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Quando o oceano se transforma na sala de aula

Esta é a proposta do “Programa Atlantis”, o primeiro programa de educação ecológica subaquática para escolas em Portugal.

Momento de abertura da primeira sessão de mergulho do Programa Atlantis, na praia do Ouro, em Sesimbra, em 2021.

Fotografia por Janna Guichet
Por Sara Afonso
Publicado 1/02/2022, 12:19 , Atualizado 2/02/2022, 14:28

Promovido pela Oceans and Flow, o “Programa Atlantis” nasce da necessidade de levar a literacia do oceano aos mais jovens, mas representa, também, o ponto de encontro da comunidade e de parceiros, evidenciando o potencial natural da região para poder inspirar outras zonas e, até, outros países. 

Como seria se pudéssemos deixar as mesas e as cadeiras da escola e tivéssemos a oportunidade de mergulhar, literalmente, no oceano para vivenciar uma experiência no habitat natural de centenas de seres marinhos? Como seria se pudéssemos, numa dimensão subaquática, perceber efetivamente qual o impacto da poluição humana no ecossistema marinho? Como seria se vestíssemos o fato de mergulho e aprendêssemos a respirar debaixo de água para descobrir as pradarias marinhas da nossa costa e percebêssemos a sua importância para a sobrevivência humana? Como seria se nos convidassem a uma total imersão na Natureza para sentirmos a verdadeira missão de sermos cuidadores do mar e pudéssemos inspirar todos os que estão à nossa volta? Será este um sonho atípico da escola do futuro? Para a equipa da Oceans and Flow todas as respostas a estas perguntas existem no “Programa Atlantis”, o primeiro programa de educação ecológica subaquática para escolas em Portugal, que fez a sua estreia na bela vila piscatória de Sesimbra, em 2021. 

Violeta Lapa, fundadora da Oceans and Flow partilha que "foram dois anos dedicados ao desenvolvimento e implementação da 1ª edição do ‘Programa Atlantis’. Aprendi muito, não só ao longo das várias sessões e vivências com os alunos, comunidade envolvente e parceiros, mas com todo o processo de criação. Esta área de intervenção de 'educação ecológica' foi ganhando cada vez mais força na minha vida, uma área de estudo e atuação, que cresce dentro da missão da Oceans and Flow."

O Programa Atlantis

Reunindo uma equipa multifacetada e um conjunto de parceiros, o “Programa Atlantis” foi criado para promover, antes de tudo, a literacia do oceano junto dos mais jovens, visando despertar e enraizar a responsabilidade ambiental de uma forma ativa, envolvendo, ao mesmo tempo, a comunidade e parceiros locais.

Cada sessão inicia com um momento de partilha e inspiração, permitindo conectar com o ritmo do mar. 

Fotografia por Janna Guichet

Através da vivência de uma experiência real, os jovens têm a oportunidade de tornar-se agentes de mudança, para preservar, regenerar o mar e melhorar o seu impacto nos ambientes marinhos, assim como serem mensageiros desta urgência de consciência ecológica para quem os rodeia e para a sociedade onde estão inseridos. A vila de Sesimbra e o Parque Marinho da Arrábida foi a região escolhida, por todo o seu potencial natural e enquadramento costeiro. Aqui, o “Programa Atlantis” encontrou todos os parceiros para uma missão que acredita poder inspirar outras regiões.

Desenvolvimento Pessoal

A partir deste sonho coletivo e colaborativo, em que do “um” se parte para o “todo”, o “Programa Atlantis” foi desenhado com base numa metodologia que combina o mergulho livre com educação ecológica e desenvolvimento humano. Desta forma, esta “missão aquática” consegue tocar em três dimensões de extrema importância no contexto da sustentabilidade: Pessoal, Social e Ambiental. 

Momento de união e encerramento da terceira sessão de freediving do Programa Atlantis, na praia da Califórnia, em Sesimbra. As técnicas de mergulho livre contribuem para uma maior capacidade de movimento, em sintonia com a água.

Fotografia por Janna Guichet

A grande inovação deste programa, vivido por uma turma de 21 alunos do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho, entre março e dezembro de 2021, consistiu numa forte componente prática, levando, literalmente, os alunos para a sala de aula do oceano, através da prática de mergulho em apneia. Esta iniciação ao meio aquático através do freediving permitiu aos alunos conhecerem melhor a biodiversidade marinha e o seu habitat, de uma forma vivencial e impactante, desenvolvendo, dessa forma, as suas capacidades físicas, mentais e emocionais.

