Como é que as Tartarugas Marinhas Encontram a Praia Onde Nasceram?

Descubra como é que estes répteis marinhos usam o campo magnético da Terra para se orientarem no caminho de regresso.segunda-feira, 28 de maio de 2018

Para as tartarugas marinhas, a sua casa é onde está o seu coração… magnético.

Após eclodirem, estes grandes répteis marinhos empreendem migrações épicas e plurianuais nas águas dos oceanos. Depois, regressam ao mesmo lugar onde nasceram para acasalar e pôr os seus próprios ovos.

Desde há muito que é do conhecimento da comunidade científica que as tartarugas, à semelhança de tantos outros animais, navegam no mar por meio da deteção de linhas invisíveis do campo magnético, tal como os navegadores usam a latitude e a longitude. Mas desconhecia-se a forma como as tartarugas eram capazes de regressar ao lugar exato onde tinham nascido.

Um estudo revela a resposta: as tartarugas também confiam no campo magnético da Terra para encontrar o caminho de regresso a casa. Isto porque cada zona da linha costeira possui uma assinatura magnética própria, que os animais memorizam e usam, posteriormente, como uma espécie de bússola interna.

Mas a viagem não é fácil. O campo magnético muda lentamente e as tartarugas marinhas reagem em conformidade, mudando os locais onde nidificam, segundo o estudo Current Biology.

"É muito fascinante a forma como estas criaturas conseguem encontrar o caminho de regresso no meio de um imenso nada”, afirmou o coautor do estudo J. Roger Brothers, um estudante licenciado em Biologia da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill.

PERDIDO E ACHADO

As tartarugas marinhas, que pesam cerca de 113 quilos, possuem uma capacidade de alcance que abrange as águas de todos os oceanos, exceto as mais geladas.

Embora percorram centenas de quilómetros no mar, estes carnívoros parecem preferir os habitats costeiros, com uma presença populacional muito numerosa em águas americanas, quando comparadas com as outras espécies de tartarugas.

Todos os anos, milhares de voluntários percorrem os areais das praias da Califórnia para efetuar a contagem dos locais de nidificação das tartarugas marinhas, fornecendo aos cientistas um amplo conjunto de dados populacionais.

Simultaneamente, os investigadores têm tentado identificar mudanças subtis no campo magnético da Terra ao longo da linha costeira da Flórida, usando bússolas para avaliar as alterações da força de campo e outras propriedades no curso do tempo.

Assim, se se provar que as tartarugas marinhas fazem realmente uso do campo magnético da Terra para regressar às praias onde nasceram, então as mudanças identificadas no campo magnético implicam mudanças nos locais de nidificação das tartarugas marinhas.

Brothers e os colegas reuniram os dados científicos recolhidos pelos voluntários civis sobre os ninhos das tartarugas e os dados oficiais sobre o campo magnético para criar um mapa dinâmico, que mostrasse a comportamento de cada variável ao longo do tempo.

Os resultados confirmaram as suas hipóteses: a tartaruga marinha nidifica a par das mudanças ocorridas no campo magnético.

INTERFERÊNCIAS

"O que é importante neste estudo é o uso de uma métrica diferente na avaliação da importância da navegação magnética através da análise da movimentação das tartarugas. Isto nunca tinha sido feito até à data e constitui, por si só, um ótimo trabalho”, afirmou Peter Meylan, um biólogo marinho da Universidade de Eckerd na Flórida, que não participou no estudo.

Nathan Putman, um biólogo da Administração Nacional para a Atmosfera e os Oceanos do Centro Científico de Pescas do Sudeste, acrescentou que “Este é realmente um trabalho criativo, do tipo que nos faz interrogar “Como é que eu não pensei nisto antes?”

Os resultados também podem influir nas estratégias de conservação destes répteis em vias de extinção, afirmou Brothers. A população de tartarugas marinhas diminuiu em virtude da poluição, do arrasto de camarões e do desenvolvimento nas zonas de nidificação, entre outros fatores.

Por exemplo, muitos ambientalistas delimitaram os ninhos das tartarugas marinhas com gaiolas. Dado que estas estruturas são, na sua maioria, metálicas, a iniciativa pode interferir na capacidade das tartarugas para encontrarem o caminho de regresso a casa.

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