As Melhores Viagens de Inverno Para 2019

Dos areais das Caraíbas às pistas de esqui do Canadá, eis 10 pontos do globo que merecem uma viagem de inverno.quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Os esquis e trenós que usamos para fazer slalom e luge foram inventados por agricultores suecos. Temos de agradecer à Alemanha pela tradição do séc. XVII de decorarmos as nossas casas com árvores eternamente verdes. O Ano Novo Chinês desfila de Singapura para Sidney, para Paris. O Natal acena-nos da Cisjordânia. O Kwanzaa foi criado na Califórnia e atribui os seus princípios à África Oriental. E as panquecas de batata do Chanucá são na realidade uma adaptação das panquecas de queijo ricota, pelas quais um dia um rabi do séc. XIV se apaixonou em Itália.

Parece que as melhores celebrações de inverno foram sempre globais. Desde os areais das Caraíbas às pistas de esqui do Canadá, eis dez lugares do mundo que merecem uma viagem de inverno.

Cônia, Turquia

Todos os anos em dezembro, os amantes de festas e chefes de estado reúnem-se em Cônia para comemorar a morte de Rumi, com um festival de 10 dias de dervixes rodopiantes – uma prática que foi iniciada pelo amado poeta persa que escreveu, “Existem muitos caminhos que levam a Deus. Eu escolhi o caminho da dança e da música.”

Os bailarinos chegam com chapéus cónicos cor de camelo (simbolizando a lápide do ego), e quando a dança sema começa, despem os sobretudos pretos para revelarem as camisas brancas, simbolizando o abandono do mundo material negro, de maneira a soltar a sua atenção a Deus. A cerimónia tem lugar duas vezes por dia junto ao túmulo do místico poeta Sufi, onde agora se situa também o Museu Mevlana.

Salzburgo, Áustria

Antes de ser traduzido para “Noite Feliz”, o famoso hino de Natal chamava-se “Stille Nacht!”, com letra do padre austríaco Joseph Mohr, composta por Xaver Gruber e foi tocada pela primeira vez na véspera de Natal de 1818, na igreja de São Nicolau, mesmo a norte de Salzburgo, Áustria.

Este inverno, Salzburgo celebra o ducentésimo aniversário de “Noite Feliz” com visitas, produções teatrais e exposições históricas do manuscrito original da música no Museu de Salzburgo. Visite a Rua Steingasse, local onde nasceu Joseph Mohr, e a fonte de bronze com pés em forma de leão, na Catedral de Salzburgo, onde Mohr e Mozart foram batizados. Depois, saia para a Praça da Catedral para vinhos generosos, pretzels macios e 100 bancas de ornamentos e ovos pintados à mão, disponíveis no Christkindlmarkt, o romântico mercado de Natal de Salzburgo com 527 anos.

Nova Iorque

Só existe realmente um lugar onde se podem levar as crianças para fazer biscoitos para o Natal, para o Chanucá, para o Kwanzaa e para o Ano Novo Lunar, tudo ao mesmo tempo; depois, ver o Quebra-Nozes; depois, ter uma aula de patinagem no gelo com uma atleta que participou duas vezes nos Jogos Olímpicos, debaixo de uma árvore de Natal de abeto norueguês com 22 metros e 12 toneladas. (Já devem ter percebido onde queremos chegar.)

Passeie pela Quinta Avenida para apreciar as vitrines de Natal recheadas de guloseimas, visite o maior menorá do mundo, beba chocolate quente, ou peça um cocktail Scroogin’ for a Bruisin’ num dos vários bares pop-up desta época festiva. Dê uma espreitadela ao novíssimo centro de artes, The Shed, em Hudson Yards. Aventure-se pelo labirinto de árvores de Natal no festival de entrada livre, Winterfest, do Museu de Brooklyn. Coma um sufganiyot na Underwest Donuts. Depois, aprecie o fogo de artifício na Estátua da Liberdade a bordo de um cruzeiro de Ano Novo.

Ilha do Natal

No Dia de Natal, em 1643, o Capitão William Mynors navegou ao lado desta ilha tropical, 224 milhas a sul de Java, e batizou-a de, claro está, “Natal”. Composta por florestas tropicais, areais de praia, recifes de coral e uma montanha oceânica, dois terços desta ilha de 135 quilómetros quadrados são um parque natural, onde habitam lagartixas endémicas, morcegos pipistrellus, raposas-voadoras, espécies de aves marinhas ameaçadas, tartarugas marinhas e a população mundial mais numerosa do maior invertebrado terrestre – o colossal caranguejo-dos-coqueiros.

Na Ilha do Natal, os eventos mais coloridos do ano são determinados pela lua: dos 2000 habitantes da ilha, muitos celebram o Ano Novo Lunar Chinês em fevereiro e no último quarto lunar do ano, mais de 50 milhões de caranguejos vermelhos dirigem-se para o mar para desovar.

Quito, Equador

Em Quito, a temperatura está quase sempre nos 15°C, o sol põe-se quase sempre às seis da tarde e o Ano Novo é quase sempre celebrado com los años viejos, ou “os anos velhos”. Os habitantes locais incendeiam efígies de celebridades e políticos em forma de espantalhos para queimar o velho e dar lugar ao novo.

