Uma Preguiça Bebé Junta-se à Sua Progenitora Num Vídeo Enternecedor

Encontrada desamparada numa praia da Costa Rica, a pequena preguiça juntou-se à progenitora graças a uma técnica criativa de uma equipa de resgate da vida selvagem. terça-feira, 29 de maio de 2018

Equipa de Resgate Volta a Juntar Bebé Preguiça à Mãe Através de Gravações de Áudio
Equipa de Resgate Volta a Juntar Bebé Preguiça à Mãe Através de Gravações de Áudio

Numa praia da Costa Rica, onde a selva encontra o mar, o som do choro de uma preguiça bebé perdida ecoou, recentemente, através de uma coluna de som.

Voluntários de um centro de resgate de jaguares, sem fins lucrativos, percorreram durante horas a praia de Cocles, reproduzindo os sons na esperança de levar a progenitora a reclamar a sua cria.

A preguiça bebé tinha sido encontrada no dia anterior por turistas, coberta de areia e formigas, e levada para o centro de resgate. Um exame clínico revelou que a bebé preguiça de três dedos e pelagem acastanhada, com o peso de uma lata de sopa, tinha apenas algumas semanas de vida e estava bem. Mas a cria não teria sobrevivido uma noite sozinha na praia.

A procura visual pela progenitora revelou-se infrutífera. Sabendo que as preguiças progenitoras reconhecem o choro das suas crias, a fundadora do centro e bióloga residente Encar Garcia gravou as vocalizações da pequena órfã no seu telemóvel, transferiu os ficheiros para uma coluna de som portátil e destacou uma equipa que se aventurou no terreno no dia seguinte.

Por volta das cinco da tarde, os voluntários repararam numa preguiça adulta que, curiosa, descia de uma árvore.

“Os voluntários estavam muito entusiasmados, porque tinham identificado uma preguiça que tinha descido de uma árvore e que andava às voltas que nem louca, supostamente à procura da sua cria”, diz Garcia, que envolveu a preguiça bebé numa toalha e se apressou em direção ao local, acompanhada pelo veterinário Fernando Alegre.

Garcia ergueu a cria à altura da preguiça adulta, que acolheu, imediatamente, a pequena órfã. As duas preguiças envolveram-se num terno abraço que levou a equipa de resgate às lagrimas, refere Garcia.

OS PERIGOS DE SE SER UMA PREGUIÇA

Esta espécie de preguiça tem apenas uma cria de cada vez, da qual cuida até que atinja os seis meses de vida.  

Esta fêmea, que não se terá sentido confortável no solo, terá usado, por certo, o seu olfato apurado para confirmar a identidade da sua cria e, posteriormente, escondido o focinho para minimizar o contacto com os humanos, afirma a técnica especialista em preguiças Monique Pool, diretora da Green Heritage Fund Suriname.

“Eu aplaudo a iniciativa do centro de resgaste de jaguares, porque as preguiças bebés têm mais hipóteses de sobreviver junto das respetivas progenitoras”, afirmou Pool por correio eletrónico.

O episódio é uma pequena amostra dos perigos que enfrenta uma preguiça bebé na orla da selva, acrescenta Sam Trull, diretor do Instituto da Preguiça, um centro de resgate da vida selvagem situado na linha costeira da Costa Rica sobre o oceano Pacífico.

Muitas preguiças morrem eletrocutadas por linhas de eletricidade, atropeladas por veículos automóveis ou atacadas por cães e são, muitas vezes, empurradas para outros espaços pela destruição do seu habitat, por mais inócuo que possa parecer o abate de uma árvore. E, até nas melhores circunstâncias, uma cria desajeitada está sujeita a cair desamparada de uma árvore, diz Pool.

Embora esta espécie de preguiça, de três dedos e pelagem acastanhada, não esteja ameaçada de extinção, tal “não significa que não esteja exposta a riscos”, afirma Trull.

UM PLANO SÓLIDO

Garcia afirma que a reprodução do choro de uma preguiça bebé é uma técnica válida e testada, que já fora usada com sucesso em ocasiões anteriores.  

“Em tempos, tive comigo uma cria durante oito dias”, diz. “Até que, por fim, conseguimos encontrar a progenitora.” 

Em 2017, o seu centro de resgate acolheu 150 preguiças orfãs ou feridas. Durante este ano e até ao momento, foram acolhidas cerca de uma centena de animais. Cuidar de uma preguiça bebé de três dedos pode ser um desafio, em parte porque as folhas de que se alimentam são difíceis de obter, realça Garcia.

Mas os benefícios compensam largamente o esforço. Mesmo após 17 anos de atividade, Garcia ainda se deixa enternecer pela doçura da cena a que assistiu na praia naquele dia.

"Para mim, foi tão enternecedor como o primeiro de todos os resgates."

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