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4 Maneiras de viajar mais feliz em família – de acordo com investigadores

No período pós-pandemia, todos nós vamos querer viajar de forma mais significativa. Eis uma dica: esqueça a lista de desejos.

Por Amy Brecount White
Publicado 31/03/2022, 10:39
Portofino

À medida que as restrições devido à pandemia começam a ser levantadas, os investigadores dizem que planear uma viagem com base nos interesses da nossa família – em vez de nos basearmos na lista obrigatória de um guia – pode levar a experiências mais autênticas em lugares como Portofino, em Itália.

Fotografia por Luca Antonio Lorenzelli, Alamy Stock Photo

Se há uma coisa que os confinamentos durante a pandemia nos ensinaram, é que a capacidade de viajar é uma dádiva que deve ser abordada com reverência e gratidão. Em 2022, muitos de nós queremos viajar de forma diferente, porque mudámos. A pandemia abriu os nossos olhos para a fragilidade do nosso mundo e para as nossas próprias fragilidades físicas e psicológicas.

As antigas tradições de manter uma “lista de desejos” parecem agora irrelevantes – quase uma frivolidade. “E são demasiado 2019”, diz Jacqui Gifford, editora-chefe da revista Travel + Leisure. “As chamadas viagens da lista de desejos perderam a sua relevância, sobretudo durante uma pandemia. A ideia de que devemos antecipar destinos que queremos ver antes de morrer, e de que esses destinos terão um impacto maior no nosso ser físico ou saúde mental do que outros locais... parece um bocado ridícula.”

Com o levantar das restrições da pandemia, os pais ficam com uma oportunidade para ajudar os filhos a desenvolverem uma mentalidade saudável em relação às viagens – baseada em valores de interação e empatia, em vez de conquista e posse. Devemos procurar interações mais objetivas nos nossos destinos e desejar que a nossa pegada no planeta seja mais reduzida, mas mais importante.

Os estudos feitos até agora suportam o conceito de que explorar com mais atenção não só beneficia o local para onde viajamos, como também beneficia a nossa própria saúde e felicidade. Seguem-se quatro maneiras pelas quais as famílias podem viajar de forma mais gratificante.

Saber porque vai viajar

Jaime Kurtz, psicóloga da Universidade James Madison e autora de The Happy Traveler, sugere que qualquer plano de viagem deve começar com a pergunta: Porque é que quero fazer esta viagem? “Procure dentro de si próprio”, aconselha Jaime Kurtz. “Porque é que escolhi este lugar? O que me faz sentir feliz e realizado?”

“Em vez de percorrer a lista de locais imperdíveis de alguns guias, ligue-se aos interesses e paixões da sua família e use isso para planear uma viagem ‘mais autêntica’ para si.” Isto também nos pode inspirar a explorar para além dos nossos limites habituais.

Pesquise online a história das pessoas e locais antes de os visitar, recomenda Jaime Kurtz. Comprometa-se com as diretrizes de um destino, como o Sedona Cares Pledge, que incentiva os visitantes a seguirem um “sexto sentido de responsabilidade” e a respeitar os trilhos e o património da área. Vários destinos populares – incluindo a Islândia, a Nova Zelândia, Palau e Big Sur na Califórnia – sugerem que os viajantes devem ler e assinar os compromissos de cada destino antes de chegarem ao local.

Jaime Kurtz sugere que, enquanto estamos a viajar, “devemos conhecer as histórias das pessoas e encontrar formas de simpatizar com os habitantes locais, em vez de os encararmos apenas como parte de um espetáculo”. Se nós e os nossos filhos ouvirmos os outros com mais atenção e ignorarmos as distrações, como o nosso telemóvel ou fotografias dignas de aparecer no Instagram, esse foco direcionado pode levar a uma compreensão e ligações mais autênticas. “Quanto mais conseguirmos conhecer um local com algum nível de profundidade, mais nos preocuparemos em preservá-lo e em tratá-lo com respeito, tratando também os habitantes locais com respeito.”

Nas suas próprias viagens, Jaime Kurtz contrata guias locais que costumam partilhar as suas histórias pessoais. Estas pessoas podem fazer com que nós e os nossos filhos tenhamos aventuras menos conhecidas, podemos conhecer fabricantes e restaurantes locais. O nosso dinheiro apoia assim um determinado destino de forma mais direta.

Invista em experiências, não em coisas

Os estudos mostram que ficamos mais felizes quando gastamos o nosso tempo e dinheiro em experiências, não em coisas. Escolher a experiência de viagem geralmente traz recompensas pessoais que ultrapassam a viagem em si, diz Amit Kumar, professor assistente de psicologia e marketing da Universidade do Texas, em Austin.

