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Estas formações rochosas deslumbrantes estão num local onde outrora os dinossauros vaguearam

No alto do deserto do Novo México, extensos terrenos abertos atraem caminhantes e fotógrafos com os seus “hoodoos” sobrenaturais e uma riqueza de fósseis.

Publicado 8/04/2022, 10:03
hoodoos

Formações rochosas chamadas hoodoos pontilham o deserto de Bisti/De-Na-Zin, na região norte do Novo México. Esta zona desértica é rica em fósseis de dinossauros e de outros animais que aqui viveram na antiguidade.

Fotografia por Efrain Padro, Alamy Stock

À primeira vista, a paisagem de arenito desgastada pelo vento do deserto de Bisti/De-Na-Zin parece o lugar mais desolado da Terra, uma extensão inóspita de céu aberto, areia e formações rochosas com formas estranhas conhecidas por hoodoos.

Contudo, há milhões de anos, estas terras áridas, onde atualmente fica a região norte do Novo México, eram um pântano costeiro num mar interior, repleto de árvores enormes, répteis, mamíferos primitivos e dinossauros carnívoros.

Os povos Navajo (Diné) – cujas terras se cruzam e fazem fronteira com estes 16.660 hectares de terras protegidas – deram à região um nome duplo: Bisti, que significa “grande área de colinas de xisto”, e De-Na-Zin, que significa “garças em pé”. As altas planícies desérticas que cercam o deserto de Bisti/De-Na-Zin ficam a mais de 1.980 metros acima do nível do mar, embora as próprias terras áridas fiquem a 60 ou a 120 metros mais abaixo devido à erosão.

Os caminhantes encontram muitas formações rochosas de arenito no deserto de Bisti/De-Na-Zin, na região norte do Novo México.

Fotografia por Colin D. Young, Alamy Stock

Para os Navajo e outros povos indígenas, estas terras serviam como uma rota de migração sazonal, eram consideradas terrenos sagrados e até mesmo uma espécie de área de lazer. “Eu e os meus primos vínhamos para aqui acampar e explorar”, diz Kialo Winters, fundador da Navajo Tours USA, que realiza excursões guiadas no deserto. “Era um ótimo lugar para jogar às escondidas.”

Foram necessários milénios para os pântanos exuberantes se transformarem nestas terras desérticas que parecem ter saído de outro mundo, onde os efeitos da erosão sobre o arenito criaram formas semelhantes a cogumelos, ou imponentes peças de xadrez – ou até mesmo ovos estrelados. Eis o que levou à criação destas formações, o que procurar quando visitar o local e como explorar esta região delicada sem a danificar.

Um passado fértil em ‘bestas’

Os efeitos de milhões de anos de erosão formaram o deserto de Bisti/De-Na-Zin num dos cantos da Bacia de San Juan. Outrora coberta de pântanos e deltas do Mar Interior Ocidental, nos tempos pré-históricos esta área estava repleta de sedimentos e materiais orgânicos. Algures no tempo, uma erupção vulcânica cobriu tudo com cinzas. Quando o mar começou a recuar, há cerca de 50 milhões de anos, os dinossauros, répteis e outros animais prosperaram nos pântanos ao longo dos leitos dos rios resultantes.

Eventualmente, a água desapareceu por completo, deixando para trás camadas embebidas com arenito, argilito, xisto e carvão, camadas que foram todas levantadas com o Planalto do Colorado há cerca de 6.000 anos. Pouco depois disso, a última era glacial retrocedeu e as águas do degelo dos glaciares escavaram a rocha. Isto formou os chamados hoodoos distintos e expôs a riqueza de fósseis e madeira petrificada da região de Bisti.

“Através das plantas e bosques fósseis, sabemos que esta zona foi outrora uma selva com muitos dinossauros”, diz o professor Spencer Lucas, curador de paleontologia do Museu de História Natural e Ciência do Novo México, em Albuquerque. “Quando os animais morriam aqui, ficavam rapidamente enterrados na areia e na lama – que os preservaram.”

A “Besta de Bisti”, um crânio fóssil com 70 milhões de anos de uma espécie de tiranossauro, foi descoberto no deserto de Bisti/De-Na-Zin. Agora está em exposição no Museu de História Natural e Ciência do Novo México, em Albuquerque.

Fotografia por Marla Brose, Albuquerque Journal/ZUMA Wire/Alamy Stock Photo

Os cientistas já descobriram e escavaram vários fósseis nestas terras protegidas, que são supervisionadas pelo Gabinete de Gestão de Terras, uma agência do Departamento do Interior dos EUA que é responsável pela proteção das áreas naturais indicadas pelo governo.

