Conheça as Nove Aventuras Mais Radicais do Planeta

Do ciclismo de montanha à espeleologia, eis uma lista das mais difíceis, mais altas e mais desafiantes conquistas que atletas de todo o mundo esperam atingir.

Por Kristen Pope
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Quando os desportistas radicais querem provar o seu valor, não vão dar o costumeiro passeio de domingo. Embarcam antes em algumas das aventuras mais radicais do Planeta, enfrentando as escaladas a maior altitude, os mergulhos a maior profundidade e os rápidos mais duros. Estas aventuras exigem proezas atléticas extraordinárias, bem como o domínio de técnicas altamente especializadas—e não se aconselham aos facilmente impressionáveis.

O TRILHO DE BTT MAIS ÉPICO:
TRILHO PORTAL, UTAH

Situado num despenhadeiro, mais de 60 metros acima do rio Colorado, o grau de exposição deste trajeto de rocha vermelha faz dele um percurso de elevada exigência técnica. Os ciclistas cruzam-se com avisos para desmontar da bicicleta em certas secções. Caso contrário, arriscam um mergulho fatal próximo do local onde três ciclistas perderam a vida.

Este trilho duríssimo, com cerca de três quilómetros de comprimento, desce 320 metros, com uma inclinação média de 23%. Esta é a última etapa dos “7 Magníficos”, uma série de trilhos localizados na área de Moab.

A MAIOR ESCALADA
DENALI, ALASCA

O monte Denali—monte McKinley—é a montanha mais alta da América do Norte, e é também uma das escaladas mais perigosas do Planeta. O clima instável e as fendas são apenas dois dos muitos desafios que os alpinistas têm de enfrentar na sua subida até ao cume.

Ao passo que todos sabem que o monte Evereste é o pico mais alto do globo — embora a sua altura exata esteja a ser reavaliada por cientistas durante este verão — não é lá que se encontra a maior subida da base ao cume. Para isso, terá de viajar até ao monte Denali, no Alasca

Escalar a montanha mais alta da América do Norte implica uma subida de aproximadamente 5500 metros, desde a base até ao cume, a 6190 metros. Durante o percurso, prepare-se para condições árticas, deslocamento de glaciares, fendas, temperaturas de -37 ºC e ventos de mais de 160 quilómetros por hora.

A escalada demora, habitualmente, três ou quatro semanas, e mais de 90% dos grupos segue a rota West Buttress, embora outros prefiram a caminhada através do glaciar Muldrow ou a rota West Rib.

A CAMINHADA MAIS ÉPICA:
TRILHO DO HOMEM DE NEVE, BUTÃO

A caminhada a elevada altitude demora, habitualmente, 25 dias sob condições de neve, mas os caminhantes são recompensados com vistas belíssimas dos Himalaias.

Com uma subida de 14 630 metros e 11 passagens a mais de 4870 metros, esta caminhada de quase 300 quilómetros é uma das mais difíceis do mundo. E não conte com uma pausa da altitude durante a noite: Este trilho implica acampar a cerca de 5000 metros.

trilho do Homem de Neve demora, geralmente, 25 dias, com a possibilidade de algumas variantes, mas é, todo ele, terreno inóspito, de elevada altitude e isolado. Muitos tentam terminar esta caminhada, mas sem sucesso, devido à neve e a problemas relacionados com a altitude.

Mas nem tudo é penoso. As paisagens dos Himalaias, incluindo as passagens Gangla Karchung La, Jaze La e Rinchenzoe La, irão maravilhar todos os caminhantes mais intrépidos.

O MERGULHO MAIS AMEAÇADOR:
EAGLE’S NEST, FLÓRIDA

Mergulhadores nadam através de grutas subaquáticas, a mais de 90 metros de profundidade, no Eagle’s Nest (Ninho da Águia), na Flórida. Conhecido como o Grand Canyon do mergulho, o Nest deverá ser explorado apenas por mergulhadores experientes; estas grutas sinuosas já custaram a vida a muitas pessoas.

Conhecido entre os mergulhadores como o Grand Canyon, o sistema de grutas de Eagle’s Nest caracteriza-se por paisagens e grutas incríveis, a mais de 90 metros de profundidade. Situa-se na Área de Gestão da Vida Selvagem de Chassahowitzka, próximo do Parque Estadual das Nascentes de Weeki Wachee, na Flórida.

Não obstante a sua beleza deslumbrante, as grutas de Eagle’s Nest são mortíferas para muitos mergulhadores. Pelo menos, 10 pessoas perderam aqui a vida desde 1981, tendo o local estado fechado entre 1999 e 2003. O seu isolamento e grande profundidade contribuem para o perigo, sendo este um mergulho recomendado apenas a especialistas.

A PISTA DE SKI MAIS DESAFIANTE:
LA GRAVE, FRANCE

Um esquiador desliza pela neve na estância de La Grave, em França. Os esquiadores são transportados até ao cume da montanha, a 3200 metros de altura, por um teleférico, seguindo-se uma ininterrupta e tecnicamente complexa descida. Recomenda-se a utilização de guias para evitar as fendas ao longo do percurso.

Uma viagem a La Grave implica tomar um teleférico até uma altitude de 3200 metros antes de esquiar uma descida praticamente não sinalizada, evitandos as fendas e os penhascos, e com a ameaça de avalanche sempre presente.

