Adora queijo e trilhos? Descubra onde tem de ir.

Se o queijo é um dos seus “pecados” preferidos e adora fazer trilhos, descubra onde deve ir para encontrar este blend espetacular.

O arquipélago dos Açores é o solo de algumas das melhores pastagens e paisagens nacionais. Aqui, um turista faz o trilho do Caldeirão na ilha do Corvo.

Fotografia por Rui Gaiola
Por Filipa Coutinho
Publicado 12/10/2022, 12:24

Foi o primeiro arquipélago no mundo a obter a certificação internacional de destino turístico sustentável, em 2019, e é também o lar de queijo premiado internacionalmente e o palco natural de trilhos verdadeiramente miríficos. Por outras palavras, os Açores são um paraíso, considerado recentemente o Havai da Europa.

Durante vários séculos, a forma mais fácil de viajar para uma localidade diferente, na mesma ilha, era por via marítima. Os caminhos pedestres eram raros e poucos permitiam a passagem de carruagens ou carros de bois. Foi essa rede de caminhos por onde se deslocavam as populações que tem vindo a ser recuperada. Juntos ligam quase todos os recantos de cada uma das ilhas.

Com sabor intenso e uma variedade imensa de tempos de cura, tempero e formato, o queijo dos Açores é memorável. Eis um guia para desfrutar de alguns dos melhores trilhos açorianos e acompanhá-los com os fabulosos queijos da região, das ilhas ocidentais às orientais.

Corvo

O percurso do Caldeirão vai até ao topo da caldeira, onde consegue ter uma varanda natural.

Fotografia por Azores Promotion Board

Descoberta pelo navegador Diogo de Teive por volta de 1452, esta Reserva Mundial da Biosfera, é a menor ilha do arquipélago e também a menos populosa. Um dos poucos lugares onde a chave ainda fica na porta de casa e as pessoas se conhecem todas.

Pouco apetecível na altura da sua descoberta, pela sua localização remota e a ausência de um porto seguro, a ilha serviu de refúgio a corsários, saqueadores e piratas. Hoje, o local habitado mais remoto de Portugal, é um reconhecido destino de observação ornitológica e atividades subaquáticas.

Trilhos: O do Caldeirão leva-o ao topo da caldeira num percurso de 4.8 quilómetros até à vista arrebatadora. Esta rota circular permite aceder à caldeira em colapso, um dos principais geossítios da ilha, a uma altitude entre os 400 e os 560 metros. Ao longo do passeio é natural que encontre gado bovino, equino e caprino.

O trilho da Cara do Índio com uma extensão de cerca de 10 quilómetros, é de dificuldade média e une dois importantes geossítios – o Caldeirão à Vila do Corvo. O percurso serpenteia um cone vulcânico com cratera aberta, conhecido como geossítio da Coroínha e arriba de Pingas.

O queijo que acompanha: Queijo curado do Corvo

Flores

Esquerda: Superior:

Na Fajã Grande, localizada no concelho das Lajes das Flores, consegue combinar o trilho com alguns mergulhos. Este é considerado o local mais ocidental de toda a Europa.

Fotografia por Azores Promotion Board
Direita: Inferior:

As Flores são uma das ilhas mais isoladas de Portugal. Também aqui não há falta de trilhos para apreciar as paisagens insulares.

Fotografia por Manuel Pereira

Eleita frequentemente a mais bonita das nove ilhas, a ilha das Flores foi presenteada com uma beleza natural sublime. À semelhança do Corvo, é uma das ilhas mais isoladas de Portugal, onde toda a gente se conhece e se cumprimenta. Uma das melhores formas de se conhecer o território é a pé, ao longo dos seus percursos de caminhadas.

Trilhos: A Grande Rota das Flores não é para qualquer caminhante, mas os seus 47 quilómetros ligam Santa Cruz das Flores e a freguesia do Lajedo. É especialmente desaconselhada a quem não se sinta em boa forma física ou tenha vertigens. Aqui é possível tirar partido das zonas balneares por onde irá passar ou parar para apreciar os repastos da ilha.

O trilho da Fajã de Lopo Vaz, com uma extensão de 3.4 quilómetros, requer particular atenção à possível queda de pedras da falésia. Ao chegar ao nível do mar irá deparar-se com uma praia de areia negra, seixos basálticos e uma fonte de água. Aproveite para dar um mergulho. A fajã é muito usada para a observação de aves como o melro-negro (Turdus merula azorensis) e o tentilhão (Fringilla coelebs moreletti). 