Quito, a segunda maior cidade do Equador e a segunda capital mais alta do mundo, é um ponto de acesso muito conveniente à floresta tropical da Amazónia, a Baños, o paraíso dos aventureiros, e às Ilhas Galápagos. Em apenas três horas, os viajantes podem passar do centro histórico mais bem preservado da América Latina para a terra das tartarugas gigantes, lagartos de lava e patolas-de-pés-azuis. Melhor ainda, se o inverno é a estação do chocolate quente, porque não beber diretamente da fonte?

Tunísia

Partindo de Itália, logo ali do outro lado do Mediterrâneo, a Tunísia é um país altamente diversificado do Norte de África, com estâncias balneares glamorosas e sítios arqueológicos sem paralelo. A história estratificada do país, com regentes Fenícios, Romanos, Árabes, Turcos e Franceses, reflete-se na sua gastronomia com pratos como as baguetes barradas de harissa, chá de menta coberto com pinhão e gris de Tunisie, um rosé Tunisino muito popular. Veja a arte de rua num passeio de bicicleta e visite a sinagoga Ghriba na ilha de Djerba. Ou opte por uma massagem de óleo de rosas, depois de relaxar num banho turco ou na piscina de nascente termal da eco-estalagem Dar Hi Life em Nefta.

Porto Rico

Uma das formas mais simples de potenciar a economia de Porto Rico depois do furacão é visitando a ilha. O aeroporto de San Juan está a cumprir todos os horários e muitos hotéis renovados e atrações estão a reabrir. Junte-se a um projeto comunitário. Agende um retiro de eco-ioga no Ano Novo. Ou desfrute de uma estadia relaxante num hotel boutique como o Dreamcatcher, intencionalmente localizado, segundo o coproprietário Stephan Watts, no último bairro com praia onde “os edifícios tem menos de 9 metros de altura, os veículos são restritos e os hóspedes podem seguir um mapa desenhado à mão até às praias e negócios locais, tudo a uma curta distância”. O hotel tem quartos de espírito livre, chuveiros exteriores privados; caminhadas para grupos pequenos em trilhos fora do comum; ioga à luz das estrelas; e um menu de pratos vegetarianos confecionado a partir de produtos locais, como as panquecas cobertas de papaia e sumo de hibisco – uma forma deliciosa e saudável de começar o Ano Novo. 

Palau

A mais de 800 quilómetros a Este das Filipinas, as 340 ilhas vulcânicas e de coral de Palau exibem uma das maiores reservas marinhas do planeta, englobando recifes de coral, o Lago de Águas-Vivas e alguns dos locais mais deslumbrantes do mundo para a prática de mergulho. A preservação deste paraíso marinho, melhor visitado entre novembro e abril, não acontece por acaso. Os habitantes de Palau praticam a tradição de bul há várias gerações, fazendo a rotação das zonas de pesca para prevenir danos ecológicos. Em 2018, Palau baniu todos os protetores solares que danificavam os recifes e instituiu o Compromisso de Palau – exigindo a todos os viajantes a assinatura de um compromisso de guarda de proteção ambiental no seu passaporte, antes de lhes ser concedida a autorização de entrada.

Sun Peaks, Canadá

Caminhadas na neve, cães a puxarem trenós, observação de tempestades e a Ponte Suspensa de Capilano fazem da Colúmbia Britânica um destino favorito de inverno. Mas se você está a planear esquiar, esquiar de bicicleta, ou andar numa limusina de neve, evite as longas filas no elevador em Whistler e dirija-se para Sun Peaks, a segunda maior área de esqui do Canadá, onde os três cumes de neve pulverulenta e os 1728 hectares de terreno propício ao esqui descem até uma aldeia central.

O instrutor Ron Betts, agora na sua quadragésima primeira época de esqui, recomenda uma noite de “Fondue Alpino”. Os hóspedes partilham o fondue no Sunburst, um restaurante acolhedor no cimo da montanha, e depois esquiam a descida de cinco milhas com lanternas na cabeça, debaixo do luar. “Nós esquiamos um pouco de cada vez, paramos, desligamos as lanternas e fazemos observação de estrelas”, diz Betts. “É uma experiência realmente fixe.”  

Lijiang, China

Fazendo fronteira com o Tibete, a Birmânia, o Laos e o Vietname, a província de Yunan, no sudoeste da China, é uma região largamente subdesenvolvida de montanhas nevadas, lagos de água doce e uma história cultural muito rica que representa 25 grupos étnicos diferentes. Uma viagem de inverno a esta área promete um clima ameno, seco e ensolarado – condições excelentes para esquiar nos trilhos da estância de esqui mais alta da China, a Montanha de Neve de Dragão de Jade. Lar de vida selvagem abundante e de 400 tipos de árvore, a montanha de 13 cumes está situada acerca de 16 quilómetros da Antiga Cidade de Lijiang, património mundial da UNESCO, e é um centro importante para o fascinante povo Naxi, cuja escrita milenar Dongba permanece o único sistema de escrita pictográfica que ainda subsiste atualmente no mundo.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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