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Pensa que tem uma má história de viagem? Estes 13 romances são piores.

Estas histórias seguem viagens que são um pesadelo, desde um safari africano com um elevado número de mortos a umas férias nas Caraíbas arruinadas por um terramoto.

Por Jennifer Barger
Publicado 4/08/2022, 10:19
Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa

Uma rapariga lê um livro enquanto aguarda para fazer o check-in no Aeroporto Internacional Humberto Delgado, em Lisboa, no dia 9 de julho de 2022. Tal como acontece em muitas cidades europeias, a capital portuguesa tem sentido um aumento exponencial nas viagens pós-pandemia – com muitos atrasos e multidões de pessoas à espera.

Fotografia por Horacio Villalobos, Corbis, Getty Images

Preços da gasolina extremamente elevados, multidões nos parques nacionais, greves ferroviárias, voos cancelados e bagagem perdida – será que as viagens deste verão podem piorar?

Sim, podem. Pelo menos na ficção. Desde que há escritores a criar prosa que estes se divertem a enviar os seus heróis para lugares dignos de um postal, mas que não são tão idílicos quanto parecem.

“Há algo de sombriamente fascinante sobre férias que correm mal – todo o esforço que é necessário para planear uma viagem, a ideia de nos livrarmos do stress e podermos relaxar, para depois correr tudo mal num lugar onde podemos não falar o idioma, onde não estamos familiarizados com as leis e não sabemos como obter ajuda”, diz o romancista Greg Herren, vice-presidente executivo da Mystery Writers of America. “Há uma sensação de fuga nestes livros.”

Temos, por exemplo, a Odisseia de Homero, onde as ilhas gregas se transformam num labirinto cheio de monstros para o herói que regressa da guerra de Tróia, ou o cruzeiro egípcio na década de 1920 de Agatha Christie, Morte no Nilo. Mais recentemente, a romancista Lucy Foley (O Apartamento de Paris, A Última Festa) tem levado os seus jovens e atraentes personagens para algum lugar igualmente idílico e depois deixa os corpos empilharem-se.

Este verão, enquanto nos estivermos a interrogar se a nossa bagagem perdida não poderá estar a ter mais diversão do que nós, podemos recorrer a estes romances para superar a situação.

Uma mulher lê um livro em Molo Audace (um cais de pedra construído em 1751), em Trieste, Itália.

Jornadas infernais

O Grande Círculo, de Maggie Shipstead, 2021
A aviadora Marian Graves, ao estilo de Amelia Earhart, parte para circum-navegar o globo através dos polos Norte e Sul. Porém, as tempestades e o combustível cada vez mais escasso – e as dúvidas – atormentam a sua jornada ousada. Entrelaçado neste romance está um drama familiar épico repleto de ambição e resiliência, uma narrativa que se estende ao longo de várias décadas e voa das selvas do Montana para a crueza da cidade de Londres da Segunda Guerra Mundial.

Em Portrait of a Thief, de Grace D. Li, estudantes universitários tentam roubar arte pelo globo.

Fotografia por Courtesy Random House

Portrait of a Thief, de Grace D. Li, 2022
Neste romance anticolonialista de Grace Li, um quinteto de estudantes universitários sino-americanos transforma as visitas a museus em Amesterdão e Paris em roubos de arte. Ao tentar devolver à China as antiguidades saqueadas por outros países, estes criminosos improváveis entram em conflito com a Interpol e, por vezes, entre si. Este romance vertiginoso também mergulha no que significa existir entre duas culturas.

A Anomalia, de Hervé Le Tellier, 2021
Depois de ler este romance alucinante, acredite que não se vai queixar da turbulência e do lugar um bocado apertado no seu próximo voo transatlântico, sobretudo quando ler sobre o que acontece aos passageiros do voo Air France 006, de Paris para Nova Iorque. Vamos apenas dizer que as suas vidas nunca mais serão as mesmas. As consequências desta fuga fatídica variam desde assassinato e divórcio à fama e sucesso que definem uma carreira.

The Forgiven, de Lawrence Osborne, 2012
Depois de um almoço bem bebido em Tânger, o casal britânico Jo e David Henninger dirige-se para o deserto marroquino para uma orgia anual na casa de um amigo. Numa estrada escura e empoeirada, atropelam e matam acidentalmente um jovem berbere local, dando início a uma história arrepiante de culpa e redenção. Lawrence Osborne evoca a simplicidade sinistra do Saara e apresenta um elenco rico de personagens, que vão desde o pai enlutado do rapaz ao anfitrião da festa que é viciado em drogas. (A versão cinematográfica com Ralph Fiennes e Jessica Chastain está prestes a estrear.)

The Lioness, de Chris Bohjalian, 2022
Ataques de leões. Milhões de formigas que picam. Raptores com armas para matar elefantes. Os espaços abertos do Serengueti estão repletos de perigo e beleza neste conto sangrento sobre um safari na Tanzânia na década de 1960, que correu muito mal. Centrado em torno de uma estrela parecida com Elizabeth Taylor e a sua comitiva, este diário de viagem começa com glamour (há uma máquina de gelo movida a gerador e muitas roupas chiques) e rapidamente se transforma numa história de horror de homem contra fera.