O queijo que acompanha: Queijo curado e queijo fresco das Flores

Terceira

O trilho Baías da Agualva tem uma dificuldade média, ao longo de quase quatro quilómetros com uma duração aproximada de duas horas.

Fotografia por Azores Promotion Board

Esta é uma das ilhas com maior biodiversidade e com mais espécies e subespécies endémicas terrestres. Entre a fauna e flora, tem uma ementa variada de trilhos, conseguindo atravessar a Reserva Natural da Serra de Santa Bárbara e dos Mistérios Negros. A ilha Terceira é a que tem maior mancha de floresta nativa no arquipélago e isso é notório em alguns dos percursos.

Trilhos: Da Serreta à Lagoínha, ao longo de quase sete quilómetros, poderá observar uma pequena lagoa circundada por uma floresta de cedros. Outro ponto forte deste percurso é a Ribeira do Além, num vale profundo repleto de vegetação natural.

O trilho dos Mistérios Negros, com cerca de cinco quilómetros, tem início e fim na Gruta do Natal, próxima da Lagoa do Negro. Quase no final da caminhada observa-se o Pico Gaspar, que poderá subir para ver uma cratera rica em endemismos.

Outra opção é o circuito pedonal de visita das Furnas do Enxofre, com pouco mais de seis quilómetros, que atravessa a zona das fumarolas e a encosta Norte da ilha, e o do Monte Brasil, uma rota circular com 7.4 quilómetros onde está implantada a Fortaleza de São João Baptista. Há também o trilho das Baías da Agualva, parcialmente integrado na área protegida para a gestão de habitats ou espécies da Costa das Quatro Ribeiras do Parque Natural da Terceira, também classificada como Zona Especial de Conservação no âmbito da Rede Natura 2000. O percurso encontra-se atualmente fechado ao público.

O queijo que acompanha: Queijo curado de vaca

Pico

O trilho das Vinhas da Criação Velha foi distinguido em 2011 pela agência BootsnAll. Este percurso prima pela diversidade paisagística e cultural. 

Fotografia por Azores Promotion Board

O nome do Pico tem origem no majestoso cume que emerge nesta ilha – a mais alta montanha em Portugal, com 2.351 metros de altitude. Esta ilha é conhecida pela riqueza mineral dos seus solos de lava e pelas vinhas que produzem o saboroso vinho do Pico das castas autóctones da ilha, Arinto, Verdelho e Terrantez.

Esta ilha tem um dos mais intensos e memoráveis trilhos portugueses. O imenso cone vulcânico da montanha do Pico, o terceiro maior vulcão do Atlântico, impõe-se na paisagem da ilha e na própria ilha do Faial. Na cratera principal aloja-se um cone de lava designado Piquinho, no topo do qual fumarolas permanentes encarregam-se de lembrar a sua natureza vulcânica. Do cume, em dias solarengos, é possível ter um vislumbre das ilhas Graciosa e Terceira.

Trilhos: O trilho das Vinhas da Criação Velha, com aproximadamente sete quilómetros é um dos mais recomendados, não só pela sua facilidade como por acompanhar quase sempre a Paisagem Protegida da Cultura da Ilha.

Por seu lado, o Caminho das Lagoas, já é mais extenso, embora de dificuldade fácil. Os seus 22 quilómetros levam-no numa viagem pelo interior da ilha, passando pelas maravilhosas Lagoas do Caiado, Lagoa Seca, Lagoas do Peixinho, Lagoa do Paúl, e pela Reserva Natural do Caveiro.

O queijo que acompanha: Queijo curado de pasta mole

São Jorge

Esquerda: Superior:

Existe um trilho que passa pela Fajã da Caldeira de Santo Cristo, aqui fotografada, terminando na terminando na Fajã dos Cubres. O percurso tem cerca de 10 quilómetros de extensão e nível de dificuldade médio.

