Elefante Ferido Esmaga e Mata Caçador de Troféus

O acidente mortal demonstra o quão perigosos os elefantes podem ser quando se sentem ameaçados e coloca sob novo escrutínio a caça de troféus.quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Na semana passada, uma elefanta esmagou e matou um caçador de caça grossa sul africano, no Zimbabué, ao cair em cima dele depois de ter sido atingida.

A 19 de maio, Theunis Botha liderava um grupo numa caçada, na Good Luck Farm, perto do Parque Nacional Hwange, quando se depararam com uma manada de elefantes em período reprodutivo, segundo uma notícia da publicação inglesa Telegraph. Três elefantes atacaram, avançando em direção aos caçadores, mas estes acabaram por ser surpreendidos por uma quarta elefanta que apareceu pelo lado.

Essa elefanta pegou em Botha com a sua tromba, e um dos caçadores alvejou-a, fazendo-a cair em cima de Botha. Ambos morreram, a elefanta e Botha.

Os elefantes são conhecidos por expressarem emoções, como empatia, e alguns mostraram até sinais de pesar em relação a elefantes mortos. Estabeleceram sociedades dentro das suas manadas e são capazes de comunicar uns com os outros através de sinais subtis e de gestos.

Algumas pessoas podem considerar os elefantes como criaturas dóceis, mas estes animais podem revelar-se bastante perigosos e atacar quando se sentem ameaçados, como fizeram os elefantes no Zimbabué, durante este acontecimento recente. Esta agressão pode ser mortal para humanos que, numa situação de confronto, não têm hipóteses contra o peso e o tamanho de um elefante.

Veja também este vídeo de um elefante a atacar um recém-nascido.

Apesar disto, os elefantes saem mais vezes em desvantagem das suas interações com humanos; são mortos cerca de 33 mil elefantes todos os anos por caçadores selvagens, em busca de marfim.

O Zimbabué é um dos poucos países africanos com uma população relativamente estável de elefantes na savana, segundo o Great Elephant Census. Desde 2005, o número de elefantes do país diminuiu 11%, um valor muito inferior ao registado em todo o continente africano, onde a diminuição foi de 30%. Ainda assim, a instabilidade económica, a redução do turismo e a seca diminuíram a capacidade do Zimbabué de manter as suas populações de elefantes, segundo Elephant Atlas do Great Elephant Census.

Os defensores argumentam que uma parte do dinheiro auferido pelos grupos de caça de troféus, pagos por estrangeiros ricos, reverta para as comunidades locais e para a preservação dos elefantes.

Mas os benefícios que ficam para as comunidades são, muitas vezes, bastante reduzidos: o setor não emprega muitas pessoas, a corrupção governamental afeta a disponibilização de terrenos para caça de troféus e a prática deste tipo de caça não funciona propriamente de forma dissuasora em relação à caça furtiva. Caçar para obter marfim é a maior ameaça aos elefantes no sul de África.

Esta não é a primeira vez que caçadores de troféus nesta parte do Zimbabué conseguiram captar a atenção internacional. Em 2015, o leão Cecil foi morto à beira deste mesmo parque nacional, pelo caçador de troféus e dentista do Minesota, Walter Palmer, o que fez despertar a indignação internacional e um grande escrutínio sobre a caça de troféus. As acusações legais contra o profissional local que guiou Palmer nessa caçada foram retiradas.

Veja Esta Galeria com Montagens de Caçadores Furtivos ao Lado dos Animais que Mataram

Continuar a Ler