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Arriscar a Vida para Reparar a Grande Muralha da China (Vídeo)

Os esforços para reparar uma das Sete Maravilhas do Mundo estão em andamento desde 2005, mas os riscos para os trabalhadores são altos.

Por Sarah Gibbens

Um dos trechos mais acidentados da Grande Muralha da China está em processo de reparação da sua estrutura, velha de séculos e os trabalhadores arriscam as vidas para o fazer.

Os esforços para reparar esta maravilha icónica do mundo, estão em andamento desde 2005 e os recentes restauros na parede da secção de Jiankou exigem trabalho físico intenso.

Este vídeo, filmado a 12 de junho, mostra alguns dos trabalhos mais perigosos, incluindo trabalhadores pendurados em alturas elevadas. Com cordas amarradas à volta da cintura, os trabalhadores espalham cimento nos lados íngremes da parede, enquanto outros seguram as cordas para apoio, com o destino de seus companheiros de equipa perigosamente pendurado nas suas mãos. Sobreviver a uma queda nos lados íngremes seria improvável.

No vídeo, filmado pela Live China, um trabalhador explica por que é que arrisca a vida a reparar a antiga estrutura, dizendo que o trabalho é uma honra.

"O trabalho consiste principalmente em assentar tijolo. Se se tiver medo, então não se pode fazer isto, mas eu sou corajoso... é muito perigoso", diz um homem no vídeo.

"É muito arriscado. Há muito vento ali em baixo”

Levar os materiais de construção para esta parte inacessível da parede também é um trabalho exigente. Uma vez que o caminho é íngreme, têm de ser usados burros e mulas para transportar os tijolos, que podem pesar até 150 quilos cada.

Segundo o jornal local – o Shanghai Daily — o restauro é feito com tijolos que caíram da parede nos últimos séculos, quando estão disponíveis. Os tijolos que têm de ser fabricados para a Grande Muralha, são fabricados com rigor histórico, para preservar, tanto quanto possível, a composição original da estrutura.

"Temos de respeitar o formato original, o material original e o artesanato original, para melhor preservar os valores históricos e culturais", disse Cheng Yongmao, o engenheiro chefe da empreitada de Jiankou.

O trabalho é, muitas vezes, extenuante, e exige uma caminhada de 40 minutos, com burros e materiais, até ao local da obra. Os trabalhadores regressam da montanha quando o sol se põe, e dizem que acabam esgotados.

A reparação da Grande Muralha é de tal maneira uma fonte de orgulho patriótico que qualquer falta de atenção quanto à precisão histórica pode levar à indignação. Em setembro do ano passado, as reparações numa parte da parede provocaram intensa celeuma, por ter sido usado cimento para pavimentar um caminho. Na época, o New York Times comparou os trabalhos a “uma pista de skate largada no deserto.”

A parte da muralha atualmente em reparação é famosa pela sua beleza escarpada. Foi construída no século XVII, durante a dinastia Ming da China. No entanto, algumas partes da muralha datam de há dois mil anos.

Embora seja uma falsa ideia popular que a muralha pode ser vista do espaço, a Grande Muralha é considerada uma das sete maravilhas do mundo e uma das maiores proezas da arquitetura. Os estudos arqueológicos mais recentes, realizados em 2012, estimam que a muralha tenha mais de 21 mil quilómetros de extensão. 

Há centenas de anos, a muralha foi usada como forma de defesa e um método para impor taxas sobre as importações.

Hoje em dia, a muralha é um destino turístico popular, que recebe mais de 10 milhões de visitantes por ano.

As reparações foram supervisionadas pelos governos locais, que planeiam continuar os trabalhos. À conversa com o South China Morning Post, Dong Yaohui, da Associação da Grande Muralha da China, observou que os trabalhos outrora realizados para atrair turistas estavam agora a ser feitos com o objetivo de preservar o sítio histórico para as gerações futuras.

 

Veja outra notícia impressionante sobre a China: http://www.natgeo.pt/video/tv/os-salvamentos-dramaticos-que-mostram-intensidade-das-cheias-na-china

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