Esta não é uma vulgar estância de ski; é terreno para especialistas apenas, repleto de rampas íngremes, penhascos e corredores, capazes de fazer mesmo o mais experiente e qualificado dos esquiadores de pistas duplo diamante negro salivar. Boa parte de La Grave não se encontra sinalizada nem é vigiada; se não tiver cuidado, poderá dar consigo no fundo de uma fenda. A contratação de um guia é altamente recomendável.

O RIO MAIS DURO PARA A PRÁTICA DE CANOAGEM:
RÁPIDOS INGA DO RIO CONGO, REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Apenas uma equipa de rafting sobreviveu aos rápidos Inga, no Congo. Ondas de 12 metros, entre outros desafios, aguardam os remadores ao longo do trajeto. Na imagem, Steve Fisher atravessa estes perigosos rápidos no seu caiaque.

Apenas uma equipa conseguiu percorrer de caiaque os rápidos Inga, do rio Congo, mas muitas outras — incluindo toda uma equipa de sete em 1985 — perderam a vida ao tentar.

Em 2011, Steve Fisher e a sua equipa, que incluía os remadores Tyler BradtBenny MarrRush Sturges, foram bem-sucedidos na travessia dos maiores rápidos do Planeta, com fluxos na ordem dos 45,3 milhares de metros cúbicos de água por segundo. Sobreviveram à investida—por pouco—tendo realizado um documentário de 80 minutos, Congo—The Grand Inga Project (Congo—O Projeto do Grande Inga), acerca da viagem.

A equipa enfrentou correntes de quase 50 quilómetros por hora, ondas de 12 metros, forças hidráulicas tremendas, remoinhos, quedas de água, para além da tarefa hercúlea de obter acesso numa nação politicamente instável. Fisher foi nomeado Aventureiro National Geographic do Ano graças a este feito.

A GRUTA MAIS INCRÍVEL PARA EXPLORAR:
HANG SON DOONG, VIETNAME

A gruta Hang Son Doong, no Vietname, é a maior do Planeta. Esta gruta é tão extraordinariamente grande que é dotada do seu próprio sistema climático. Os visitantes poderão fazer uma caminhada de seis horas pela selva, e explorar a gruta através de um dos operadores turísticos locais.

Localizada no Parque Nacional Phong Nha-Ke Bang, Património Mundial da Humanidade, a gruta Son Doong, no Vietname, é de tal forma gigantesca que tem um clima, rio e selva próprios. Com uma extensão superior a quatro quilómetros, tem zonas com mais de 180 metros de altura, sendo a maior gruta do mundo, de acordo com a British Cave Research Association (Associação de Investigação de Grutas Britânica).

Explorada pela primeira vez em 2009, a gruta calcária, que faz parte de uma rede com cerca de 150 grutas, possui luz natural e uma folhagem extraordinárias nas áreas onde o teto abateu, águas lóticas, pérolas de gruta e uma estalagmite com cerca de 80 metros (a maior do Planeta).

É necessária uma caminhada de seis horas através da selva vietnamita só para chegar à entrada da gruta, e, atualmente, apenas um operador turístico, a Oxalis, está autorizado a efetuar excursões de visitantes.

A CORDA MAIS EMOCIONANTE PARA PERCORRER:
AGULHA DIBONA, ALPES FRANCESES

Pablo Signoret atravessa a mais longa corda suspensa de sempre, na Agulha Dibona, nos Alpes franceses. Signoret juntou-se a Rafael Bridi e Guilherme Coury para bater o recorde do mundo para a mais longa corda em suspensão percorrida, a uma altitude de 3131 metros.

Em 2016, os slackliners Pablo Signoret, Rafael Bridi e Guilherme Coury percorreram o trajeto até à Agulha Dibona, nos Alpes franceses, para bater um recorde. Montando uma corda com 200 metros de comprimento entre dois picos, o trio bateu o recorde para a highline mais longa a 3000 metros de altura.

Para completar a empreitada, os três tiveram de carregar mochilas (algumas das quais chegavam a pesar 90 quilos) com o seu material de escalada, cintas, correias, material de campismo, mantimentos, bem como todo o material necessário para as filmagens, incluindo um drone e câmaras GoPro. Os ventos de altitude e os baixos níveis de oxigénio tornaram o seu feito ainda mais extraordinário.

AS ONDAS MAIS DIFÍCEIS DE DOMAR:
SHIPSTERN BLUFF, AUSTRÁLIA

Shipstern Bluff atrai os melhores surfistas com a promessa de ondas imprevisíveis, que se assemelham a degraus, e o desafio acrescido de evitar os tubarões-brancos que patrulham as águas.

As tempestades do Polo Sul originadas pelos “50 furiosos” maximizam as ondas nesta remota extensão do sudeste da Tasmânia. Os surfistas afluem a este local para apanhar os sets de ondas de seis metros, mas o acesso é tudo menos fácil; é necessária uma longa caminhada, ou, em alternativa, uma demorada viagem de barco. Além de que, em 2017, desabou parte de uma das falésias situadas nas proximidades, devido ao mau tempo e à erosão, tornando a caminhada ainda mais traiçoeira.

O swell (a ondulação) do oceano Austral produz ondas imprevisíveis, formando “degraus”, que os surfistas têm de ‘descer’ quando estão a surfar—isto enquanto se mantêm atentos à presença de tubarões-brancos.

 

Veja imagens incríveis de surf na Nazaré: http://www.natgeo.pt/video/tv/surfar-e-sobreviver-na-nazare

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