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Top 10 de Comidas do Mundo Maia

Podemos não nos aperceber, mas muitos dos nossos saborosos favoritos – do guacamole aos tamales e ao chocolate – foram descobertos, desenvolvidos e refinados há séculos atrás no mundo Maia. Aqui estão alguns dos nossos favoritos.

Por Michael Shapiro

Chocolate
O cacau é nativo das terras dos Maias, os primeiros a recolherem as sementes da fruta e a tostá-las para fazer chocolate quente. Os maias antigos não faziam barras de chocolate, nem acrescentavam açúcar ou leite ao cacau. Em vez disso, consumiam o seu chocolate como um elixir cerimonial e como um saboroso potenciador de humor.

Para os maias, o cacau era um presente sagrado dos deuses e os grãos de cacau eram usados como moeda de troca. Ek Chuah, o deus maia dos mercadores e do comércio, era também o padroeiro das plantações de cacau. Quando os espanhóis invadiram as terras maias durante os anos de 1500, adotaram a bebida, acrescentando açúcar e leite para a tornar doce e cremosa. Para saber mais sobre cacau e saborear chocolate, visite o Ecomuseu do Cacau na região de Puuc, em Yucatán, www.ecomuseodelcacao.com.

Abacates e Guacamole
O abacate, originário do sul do México e da Guatemala, é adorado pelo seu sabor encorpado e textura cremosa e era uma plantação valiosa dos antigos maias. Ainda hoje as pessoas da Antigua Guatemala são chamadas de “panza verde”, pança verde, graças à confiança que nessa região se coloca nos abacates em tempos difíceis.

Combinado com pimentas, alho, coentros, cebolas e lima ou limão, os abacates transformam-se em guacamole, um aperitivo pomposo. Não espere encontrar muitos abacates de Hass no mundo maia – existem muitas outras variedades, sendo que a maioria são maiores.

Em 1917, Wilson Popenoe, um explorador da Associação de Abacates da Califórnia, relatou porque os abacates da Guatemala são os melhores: “A carne é de uma cor amarela, mais suave, mais amanteigado na textura e mais rico do que todas as outras variedades conhecidas nos Estados Unidos”.

Poc Chuc
Este prato característico de Yucatán data dos tempos antes da refrigeração, quando a carne era preservada com sal. O porco cozido lentamente é combinado com sumo de laranja-amarga e vinagre para temperar a salinidade da carne. O sumo de laranja refresca o porco salgado e dá-lhe um sabor picante – a laranja-amarga é uma variedade de laranja, a laranja propriamente dita não é amarga. O prato é complementado com cebola salteada com coentros e uma pitada de açúcar.

Julio Bermejo, do restaurante mexicano Tommy’s, em São Francisco, que serve especialidades de Yucátan, diz que o seu restaurante favorito em Yucátan é o Restaurante El Príncipe Tutul-Xiu, em Maní: “Eles fazem o melhor poc chuc na Terra!”

Michelada
Os mexicanos do sul gostam de acrescentar tempero às suas comidas – e à sua bebida. Uma michelada (ou chelada em certas regiões) resulta da infusão de cerveja mexicana com lima, sal grosso, pimenta e pequenas doses de molho de Worcestershire e/ou Tabasco, sendo servida em copos gelados com sal na borda do copo. Algumas versões incluem molho de soja ou condimentos Maggi. Parece estranho, mas é refrescante e indicado para um dia quente – ou uma manhã difícil.

Que as especiarias parecem estar a mais, experimente uma versão simples que combina apenas o sumo de lima e o sal com uma cerveja suave, como Corona ou Tecate. É uma bebida tão popular que a Miller e a Budweiser criaram as suas próprias versões da michelada. Claro que não há nada como a original.

Tortilhas de Milho
Tortilhas da Guatemala feitas manualmente fornecem uma satisfação elementar. Em mercados dentro de portas, é possível ouvirmos batidas ritmadas enquanto mulheres, através de palmadas, lhes dão forma. Depois cozinham-nas num comal, um ferro aquecido com madeira ou um tacho de barro que se parece com um tambor de aço das Caraíbas. Estas tortilhas são as únicas com sete ou 10 centímetros de largura, mas mais espessas que aquelas a que os norte-americanos estão habituados.