No início e ao longo do programa foi, também, implementado o Jogo Oásis, uma ferramenta de desenvolvimento humano e social, que os alunos puderam descobrir e vivenciar. Este jogo social teve a capacidade de mobilizar este grupo de jovens que, através dos seus talentos e de forma colaborativa, desenvolveram um projeto para implementar na comunidade onde vivem. 

Raquel Gaspar, da Ocean Alive, apresenta a diversidade de espécies presentes nas pradarias marinhas do Estuário do Sado aos alunos do Programa Atlantis.

Fotografia por Gustavo Neves

O terceiro pilar no qual assentou a base metodológica do “Programa Atlantis” foi a transmissão do conceito de Ecologia Profunda, que esteve presente em todas as atividades e ao longo do mesmo. Esta filosofia traz a visão da interdependência de todos os seres e a noção de que não existe separação entre Natureza e seres humanos. Esta visão integrativa ativou ações com consciência e transformativas, em prol do ecossistema onde todos coabitamos.  

Capacidade de Sonhar

No “Programa Atlantis”, os jovens puderam não só despertar e enraizar a responsabilidade ambiental, como também descobrir novas competências pessoais em si próprios. Através das diversas atividades promovidas pelo projeto, os alunos, entre os 13 e os 15 anos, viveram experiências que confessaram ter tido um impacto nas suas vidas a vários níveis, nomeadamente a nível pessoal. Aprofundaram relacionamentos e criaram emoções que jamais dissociarão desta oportunidade de apreender o mundo através da imersão na Natureza e no contexto que os rodeia. Muitos descobriram que o mar e os seres que o habitam poderão ser o seu futuro, outros empoderaram-se nas suas fragilidades, outros demoraram mais a ceder a todos os sentimentos despertados por esta grande viagem marinha, mas todos eles, em nenhum momento, esquecerão que aquela vivência operou uma transformação irreversível na forma como olham e sentem o oceano, as relações e a vida.

“O mar ensina-me que tudo o que nós vemos ainda não é só isso. Ainda há mais coisas para ver. Um dia, num mergulho, fomos ao fundo do mar e vimos três peixes: dois grandes e um pequenino. Eu e uma colega minha pensámos logo que fosse uma família, assim unida. Fez-nos lembrar que a vida é para todos se unirem.”

por Beatriz Cruz, aluna do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho

Desenho de um aluno durante o Jogo Oásis do Programa Atlantis, uma ferramenta de desenvolvimento pessoal, que ecoa também para a comunidade na qual os alunos estão integrados.

Fotografia por Gustavo Neves

Ao trabalharem os seus sonhos e talentos durante o Jogo Oásis, facilitado por Virgílio Varela, e visando sempre a comunidade, a importância desta atividade revelou-se no desenvolvimento pessoal dos alunos e no impacto gerado no grupo como um todo.

Entre sessões presenciais e sessões online foram trabalhadas qualidades como a curiosidade, a capacidade de aprender, o pensamento crítico, a capacidade de estabelecer ligações e, sobretudo, a imaginação e o poder de sonhar. A maioria dos alunos passou a ter uma visão positiva dos seus talentos e, genericamente, a turma tornou-se mais autoconsciente. Num trabalho conjunto com os professores, os jovens passaram a estar mais sensibilizados e atentos para trabalhar as suas competências pessoais e interpessoais. Deste Jogo Oásis resultou um projeto de turma no âmbito do desenvolvimento pessoal e proteção do oceano, divulgado e partilhado na terra onde vivem.

Em cada sessão, a curiosidade e entrega dos alunos foi crescendo e sentiu-se a força do “cardume” a ganhar forma. Com coragem e alegria, os alunos mergulharam nas descobertas do mar e da fauna marinha, fortalecendo ao mesmo tempo o sentido de união e interdependência.

Fotografia por Janna Guichet

Outras práticas já referidas, e recebidas com enorme entusiasmo entre os alunos, foram as atividades de mergulho livre e de educação ambiental focadas no ecossistema marinho. Estes mergulhos e o movimento aquático inspiraram e conectaram os alunos à abundância e potencial do mar, mostrando-lhes como podem adotar um estilo de vida mais sustentável. Além disso, no final do programa, mostraram-se mais confiantes e confortáveis na relação com o mar, assim como no controlo da respiração e sua destreza de movimento aquático.

