Animais

Pássaro do Tempo dos Dinossauros Encontrado Conservado em Âmbar

Com cerca de 99 milhões de anos, trata-se do fóssil mais bem conservado desta espécie de ave. Quinta-feira, 9 Novembro

Por Kristin Romey

Segundo a revista científica Gondwana Research, os restos mortais de uma cria de ave do tempo dos dinossauros foram encontrados conservados numa amostra de âmbar, com cerca de 99 milhões de anos.

Esta cria pertencia a um importante grupo de aves, as enantiornithes, que se extinguiu juntamente com os dinossauros no final do período Cretáceo, há aproximadamente 65 milhões de anos. Financiada parcialmente pelo Programa de Bolsas da National Geographic, esta descoberta tem sido uma importante fonte de informação no estudo destas antigas aves com dentes, crucial para um melhor entendimento da forma como estas diferem das espécies modernas.

Trata-se do fóssil em âmbar birmanês mais completo alguma vez visto. Os depósitos de âmbar extraídos das minas do vale de Hukawng, na região norte de Myanmar, contêm aquela que é, possivelmente, a maior variedade de fósseis de animais e plantas do Cretáceo, período que remonta a entre 145,5 e 65,5 milhões de anos.

Com base no padrão de muda, os investigadores concluíram que este pássaro estaria apenas nos seus primeiros dias ou nas suas primeiras semanas de vida quando este se viu coberto pela resina peganhenta de uma árvore, tendo assim ficado congelado no tempo. A amostra de âmbar com cerca de 7,6 cm de comprimento conserva aproximadamente metade do corpo do animal, incluindo a cabeça, as asas, secções da pele, penas e uma pata que conserva ainda uma garra perfeitamente visível à vista desarmada. As penas, com cerca de 99 milhões de anos, variam em tonalidades que vão do branco ao castanho e ao cinzento-escuro. Com base no nome birmanês para a laverca-oriental de tom âmbar, os investigadores apelidaram o jovem enantiornithe de “Belone”.

Esta descoberta foi comunicada por alguns dos mesmos investigadores que, em dezembro do ano passado, descobriram, também conservada em âmbar, a cauda de um dinossauro terópode com penas. A estrutura das penas indica que este seria incapaz de voar. Por outro lado, a descoberta prévia de umas asas de enantiornithe, igualmente conservadas em âmbar, revelou um tipo de penas muito semelhante às das aves modernas.

Neste espécime, os investigadores observaram que enquanto a cria de enantiornithe já tinha uma camada de penas completa na zona das asas, esta era menos abundante no resto do corpo, assemelhando-se à plumagem do dinossauro terópode, cujas penas careciam de um raque bem definido.

A presença de penas preparadas para o voo numa ave tão jovem reforça a tese de que os enantiornithes já nasciam com aptidão para voar, estando assim menos dependentes dos seus progenitores que a maioria das aves modernas.

No entanto, esta independência tinha um preço. Os investigadores acreditam que, por terem um desenvolvimento mais lento, estas aves ficavam vulneráveis durante um período de tempo mais longo. Esta tese é sustentada pela elevada quantidade de fósseis de jovens crias de enantiornithes encontrados na região. (Não foram encontrados fósseis de aves juvenis de outras espécies do Cretáceo.)

Em 2014, tendo tomado conhecimento do achado de uma espécime de âmbar com uma estranha “garra de lagarto” fossilizada, Guang Chen, diretor do Museu de Âmbar Hupoge, na cidade de Tengchong, China, comprou a peça para que esta fosse estudada por uma equipa da Universidade de Geociências da China, liderada por Lida Xing, que identificou a garra como sendo uma pata de enantiornithe. Um estudo mais aprofundado, recorrendo a imagens digitais da amostra, revelou o admirável grau de conservação ocultado pelas densas camadas de âmbar, plantas carbonizadas e bolhas cheias de barro.

“Antes de termos submetido a amostra a uma TAC, julgava que tínhamos apenas um par de patas e algumas penas. Foi uma enorme surpresa o que viemos a descobrir," afirma Xing.

"As surpresas continuaram quando começamos a analisar a distribuição das penas e nos apercebemos de que havia porções de pele translúcida que ligavam muitas das regiões que vimos na TAC,” acrescenta o colíder da equipa, Ryan Mckellar, do Royal Saskatchewan Museum.

“Belone” está atualmente em exposição no Museu de Âmbar Hupoge, mas viajará até ao Museu de História Natural de Shangai a 24 de junho e lá permanecerá até ao final de julho de 2017.

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