Duas Noites em Lisboa, de Chris Pavone, 2022
Uma americana numa escapadinha de fim de semana a Lisboa com o seu novo marido, muito mais jovem, acorda no seu luxuoso hotel e descobre que o marido desapareceu. A mistura entre thriller de espionagem e diário de viagem acontece nas belas ruas da capital portuguesa, sem faltar o aroma a pastéis de nata com canela e o tique-taque dos antigos elétricos.

Férias atormentadas

Saint X, de Alexis Schaitkin, 2020 
Alexis Schaitkin recorre a vários narradores para contar a história de uma família rica cuja filha adolescente desaparece e morre durante as férias numa ilha sem nome nas Caraíbas. Este evento reverbera durante anos tanto na irmã mais nova da rapariga como no funcionário da estância que é acusado de homicídio. Este romance de estreia é deslumbrante – e não se perde no mistério em torno de uma pessoa desaparecida, acabando mais por ser uma reflexão sobre a forma como o turismo de luxo obscurece a verdadeira cultura de um lugar.

Uma viagem de família ao Haiti é perturbada por um sismo em The Garden of Broken Things.

Fotografia por Courtesy Knopf

The Garden of Broken Things, de Francesca Momplaisir, 2022
Preocupada com o comportamento do filho na escola, uma mãe haitiana-americana leva-o de regresso à ilha caribenha onde nasceu para lhe mostrar o quanto é privilegiado. Contudo, um sismo devastador transforma a viagem histórica da família num pesadelo de destruição e morte, num país “habituado a desastres vindos do céu”. A escrita de Francesca Momplaisir é tão aguçada quanto as suas observações, mas este não é um romance agradável, é antes um olhar comovente sobre os laços familiares e a pobreza.

The Disaster Tourist, de Yun Ko-eun, 2013
Neste thriller “eco-satírico”, Yona Kim trabalha para uma empresa de turismo sombrio que leva os visitantes a zonas devastadas por furacões, inundações e outros desastres naturais. Quando um colega com um comportamento predatório começa a ameaçar o seu emprego, Yona foge numa viagem de negócios para rever o pacote turístico menos popular da empresa – uma ilha deserta no Vietname. Porém, o que inicialmente parece ser uma oportunidade para impulsionar a sua carreira rapidamente se transforma numa crise moral, envolvendo Yona numa trama para orquestrar uma catástrofe capaz de ameaçar centenas de vidas, incluindo a dela.

As Ruínas, de Scott Smith, 2006
Nesta parábola de terror/ficção científica, uma caminhada até um templo maia por descobrir na selva de Yucatán, no México, parecia um sonho por cumprir para quatro turistas americanos. Mas os desentendimentos com os nativos, que usam flechas e videiras sinistras, atormentam estes turistas numa leitura tensa, sugerindo que a foto para o Instagram pode não valer o risco de nos afastamos dos trilhos mais batidos – ou de profanar antiguidades sagradas.

Viagens atribuladas

Nevada, de Imogen Binnie, 2013
Abandonada pela namorada e deixada sem rumo numa névoa embriagada, Maria Griffiths, uma mulher transsexual, rouba o carro da sua ex-namorada e conduz de Nova Iorque em direção ao Nevada. Ao longo do caminho, Maria torna-se na mentora improvável de outra mulher transsexual e descobre as facetas mais brilhantes e sombrias da cidade de Reno e do bairro nova-iorquino de Williamsburg, em Brooklyn, no início dos anos 2000.

Em The Boys, de Katie Haffner, uma viagem de bicicleta em família não é bem o que parece.

Fotografia por Courtesy Dewey Decimal Media

The Boysde Katie Hafner, 2022
Qualquer pessoa que já se tenha sentido desconfortável numa excursão de grupo vai identificar-se com Ethan Fawcett, um jovem pai que transporta os seus filhos gémeos numa viagem guiada de bicicleta pelo Piemonte de Itália. Os filhos excêntricos – e a tentativa desajeitada de percorrer a rota feita na lua de mel (com a esposa afastada) – tornam-no pouco popular entre os seus companheiros de viagem. Mas há humor e esperança nestas desventuras que incluem hotéis luxuosos, guias libidinosos e igrejas antigas.

This Train, de James Grady, 2022
O livro de James Grady, passado a bordo de um comboio de passageiros entre Seattle e Chicago, faz lembrar Crime no Expresso do Oriente de Agatha Christie, com uma série de personagens (uma programadora desiludida, um bilionário corrupto, uma aspirante a viúva) e crimes (um assalto, um assassinato) num espaço confinado. Apesar de se basear na atualidade, a escrita e descrições neste thriller sobre as estações degradadas nos EUA, criminosos obscuros e paisagens solitárias fazem lembrar o estilo clássico noir.

Jennifer Barger é editora sénior de viagens da National Geographic e leu dezenas de romances de Agatha Christie quando era criança. Pode encontrá-la no Instagram.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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