O mito da criação maia diz que as pessoas foram feitas com masa (massa de milho) e esta mantém-se como o elemento essencial da dieta indígena Maia. Aquecido no comal, as tortilhas são imensamente satisfatórias, um acompanhamento ideal para o feijão preto da Guatemala e uma base perfeita para uma camada de guacamole.

Pequeno-almoço Tradicional
As comidas simples são muitas vezes as melhores. O desayuno (pequeno-almoço) típico maia inclui ovos mexidos, uma parte de feijão preto, banana-da-terra frita (semelhante às bananas mas maior e com um sabor mais complexo), um bocado de queijo branco e uma chávena de café encorpado feito de grãos da região. Tudo isto é acompanhado com um cesto de tortilhas de milho quentes. Depois de um voo noturno até à Guatemala, dirijo-me logo para a Posada de Don Rodrigo, na Antígua Guatemala, e disfruto do fim matinal no jardim relvado do hotel, enquanto uma banda de marimba toca.

Café
Ver de onde o nosso café vem é uma experiência reveladora. A típica visita a uma plantação de café inclui uma visita aos campos (muitas vezes com uma explicação acerca das virtudes do cultivo de café à sombra), continua até às zonas em que os grãos são secos e processados, terminando com uma chávena de café. O Finca Filadélfia, com vistas para vulcões distantes, oferece visitas perto de Antígua Guatemala. Se procura mais do que as normais ofertas, melhore o seu dia com uma descida na tirolesa. Perto de Quetzaltenango, nas montanhas altas do oeste da Guatemala, vale a pena visitar uma quinta cooperativa de café orgânico e de macadâmia chamada Comunidad Nueva Alianza.

Dois Refrescos: Jamaica e Horchata
Em cantinas por todo o mundo maia, encontrará um jarro grande com “aguas frescas”. A bebida de cor vermelho vivo é “agua de Jamaica”, conhecida simplesmente como jamaiaca (pronuncia-se iá-mai-ca) feita com sépala da flor de hibisco, água e açúcar. Tem um alto teor de vitamina C e é uma forma fantástica de diminuir o sufoco do verão.

Outro refresco popular na Península de Yucátan e mais além é a horchata, uma mistura de leite de arroz, amêndoa moída, canela e açúcar. Algumas variações incluem chufa (junça), baunilha ou cevada. O resultado parece um batido mas não tão rico nem espesso. A horchata é um complemento da comida picante.

Os Tamales Originais
Nenhuma exploração culinária da vida maia estaria completa sem tamales. Feitos com masa harina (farinha de milho) e recheados com frango, porco, vegetais e/ou queijo, os tamales são embrulhados em cascas de milho – ou na folha de banana ou banana-da-terra – e cozidos a vapor. São depois desembrulhados e cobertos com salsa. Alguns tamales são feitos com fruta ou outros recheios doces. Em grande parte do mundo maia, as mulheres indígenas andam de porta em porta, vendendo cestos de tamales cheirosos.

Apreciados desde muito antes da invasão espanhola, os tamales são um símbolo das celebrações e festas maias. Tamales são até retratos em antigos glifos maias e artefactos arqueológicos.

Salsa “Focinho de Cão”
Esta salsa ardente, feita com chili habanero, não é para os fracos de paladar. É muito picante e devia vir acompanhado com um aviso com o risco de poder fazê-lo chorar. Chama-se “salsa focinho de cão” porque o seu calor intenso pode fazer com que o seu nariz fique húmido.

Em grande parte da Península de Yucátan, esta salsa, também conhecida como xni-pec, inclui não apenas os tradicionais tomates, cebola, coentros e lima, mas também sumo de laranja ou toranja. Na Guatemala, salsas menos picantes são servidas com um molho picante. Para uma dose de fogo, agarre uma garrafa de Maya-Ik, um molho picante com um templo Tikal no rótulo. Compro sempre Maya-Ik para levar para casa, uma lembrança picante dos sabores do mundo maia.

Michael Shapiro é co-autor de Guatemala: A Journey Through the Land of the Maya (Guatemala: Uma Viagem Através da Terra dos Maias) e autor de A Sense of Place (Um Sentimento de Pretensa). Para conhecer mais sobre a sua escrita, visite www.michaelshapiro.net.

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