versão reduzida das ruínas. A empresa Lights over Lapland, uma companhia de viagens no Ártico, lançou uma experiência de realidade virtual para mostrar a aurora boreal através de óculos VR ou nos ecrãs de computador.

(Será que as viagens virtuais vieram para ficar?)

Pós-pandemia, as experiências de VR e AR também podem complementar as viagens reais acrescentando experiências como uma escalada simulada ao monte Cervino, no Museu Suíço dos Transportes de Lucerna, ou uma atração de VR no Museu Hunt em Limerick, na Irlanda, na qual os visitantes ficam imersos no “Jardim das Delícias Terrenas”, uma pintura com 500 anos da autoria de Hieronymus Bosch.

O Museu de História Natural de Paris tem uma exposição de realidade aumentada que coloca os visitantes frente a frente com animais extintos em formato digital. O Museu Nacional de Singapura tem uma instalação chamada “História da Floresta”, onde os turistas exploram uma paisagem virtual composta por quase 70 ilustrações da natureza selecionadas da coleção do museu. O Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian, em Washington D.C., tem uma aplicação que usa realidade aumentada para mostrar como seriam alguns dos esqueletos dos seus animais com pele e músculos sobre os ossos, oferecendo uma visão diferente sobre uma coleção que remonta à década de 1880.

“A realidade virtual não vai substituir as viagens e o turismo. Esta tecnologia só vai melhorar o turismo”, diz Anu Pillai, que dirige o Centro Digital de Excelência da Wipro, uma empresa de tecnologia.  

Controlo de multidões

Para ajudar a impor o distanciamento social, várias cidades, aeroportos e museus testaram ou implementaram tecnologia de controlo de multidões, incluindo patrulhas de robôs em Singapura – dispositivos ligeiramente assustadores que anunciam que as pessoas estão demasiado próximas umas das outras e sinalizam o número de pessoas nos portões dos aeroportos. À medida que as multidões de viajantes começam a regressar aos destinos turísticos mais populares, outros métodos e dispositivos semelhantes podem ser implementados para evitar o sobreturismo.

Um engenheiro trabalha num robô no Instituto Italiano de Tecnologia em Génova, no início de 2020. O objetivo do instituto é usar estes robôs para ajudar os viajantes em estações de comboio e aeroportos.

Fotografia de Marco Bertorello, AFP/Getty Images

Em Itália, durante a pandemia, a cidade de Veneza começou a rastrear os seus visitantes através de câmaras projetadas para combater o crime. Quando a pandemia eventualmente passar, a cidade planeia tirar partido deste sistema para manter o número de turistas em níveis sustentáveis, talvez em consonância com a proposta de adição de portões eletrónicos nos seus principais pontos de entrada (docas dos navios de cruzeiro e estações de comboio) que podem fechar se a cidade ficar sobrelotada.

(Inovações tecnológicas que podem tornar o seu próximo voo mais seguro.)

 “Sabemos minuto a minuto qual é a quantidade de pessoas que estão a passar e para onde se dirigem”, disse ao New York Times Simone Venturini, da Autoridade do Turismo de Veneza. “Temos controlo total sobre a cidade.”

Amesterdão, que também enfrenta o problema do sobreturismo, rastreia a forma como os seus visitantes usam o Cartão da Cidade de Amesterdão, um passe de valor fixo para museus e transportes públicos. No Reino Unido, a aplicação Beach Check UK, lançada neste verão com informações em tempo real sobre o número de pessoas em dezenas de praias ao longo da costa inglesa, orienta os viajantes para longe das áreas lotadas.

“A tecnologia pode ser usada na recolha de dados, para podermos tomar decisões mais informadas e comunicar essas mesmas decisões”, diz Christopher Imbsen, diretor do departamento de sustentabilidade do Conselho Mundial de Viagens e Turismo.  

Limpeza UV-C

Há mais de duas décadas que os hospitais usam luz UV-C para desinfetar e matar vírus. Agora, os espaços públicos fechados, incluindo aeroportos, ginásios e cinemas, estão a adicionar sistemas de desinfeção UV-C às suas instalações para prevenir a disseminação viral.

“A limpeza UV-C está agora no seu auge”, diz Peter Veloz, CEO da UltraViolet Devices, empresa que produz tecnologia ultravioleta de desinfeção.

Num avião da companhia LATAM, um funcionário monitoriza um robô dispensador de UV-C no início de 2020. Esta tecnologia, se for usada corretamente, pode matar vírus, incluindo o que provoca a COVID-19.

