A Suécia abraça o lado selvagem com estas cabanas gratuitas

Uma rede informal de casas de campo, cabanas e barracas de caminhada oferece uma forma excêntrica e ao ar livre de explorar esta nação nórdica.

Por Jennifer Barger
Publicado 29/06/2022, 11:45
Lunsentorpet

A Suécia tem uma rede informal de cabanas gratuitas para pernoitar, incluindo esta casa na região de Uppsala. Estes locais – que variam desde cabanas de caminhada mais primitivas a chalés modernos – funcionam por ordem de chegada.

Fotografia por Moa Karlberg

Se visitar a Suécia pode legalmente caminhar, andar de bicicleta, esquiar e acampar em qualquer lugar, com exceção para os jardins ou quintais particulares e terras agrícolas. Este conceito, conhecido por allemansrätten, ou direito de acesso público, faz parte integrante da cultura do país.

Para além do convite para montar uma tenda de campismo, muitas das áreas selvagens e parques da Suécia também têm cabanas gratuitas para qualquer pessoa passar a noite. Algumas são antigas cabanas de caça ou barracas de pesca, mas outras são antigas casas de campo que foram doadas a governos e municípios.

Existem mais de 250 locais destes, variando desde as construções mais primitivas a locais quase a exagerar no peluche. A fotógrafa sueca Moa Karlberg captou dezenas de cabanas destas para o livro Stuglandet (“o país das cabanas”), que coproduziu com o escritor Kjell Vowles.

Caminhantes percorrem a Costa Alta da Suécia, no Parque Nacional Skuleskogen. Existem cinco cabanas de uso gratuito neste parque florestal perto do Mar Báltico.

Fotografia por Moa Karlberg

“Fiquei a conhecer a cultura e a história de lugares na Suécia que não eram pontos de foco turísticos”, diz Moa Karlberg. “Vemos muita floresta e muitos lagos.” As fotografias e textos desta fotógrafa retratam habitações e paisagens de sonho em regiões como a bela Lapónia e Gävleborg, no Mar Báltico.

Há uma cabana do século XIX que tem papel de parede em tons de azul e branco e tapetes de lã em Gotaland, e pequenas cabanas vermelhas espalhadas por todo o campo que têm interiores de madeira e beliches acolhedores. “Gosto de estar na natureza, mas não sou uma campista selvagem”, diz Moa Karlberg. “Nestas cabanas podemos desfrutar de uma vida mais simples, e são muito mais convenientes do que uma tenda. Ficamos mais abrigados se chover.”

Esquerda: Superior:

A cabana Lunsentorpet, localizada na zona rural perto de Uppsala, na Suécia, oferece um lugar para pernoitar.

Direita: Inferior:

Algumas das cabanas gratuitas na Suécia estão confortavelmente mobiladas, incluindo a casa de campo de Blommastugan, um edifício histórico com três divisões no meio da natureza, perto da cidade de Torsås.

fotografias de Moa Karlberg

Muitas das fotografias de Moa Karlberg retratam a magia de passar tempo com outros aventureiros na natureza: famílias com crianças a caminhar pela floresta, amigos reunidos em torno de uma mesa rústica a tomar café. “Conhecemos muitas pessoas quando visitamos estas cabanas, porque não as podemos reservar e estão abertas a qualquer pessoa”, diz Moa Karlberg.

O escritor Kjell Vowles iniciou o projeto na esperança de revelar as duas regiões menos conhecidas da Suécia e divulgar as cabanas gratuitas, que não estão bem documentadas. Kjell Vowles e Moa Karlberg publicaram o guia pela primeira vez em 2017; que foi atualizado e ampliado em 2021.

(Caminhadas entre cabanas é a melhor forma de conhecer a Nova Zelândia.)

“Algumas pessoas na Suécia têm cabanas de família antigas, mas nem todos conhecem estes locais onde podem ficar”, diz Kjell Vowles. O livro (que só há em sueco) fornece informações detalhadas e mapas sobre a localização das habitações; os viajantes também podem encontrar muitas das cabanas através do site Naturkartan.

Tanto este livro como o estimulo trazido pela pandemia para passar mais tempo ao ar livre têm tornado algumas destas cabanas mais conhecidas. Há até viajantes que fazem peregrinações a várias propriedades num ano, acumulando inúmeras noites em beliches e conversas à volta da fogueira com estranhos.

(Descubra como pode visitar a cultura Sápmi indígena da Escandinávia.)

Podemos usar como exemplo Erika Åhlund e o seu companheiro, Christer Moberg, que compraram o guia Stuglandet em 2017. “Desde então, ficámos em 48 das chamadas cabanas abertas”, diz Erika Åhlund. “As cabanas afastam-nos dos problemas do quotidiano na cidade e dos nossos apartamentos.”

Todas as cabanas têm fogões a lenha, o que significa que os “colecionadores” de cabanas como este casal podem visitar um local na primavera para andar de caiaque e procurar frutos silvestres e no inverno para esquiar. Só é preciso levar comida e um saco-cama antes de fazer o check-in.

“Os suecos têm uma relação muita próxima com a floresta, e esta é outra maneira de explorar esse lado”, diz Kjell Vowles.

Esquerda: Superior:

A cabana Hjortronbergsmossen fica na reserva natural de Djupdalshöjden, na Suécia, e permite que amigos, familiares e estranhos se unam. As cabanas gratuitas estão abertas a todos.

Direita: Inferior:

Os hóspedes da cabana Hjortronbergsmossen passam a noite em beliches de madeira, mas devem levar os seus próprios sacos-cama. Se chegar a uma cabana e encontrar todas as camas ocupadas, pode dormir no chão ou montar uma tenda no exterior.

fotografias de Moa Karlberg

Hóspedes desfrutam da estadia no alpendre da cabana Angsjökojan, no parque nacional de Björnlandet, na região norte da Suécia.

 

Fotografia por Moa Karlberg

Um aventureiro explora os pântanos lamacentos perto de uma das cabanas gratuitas em Uppsala.

Fotografia por Moa Karlberg

Um hóspede da cabana Sundbergsholmen, na região norte da Suécia, prepara-se para dar um mergulho no rio Råneå.

Fotografia por Moa Karlberg

Hóspedes de uma das cabanas no Parque Nacional Skuleskogen lavam a loiça num lago.

Fotografia por Moa Karlberg

Moa Karlberg é uma fotógrafa sueca. Pode encontrá-la no Instagram.

Jennifer Barger é editora da National Geographic Travel. Pode encontrá-la no Instagram.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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