Direita: Inferior:

O famoso queijo de São Jorge tem um travo ligeiramente picante e aroma forte muito característico.

fotografias de Azores Promotion Board

Implantada no centro do arquipélago, esta é talvez a ilha mais selvagem dos Açores. Com uma costa acidentada, escarpas, e dezenas de fajãs, São Jorge tem uma vasta oferta de trilhos e duas Grandes Rotas. É um dos vértices do triângulo Faial – Pico – São Jorge e promete render os visitantes com as suas paisagens encantadoras.

Trilhos: O trilho da Fajã de Além com uma rota circular e uma extensão inferior a cinco quilómetros, permite visitar esta fajã remota e apreciar vistas maravilhosas. Depois há a rota linear de Pico do Pedro – Pico da Esperança – Fajã do Ouvidor, ao longo da cordilheira montanhosa. Este trilho de quase 17 quilómetros deve ser percorrido com bom tempo para melhor visibilidade do trajeto e envolvência. Para os que procuram um desafio maior, a Grande Rota de São Jorge 02, tem uma extensão de 52 quilómetros e percorre mais ou menos metade da ilha.

O queijo que acompanha: O queijo de São Jorge

Faial

A célebre marina do Faial, conhecida pelas pinturas deixadas por quem atraca na ilha.

Fotografia por Azores Promotion Board

Esta é a ilha da força da natureza, do vulcão dos Capelinhos e do Peter’s. É também aqui que existe a tradição dos velejadores que param no seu porto deixarem uma pintura sobre a sua embarcação nos paredões da marina – vale a pena o passeio!

Trilhos: Aqui há rotas para todos os gostos - pequenas e grandes. Começamos por sugerir o trilho do Cabeço do Canto, uma rota curta circular com 2.6 quilómetros, que permite percorrer uma parte da cordilheira vulcânica da Península do Capelo. Ao trilho linear dos Dez Vulcões, com quase 20 quilómetros de extensão, deve dedicar-se um dia exclusivo. Este trilho estonteante termina no vulcão dos Capelinhos, com uma vista espetacular.

O trilho da Caldeira, que percorre a borda da Caldeira do Faial, deve ser feito com boa visibilidade. Tem perto de sete quilómetros e passa pelo ponto mais alto desta ilha – o Cabeço Gordo, a 1.043 metros de altitude. Este trilho pode ser combinado com o trilho dos Dez Vulcões e, se for o caso, é aconselhável que faça apenas metade do trilho da Caldeira.

Se procurar uma grande rota, o Faial Costa a Costa é um percurso linear difícil com cerca de 37 quilómetros, ao qual deve dedicar pelo menos 12 horas. Passa por cones vulcânicos, crateras, furnas e algares e percorre a superfície de uma das falhas transversais da grande cordilheira submarina, resultante da última grande separação continental.

O queijo que acompanha: Queijo amanteigado de pasta mole

Graciosa

É possível visitar apenas a Furna do Enxofre ou fazer o trilho da Volta à Caldeira - Furna do Enxofre que também permite visitar o local.

Fotografia por Azores Promotion Board

A Graciosa é uma das ilhas mais pequenas dos Açores e integra a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO. É a ilha menos húmida do arquipélago e a mais setentrional do grupo central. É muito fácil visitá-la, de carro ou de mota. O seu importante património geológico engloba lugares com interesse científico e pedagógico, no Geoparque dos Açores.

Aqui recomendamos que visite a Furna da Maria Encantada, um tubo lávico que se originou no transbordo de lava sobre o bordo da cratera da Caldeira da Graciosa. Encontrará paisagens impressionantes e vistas privilegiadas para o interior da caldeira, através das suas aberturas laterais.

Trilhos: O trilho circular da Volta à Caldeira – Furna do Enxofre, com próximo de 11 quilómetros, permite visitar alguns dos melhores lugares da ilha. São eles a Furna do Enxofre, a Furna do Abel, a Furna d’Água e a Furna da Maria Encantada.

A Grande Rota da Graciosa percorre uma imensa parte da ilha, ao longo de 40 quilómetros. Este percurso é dividido em duas etapas de aproximadamente 20 quilómetros. A primeira, faz a ligação entre a zona da Barra e a freguesia da Luz, e permite a contemplação da zona da Praia, da Ponta da Restinga, e das Reservas Naturais dos Ilhéus da Praia e de Baixo. Também é possível apreciar a paisagem vulcânica mais emblemática da ilha, a Caldeira.

