Animais

Os Gatos Reconhecem os Seus Nomes – Mas Não Como os Cães

Uma nova investigação, feita em lares e cafés de gatos no Japão, revela que os nossos felinos de estimação estão mais sintonizados connosco do pensávamos.Monday, April 22, 2019

Por Carrie Arnold
Os gatos associam os seus nomes a recompensas, como comida ou carinhos.

Os gatos sabem muitas coisas: como apanhar ratos, o que significa o som de abertura da lata de comida, e até como tomar a internet de assalto.

Mas a questão mais colocada a Atsuko Saito, especialista em gatos, é se os gatos reconhecem os seus próprios nomes – uma capacidade bastante reconhecida nos cães.

Num novo estudo, na revista Scientific Reports, a psicóloga da Universidade Sophia, em Tóquio, mostra que os gatos sabem os seus nomes – mesmo quando são chamados por um estranho.

Os gatos são o animal preferido de Saito, e depois de estudar as capacidades cognitivas de primatas durante o pós-graduamento, apontou as suas capacidades de investigação para estes animais, que são frequentemente incompreendidos.

“Eu adoro gatos. São tão giros e egoístas. Quando querem ser tocados, vêm ter comigo, mas quando querem estar descansados, vão-se embora”, diz Saito a rir.

As suas experiências anteriores revelaram que os gatos conseguem interpretar gestos humanos para encontrar comida escondida, reconhecer a voz do seu dono e implorar por comida às pessoas que olham para eles e chamam os seus nomes – sugerindo que os felinos reconhecem de facto como se chamam.

A IMPORTÂNCIA DE UM NOME

Saito e os colegas testaram esta teoria observando um total de 78 gatos domésticos e felinos que vivem nos famosos cafés de gatos no Japão

Nas casas e nos cafés, os investigadores pediram aos donos e a estranhos para chamarem um gato pelo nome, e depois filmaram as repostas que indicariam reconhecimento, como os movimentos das orelhas e da cabeça, e o abanar da cauda.

Numa série de quatro experiências diferentes, a equipa descobriu que os gatos demonstram uma resposta significativa aos seus próprios nomes – mesmo quando ouvem sons ou nomes semelhantes de outros gatos a viver na mesma casa, ou no mesmo café.

Quando os donos chamavam pelos seus nomes, os gatos demonstravam interesse, mas também quando eram estranhos a fazê-lo.

É possível que os gatos tenham aprendido a associar o som do seu nome a recompensas, como comida ou carinhos, explica Saito.

“Foi um estudo realmente bem feito”, diz Jennifer Vonk, psicóloga cognitiva na Universidade de Oakland, em Michigan, que não esteve envolvida no estudo.

Vonk fez uma experiência semelhante com os seus gatos, ainda que com contornos cómicos, onde pedia ao seu marido para cantar todo o tipo de nomes idiotas para ver se os animais respondiam. Geralmente não o faziam.

VANTAGEM CANINA

Apesar das reações dos gatos não serem tão efusivas quanto as dos cães, Saito realça que os caninos nascem literalmente preparados para reagir aos seus nomes.

Durante séculos, as pessoas criaram seletivamente os cães para serem obedientes e recetivos. Os gatos, por outro lado, domesticaram-se praticamente a eles próprios, enquanto perseguiam ratos em povoações agrícolas. Para além disso, os cães domésticos têm um avanço de 20 mil anos sobre os gatos.

E uma das coisas que os cães aprendem nas escolas de obediência é a responder ao seu nome, facilitando o trabalho e a socialização com caninos.

“Estamos sempre a levar os cães a passear e eles conhecem pessoas novas. E podemos treinar facilmente os cães com comida ou outras recompensas”, diz Vonk.

“Podemos levar gatos para o laboratório, mas eles não reagem.”

EVOLUÇÃO EM PROGRESSO

Saito diz que os gatos domésticos ainda estão a evoluir – graças a nós.

Até há uma década ou duas, a maioria dos gatos de estimação passava grande parte do seu tempo no exterior, regressando a casa já de noite ou quando estava mau tempo.

Com cada vez mais gatos a viver dentro de portas, em contacto próximo com os humanos, as capacidades de um gato ler e responder às nossas indicações vão-se aperfeiçoando.

“A evolução social é um processo contínuo”, conclui Saito.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler