Viagem e Aventuras

Açores: Descubra o Paraíso Insular da Europa

O soalheiro arquipélago dos Açores é pioneiro no turismo sustentável.

Por Sophie Massie

No meio do oceano Atlântico, há uma sequência de nove ilhas vulcânicas na intersecção das placas tectónicas euroasiática, africana e norte-americana. O soalheiro arquipélago dos Açores é pioneiro no turismo sustentável e ostenta uma forte cultura de ar livre. Estas ilhas são consideradas um dos destinos mais verdes do mundo, protegendo não apenas as maravilhas naturais, mas também um modo de vida (o vinho, o mel, o ananás e vários queijos gozam do estatuto de proteção nesta região). Entre nas quentes águas açorianas e descubra o paraíso nestas ilhas.

TERCEIRA: ARQUITETURA E ESPELEOLOGIA

Na vibrantemente cultural cidade de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, até os passeios são obras de arte. Quando não estiver a admirar a intrincada calçada de calcário e basalto aos seus pés, olhe para cima e admire as catedrais maneiristas e as mansões coloridas como ovos de Páscoa que enchem esta cidade colonial Património Mundial da Unesco. Situado num antigo convento franciscano, o Museu de Angra do Heroísmo exibe a cultura terceirense em toda a sua extensão, dos artefactos militares às artes têxteis e decorativas.

Sob a refinada superfície da ilha jaz uma estranha formação geológica: a chaminé e as câmaras subterrâneas de um vulcão extinto. Desça pelo tubo de lava de 91 metros de Algar do Carvão e veja por si próprio. As estalactites, estalagmites e o lago de águas da chuva chamam por si.

PICO: VULCÕES, BALEIAS E VINHO

Com uma altitude de 2351 metros, a Montanha do Pico, uma formação vulcânica, é o ponto mais alto de Portugal e a caminhada mais difícil do arquipélago. Guias certificados organizam subidas e acampamentos noturnos na cratera muito perto do cume. Num dia limpo, podem ver-se cinco ilhas a partir do cume, embora os pedestrianistas devam estar preparados para todos os tipos de clima na vertente exposta da montanha, incluindo neve no pico no inverno e na primavera.

Durante o boom industrial da pesca à baleia dos séculos XVIII e XIX, os baleeiros da Nova Inglaterra navegaram até aos Açores para se abastecerem de provisões e recrutarem novos tripulantes. Uma vez que a pesca à baleia acabou nos anos 80 do século XX, a câmara substituiu o arpão na captura das baleias na região. Saiba mais no Museu dos Baleeiros nas Lajes do Pico antes de se lançar à aventura da observação de baleias.

Nas costas ocidental e setentrional há mais tesouros para descobrir, incluindo as vinhas do Pico, Património Mundial da Unesco. Aqui, as videiras permanecem junto ao solo entre muros de basalto ordenados, que protegem as preciosas vinhas do vento e dos salpicos de água do mar. Aproveite para beber enquanto estiver na região — a maioria dos vinhos do Pico não saem do arquipélago, quanto mais de Portugal. Experimente vinhos brancos aclamados e vinhos licorosos fortificados, na Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico, na Madalena.

SÃO MIGUEL: CANIONISMO, OBSERVAÇÃO DE AVES E TERMAS

Para os amantes da natureza, a ilha de São Miguel é um enorme parque de recreio botânico. Há miradouros com jardins tratados espalhados pelas regiões costeiras. Hortênsias cor-de-rosa e azuis circundam os pastos das vacas e decoram as margens de lagos de crateras vulcânicas.

Nas gargantas com densa vegetação da região nordeste, os canionistas podem escolher entre fazer rappel ou saltar de penhascos com quedas de água para poças de água profundas que se formam mais abaixo. Os observadores de aves também afluem à região para avistarem o dom-fafe dos Açores, uma ave criticamente ameaçada e uma das mais raras da Europa, encontrada apenas nas florestas de loureiro do nordeste.

Para os braços e as pernas cansados das caminhadas não há nada que bata um mergulho restaurador em águas termais naturais. Na costeira Ponta da Ferraria, as ondas do oceano embatem nas rochas de lagos naturais e misturam-se com as águas termais. Na Caldeira Velha, coberta de fetos, quedas de águas termais conferem um ambiente romântico à ocasião. Em contraste, o cheiro intenso a enxofre e o vapor de ebulição nas Furnas servem para nos lembrar que esta região é um poderoso ponto quente. Nas margens da Lagoa das Furnas, os donos de restaurantes locais deixam a Terra cozinhar, enterrando as enormes panelas nas fervilhantes caldeiras. Prove uma versão elevada do cozido tradicional da região preparado em águas termais no Terra Nostra Garden Hotel, onde os empregados de mesa servem um caldo repleto de umami sobre as carnes cozidas com vegetais a acompanhar.