Na segunda etapa, que liga a freguesia da Luz ao ponto inicial da Barra, destacam-se a Caldeirinha de Pêro Botelho, um algar vulcânico com 25 metros de profundidade que é um autêntico miradouro natural sobre grande parte da ilha, o vale entre o Maciço Central e o Maciço da Caldeira, e as relheiras de antigos carros de bois na área das Fontes.

O queijo que acompanha: Queijo da Ilha Graciosa

São Miguel

A Lagoa do Fogo na ilha de São Miguel é uma das maiores lagoas do arquipélago dos Açores e foi classificada reserva natural em 1974.

Fotografia por André Delmar

Esta é a grande ilha do arquipélago, onde encontrará variadas atividades de aventura e lugares para desbravar. A lista de locais a visitar é agradavelmente extensa, pelo que a forma mais prática de circular é alugando um carro. Alguns dos marcos inesquecíveis são: a Ponta da Ferraria, uma pequena piscina natural aquecida por vapores vulcânicos; a Lagoa das Sete Cidades; a Lagoa do Fogo; o Parque Terra Nostra; o Miradouro da Lagoa do Canário e o Ilhéu de Vila Franca do Campo.

Trilhos: Comecemos por um trilho fácil e prazeroso, o que visita as plantações do Chá Gorreana. É uma rota circular com 3.4 quilómetros naquela que é a mais antiga plantação de chá europeia, fundada em 1883, e termina precisamente na fábrica de chá. A rota da Lagoa das Furnas é outro trilho fácil, embora mais longo – com um total de 9.5 quilómetros. Passa pela famosa Poça da Dona Beija, Ermida de Nossa Senhora das Vitórias, Mata Jardim José do Canto e pela Casa dos Barcos.

Da Mata do Canário às Sete Cidades distanciam-se cerca de 12 quilómetros. Ao longo da cumeeira contempla-se o interior da caldeira e as várias lagoas e formações vulcânicas. Avista-se também toda a costa norte da ilha. No trilho que vai da Praia à Lagoa do Fogo, com 11 quilómetros, percorrem-se as ruínas da antiga fábrica onde eram produzidas fibras a partir da planta Espadana (Phormium tenax) e observam-se vários exemplares de flora endémica como a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum), a urze (Erica azorica) e o folhado (Viburnum treleasei). É aconselhável o uso de calçado apropriado para zonas enlameadas, pois passará por várias.

Outros dos trilhos mais famosos é o que liga o miradouro da Vista do Rei às Sete Cidades, de dificuldade fácil e com quase oito quilómetros de extensão. O percurso percorre a vertente sudoeste da cumeeira das Sete Cidades e permite contemplar o interior da caldeira.

O queijo que acompanha: Queijo curado de São Miguel

Santa Maria

A Ribeira dos Maloás é uma formação geológica localizada na costa sul da ilha de Santa Maria. Constitui um afloramento de colunas basálticas gigantesco, possuindo entre 15 a 20 metros de altura e cerca de 220 metros de extensão. O local é acessível e de fácil observação, pois a ribeira está localizada num sítio em que permite que o visitante observe as colunas tanto de um ângulo superior como de outros ângulos.

Fotografia por Azores Promotion Board

Esta é a ilha mais meridional do arquipélago e considerada um dos grandes segredos dos Açores. Distingue-se por não ter sinais de vulcanismo ativo e uma paisagem menos verde com praias de areia branca banhadas por águas azul-turquesa. Além de ser a ilha mais antiga do ponto de vista geológico, terá sido a primeira ilha açoriana a ser descoberta e onde o povoamento se iniciou. A Vila do Porto de Santa Maria foi a primeira vila do arquipélago a receber Carta de Foral, em 1470.

Trilhos: O da Costa Sul, de dificuldade média e com oito quilómetros de extensão, vai desde a Vila do Porto até à Praia Formosa, ao longo da costa. Inicia-se junto ao Forte de São Brás e termina junto ao mar. Quando lá chegar, desça e procure a Prainha, uma praia selvagem quase sem ninguém.

A Grande Rota de Santa Maria, com uns impressionantes 78.6 quilómetros divididos em quatro etapas, percorre toda a ilha e permite conhecer lugares idílicos e observar várias aves migratórias que ali encontram descanso. Este trilho tem vários desvios que o conduzem a miradouros com vistas deslumbrantes.

O queijo que acompanha: Queijo de ovelha

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