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6 Dicas para tornar as suas próximas férias na praia mais sustentáveis

A subida das marés, a erosão das praias e o sobreturismo ameaçam as estâncias balneares. Descubra como os viajantes podem ajudar o turismo sustentável em destinos costeiros.

Por Sarah Stodola
Publicado 18/08/2022, 11:57
Praia em Nags Head, Carolina do Norte

 

Muitas das casas de praia em Nags Head, na Carolina do Norte, são construídas sobre palafitas, algo que as pode ajudar a enfrentar furacões e inundações. Contudo, nos últimos anos, estas construções em Outer Banks têm desmoronado, em parte devido à subida do nível do mar provocada pelas alterações climáticas.

Fotografia por John Greim, Loop Images, Universal Images Group, Getty Images

Vivem-se tempos difíceis para os amantes de praia. A subida do nível do mar e as tempestades cada vez mais intensas estão a provocar danos nas regiões costeiras de todo o planeta. As casas de férias ao longo dos Outer Banks da Carolina do Norte estão a perder a batalha contra o oceano; Miami Beach ficou sem areia para reabastecer as suas praias desgastadas pela erosão; e os danos provocados pelas tempestades nas Caraíbas têm custado repetidamente milhares de milhões de dólares.

As 7000 estâncias balneares do mundo inteiro operam literalmente na linha da frente desta luta, e o turismo sustentável tem vindo a tornar-se numa ferramenta fundamental nesta batalha. Mas as estâncias à beira-mar não estão apenas a reagir às mudanças nas costas, também estão a contribuir para o problema.

No início do século XIX, quando as estâncias à beira-mar se tornaram numa moda para a classe alta britânica, os comboios movidos a carvão usados para chegar a estes locais já estavam a aquecer a atmosfera e a impulsionar a subida dos oceanos. Após a Segunda Guerra Mundial, as classes médias emergentes nos Estados Unidos e na Europa transformaram as férias na praia num marco cultural graças aos rendimentos disponíveis, às férias remuneradas e à acessibilidade das viagens aéreas e das vacinas contra doenças tropicais.

Na ilha havaiana de Oahu, a praia de Waikiki atrai muitos visitantes todos os anos. Apesar de estar rodeada de palmeiras, estas árvores não são nativas e ajudam pouco na luta contra a erosão costeira.

Fotografia por Benny Marty, Getty Images

As viagens globais explodiram nos séculos XX e XXI. Em 1950, viajaram internacionalmente cerca de 25 milhões de pessoas. Em 2019, estes valores rondavam os 1,5 mil milhões. Os turistas gravitavam mais para as costas da Tailândia e do Havai. Só estes voos de avião contribuíram para a maior parte da crescente pegada de carbono das viagens.

Em finais do século XX, o paraíso já estava a precisar de ajuda. Foi assim que emergiu o turismo sustentável, conceito que basicamente significa adotar práticas para reduzir os efeitos negativos socioeconómicos e ambientais do turismo de massas.

Tal como escrevo no meu novo livro, The Last Resort: A Chronicle of Paradise, Profit, and Peril at the Beach, é difícil encontrar uma sustentabilidade real no turismo de praia. Ainda assim, descobri lugares e práticas que estão efetivamente a responder à crise climática.

Os viajantes podem ajudar através das suas escolhas, podem apoiar ao estarem cientes de como o turismo está a impactar as regiões costeiras e a reduzir as suas próprias pegadas de carbono. Seguem-se seis ideias para viagens sustentáveis que pode ter em consideração antes de planear a sua próxima fuga para o paraíso.

Durma longe da praia

Os hotéis enormes e outras estruturas de betão construídas na praia bloqueiam o fluxo da areia, provocando inevitavelmente a erosão. Assim que a areia desaparece, os proprietários das estâncias enfrentam escolhas difíceis: construir um paredão para proteger a terra, reabastecer continuamente a praia ou abandonar o edifício.

Estes tipos de estâncias devem estar afastados da praia, e idealmente devem ser compostos por vários edifícios mais pequenos em vez de um só imóvel, usando materiais e técnicas que facilitem futuras relocações e reparações após tempestades.