SÃO JORGE: QUEIJO E CAMINHADA

Morder um pedaço do acentuadamente salgado queijo de São Jorge é provar a história. Pensa-se que antigos colonizadores flamengos da ilha tenham trazido a produção de queijo para este território em forma de faca. Hoje, o famoso queijo de leite de vaca pode ser encontrado na Europa e na América do Norte, mas os produtos importados não se comparam à experiência holística de o provar com vista para os pastos e as vacas que o tornaram possível.

O formato longo e estreito da ilha, 54 quilómetros de comprimento e 6,4 de largura, convida a longas caminhadas no eixo da ilha, procure pelos trilhos que levam até às fajãs, terrenos costeiros planos criados pelo fluxo de lava ou por deslizamentos de terra, e um traço geológico definidor da ilha.

FLORES: FLORES, CAMINHADAS E QUEDAS DE ÁGUA

Sendo a ilha mais ocidental do arquipélago, a ilha das Flores é também a mais húmida. Mas toda a chuva que cai significa que as Flores fazem jus ao seu nome, com as suas terras altas verde-esmeralda, os lagos de crateras e uma flora exuberante. Os penhascos pontuados por quedas de água e os campos de azáleas e hortênsias encontram-se entre os cenários mais bonitos de todo o arquipélago. Vários trilhos atravessam a ilha, tornando-a um paraíso para quem gosta de caminhar. Termine um dia de caminhada na costa oeste, em Fajã Grande, para um espetacular pôr do sol — o último da Europa.   

FAIAL: VELA E VULCÕES

Desde o início das viagens transatlânticas, os navegadores que atravessam o Atlântico param nos Açores, e a cosmopolita cidade portuária da Horta, no Faial, vive e respira esta tradição marítima. Passeie pela marina e admire a “galeria” de marinheiros: o cais onde os tripulantes que a visitam pintam emblemas dos seus navios. No Peter Café Sport, grupos de marinheiros colocam anúncios de emprego para tripulantes de navios e bebem gins tónicos sob um teto decorado com bandeiras de clubes de iates. O museu de Scrimshaw no andar de cima apresenta uma coleção de dentes de baleia esculpidos e gravados, uma forma de arte refinada e ainda praticada hoje, embora com marfim antigo e recuperado.

Do outro lado da ilha, emerge uma imagem diferente do Faial: uma imagem de vulcanismo feroz. Em 1957, o vulcão dos Capelinhos entrou em erupção e só parou 13 meses depois, emitindo gases, nuvens de cinza preta em forma de cogumelo e, ocasionalmente, projéteis do tamanho de bolas de canhão. O desassossego sísmico provocou muitos tremores de terra e uma diáspora de grande escala de refugiados açorianos para os Estados Unidos. Com apenas 60 anos, a paisagem estéril não parece deste mundo, e o tecnologicamente avançado Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos só vem intensificar este efeito.

FAÇA ESTA VIAGEM

Ir — A SATA, linhas aéreas dos Açores, está constantemente a abrir novas rotas, tornando esta cornucópia de aventura e prazer mais acessível do que nunca.

Fazer — A Azorean Active Blueberry oferece aventuras de canionismo e coasteering em São Miguel (equipamento de segurança e fatos de mergulho incluídos). A Gerby Birding  guia observadores de aves fanáticos e amantes da natureza pelas áreas costeiras de reprodução e para o interior das florestas da ilha em busca de aves residentes, migrantes e errantes. O artista de scrimshawJohn von Opstal recebe os visitantes no seu atelier na Horta, Faial, por marcação. A West Canyon Turismo Adventura, nas Flores, oferece caminhadas de meio dia e excursões de canionismo (com destaque para descida de declives com quedas de água).

Navegar — O Espaço Talassa oferece passeios para observação de golfinhos e baleias a partir das Lajes do Pico, antiga capital dos baleeiros. A empresa doa 50 cêntimos por cliente para apoiar a plantação de árvores, para compensar a sua pegada de carbono. A empresa de aluguer de barcos Sail Azores, no Faial, disponibiliza alugueres diários e semanais (com ou sem capitão) e itinerários para cruzeiros pelas várias ilhas.

Comer — A empresa Tripix organiza subidas à Montanha do Pico e pode também organizar passeios de degustação de vinhos no Pico, passeios de degustação de queijos em São Miguel e passeios de vulcanismo no Faial. A cooperativa de queijo Uniqueijo na ilha Terceira oferece passeios e degustações bissemanais.

Sophie Massie é redatora e investigadora com um interesse especial por ilhas, vela e os mundos lusófono e francófono. Massie vive em Charlottesville, Virgínia, com o seu cão Zeus, um Mississippi-mutt. Acompanhe-a em @mirabiletravel e leia mais em mirabile-travel.com.

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