Ao passarem mais tempo com os colegas e ao partilharem toda esta aventura aquática, jovens como a Rita, o Afonso e a Beatriz, mostraram-se mais comunicativos, mais felizes e mais abertos a partilhar as suas opiniões com a família, amigos e até mesmo na escola. 

“O mar mostrou-me que tenho de ser mais calma e não ser tão stressada. Também aprendi que devemos valorizar mais as pessoas, o mar e os peixes, e também reaproveitar as coisas.”

por Rita Soromenho, aluna do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho

A professora Mafalda Oliveira, da SPOT Freedive, faz a demonstração aos alunos da respiração e preparação para o mergulho livre. 

Fotografia por Janna Guichet

Conhecer o mar para inspirar a cuidar

“Conhecer o mar para inspirar a cuidar” é a principal mensagem do “Programa Atlantis”. Em parceria com a Ocean Alive, dinamizaram-se junto dos alunos sessões online e ao vivo, sobre biologia marinha e a riqueza das pradarias marinhas do estuário do Sado. Foi também partilhado o trabalho desenvolvido pela Ocean Alive na comunidade piscatória do Sado para a conservação ativa destes habitats, e explicada a sua importância no sequestro de carbono e regulação da vida marinha. Sandra Lázaro, pescadora e Guardiã do Mar (grupo de mulheres da comunidade piscatória do estuário do Sado que colaboram com a Ocean Alive na proteção das pradarias marinhas) relembrou aos jovens estudantes a importância deste ecossistema marinho.

“As pradarias marinhas são tão ou mais importantes do que as florestas terrestres. Todos devemos proteger as florestas terrestres, pois além de fazerem fotossíntese, dão-nos sombra e outras funções. Mas as pradarias de ervas marinhas fazem fotossíntese duas vezes mais do que as árvores; sempre que se arranca ou se queima uma árvore, o dióxido de carbono acumulado durante a sua vida, nos troncos e nas folhas, volta à atmosfera, ao passo que nas pradarias marinhas, o dióxido de carbono acumulado nas raízes só regressa à atmosfera caso o chão seja mexido. Isto significa que pode ficar lá acumulado durante milhares de anos. Mesmo que as ervas morram naturalmente, se o chão não for mexido, o dióxido fica contido nas raízes até que elas floresçam novamente e isso é o mais importante para nós, pescadores, porque volta a biodiversidade e a maternidade dos peixes. Estas ervas não servem apenas para os peixes se alimentarem ou reproduzirem. É nelas que também se protegem dos predadores.” Sandra Lázaro é Guardiã do Mar e pescadora do Sado.

Cris Santos e Violeta Lapa, idealizadoras e educadoras subaquáticas do Programa Atlantis, continuam a mergulhar e a sonhar juntas as próximas edições do Programa Atlantis.

Fotografia por Janna Guichet

Durante a visita às pradarias marinhas do Sado, promovendo a observação e interpretação, e acompanhados por biólogas marinhas da Ocean Alive e pela comunidade piscatória local, os alunos tiveram oportunidade de conhecer a geologia, fauna e flora subaquáticas. Ficaram a conhecer melhor algumas das mais de 280 espécies de algas e ervas marinhas existentes no Parque Marinho da Arrábida.

“Esta é uma cenoura do mar. Brilha no escuro. Tem bioluminescência. Se durante a noite olharem para a maré e virem um brilho, é muito provável que seja uma cenoura do mar que esteja lá em baixo.”

por Sílvia Tavares, bióloga marinha da Ocean Alive

A consciência e compreensão das questões ambientais alertaram os alunos do “Programa Atlantis” para a necessidade de soluções prontas a aplicar, assim como para a importância do papel de cada um e da comunidade para tentar travar os problemas ambientais que o planeta enfrenta. 