Ideia ecológica: Na Nicarágua, a lei exige que os novos edifícios estejam 50 metros afastados da linha de maré alta. Isto motivou estâncias como a Maderas Village a construir cabanas nas colinas no meio das árvores. A estância utilizou madeira nativa e folhas de palmeira na construção. Tudo isto significa vistas mais desafogadas e brisas para os hóspedes, uma recuperação mais rápida das tempestades e a preservação do ecossistema costeiro.

Reduza os voos de longa distância

Nas férias que envolvem viagens aéreas de longa duração, só o voo pode representar três quartos da sua pegada total de carbono. Isto significa que não importa o quão sustentável é uma estância no outro lado do planeta, o impacto geral da sua estadia não pode ser considerado ecologicamente correto. Em vez disso, pense em ficar numa cidade costeira mais perto de si (talvez uma que possa chegar de comboio ou outro transporte público) em vez das Maldivas.

Em alguns países, estas decisões podem em breve não ser tomadas pelos viajantes. Os países europeus já estão a promulgar leis para desencorajar as viagens aéreas.  França proibiu os voos domésticos onde um comboio pode cobrir a mesma rota em duas horas e meia ou menos, e Áustria proibiu os voos que custam menos de 40 euros. O Reino Unido tem considerado a proibição dos programas de passageiro frequente, que recompensam os viajantes pelos voos de longa distância.

Inteligente e sustentável: Escolher uma estância mais perto de casa pode fazer uma diferença enorme na pegada de carbono das suas férias. Se tiver de voar, comprar compensações de carbono para a viagem ajuda. Se tentar evitar voar, não vai estar sozinho. Na Suécia, onde o “flight-shaming” se tornou numa força social, os passageiros nos aeroportos do país diminuíram 4% em 2019.

Largue o hábito das palmeiras

As palmeiras são símbolos duradouros da cultura de praia, e tanto são plantadas nas areias de Cancún como ao longo do Mediterrâneo na Riviera Francesa. Mas os coqueiros são nativos apenas de partes da Península Malaia e da Índia, e são quase inúteis na criação de linhas costeiras sustentáveis. As suas raízes superficiais fazem pouco para conter a erosão – não absorvem tanto carbono como muitas outras espécies, fornecem pouca sombra e requerem muita água.

À medida que os coqueiros se foram tornando omnipresentes nos hotéis pelo mundo inteiro, muitas plantas nativas desapareceram, principalmente os mangais em frente a muitas praias tropicais que vão desde a Flórida até à América Central, da África do Sul às Fiji. O reflorestamento de mangais oferece uma vasta proteção natural para as linhas costeiras.

Plantar com um propósito: West Palm Beach, na Flórida, exige agora que os parques de estacionamento tenham árvores plantadas, 75% das quais devem produzir sombra, ou seja, não podem ser palmeiras. Algumas estâncias estão a juntar-se a esta mudança de paradigma. A rede Six Senses, por exemplo, está a incorporar mais mangais no paisagismo das estâncias, principalmente na Tailândia, na esperança de ajudar a redefinir o conceito de uma praia ideal.

Procure estâncias que capacitem os habitantes locais

É difícil compreender a cultura e a paisagem de uma costa se formos um estranho. É por isso que, mesmo quando as empresas estrangeiras que gerem estas estâncias balneares têm boas intenções, muitas vezes percebem mal e gerem mal a situação no local e têm dificuldade em obter a adesão da população local. Se um novo programa de proteção costeiro interferir no trabalho dos pescadores locais sem levar em consideração as suas necessidades e os ajudar no processo de adaptação, por exemplo, é pouco provável que o programa seja bem-sucedido. Os habitantes locais conhecem as nuances destas situações e devem ser capacitados para contribuírem com as suas soluções.

Para além disso, a atividade local e o sentimento de pertença na indústria do turismo garantem que há mais receitas que permanecem na economia local, em vez de serem canalizadas para as empresas estrangeiras.

A ilha de Tioman, na Malásia, virou as suas atenções para a reciclagem e métodos de construção de baixo impacto para manter o seu turismo sustentável.