Os animais que outrora vaguearam por estas terras incluem dinossauros bico de pato, tartarugas antigas e a “Besta de Bisti”. Esta última, encontrada por um voluntário em 1997, é um dinossauro “devastador” com nove metros de comprimento, um parente primitivo do T. rex. Agora em exibição no Museu de História Natural e Ciência do Novo México, em Albuquerque, o Bistahieversor sealeyi acabou por ser considerado uma espécie completamente nova.

Explorar o deserto

Os cientistas são atraídos pela região de Bisti porque podem escavar dinossauros, mas os viajantes são atraídos pelas formações rochosas da área – com as suas formas ondulantes e aparentemente abstratas que criam uma paisagem que se assemelha tanto à superfície da lua como a um cenário do Velho Oeste dos desenhos animados. É o cenário ideal tanto para fotógrafos da natureza que andam carregados com tripés como para aqueles que andam simplesmente com um telemóvel.

Moldadas pelos efeitos da erosão e do vento, estas torres e hoodoos variam de altura – desde alguns metros até às dezenas de metros de altura (o termo hoodoo pode vir do vodu afro-caribenho, uma referência às formas sobrenaturais das formações.)

Esquerda: Superior:

Com o apelido de “ovos rachados”, estas formações rochosas no deserto de Bisti/De-Na-Zin são muito populares entre os fotógrafos.

Fotografia por Design Pics Inc., Alamy Stock
Direita: Fundo:

Este hoodoo ‘alado’ no deserto de Bisti/De-Na-Zin foi formado por milhões de anos de erosão.

Fotografia por Jeremy Woodhouse, Getty Images

Alguns hoodoos parecem alados; outros parecem ovos a chocar. “As características erosivas são surpreendentes, parecem formas de arte naturais”, diz Spencer Lucas. Estas formações podem ser encontradas em torno das “esteiras” – remanescentes dos antigos leitos de rios – começando a pouco mais de um quilómetro de caminhada de qualquer um dos dois pontos de acesso a esta área selvagem. Ambas as entradas estão localizadas a menos de uma hora de carro a sul de Farmington, no Novo México, ou a uma hora e meia de carro a sul de Durango, no Colorado.

Devido à natureza delicada do solo e aos possíveis danos provocados nos hoodoos, a região selvagem de Bisti/De-Na-Zin só pode ser explorada a pé ou a cavalo.

“Tenha o cuidado de pisar apenas em solo firme”, diz Kialo Winters. “O solo mais macio e emplumado perto das bases dos hoodoos representa uma erosão natural contínua e não queremos perturbar o equilíbrio destas formações.” Para além de manter a distância dos hoodoos, é imperativo não lhes tocar ou noutros fósseis antigos, como na madeira petrificada ou apanhar conchas.

Embora os dinossauros já não vagueiem pela região há cerca de 65 milhões de anos, estas terras áridas são surpreendentemente ricas em vida selvagem, sobretudo aves. Pode observar águias-reais, pipilos e corvos nos céus do deserto, ou coelhos e outros animais na areia e vegetação rasteira. À noite, os campistas podem observar coiotes ou, mais raramente, uma centopeia gigante do deserto (Scolopendra heros) que pode atingir os 20 centímetros de comprimento.

A vastidão deste deserto e a interdição aos veículos com rodas significa que os caminhantes, cavaleiros e campistas geralmente têm estas terras praticamente só para si. Não existem trilhos marcados a partir de qualquer um dos pontos de entrada no deserto, o que significa que os visitantes sentem a natureza de uma forma mais livre e menos orientada.

Infelizmente, isto também significa que é fácil uma pessoa perder-se. Algumas aptidões de navegação ou um guia podem ajudar nas áreas onde os sinais de telemóvel são fracos. Ao explorar a região, o Gabinete de Gestão de Terras dos EUA recomenda a utilização de uma aplicação para telemóvel, ou de um dispositivo de GPS com um mapa topográfico carregado previamente antes da visita.

Também é uma boa ideia levar o apoio de mapas de papel e uma bússola, ou um segundo telemóvel com os mapas já carregados. O departamento do Gabinete de Gestão de Terras do Novo México criou mapas de caça/recreação que podem ser descarregados e usados com a aplicação gratuita CarryMap. Os mapas topográficos também podem ser descarregados.

A alta altitude destas planícies desérticas significa que os dias de verão podem ser quentes e as noites de inverno frias (e às vezes também neva). Isto torna a primavera e o outono nos momentos ideais para visitar a região, mas é necessário levar protetor solar, chapéu e muita água, independentemente da estação do ano.

Jennifer Barger é editora sénior da secção de viagens da National Geographic. Pode encontrá-la no Instagram.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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