“Podemos estudar o mar e ser biólogos, mas é muito importante ouvir as pessoas que trabalham no mar e têm histórias para contar.”

por Sílvia Tavares

Sendo um dos objetivos do programa a formação de “Jovens Participativos e Agentes de Mudança”, os alunos e a equipa do “Programa Atlantis” promoveram, igualmente, uma EcoAção de limpeza na Praia da Lagoa de Albufeira, no Dia Mundial do Ambiente, para a qual convidaram a família, oferecendo, mais uma vez, a possibilidade de a comunidade local aderir a este tipo de iniciativa e ter um papel ativo no terreno.

Para saberem mais sobre o valor nutricional das algas do Parque Marinho da Arrábida e a forma de as poderem cozinhar e incluir na dieta alimentar, os alunos tiveram, ainda, a oportunidade de participar num workshop – “De Corpo e Alga”. Com a ajuda do biólogo marinho e diretor científico Jan Verbeek e Inês Louro, da organização SeaForester, foram recolhidas amostras de algas do mar, Com a ajuda do biólogo marinho e diretor científico Jan Verbeek e Inês Louro, da organização SeaForester, foram recolhidas amostras de algas do mar, com a autorização do ICNF, e apresentadas aos alunos durante o workshop, que puderam observar de perto e ficar a conhecer as principais características de cada uma. 

“O principal objetivo do Programa Atlantis é despertar o respeito e o cuidado pelo meio marinho, através de partilhas e práticas que levam a uma conexão física e emocional mais profunda com o mar.”, Cris Santos, uma das idealizadoras do Programa Atlantis da Oceans and Flow.

Fotografia por Janna Guichet

Além das componentes físicas de natação, melhoradas e aprendidas na prática do mergulho em apneia, durante as quatro sessões de freediving incluídas no Programa, os novos “agentes do mar” puderam conhecer os embaixadores do Programa e trocar experiências na relação com a natureza e, sobretudo, o mar. O projeto “The Trash Traveler”, do biólogo alemão Andreas Noe, participou na terceira sessão de mergulho na praia da Califórnia, em Sesimbra, e o surfista Miguel Blanco acompanhou os alunos na quarta sessão de freediving, igualmente em Sesimbra.

"Depois de tantos anos a surfar e a viajar em busca das melhores ondas, tudo o que eu quero fazer agora é dar alguma coisa em retorno e por isso aposto em alguns projetos ambientalistas e deixo a mensagem, mais uma vez: ‘vamos cuidar do nosso planeta, vamos cuidar do nosso mar’.", afirma Miguel Blanco, bicampeão nacional de surf e ativista ambiental.

A sensibilização para uma vida mais ecológica, que cuida do oceano, e para a diminuição de desperdício, chegou aos alunos através da entrega de um kit ecológico da embaixadora Eunice Maia (Maria Granel). Aprender a refletir e questionar sobre o ciclo completo dos produtos que consumimos, ajuda-nos a fazer escolhas mais conscientes. A troca de embalagens de uso único por embalagens reutilizáveis, a preferência por produtos de higiene pessoal e limpeza que valorizam as matérias-primas naturais, sem substâncias químicas que agridem o meio ambiente, a compra a granel e a valorização de produtos locais foram alguns dos conselhos transmitidos aos alunos. Todos estes fatores foram tidos em conta como forma de inspirar os alunos a agirem realmente, a cuidarem do mar e do ambiente.

Convite à comunidade

Além da vertente educacional, e numa perspetiva inclusiva, o “Programa Atlantis” desdobrou-se, ainda, em ações e eventos abertos à comunidade de Sesimbra e a todos os visitantes. A sessão de palestras Ocean Talks reuniu seis especialistas convidados, que partilharam não só os ensinamentos da sua relação com o mar, mas também os seus projetos e outras histórias ligadas ao oceano. O evento decorreu em parceria com o Cineteatro de Sesimbra, com emissão em direto online. As seis palestras – lideradas por Ana Salcedo, da Zero Waste Lab; Inês Louro, da SeaForester; Raquel Gaspar, da Ocean Alive; Ana Pêgo, da plasticus maritimus; Filipe Moreira Alves, da Biovilla e Nomad Viagens; e Hugo Vau, da Atlantic Giants – permanecem disponíveis no canal de Youtube da Oceans and Flow. 

Exposição Viva do Programa Atlantis, uma história contada pelo olhar artístico e sensível dos fotógrafos da 'equipa Atlantis', Janna Guichet e Gustavo Neves, com textos de Cris Santos, Gustavo Neves e Violeta Lapa da Oceans and Flow.

