Animais

A Ajuda dos Australianos aos Animais Afetados Pelo Calor

Desde mangueiras até "gelados de sangue", eis como estão a arrefecer os animais na Austrália. Quinta-feira, 1 Fevereiro

Por Sarah Gibbens

No Parque Australiano de Répteis em Nova Gales do Sul, os tratadores do parque têm estado a regar as aves para mantê-las frescas. Os répteis estão a ser pulverizados com mangueiras e aspersores. Os carnívoros estão a receber o que o jardim zoológico chama de "gelados de sangue" - sangue congelado que os animais podem lamber e assim evitarem o sobreaquecimento.

À medida que os australianos enfrentam um dos anos mais quentes de sempre registados — durante o mês mais quente do seu calendário — as publicações nas redes sociais têm exibido inúmeras imagens e vídeos de pessoas a tentar proporcionar algum alívio à vida selvagem local.

O calor extremo pode afetar animais e, também, pessoas. Como seres humanos, a exposição prolongada ao calor pode dar origem ao golpe de calor ou ser, até mesmo, fatal, sobretudo em populações vulneráveis.

Em conjugação com um nível de humidade invulgarmente elevado, os meteorologistas afirmam que as condições climatéricas atuais aumentam a probabilidade dos animais sofrerem de stress provocado pelo calor.

No início de Janeiro, centenas de raposas-voadoras foram encontradas mortas. Milhares provavelmente morrerão antes do fim do verão. Funcionários de vida selvagem afirmaram que uma exposição contínua a temperaturas que chegam quase os 48º C estavam, basicamente, a "ferver" os morcegos em vida.

COALAS QUENTES

Os coalas também foram afetados. Entre o aumento da perda de habitat e as elevadas temperaturas, estes pequenos animais foram obrigados a deixar as árvores — onde passam normalmente o seu tempo — e a ir para o solo em busca de água.

Matt Scully estava a pedalar por Adelaide, na Austrália do Sul, quando reparou num coala que estava no chão. Quando parou, deixou o coala, agora batizado de "Slurpy", beber da sua garrafa de água.

O coala sedento bebeu toda a água existente na garrafa.

IMPACTO DURADOURO?

Alguma vida selvagem poderá sofrer impactos a longo prazo, ao passo que para outros animais o futuro é incerto.

As manchetes dos jornais sobre o calor devastador parecem um déjà vu num país que já registou temperaturas máximas recorde em 2017 e não parece que 2019 irá fornecer qualquer alívio.

Em março do ano passado, os cientistas observaram que os coalas irão provavelmente sofrer impacto no seu habitat e poderão necessitar de uma intervenção humana mais ativa para evitar a sua desidratação.

Em anos anteriores, as ondas de calor mataram dezenas de milhares de raposas-voadoras, algumas das quais estão listadas como espécies ameaçadas.

Alguns elementos de equipas de salvamento de vida selvagem já manifestaram a sua preocupação pelo facto de uma elevada taxa de desflorestação poder expor mais animais a temperaturas cada vez mais elevadas, à medida que as capacidades de arrefecimento da sombra das copas das árvores são destruídas.

Este ano, pelo menos, os analistas esperam assistir na próxima semana a um alívio de curto prazo relativamente ao calor previsto.

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