Uma inovação na reciclagem: Na ilha de Tioman, na costa leste da Malásia, o turismo de praia tem sido um motor económico desde a década de 1990. Os habitantes locais ficaram frustrados tanto com as pilhas crescentes de garrafas de cerveja dos turistas como com a falta de areia disponível para fazer cimento para os projetos de construção civil. Ambos os problemas foram enfrentados com uma solução engenhosa de uma ONG local – uma pequena máquina que transforma garrafas de vidro em areia.

Peça à sua ‘eco-estância’ para manter a palavra

Não existe qualquer lei que impeça um hotel de se autointitular “eco-resort”, mesmo que não opere de forma sustentável. Onde há certificações ecológicas como a LEED e Green Key, os seus custos exorbitantes excluem muitas das estâncias mais pequenas. O marketing engenhoso geralmente convence os hóspedes sobre a credibilidade ambiental de uma estância. Existe até um termo para isto: greenwashing. Não se deixe enganar pelas imagens.

(Descubra como os hotéis ‘emissão-zero’ podem tornar as viagens mais amigas do ambiente.)

Em vez disso, procure pequenos edifícios mais afastados da água, propriedades locais (de preferência com habitantes em cargos superiores) com janelas que se abrem para diminuir a necessidade de utilização de ar condicionado, locais que proíbem o plástico descartável e opte por menus com comida e bebida locais. Alguns hotéis mais responsáveis fornecem informações online sobre as suas fontes de eletricidade e práticas de gestão de resíduos.

Cuidado com os campos de golfe. São glutões que consomem centenas de milhares de litros de água todos os dias, muitas vezes em locais com problemas de abastecimento de água, e os fertilizantes usados para manter os campos tão verdes provocam estragos nos ecossistemas oceânicos mais próximos. Como se não bastasse, também obliteram a vegetação natural e muitas vezes obrigam à deslocação dos habitantes locais para serem construídos.

Um farol para as praias: Na luxuosa estância Nihi Sumba, na Indonésia, a maioria das áreas de estar e jantar são ao ar livre, minimizando a necessidade de ar condicionado. Todos os edifícios estão afastados da água; a vegetação natural permanece praticamente intacta; e os habitantes locais trabalham em vários cargos de nível superior. Para além disso, uma nova central de dessalinização e engarrafamento de água na propriedade eliminou todas as garrafas de plástico.

Evite os locais demasiado desenvolvidos

Ao início, quando surge o turismo de praia, a maioria dos habitantes acredita que os benefícios financeiros e sociais superam em muito os inconvenientes. Porém, à medida que o desenvolvimento aumenta e o controlo fica nas mãos de pessoas vindas de fora, atinge-se um ponto de inflexão em que indústria do turismo local é mais encarada como prejudicial do que benéfica. Em lugares como Cinque Terre, Itália, os habitantes estão agora a tentar reduzir o turismo, depois de verem os seus efeitos na qualidade de vida e na saúde do meio ambiente.

Os viajantes podem ter um efeito disruptivo neste ciclo de desenvolvimento frenético se optarem por destinos menos movimentados. Em vez de Santorini, opte para uma ilha grega mais tranquila, como Folegandros. Ignore a Costa Rica e siga para norte, até à Nicarágua. E os destinos menos sobrelotados também precisam muito mais das receitas vindas dos visitantes do que as mecas sobrecarregadas de turistas.

Paraíso protegido: As praias imaculadas de areia branca, as formações rochosas impressionantes e temperaturas a rondar os 26 graus o ano inteiro nas ilhas brasileiras de Fernando de Noronha permanecem intactas graças ao governo local que limita o turismo. Diariamente só podem desembarcar na ilha 420 viajantes, e todas as receitas financiam os esforços de conservação. Os 3000 habitantes das ilhas viram a sua qualidade de vida aumentar, sem terem de sofrer as desvantagens do desenvolvimento descontrolado.

Sarah Stodola, escritora de viagens e cultura, é autora de The Last Resort: A Chronicle of Paradise, Profit, and Peril at the Beach and Process: The Writing Lives of Great Authors. Sarah Stodola é fundadora da Flung, uma revista online com um olhar crítico sobre as viagens.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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