Fotografia de Nelson Almeida, AFP/Getty Images

A radiação UV-C possui propriedades germicidas que combatem a COVID-19 e outras substâncias nocivas, tanto no ar como em superfícies. Dependendo da localização, os sistemas de desinfeção UV-C são dirigidos para as unidades de ventilação e corrimãos de escadas rolantes – e também são usados em aeroportos e aviões através de robôs equipados com luz UV-C que desinfetam a área à medida que avançam.

Se for instalado e operado corretamente, um sistema UV-C pode matar todos os tipos de bactérias e germes. Até mesmo os germes da gripe sazonal podem ser eliminados antes de se propagarem. “A COVID-19 pode ir e vir, mas os agentes patogénicos normais não vão desaparecer”, diz Peter Veloz.

Códigos QR em restaurantes

Nos primeiros dias da pandemia, quando a transmissão da COVID-19 ainda não era bem compreendida, os restaurantes apressaram-se a fornecer códigos QR. Estas pequenas caixas com pixéis podem ser verificadas com um smartphone para abrir um menu, permitindo pedir e pagar a conta, tudo com uma interação limitada com os empregados.

Os receios de que as pessoas podiam ficar infetadas através do contacto com ementas e outras superfícies já foram refutados, mas estes códigos revelaram-se convenientes e provavelmente vão permanecer entre nós.

Mas esta conveniência pode significar uma invasão de privacidade, uma vez que estes pequenos códigos podem potencialmente reunir uma enorme quantidade de informações sobre os seus utilizadores. Alguns programas de QR limitam-se a aceitar os pedidos nos restaurantes, mas outros extraem dados como o histórico de refeições de um cliente, idade e sexo. O restaurante pode usar estas informações para enviar cupões ou convites para eventos – ou vender os dados a terceiros.

“É apenas um exemplo de empresas que exploram a COVID-19 para alargar a recolha de dados”, diz Jay Stanley, analista sénior de política da União Americana pelas Liberdades Civis. “Colocar tudo no telemóvel expõe as pessoas a novos tipos de rastreio e controlo.”

Os viajantes devem ter em consideração que os códigos QR podem ser pirateados; podemos estar a validar um código para pedir o jantar e acabar por comprometer o nosso cartão de crédito. Jay Stanley também diz que os códigos QR devem ser encarados da mesma forma que os links de emails desconhecidos. E acrescenta que podemos usar o telemóvel para pesquisar o menu do restaurante na internet ou instalar uma aplicação de segurança como a Kaspersky QR Scanner, que avisa os utilizadores se o código não for seguro.

Ferramentas de rastreio de contactos

As autoridades de saúde pública já usavam métodos de rastreio de contactos para identificar e rastrear pessoas potencialmente expostas a doenças infeciosas, como o vírus Zika e VIH, para oferecer aconselhamento, tratamento e acompanhamento. Estas ferramentas tradicionais passavam geralmente por telefonemas para perguntar às pessoas com quem tinham estado em contacto e para continuar a acompanhar a propagação. Mas a pandemia obrigou as autoridades a intensificar estes esforços e a implementar outros de alta tecnologia para rastrear a disseminação viral e obter informações.

Por exemplo, a Apple e a Google adicionaram funções de rastreio de contactos ao novo software dos smartphones, permitindo aos utilizadores receber alertas se entrarem em contacto de proximidade com uma pessoa infetada.

“Existe um forte reconhecimento sobre o valor e o papel que o rastreio de contactos tem na prevenção e controlo de doenças infeciosas”, diz Elizabeth Ruebush, analista de políticas de imunização e doenças infeciosas da Associação de Funcionários de Saúde Territoriais e Estaduais dos EUA. “Mas nunca tínhamos visto isto ser implementado com a escala que aconteceu com a COVID-19.”

Outras tecnologias, como textos automatizados, mapas de calor viral e até circuitos fechados de televisão com reconhecimento facial podem ajudar a rastrear outras doenças infeciosas ou a prepararmo-nos para a próxima pandemia.

Apesar de todas estas aplicações sofisticadas, as chamadas telefónicas e o contacto pessoal vão continuar a estar no centro do atendimento médico. “As ferramentas tecnológicas têm como objetivo aprimorar, e não substituir, o rastreio tradicional de contactos”, diz Elizabeth Ruebush.

A COVID-19 acelerou a nossa adoção de tecnologia. O lado negativo é que isto pode dificultar ainda mais o afastamento dos smartphones durante as férias. Por outro lado, o desejo de viajar está mais forte do que nunca – e perdermo-nos a desfrutar um momento é algo que ainda não é replicado por um código digital.

Jackie Snow, escritora sediada em Washington D.C., é especializada em viagens e tecnologia. Siga-a no Instagram.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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