Embora a investigação de Amit Kumar não se concentre exclusivamente em viagens, os seus trabalhos revelam que “há uma série de benefícios [que podem surgir de] gastar dinheiro para fazer coisas – ao invés de gastar dinheiro para ter coisas”. É mais provável que as experiências de consumo – ver um espetáculo ou mergulhar com outras pessoas num recife – nos deixe mais felizes do que comprar uma televisão maior.

(Viajar devia ser considerada uma atividade humana essencial.)

“A compra de experiências, como por exemplo viagens, tende a refletir mais a identidade ou a noção que temos sobre nós próprios”, diz Amit Kumar. “Quando comparados com os gastos em bens materiais, investir em experiências tende a ser o tipo de investimento que contribui para quem somos.” E isso pode traduzir-se na forma como nós e os nossos filhos interagimos com o mundo – e também pode inspirar um sentimento de gratidão.

Marc Woodward, de Bellingham, em Washington, e a sua filha Liliana, de dois anos, percorrem o Trilho Trans Catalina na ilha de Santa Catalina, na Califórnia, no dia 26 de junho de 2021. Os especialistas dizem que as experiências de consumo, como as caminhadas, em vez de a aquisição de objetos, podem inspirar gratidão e generosidade para com os outros.

Fotografia por Allen J. Schaben, Los Angeles Times/Getty Images

“Quando as pessoas pensam sobre estas experiências em vez de pensarem nas suas posses, acabam por ser mais generosas com os outros”, diz Amit. Por exemplo, se nos sentirmos gratos por estarmos a caminhar pelo deserto de Sonora, por conhecermos pessoas novas e aprender sobre o delicado ecossistema onde vivem, isso pode dar origem a gorjetas mais generosas, ou ensinar aos nossos filhos a respeitar a utilização da água de outra forma.

E a bênção de viajar não se fica por aqui, diz Amit Kumar. Todos nós conhecemos aquele brilho de alegria nos olhos com a antecipação sentida antes de uma viagem, e toda a família também pode contar com a construção de laços mais estreitos com amigos e outras famílias através das suas histórias após uma viagem.

(Como fomentar uma atitude de gratidão nas crianças.)

Benefícios cerebrais de viajar

Viajar, quer seja para perto ou para longe, pode realmente melhorar a saúde cerebral da nossa família, diz o neuropsicólogo Paul Nussbaum, professor-adjunto de cirurgia neurológica da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh e fundador do Brain Health Center. “Ao nível fisiológico, viajar é muito bom para o cérebro”, diz Paul Nussbaum.

Ao início, fazer coisas novas – como aprender a surfar ou experimentar uma iguaria local desconhecida – pode ser desafiador, mas vai ficando mais fácil “porque a plasticidade [cerebral] permite-nos começar a desenvolver ligações fisiológicas e celulares para fazermos essas coisas”, diz Paul Nussbaum. “Algo que era estranho, acaba por ficar mais familiar.” À medida que enfrentamos desafios ou problemas para resolver enquanto viajamos, os nossos hipocampos continuam a formar novas redes e o nosso cérebro prospera com este processo.

Paul Nussbaum até brinca com a possibilidade de os médicos prescreverem viagens para a saúde cerebral, mas enquanto isso não acontece, a nossa família pode prescrever mais viagens como parte da uma jornada de bem-estar.

“É uma espécie de massagem universal ao cérebro que é proporcionada por viajar”, diz Paul Nussbaum.

Centre a sua família na narrativa da sua própria viagem

Os estudos de neurociência e ressonância magnética funcional têm revelado que várias partes do nosso cérebro envolvem-se e aumentam a conectividade durante e depois de consumirmos histórias fictícias. À medida que lemos ou assistimos a uma história, partes dos nossos cérebros podem até acender-se como se fôssemos as personagens da ação.

Portanto, eis a minha ideia para substituir a antiquada lista de desejos por algo a que chamo “lista de encontros”. E que tal se nos imaginássemos mais conscientemente como a personagem principal das nossas próprias histórias? Quando os nossos filhos se sentem como a personagem principal da sua própria história, podem sentir-se mais conscientes da sua presença, do seu poder em criar uma narrativa da qual se possam orgulhar. E viajar é uma das formas mais vibrantes de criar memórias.

Pergunte a si próprio quais seriam os novos cenários em que colocaria a sua família este ano. Quais são as personagens complexas que espera com que os seus filhos se cruzem? Que aventuras fora da caixa é que a sua família vai enfrentar? De seguida, imagine todas as formas pelas quais as suas vidas podem despertar com maior interação e ligação a tudo o que as rodeia.

Amy Brecount White é uma escritora sediada na Virgínia que tem a aspiração de aprofundar as ligações da sua família com o mundo. Pode encontrá-la no Instagram e no Twitter.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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