Animais

Fotografada Zebra Albina Extremamente Rara

Os cientistas dizem que as imagens confirmam que uma zebra com albinismo pode sobreviver na natureza.terça-feira, 9 de abril de 2019

Por Natasha Daly
Uma zebra extremamente rara, com albinismo parcial, passeia por um vale no Parque Nacional do Serengeti. Um número reduzido de zebras com esta condição vive em cativeiro, mas este avistamento confirma que pelo menos uma zebra “dourada” também vive na natureza.

No dia 17 de fevereiro, perto de um bebedouro num vale tranquilo, no Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia, o fotógrafo Sergio Pitamitz esperava captar algumas imagens de zebras em migração. Enquanto dezenas de animais vagueavam lentamente pela clareira, ele reparou em algo incomum no meio do rebanho: um clarão branco.

“Ao princípio pensei que a zebra se tinha espojado no pó”, diz Pitamitz. Mas enquanto ele observava a zebra a mergulhar na água para beber, reparou que o “pó” não saía. Pitamitz passou-se com a excitação.

A zebra de cor dourada terá provavelmente albinismo parcial, uma condição observada muito raramente em zebras, confirmam vários cientistas, incluindo Greg Barsh, geneticista do Instituto de Biotecnologia HudsonAlpha.

Albinismo parcial significa que o animal tem melanina em quantidades substancialmente menores – um pigmento natural que se encontra na pele – do que as zebras normais. Isto resulta em listas de cores aparentemente pálidas.

“Não se sabe nada sobre albinismo em zebras”, diz Barsh por email. Esses animais são avistados muito raramente e apesar de existirem alguns relatos de avistamentos na natureza, só existe confirmação da sua existência em cativeiro. Algumas dezenas de zebras parcialmente albinas vivem numa reserva particular no Parque Nacional do Monte Quénia. Outra, chamada Zoe, nasceu com essa condição num jardim zoológico no Havai e passou a sua vida num santuário, até morrer em 2017.

Barsh diz que o avistamento sugere que a variante genética, responsável pelo albinismo parcial, pode estar distribuída de forma mais abrangente, dentro e fora do Quénia, do que se pensava anteriormente.

TODOS IGUAIS

As fotografias de Pitamitz “confirmam que os animais com essa condição conseguem sobreviver na natureza e, aparentemente, são aceites pelas zebras “normais”, diz.

Ren Larison, biólogo na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que recebeu financiamento da National Geographic Society, refere que as zebras masculinas “louras” na reserva privada no Monte Quénia se comportam “como garanhões em haréns” – agrupamento padrão de zebras, com um único macho e várias fêmeas.

A zebra de aparência única parece ser aceite pelas suas companheiras de rebanho. As zebras reconhecem-se pelo som e pelo cheiro – os especialistas dizem que não é surpreendente que uma zebra dourada se encaixe normalmente.

E na natureza, outros tipos de zebras de cores diferentes (como zebras malhadas e zebras que parecem ter listas pretas a mais) também se encaixam perfeitamente no rebanho, diz Barsh. Estes tipos de zebras de aparência incomum roçam as suas cabeças nas cabeças das outras, e fazem o que as zebras fazem normalmente.

Apesar da aceitação social não ser um problema, Barsh e Larison dizem que é possível que as zebras selvagens, parcialmente albinas, possam enfrentar desafios relativamente a autoproteção. Embora ainda não saibamos exatamente todas as funções desempenhadas pelas listas das zebras (não existem provas de que as listas afastem os predadores ou que atuem como camuflagem, por exemplo), há fortes indícios que as listas afugentam moscas mordazes.

Tim Caro, ecologista evolucionário na Universidade da Califórnia, estudou extensivamente a relação entre as listas de zebra e as moscas mordazes, e diz que é possível que as listas de cores mais pálidas não detenham as moscas tão bem quanto as listas pretas comuns.

Apesar de não sabermos com exatidão a forma como as listas escuras funcionam na luta contra as moscas, o facto de existirem tão poucas zebras douradas indica que essa peculiaridade é de alguma forma prejudicial, diz Caro.

ÀS ESCURAS

O albinismo total ou parcial tem sido muito estudado em animais domésticos: humanos, ratos, cavalos e porquinhos-da-índia, por exemplo. Mas o que sabemos sobre albinismo em animais domésticos não tem utilidade quando tentamos perceber os efeitos do albinismo nas condições de sobrevivência na natureza, diz Barsh.

É um desafio, diz, tentar compreender uma anormalidade num animal do qual mal nos conseguimos aproximar. Embora a população em cativeiro no Quénia seja suficiente para estudar genética, as zebras são muito nervosas, e é difícil recolher amostras de sangue.

Para Sergio Pitamitz, cujas fotografias ajudaram a aprofundar a nossa compreensão sobre o albinismo em zebras selvagens, fotografar a zebra dourada foi como se tivesse ganho a lotaria – pela segunda vez. Há dois anos, Pitamitz fotografou um gato preto extremamente raro no Quénia.

“A fotografia de vida selvagem é paixão e paciência. Mas às vezes a sorte ajuda!”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

 

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