Fotografia por Janna Guichet

Temas como o oceano e a nossa saúde e alimentação, o oceano e a nossa economia e negócios, o oceano e as alterações climáticas, ou o oceano e a biodiversidade são algumas das temáticas focadas nas Ocean Talks.

Igualmente aberta à comunidade, foi inaugurada, no dia 1 de outubro, Dia Nacional da Água, a “Exposição Viva do Programa Atlantis”, na marginal de Sesimbra. Durante três meses, o público e a comunidade tiveram a oportunidade de conhecer os tesouros de Sesimbra, a vila que é uma Estação Náutica desde 2019 e que reúne os ingredientes certos para todos aprofundarem o conhecimento e a conexão com o mar. As 20 fotografias de grande formato sobre o “Programa Atlantis” convidaram a um mergulho nos momentos mais memoráveis do projeto, ao mesmo tempo que se organizaram iniciativas como as visitas guiadas à exposição interativa, com possibilidade de se fazer um trilho aquático ou participar em mais uma EcoAção de limpeza de praia. Abrir o álbum do “Programa Atlantis” é uma viagem ao fundo do mar, e, mais do que uma exposição de fotografia, a exposição ao ar livre foi um convite à imersão no Parque Marinho da Arrábida junto da comunidade da vila de Sesimbra, trazendo inspiração a todos para conhecerem melhor este mundo mágico que vive debaixo, e acima, da superfície da água.

No encerramento do programa, e para celebrar a primeira edição, o filme do Programa Atlantis, realizado por Gustavo Neves, irá levar todos aqueles que o virem numa expedição subaquática aos tesouros do fundo do mar deste parque aquático. E não só. Será o bilhete dourado para uma viagem ao Programa Atlantis, junto daqueles que lhe deram vida e propósito. 

“Quando fomos lá ao fundo [do mar], havia muitas pedras, muitos peixes. Encontramos muita coisa. Nadar com os amigos e estar com os amigos é muito bom, e também temos de preservar o mar para fazer isso.”

por Afonso Gomes, aluno do 8º ano da Escola Básica Navegador Rodrigues Soromenho

Futuro e consciência ambiental

Numa viagem de total conexão com a natureza, onde o mar foi o grande professor desta jornada, os jovens que tiveram oportunidade de viver a primeira edição do “Programa Atlantis” ganharam maior perceção dos benefícios de estar em contacto com a Natureza e ligados ao oceano. Com esta experiência, evoluíram na sua consciência ambiental, cientes que o mar e o oceano são essenciais à vida na terra e conscientes da interdependência da vida na terra com a qualidade e preservação dos oceanos. Ao vivenciarem a Natureza de uma forma mais direta e orgânica, ganharam sensibilidade para sentirem realmente o impacto das suas ações no meio que os acolhe, adquiriram sentido crítico do ponto em que se encontram e que caminho pretendem seguir. A sua visão ecológica obteve novos contornos, o seu questionamento próprio ganhou profundidade e a inspiração levou à ação. Acima de tudo, estes jovens ganharam a real noção da importância de cada um enquanto indivíduo e enquanto parte do todo para a proteção e regeneração do planeta. Afinal, somos parte do todo e todos tocam todos. 

O “Programa Atlantis” permitiu despertar e enraizar a responsabilidade ambiental, assim como descobrir novas competências pessoais, quer nos alunos, quer nas comunidades onde vivem e nas relações que estabelecem à sua volta. 

A equipa da Oceans and Flow, liderada por Violeta Lapa, está já a preparar a segunda edição do “Programa Atlantis”, com novidades no horizonte, como a iniciativa “Barco-ilha”. E assim como a primeira experiência, todo o projeto será alvo de uma medição de impacto da pegada ecológica deixada por todas as atividades promovidas no âmbito do “Programa Atlantis” e seus eventos, para que se possa diminuir o impacto ambiental do mesmo, assim como apontar soluções para compensação das emissões geradas pelo programa.

Cris Santos, educadora subaquática da Oceans and Flow, sente a "missão cumprida e entusiasmo para continuar. Confirmação do potencial de transformação que a proposta do ‘Programa Atlantis’ tem na vida dos jovens e das comunidades, no seu desenvolvimento pessoal e na sensibilização para o ecossistema marinho."

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